Quatro anos da Rio 2016: Rafaela Silva, do apogeu olímpico ao drama do doping - Surto Olimpico

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Quatro anos da Rio 2016: Rafaela Silva, do apogeu olímpico ao drama do doping

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Rafaela Silva feliz posando para foto com a medalha de ouro na Rio 2016
A última quarta-feira (5) foi marcada por completar quatro anos dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Assim como na quinta-feira (6), quando relembramos a primeira medalha brasileira conquistada nos Jogos com Felipe Wu, no tiro esportivo, o Surto Olímpico revira o arquivo digital para trazer o ciclo olímpico de Rafaela Silva, campeã olímpica há exatamente quatro anos na categoria até 57kg do judô, o primeiro ouro brasileiro na edição em que sediou.

"Uma carga extra de pressão pela primeira medalha". Foi assim que o repórter do Surto Olímpico, Rodrigo Huk, definiu o dia de Rafaela naquele 08/08/2016. Já era o terceiro dia da competição de judô nos Jogos e o Brasil, uma das potências da modalidade, vinha zerado em medalhas. 

Cabia a Rafaela mudar essa história, logo ela, que adorava provar sua capacidade. Seria o Rio de Janeiro, onde ela conquistou o título mundial em 2013, o lugar perfeito para isso? Coube a judoca da Cidade de Deus "chamar a responsabilidade e ter um dia perfeito na Arena Carioca 2", descreveu Huk. A campanha completa, em detalhes, você encontra aqui.

Rafaela Silva venceu as duas primeiras lutas com certa tranquilidade e teve pela frente o bicho-papão de Londres 2012, a húngara Hedvig Karakas, que enfrentava a brasileira na competição britânica até ela ser desclassificada por uma entrada irregular, uma catada de perna. Relembre a participação de Rafaela em Londres 2012 e a repercussão negativa sofrida por Rafaela na primeira cobertura olímpica do Surto, ambas por Mateus Machado.

"No Rio, no entanto, não teve trauma ou qualquer outro fator que pudesse frear o ímpeto da brasileira contra Karakas", foi o relato de Huk, em 2016. Com essa gana de vencer, Rafaela teve um duelo difícil na semifinal, mas foi na final contra a mongol Sumiya Dorjsuren que a torcida brasileira inflamou a Arena.

"A atmosfera criada pela torcida brasileira foi o ingrediente necessário para reverter a vantagem do desgaste que a mongol poderia ter", disse Huk em seu texto. Foram quatro minutos de luta, o suficiente para a torcida brasileira deixar desorientada a atleta da Mongólia. Rafaela administrou seu golpe aplicado logo cedo na luta e saiu dali para os braços da torcida.


Foi a glória para a menina da Cidade de Deus, vítima de racismo após a eliminação em Londres 2012, onde chegou como vice-campeã mundial. Rafaela fez do limão uma limonada.

"Falaram que o judô não era para mim, que eu era uma vergonha para a minha família, que lugar de macaco era numa jaula, e não numa Olimpíada. Agora, pude provar para todos que me criticaram que posso estar entre as melhores da minha categoria", desabafou Rafa Silva logo após o título olímpico ao lado da sua família e amigos.

Ao Rio, ela havia chegado com título mundial em 2013, e derrota na estreia de 2015. Se em 2013 foi "volta por cima", como Felipe Andrade chamou na época ao Surto, nada se compara ao feito de 2016.

Como Regys Silva noticiou, Rafaela Silva foi apenas uma dentre 13 judocas que foram campeões mundiais e olímpicos entre 2009 e 2016. Ainda ao fim do ano, ela foi uma das indicadas ao prêmio de melhor judoca do ano pela Federação Internacional de Judô.

Na época com 24 anos, Rafaela Silva fez uma carreata em um caminhão do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, sendo aplaudida por centenas de pessoas na Cidade de Deus ainda em agosto de 2016.


Rafaela Silva em carreata pela Cidade de Deus após o ouro nos Jogos Olímpicos Rio 2016
Rafaela é nascida e criada na comunidade Cidade de Deus - Foto: Reprodução/Facebook

Já em 2017, mas ainda referente à 2016, Rafaela conquistou o Prêmio Brasil Olímpico e foi campeã do voto popular enquanto disputava o Grand Prix de Tbilisi, em março, como relatou Marcos Antônio, nosso enviado especial à premiação.

