Brasil, 100 Anos Olímpicos - Atenas 2004 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 Anos Olímpicos - Atenas 2004

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Oito anos depois, o COI reparou a injustiça histórica e deu Atenas o direito de ter a primeira olimpíada do século XXI. Os jogos começariam sob o prisma do medo, após os terríveis ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e em março de 2004 em Madri. Mesmo com toda preocupação com a segurança e com obras inacabadas – Atenas quase perdeu o direito de sediar os Jogos – tudo ficou pronto a tempo e o que se viu foram jogos impecáveis (vamos ignorar as dívidas impagáveis dos gregos no pós olimpíada...).

Brasil, 100 anos olímpicos - Los Angeles 1984
Brasil, 100 anos olímpicos - Seul 1988
Brasil,100 anos olímpicos - Barcelona 1992
Brasil, 100 anos olímpicos - Atlanta 1996
Brasil,100 anos olímpicos - Sydney 2000

O Brasil também tratou de fazer uma campanha com recordes de medalhas de ouro. Em 2001, o presidente Fernando Henrique Cardoso aprovou a lei Piva, que destinava 2% do faturamento bruto aos comitês olímpico (85%) e paraolímpico (15%) do Brasil. Se não tivemos um plano coeso de massificação do esporte – o que nunca foi do interesse de Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB na época – apagamos a atuação sem ouros em Sydney e tivemos o maior número de medalhas de ouro na história na Grécia.
Foto:FIVB

Uma das medalhas de ouro mais esperadas era a do vôlei masculino. A seleção, desde que passou a ser comandada pelo ex-técnico da seleção feminina Bernardinho em 2001 , ganhou praticamente tudo que disputou: Copa do Mundo, Campeonato Mundial, Liga Mundial e era a grande favorita. Faltava 'apenas' o sonhado bi olímpico. Foi uma campanha mágica, com apenas uma derrota na primeira fase para os Estados Unidos – que foi aniquilado na semifinal depois – e uma vitória inapelável na final por 3 sets a 1 (25-15, 24-26, 25-20 e 25-22) na seleção italiana, que sacramentou o bicampeonato olímpico do Brasil no vôlei (o primeiro em esportes coletivos), consolidando a conquista com o tradicional 'peixinho' feito após cada título dessa seleção. Além disso, Giovane e Maurício se sagraram bicampeões olímpicos, igualando a lenda Adhemar Ferreira da Silva.


Outro ouro quase certo era o de Ricardo e Emanuel. Após a dupla se reunir em 2001, os títulos vieram em progressão geométrica e os dois viraram os nomes a serem batidos em Atenas. Mas ninguém conseguiu superar a técnica de Emanuel e o paredão formado por Ricardo, o ‘block machine’. A vitória em cima de Bosma/Herrera (ESP) por 2 sets 0 (21/16 e 21/15) veio coroar o primeiro título olímpico do Brasil no vôlei de praia masculino.

Foto:FIVB
No vôlei de praia feminino, Adriana Behar e Shelda fizeram mais uma vez uma campanha sólida e foram para sua segunda final olímpica, mas foram facilmente derrotadas por Walsh e May (USA) por 2 sets 0 (21–17, 21–11), que eram a melhor dupla do mundo e viriam a dominar o vôlei de praia feminino nos próximos anos.Foi a última participação olímpica da dupla, considerada uma das melhores da história do vôlei de praia.

foto:CBVela
A Vela brasileira, após o jejum de ouros em Sydney, tratou de voltar ao alto do pódio em dose dupla, com seus melhores iatistas da história dominando todas as regatas: Robert Scheidt - sem o grande rival Ben Ainsle (GBR) que migrou para a classe Finn -  dominou na classe laser, ganhando uma de suas medalhas mais tranquilas, e Torben Grael e Marcelo Ferreira conseguiram o bicampeonato olímpico na classe star  também de forma confortável- com uma regata de antecedência.

