Brasil, 100 anos olímpicos - Cidade do México 1968 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 anos olímpicos - Cidade do México 1968

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A primeira Olimpíada na América Latina da história causou polêmica. Afinal, a capital mexicana estava localizada a 2.240 metros acima do nível do mar e a altitude poderia ser danosa para os atletas. Mas o que se viu  na Cidade do México foi uma chuva de recordes, principalmente nas provas de campo e de velocidade do atletismo.

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O Brasil, que vivia um período tenso na ditadura militar vigente, só nos últimos momentos liberou um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para levar a delegação brasileira para o México. Delegação esta que pôde, enfim, ser mais numerosa do que os poucos atletas previstos inicialmente.

Tivemos um atleta brasileiro em uma dessas disputas do atletismo com muitas quebras de recordes mundiais. E, de quebra, ainda nos trouxe uma medalha olímpica. Nélson Prudêncio, que tinha começado no salto triplo apenas em 1964, mostrou que o legado de Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo estava vivo no Brasil e fez uma disputa épica com o soviético Viktor Saneyev e o italiano Giuseppe Gentile. A prova teve cinco quebras de recordes mundiais, sendo quatro na final.

Em seu último salto, Nélson atingiu a marca de 17,27m, o que estava garantindo a medalha de ouro e novo recorde mundial. Mas Saneyev conseguiu em seu último salto a marca de 17,39m, deixando o brasileiro com a prata. Apesar de dolorida, foi muito comemorada.

Outra medalha do Brasil nos Jogos veio do boxe. Um dos milhares de rapazes que começou a lutar boxe por conta dos títulos mundiais de Éder Jofre, o peso mosca Servílio de Oliveira conseguiu algo que nem o seu ídolo conseguiu: uma medalha olímpica, a primeira do Brasil na modalidade. Servílio se garantiu no pódio após vencer, nas quartas de final, Joseph Destimo (GHA). Ele ficou com o bronze após perder na semifinal para o mexicano Ricardo Delgado, um dos favoritos que lutavam em casa.


Nossa terceira medalha veio com uma modalidade que viria a dar muitas alegrias ao Brasil: a vela. Reinaldo Conrad, em dupla com o alemão naturalizado Burkhard Cordes (foto acima) ficou com o bronze na classe Flying Dutchmen (que não faz mais parte do programa olímpico) , após boa disputa com o barco da Alemanha Ocidental formado por Urich Libor e Peter Naumann, que ficou com a prata, e com Carl Ryves e James Sargeant (AUS) que ficaram em quarto.

Na trave!

De três, o Brasil poderia ter ficado com cinco medalhas no México. Duas fugiram por pouco: o basquete masculino fez boa campanha na primeira fase com apenas uma derrota, mas perdeu para a seleção americana comandada pelos futuros ‘all-stars’ Spencer Haywood e Jojo White na semifinal. E graças à ascensão da seleção Iugoslava, que derrotou a União Soviética nas semifinais, restou para os soviéticos derrotarem o Brasil na disputa do bronze por 70 a 53, deixando a seleção brasileira em quarto lugar.

A outra medalha que escapou foi a do jovem nadador José Fiolo, com 18 anos na época, que ficou em quarto nos 100 metros nado peito, a 0.1s dos nadadores soviéticos Vladimir Kosinsky – antigo detentor do recorde mundial quebrado por Fiolo em fevereiro de 68 - e Nikolai Pankin – soviético que quebrou o recorde mundial de Fiolo em abril de 68. Por uma batida de mão, Fiolo ficou sem medalha.

Estreia

Lucia de Faria foi a primeira amazona brasileira a representar o Brasil em Jogos olímpicos. Ela fez parte da seleção de hipismo saltos – Lembrando que desde 1952, as competições de hipismo passaram a ser mistas, ou seja, homens e mulheres competem juntos – terminando na décima segunda colocação, melhor posição do Brasil na prova dos saltos individual.

Maria Cipriano

Apesar de Aída dos Santos no pentatlo ser o maior destaque do Brasil no atletismo feminino (se recuperando de contusão, ficou em vigésimo) grande destaque no atletismo feminino foi Maria Cipriano. Maria conseguiu chegar à final do salto em altura, igualando o recorde sul-americano de Aída, feito em Tóquio: 1,74m. Mas na final, ela não conseguiu repetir a dose, e terminou em décimo primeiro lugar com 1,71m.

O recordista

Outro destaque foi João Gonçalves Filho, porta-bandeira do Brasil no México,  e que disputou a sua quinta Olimpíada, um recorde até então. Detalhe: duas foram como nadador e as últimas três como jogador de polo aquático. Outro detalhe: João mudou de esporte após a encerrar a carreira, virou técnico de judô e esteve como treinador nas Olimpíadas de Los Angeles 1984 e Seul 1988. Falecido em 2010, João não pôde ver o neto Gustavo ‘Grummy’ Guimarães representar o Brasil no Polo Aquático nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016.

Volta demorada

Os atletas brasileiros tiveram que esperar um pouco para voltar por conta da demora do avião da FAB retornar para o México, por conta de uma peça defeituosa que demorou a ser substituída. Uma curiosidade histórica é que duas semanas depois do regresso da equipe olímpica foi decretado o AI-5, impondo ao país anos de restrição de liberdades individuais e de imprensa.


Quadro de medalhas

Com uma medalha de prata e duas de bronze, o Brasil terminou na trigésima quinta posição entre as quarenta e quatro nações que conquistaram medalhas no México.



foto: Divulgação e acervo do Diários associados retirado do arquivo geral do estado de São Paulo

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