Brasil,100 anos olímpicos - Seul 1988 - Surto Olimpico

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Brasil,100 anos olímpicos - Seul 1988

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O Brasil foi aos os Jogos Olímpicos de Seul em 1988 para se testar: após duas das melhores participações olímpicas da história em 80 e 84, agora era a hora de ver, na capital coreana, se conseguia manter os bons números com os blocos capitalista (comandado pelos Estados Unidos) e socialista (comandados pela União Soviética) presentes. E para mostrar que os resultados de Los Angeles e Moscou não foram por conta de competições esvaziadas, o Brasil superou os números da Olimpíada anterior e levou para Seul a maior delegação da história.

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O país saiu de lá com seis medalhas, duas a menos do que em Los Angeles, mas ainda assim foi um bom resultado. O grande destaque brasileiro dos Jogos foi o judoca Aurélio Miguel, ouro na categoria meio pesado – a única medalha dourada do Brasil na edição. Foi o primeiro título olímpico no judô, onde o Brasil já começava a figurar como potência. Aurélio Miguel foi extremamente estratégico em suas lutas, vencendo todas por conta de punições de seus adversários. Na final, ele superou o alemão Marc Meiling.

Ao site rededoesporte.gov.br, Aurélio descreveu a final: “Eu entrei para ganhar o ouro mesmo. Começou a luta e o alemão veio em um ritmo forte. Eles estudavam muito bem a gente. E ele entrou em um ritmo alucinante. Aí eu disse: ‘Ah é? Se você vem a 100 por hora eu vou a 150’. Foi uma luta acelerada. E no terceiro minuto ele começou a cansar. No quarto minuto ele cansou para valer e foi onde tive vantagem. Ele tomou uma punição. No finalzinho, quase encaixei um golpe. Mas ele perdeu por punição mesmo.”

Já a seleção de futebol igualou o desempenho de Los Angeles e ficou com a prata em Seul. Com uma seleção considerada forte para os padrões olímpicos e com presença dos futuros campeões mundiais Romário, Bebeto, Jorginho, Taffarel e Mazinho, o Brasil, comandado por Carlos Alberto Silva, chegou à final contra os soviéticos e acabou sendo derrotado por 2 a 1, com direito a um sofrido gol na prorrogação, que frustrou a torcida brasileira, adiando mais uma vez o primeiro ouro olímpico brasileiro em esportes coletivos. Mas em Seul começava a brilhar a estrela de Taffarel, que pegou três pênaltis na semifinal contra a  Alemanha. A dupla Bebeto e Romário começava o entrosamento que chegaria no auge na Copa do Mundo de 1994.



A outra prata foi de Joaquim Cruz, que lutou o quanto pôde pelo ouro, mas foi superado pelo queniano Paul Ereng, em uma das provas mais táticas da história dos 800 metros. Nessa final também tivemos outro brasileiro, Zequinha Barbosa, que foi na frente para ditar o ritmo enquanto Joaquim ‘marcaria’ seus adversários como o queniano Nixon Kiprotich. O que ninguém suspeitava é que o queniano mais famoso resolveu se sacrificar na prova para que seu compatriota Paul Ereng, um azarão, se guardasse para dar a surpreendente arrancada final que superou Joaquim Cruz no fim da prova.

Além da prata, Joaquim Cruz acabou colecionando uma polêmica ao comentar o físico de Florence Griffin-Joyner em entrevista para Rede Globo: "Era muito feminina no início da carreira. Hoje ela parece um homem", o que causou mal-estar para ele, já que a declaração passou na emissora americana CNN e como treinava nos Estados Unidos, ela repercutiu muito mal entre os atletas americanos. Joaquim teve que desculpar pela declaração dias depois e desconcentrado, desistiu de correr os 1500m, onde tinha boas chances de pódio.

Também tivemos um bronze no atletismo, com Róbson Caetano nos 200m rasos, superando o favorito britânico Linford Chrsitie por 0.5s com o tempo de 20s04. Essa foi a primeira e única medalha do Brasil em provas de velocidade individuais no atletismo. Róbson também esteve na final dos 100m rasos, marcada pelo doping do canadense Ben Johnson, que com sua desclassificação deixou o brasileiro em quinto com o tempo de 10s11. Essa foi a única participação de um brasileiro na prova mais rápida do atletismo em Olimpíadas.


