“Não sinto verdade”: o selo Rafa Kalimann em declarações e especulações sobre Tóquio 2020 - Surto Olímpico

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“Não sinto verdade”: o selo Rafa Kalimann em declarações e especulações sobre Tóquio 2020

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"Imagens do Esporte" #2 - "Vai ter olimpíada?", os desafios em responder adequadamente à pergunta que não quer calar mas o COI e o comitê de Tóquio 2020 fingem não ouvir

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Quem acompanha de perto as notícias sobre os Jogos Olímpicos talvez não aguenta mais o troca-troca de informação sobre a edição de Tóquio. A maioria dessas notícias ou declarações tem o que eu tenho chamado de selo Rafa Kalimann, após a treta da vice-campeã do Big Brother Brasil 20 com sua companheira de confinamento, Flayslane quando a influencer disse em rede nacional: “não sinto verdade”. 


Continuando com a icônica fala dela, eu também “não gosto de você”, funcionário do comitê organizador, ou membro do gabinete ou quem quer que seja que espalha esses boatos. “Acho você, sim, incoerente”, Thomas Bach e chefões do COI e Comitê Organizador, pois não adianta a esta altura do campeonato fingir que está tudo bem e não existe nem plano B.


É inevitável que Bach tem tudo para sair fortalecido desta crise, visto que apesar de vários problemas, não deve encontrar oposição a caminho de sua reeleição como presidente do COI na sessão virtual a ser realizada em março - fruto de um processo longo de modernização da entidade a qual ele merecidamente deve ser elogiado. 


Mas qual a dificuldade de falar que várias opções estão sendo postas na mesa, referentes a torcida, imprensa, voluntários, público, calendário, delegações, etc, mas o cancelamento não está entre elas? Como Guilherme Costa, um dos maiores especialistas em Jogos Olímpicos (e em BBB), bem notou, a decisão já "está tomada", mas ninguém confia muito:


O roteiro do ano passado parece repetir-se, em que Thomas Bach e lideranças do COI e Tóquio 2020 garantem que está tudo certo e “não tem motivos para preocupação”, falas completamente desprovidas da realidade. Dia 12 de março de 2020, quando o fogo sagrado foi aceso em Olímpia, a média diária de casos era 8 mil, enquanto agora estamos nos 600 mil casos diários. Ainda que pela primeira vez em mais de um ano o número de casos diários em todo o mundo parece diminuir, e o número de vacinados já se aproxima do número de infectados (oficialmente), a situação segue muito mais grave.


Em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira (27), ele ao menos não só admitiu não saber nada a respeito dos ingressos e participação do público, como pediu uma decisão rápida por parte do Comitê Organizador Local enquanto deixava claro nas caras e bocas sua insatisfação com a gerência dos organizadores de Tóquio 2020 em controlar os rumores. Se a falta de definição nos assusta, ao menos talvez seja o início de uma relação mais transparente do COI com atletas, imprensa e público. A falta de transparência, inclusive, foi um dos principais problemas no adiamento original, como cheguei a comentar num artigo que co-escrevi para o número especial da Revista Olimpianos


Thomas Bach manteve o discurso oficial na coletiva desta quarta-feira (27), mas demonstrou insatisfação
com algumas falhas na comunicação por parte do comitê de organização - Fotos: Greg Martin / COI 


É importante lembrar que o Japão ainda não organizou competições internacionais desde a explosão do COVID-19 - inclusive acabaram de adiar o pré-olímpico de Nado Artístico que seria realizado entre 4 e 7 de março já que “restrições de entrada de estrangeiros tornaria os preparativos muito difíceis”. O que dizer dos Jogos Olímpicos com suas dezenas de milhares de atletas, membros de equipe, dirigentes, árbitros, funcionários, voluntários, imprensa e público? 


Um debate cada vez mais recorrente é a respeito da responsabilidade jornalística que todos temos em passar informações para o público. É só ver no twitter, facebook, instagram e afins, a quantidade de perguntas “quando vão definir os jogos olímpicos?”. O COI mantém a cara dura que não há dúvidas, enquanto outras perguntas “vai ter público de fora?”, “vai ter imprensa estrangeira?”, “quarentena será necessária?”, etc. seguem sem resposta, mesmo com venda de ingressos acontecendo normalmente e o COI assegurando que não terá cortes na imprensa. 



O Surto Olímpico claro que discute internamente essas coisas também. Só nas últimas semanas teve um Membro do Comitê Organizador (escolhido por ter levado um contrato milionário de propaganda, sejamos claros) dizendo que Joe Biden poderá ser o "salvador" de Tóquio , The Times usando membro do governo como fonte exclusiva de cancelamento, ex-vice-presidente do COI pondo a batata quente na mão da ONU  e a última edição das intermináveis e frequentes pesquisas de opinião que não deixam dúvidas o quanto a população de Tóquio está insatisfeita com a realização dos jogos. 


Por outro lado, temos Thomas Bach falando que não há plano B, e perdendo tempo desmentindo boatos. Tudo isso dá margem para que cartinhas ao COI enviadas por pessoas aleatórias virem notícia  e o início do debate a respeito de vacinação dos atletas ou não (Israel disse que os atletas irão vacinados - sem nenhuma menção à Palestina -, políticos do Reino Unido e o comitê olímpico da Grã-Bretanha dizem oficialmente que os atletas não furarão fila mas Mo Farah diz ter ouvido falar que atletas serão vacinados sim). 


Errado não está Sebastian Coe que se preocupa que atletas olímpicos e paralímpicos sejam “varridos de boato em boato" e sensata está Alice Dearing, nadadora britânica que busca uma vaga na disputa de maratona aquática e decidiu bloquear de seu twitter posts a respeito das olimpíadas 



Lucas Vidigal, jornalista do G1 que comenta bastante sobre os Jogos Olímpicos em seu perfil do Twitter e que já foi membro do Surto Olímpico resumiu muito bem a questão. É perigoso cair nos boatos sem a devida apuração, que trata twitter e click bait como um furo,  mas também não nos ater meramente ao discurso oficial, que trata release e declaração como uma notícia completa. 



Afinal, estamos aqui para noticiar, mas com responsabilidade. Enquanto isso, o Comitê Olímpico Internacional e a organização de Tóquio 2020 também têm a responsabilidade de deixar atletas e demais os envolvidos com o olimpismo seguros com os próximos passos, esclarecendo as decisões tomadas na tão prometida transparência, sem nenhuma “incoerência em suas falas e posicionamentos”. 


Montagem: Reprodução / Globo

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