Foto: Reprodução/COB

Os três velejadores também igualaram a nossa lenda Adhemar Ferreira da Silva como bicampeões olímpicos. Torben conquistou sua quinta medalha em seis olimpíadas e tornou o maior medalhista do Brasil em Jogos olímpicos, nessa que foi sua última participação olímpica.

O quinto ouro só veio após os Jogos. Rodrigo Pessoa voltava aos jogos olímpicos com Baloubet Du Rouet, tão execrado quatro antes. Rodrigo chegou a cogitar a mudar de montaria durante o ciclo, mas resolveu seguir com o Baloubet até o fim para dar uma chance ao cavalo, tão querido por Rodrigo, de se redimir. Ele conseguiu a medalha de prata e quando deu a missão de seu amigo cumprida, veio a surpresa de que o cavalo do medalhista de ouro Cian O´Connor (IRL), Waterford Crystal, foi pego no exame antidoping por uso de tranquilizantes (para manter o arisco cavalo mais tranquilo durante a prova) . Apesar de toda a reclamação pela amostra B da urina do cavalo ter desaparecido, o irlandês perdeu a medalha, que ficou com o Brasileiro.

Foto: Cezar Loureiro/Acervo O Globo

E em uma cerimônia no Rio de Janeiro em 2005, Rodrigo Pessoa recebeu a medalha olímpica e se tornou o primeiro atleta a receber uma medalha olímpica em solo brasileiro. Já em fim de carreira esportiva, Baloubet recebeu sua medalha no haras que habitava em Portugal.

foto: Leifteris Pikadis/ AP
E quase que as meninas conseguem a tão sonhada medalha de ouro inédita do futebol. Comandadas pelo técnico Renê Simões, a geração de Pretinha  e Formiga se juntou a geração das promessas Marta (18 anos) e Cristiane (19 anos) na época, o Brasil foi arrasador. Na semifinal venceu a Suécia por 1 a 0 e foi para a grande final contra os Estados Unidos - atual campeã mundial. O jogo terminou 1 a 1 no tempo normal – gols de Tarpley e Pretinha – e faltando oito minutos para o fim da prorrogação, Abby Wambach fez o gol que garantiu o ouro das americanas e a inédita prata para o Brasil, que perdeu muitas oportunidades e teve até uma reclamação de pênalti, mas no fim comemorou a primeira medalha do futebol feminino brasileiro.

Das três medalhas de bronze, duas foram do judô brasileiro. Leandro Guilheiro veio na repescagem na categoria até 73 Kg e derrotou Victor Bol (MDA), o mesmo caminho feito por Flávio Canto, que caiu na repescagem na categoria até 81kg e avançou até vencer a disputa do bronze contra Robert Krawczyk (POL). 

Foto: Jiro Mochizuki/AP
Já outro bronze, merece uma história à parte: em sua terceira participação olímpica, Vanderlei Cordeiro de Lima liderava com folga a prova da maratona, em uma atuação excepcional do brasileiro, que chegou a colocar 46 segundos de vantagem para o segundo colocado. Foi aí que veio o único grande deslize de segurança dos Jogos de Atenas, quando o padre irlandês louco Cornelius Horan invadiu a pista e o segurou por uns instantes. Espectadores gregos ajudaram a tirar o louco de cima do Vanderlei, que ficou atordoado por alguns momentos antes de voltar a correr. Mas sem o mesmo pique, foi ultrapassado por Stefano Baldini (ITA) e Mebrathom Keflezighi (USA). Vanderlei chegou ao estádio Panathinaikos em terceiro, foi aplaudido de pé ao cruzar a linha de chegada e ficar com a medalha de bronze.

O Brasil entrou com um protesto para que fosse dada uma segunda medalha de ouro a Vanderlei por conta do seu ritmo bom antes de ser atrapalhado por uma influência externa, mas o COI negou o pedido e resolveu dar ao brasileiro a medalha Pierre de Coubertin, dada ao esportista que demonstra o verdadeiro espírito olímpico durante a competição. Até hoje, Vanderlei é o primeiro e único brasileiro a ter essa honraria. 