Os outros dois bronzes foram na vela com Torben Grael e Nélson Falcão na classe star – que estavam liderando a classe até a penúltima regata, quando tiveram uma quebra no mastro do barco que o deixaram em último na regata e fizeram perder o ouro - e Lars Grael e Clínio Freitas na classe tornado. Essa foi a quarta Olimpíada consecutiva que a vela brasileira conquistou medalhas olímpicas. O bronze de Torben e Nelson, apesar de frustrante, foi o primeiro na classe considerada a mais importante da vela.

Na Trave!

Quem bateu na trave foi a seleção masculina de vôlei, que terminou em quarto lugar. Mesclando nomes da geração de prata com jovens promessas como Maurício, Carlão e Paulão, o time perdeu para Argentina por 3 sets a 2 na disputa do bronze em uma batalha de três horas e dez minutos. Foi a última Olimpíada de Bebeto de Freitas no comando da seleção, que veio de última hora após os jogadores da seleção brigarem e  boicotarem o técnico coreano Young Wan Sohn

O basquete masculino também bateu na trave. Após o título pan-americano, em uma vitória épica contra os Estados Unidos na casa deles em 87, o Brasil veio com moral na disputa por medalhas, mas em um confronto muito equilibrado contra a União Soviética nas quartas de final, acabou sendo eliminada. O time comandado por Ary Vidal teve que se contentar com o quinto lugar e com o recorde de 55 pontos em uma só partida, feito por Oscar Schmidt no jogo contra a Espanha na primeira fase.

Os velejadores Christopher Bergman (substituindo Daniel Adler que ficou doente a dois dias da estreia da Vela em Seul), José Augusto Barcellos Dias e José Paulo Barcellos Dias também se destacaram, ficando em quinto na classe soling.

Estreias

O Brasil estreou em três esportes: Tênis (que voltava aos Jogos Olímpicos depois de 64 anos), tênis de mesa (Estreando em Jogos Olímpicos) e a luta olímpica. No tênis, Luiz Mattar caiu na primeira rodada no masculino e Gisele Miró caiu na segunda rodada no feminino. Nas duplas, Luiz Mattar e Ricardo Acioly caíram nas oitavas de final.

No tênis de mesa, o fenômeno Claudio Kano disputava os seus primeiros Jogos Olímpicos ao lado de Carlos Kawai. Mas tanto na competição de simples quanto nas duplas, o Brasil caiu na primeira fase. Na luta olímpica, Roberto Leitão e Floriano Speiss competiram tanto na greco-romana quanto no estilo livre, caindo na primeira fase em ambas.

Na vela, Cínthia Knoth e Márcia Pelicano foram as primeira velejadoras brasileiras em Jogos Olímpicos, ficando em décimo sexto na classe 470.

Judô feminino


A modalidade estreou como esporte de demonstração em Seul e só entraria oficialmente no programa olímpico em Barcelona. Tivemos representantes brasileiras na Ásia, com Mônica Angelucci e Soraya André.

Entressafra nas piscinas

Sem Ricardo Prado, que tinha encerrado a carreira aos 23 anos, um pouco antes dos Jogos,  a natação viveu um período de entressafra em 88, com o único destaque brasileiro sendo Rogério Romero, que fazia sua primeira de muitas participações em Jogos Olímpicos, chegando a final dos 200m costas, e terminando em oitavo.

A primeira estrela na ginástica

Com 15 anos, Luisa Parente disputou os Jogos de Seul e conseguiu um bom resultado, disputando a final do individual e terminando na trigésima quinta posição. Luisa brilharia mesmo nos Jogos Pan-Americanos de Havana, com um ouro no individual, sendo alçada como a primeira estrela da ginástica artística brasileira. Ela ainda disputaria os Jogos de Barcelona em 92.

Ah, a comida...

Os brasileiros sofreram com a comida coreana na vila olímpica em Seul, que quis manter sua culinária para que todos os atletas degustassem. Mas na época, nem todo mundo era adepto de sopa de pasta de feijão, peixe cru e o churrasquinho de carne de cachorro... Em edições posteriores, o Comitê Olímpico Brasileiro tratou de levar cozinheiros para fazer aquela comida brasileira para os nossos atletas.

Quadro de Medalhas

Com uma medalha de ouro, duas de prata e três de bronze, o Brasil terminou na vigésima quarta colocação entre cinquenta e duas nações que conquistaram medalhas em Seul.



Foto: Acervo pessoal de Aurélio Miguel, CBF, Tony Duff/AllSport

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