O ano seguinte ao título olímpico foi regular para a judoca. Ela se manteve entre as principais atletas da categoria até 57kg, conquistando três pódios no Circuito Mundial, mas sendo eliminada nas primeiras rodadas do Mundial em Budapeste.

No Mundial de Baku, em 2018, novamente uma eliminação precoce como escreveu Daniel Barbosa ,em setembro. Por outro lado, a carioca venceu o Grand Prix de Cancun e o Grand Prix de Budapeste, como escreveram Túlio Siqueira e Bruno Vieira em agosto de 2018.

Os resultados foram considerados satisfatórios em um ano complicado para a atleta, com cirurgia no cotovelo e caxumba no final do ano. No Prêmio Brasil Olímpico de 2018, a judoca concedeu uma entrevista exclusiva ao Surto Olímpico, onde relatou seus problemas de saúde durante aquele ano.

Fora dos tatames, Rafaela aproveitou também seu papel como estrela do judô. Ela deu uma palestra na região de Boston, em um evento organizado por estudantes da Universidade de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em abril de 2018.

Ela também usou de suas conquistas para alertar sobre o racismo no Brasil, relatando o constrangimento que sofreu em uma ação policial em fevereiro de 2018. As declarações repercutiram tanto que a Polícia Militar chegou a condenar as falas da judoca ao invés de propor ações para combater o racismo no Brasil.

Em 2019, logo no início do ano a expectativa de começar a temporada melhor do que o ano anterior foi se concretizando, com um quinto lugar no Grand Slam de Paris e uma prata no Grand Slam de Dusseldorf, como relatado por Túlio Siqueira em nossa cobertura. A matéria, resumindo o primeiro dia da competição, mostrava Rafa entre as melhores judocas do mundo e conquistando um bom resultado.

Parecia um ano perfeito para ela. Foram quatro pódios até maio, incluindo uma prata no Grand Slam de Dusseldorf, em que Rafaela não parecia com cara muito feliz no pódio.

Ela engrenou na temporada, com ouros no Grand Slam de Baku e Grand Prix de Budapeste, às vésperas dos Jogos Pan-Americanos Lima 2019. O cenário estava excelente e foi terminado com o ouro na competição das Américas e um bronze no Campeonato Mundial de Tóquio, também relatados em matérias no Surto em agosto de 2019. Confira as campanhas: ouro no Pan e bronze no Mundial.

Rafaela Silva desolada após competição
Rafaela Silva perdeu a medalha de ouro conquistada no Pan - Foto: Pedro Ramos/Rede do Esporte

Tudo parecia estar indo bem para a atleta, que carregou a bandeira brasileira no encerramento dos Jogos Pan-Americanos de Lima.

Mas a bomba caiu em setembro. O mundo do esporte foi surpreendido com o doping da judoca pela substância Fenoterol, que não é proibida se tiver autorização. Cria do Instituto Reação, do ex-judoca Flávio Canto, a atleta negou o doping dias depois em uma coletiva de imprensa e disse que foi um acidente com um bebê. Sua medalha de ouro foi cassada.

Mesmo após o doping em setembro, a Federação Internacional do Judô autorizou que Rafa competisse. Em outubro ela conquistou o bronze no Grand Slam de Brasília e foi campeã mundial Militar. Marcos Antônio foi quem produziu o relato.

A atleta ainda se colocou em suspensão voluntária a partir de novembro e teve a sentença final em janeiro deste ano. Em 24 de janeiro de 2020, o Surto Olímpico relatou a suspensão por dois anos de Rafaela Silva. No momento ela recorre através da Corte Arbitral do Esporte (CAS) e espera julgamento. Se tiver uma pena leve ou média, Rafaela Silva poderá competir em Tóquio 2020, adiado para 2021. Caso não consiga, a atleta estará de fora das Olimpíadas.

Em entrevista ao Esporte Espetacular, da TV Globo, Rafaela Silva chorou ao dizer que "perder uma Olimpíada sem ter a oportunidade de participar, vai doer mais do que em Londres". 

Quatro ano após chegar aos céus, conquistar os deuses gregos e calar a voz dos racistas, Rafaela Silva vive o maior drama de sua vida.

Foto: Pedro Kirilos/Agência O Globo

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