Na Trave!

foto: Morry Gash/AP

A seleção de Vôlei feminino teve um ciclo olímpico muito conturbado e viu em José Roberto Guimarães a chance de conseguir ir ao pódio em sua terceira olimpíada seguida. E o caminho até a semifinal foi bom, com o Brasil chegando a estar 24 a 19 no quarto set contra as russas. Aí veio uma pane das jogadoras brasileiras, que após uma penca de chances perdidas sofreram uma virada inacreditável, em que as russas venceram o quarto set por 28 a 26 e venceram o tie break por 15 a 10. Foi um choque tão grande para a seleção, que na disputa do Bronze foram derrotadas por Cuba por 3 sets a 1, ficando com o quarto lugar. E ali se iniciava uma estigma de ‘amarelonas’ que seguiriam as jogadoras até os jogos olímpicos de Pequim., quando veio a redenção.

Outra perda de medalha quase que inacreditável foi de Ricardo Winicki, o Bimba, no RS:X (windsurfe). O brasileiro entrou na regata da medalha na primeira colocação e precisava de apenas de um terceiro lugar para garantir o ouro e um décimo sexto lugar para se garantir no pódio. Apesar de largar na frente, tudo deu errado para o Brasileiro que terminou em décimo sétimo, ficando sem medalha na quarta posição. O Brasileiro culpou os poucos ventos na hora da regata e os helicópteros que fizeram 'rajadas de vento' que ajudaram certos velejadores para o resultado da fatídica regata.

O Basquete feminino, mais uma vez comandado por Janeth, chegou a mais uma semifinal olímpica, mas assim como em 2000, sucumbiu para a Austrália da excepcional pivô Lauren Jackson. E na disputa do bronze, o Brasil não conseguiu superar a Rússia, ficando em quarto lugar. Essa seria a olimpíada de despedida da Janeth e o basquete feminino nunca mais conseguiu repetir os bons resultados em jogos olímpicos.

No Taekwondo, dois atletas brilharam e mostraram a que vieram, faltando pouco pra medalha olímpica. Entre as mulheres, Natália Falavigna perdeu na semifinal e chegou a disputa do bronze (no Taekwondo na época só uma medalha de bronze era dada), mas a brasileira perdeu por 7 a 4 para Adriana Carmona (VEN), igualando o melhor resultado de uma brasileira em esportes individuais em jogos olímpicos, feito por Aída dos Santos em Tóquio 64.

Entre os homens, Diogo Silva também caiu nas quartas de final, mas se recuperou na repescagem e na disputa do bronze perdeu para por 12 a 7 para Song Myeong-Seob (KOR). Após a luta, Diogo aproveitou e vestindo uma luva, refez o protesto dos panteras negras da olimpíada de 68.

Foto: Kim Hyung Hoon/Reuters
"É uma luva dos Black Panthers, um sinal de protesto, da indignação. Por mais que a gente batalhe, nosso sacrifício não é recompensado. Foi meu protesto para que o Brasil veja a dificuldade que o esporte amador enfrenta. A gente merecia mais apoio do governo e dos empresários", desabafou o lutador em entrevista ao portal 'UOL' na época.

Estreias

Fabiana Beltrame foi a primeira brasileira a disputar uma prova no remo olímpico, ficando em décimo quarto na single sculls. Fabiana se tornaria a principal remadora brasileira da história, com direito a título mundial em prova não olímpica do skiff simples em 2011. 

No pentatlo moderno feminino, a americana naturalizada Samantha Harvey foi a primeira brasileira a disputar uma olimpíada no esporte, ficando na vigésima quinta colocação. E Alessandra Picagevicz foi a primeira marchadora do Brasil em olimpíadas, ficando na quadragésima oitava posição na prova dos 20km.

Um pé fora do tablado

Mesmo recém-recuperada de uma contusão no joelho, Daiane dos Santos chegou em Atenas como uma das grandes favoritas a conquistar a primeira medalha do Brasil na ginástica já que tinha encantado os brasileiros um ano antes quando se tornou uma inédita campeã mundial no solo.

Ao som de 'Brasileirinho', uma atuação segura da gaúcha a fez ir para final olímpica do solo, se tornando a primeira brasileira a disputar uma final por aparelhos da ginástica. Na final, o nervosismo de ser a primeira a se apresentar, além dos elementos super E (maior escala de dificuldade e pontuação) pesou e Daiane acabou pondo um pé fora do tablado ao aterrissar do duplo twist esticado e dar um passo a mais no duplo twist carpado, o salto ‘Dos Santos’.

Ela acabou terminando em quinto, a 0.112 pontos da medalha. Apesar dos pesares, esse foi o melhor resultado da ginástica feminina em olimpíadas na história, superando o décimo segundo lugar de Daniele Hypólito no individual geral.

Jadel Gregório

24 anos depois de João do Pulo, o Brasil levava outro atleta a final do salto triplo. Jadel Gregório  era a grande esperança do atletismo brasileiro, já que Maurren Maggi, suspensa por doping não foi a Atenas, tinha a segunda melhor marca do ano 17,72m.

Ele chegou aos jogos considerado o herdeiro de nomes Adhemar Ferreira da Silva,Nélson Prudêncio e João do Pulo e chegou a afirmar que só faltava a saber a cor da medalha que ganharia,  mas na final não conseguiu repetir a marca e ficou na quinta posição com 17,31m a 17 centímetros do pódio. 

Joana Maranhão igualando recorde

A natação brasileira saiu sem medalhas em Atenas, mas teve algo para comemorar. Após 56 anos, o Brasil voltou a ter uma nadadora em uma final olímpica. Joana Maranhão, de 17 anos, chegou a final dos 400 medley e fez bonito terminando na quinta posição com o tempo de 4m40s00, igualando o feito de Piedade Coutinho em Berlim 36.

A natação feminina ainda esteve em mais duas finais, com Flávia Delaroli terminando em oitavo nos 50 metros livre e o revezamento 4x200m livre formado por Joana Maranhão, Mariana Brochado, Monique Ferreira e Paula Baracho que ficou em sétimo lugar, um recorde para a natação feminina brasileira.

A estreia de Thiago Pereira

Se Gustavo Borges e Fernando Scherer se despediam dos jogos olímpicos de forma discreta em Atenas, um grande nome da natação brasileira chegava a sua primeira olimpíada com tudo. Thiago Pereira chegou a final dos 200m metros medley aos 18 anos de idade e com terceira melhor marca do ano. Com comparações inevitáveis com Ricardo Prado, Thiago foi bem, terminando na quinta colocação, a quase dois segundos do pódio. Mas ele mostrou suas credenciais para as próximas olimpíadas.

O início da saga de Jaqueline Mourão

Estreava no ciclismo Mountain Bike Jaqueline Mourão, que terminou em décimo oitavo lugar. Essa seria a primeira de seis olimpíadas que disputaria – duas de verão e quatro de inverno de dois em dois anos – e ainda luta para estar na sétima olimpíada, em Tóquio, no mountain bike aos 44 anos.

O Adeus de Guga

Já tomado pelas dores no quadril e longe da grande forma de anos atrás, Gustavo Kuerten disputou sua segunda e última olimpíada em Atenas de forma discreta. Perdeu para Nicolas Massu (CHI) por 2 sets 1 logo na primeira rodada e deu adeus aos jogos sem conseguir a tão sonhada medalha inédita no tênis. Ao menos Guga deu sorte para o chileno, que conquistou a medalha de ouro nos simples e nas duplas ao lado de Fernando Gonzalez.

Quadro de medalhas

Com cinco medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze, o Brasil terminou na décima sexta posição dentre as setenta e quatro nações que conquistaram medalhas nos jogos de Atenas.




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