Brasil, 100 anos olímpicos - Melbourne 1956 - Surto Olimpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Brasil, 100 anos olímpicos - Melbourne 1956

Compartilhe


Na primeira olimpíada realizada no hemisfério sul, o Brasil levou menos da metade dos atletas que tinham levado em Helsinque, quatro anos antes. Era uma viagem para o outro lado do mundo, longa e cara, sem contar o tenso cenário mundial na época , que via uma guerra fria entre União Soviética e Estados Unidos cozinhar em banho Maria. Por isso, o Comitê olímpico brasileiro decidiu levar uma delegação enxuta para os jogos.


Mas o seu maior destaque do esporte amador estava presente: Adhemar Ferreira da Silva. E ele não decepcionou, mesmo tendo que enfrentar um duro adversário antes da olimpíada: Uma infecção dentária que demorou a ser descoberta e tratada, mas Adhemar ficou pronto a tempo para competir em sua terceira final olímpica.

Contando mais uma vez com o apoio da torcida, graças ao sua hábil diplomacia em sempre agradar os torcedores do país que competia, saltou 16,35m na final – recorde olímpico - superando a surpresa islandesa Vihjalmur Einarsson que quase roubou a festa do brasileiro, mas ficou com a prata. Adhemar se tornou o primeiro bicampeão olímpico brasileiro da história. Só 48 anos depois, ele foi igualado. E até hoje, ele não foi superado. Infelizmente, essa foi a única medalha brasileira nos jogos.

O galo de ouro e sem medalha

Outra grande esperança de medalha do Brasil em Melbourne era um jovem boxeador que lutava no peso galo, chamado Eder Jofre, invicto nos amadores até então. Mas uma má preparação para os jogos, que o fez treinar com pugilistas mais fortes e o fez ter um nariz quebrado às vésperas da olimpíada. Eder teve que disputar todas as lutas no sacrifício, já que não tinha tempo hábil para se recuperar da fratura. Chegou até às quartas de final, a uma luta da medalha, sendo derrotado por Cláudio Barrientos (CHI), sua única derrota na carreira como amador, justamente no torneio amador mais importante. Sua tristeza pela perda da medalha foi tanta, que anos depois ele fez questão enfrentar o chileno como profissional, para vence-lo e nocauteá-lo OITO vezes na mesma luta como vingança pela medalha perdida. 

O homem-equipe

José Telles da Conceição, bronze em Helsinque no salto em altura, chegou a outra final olímpica nos 200m rasos. Ele terminou em sexto, mostrando sua versatilidade no atletismo. Ele também disputou sua prova principal, o salto em altura, em Melbourne terminando em 21º. Sua versatilidade em Melbourne comprovou o seu apelido de homem-equipe, pois anda arrumou disposição para disputar o revezamento 4x100m. Não há registro de outro atleta brasileiro que tenha disputado três provas do atletismo em uma mesma edição de jogos olímpicos.

José Telles disputaria mais uma olimpíada, em Roma 1960, disputando 'apenas' os 200 metros rasos.

O Hipismo em Estocolmo

Destaque para a participação brasileira no hipismo saltos, que foi disputado em Estocolmo no mês de junho - as olimpíadas em Melbourne foram em novembro, por conta das rigorosas regras de quarentena para cavalos na Austrália. Essa foi a única vez que as olimpíadas foram disputadas em dois continentes diferentes (Paris 2024 vai quebrar esse tabu com as competições de surfe acontecendo no Taiti). Nélson Pessoa, primeiro cavaleiro brasileiro a obter fama internacional e pai de Rodrigo Pessoa, fazia sua estreia em jogos olímpicos.

O início da geração de ouro do basquete

Também estavam em Melbourne, os estreantes em jogos olímpicos  do basquete Wlamir Marques, Edson Bispo e Amaury Pasos, representando a seleção de basquete. Ao lado de outros companheiros da Seleção Brasileira de Basquete, seriam campeões mundiais menos de três anos depois (janeiro de 1959), no Chile, e bronze em Roma 1960, dando início a geração dourada do basquete brasileiro.

Estreia

O Brasil estreou no ciclismo pista com o jovem Anésio Argenton, na prova de velocidade, ficando em nono. O próximo ciclo seria fundamental para que Anésio ficasse mais experiente para brilhar em Roma.


Nos saltos ornamentais, Mary Dalva Proença (foto) foi a primeira brasileira a se aventurar na modalidade em jogos olímpicos. Ela, que foi a única mulher na delegação que foi à Melbourne, terminou em décimo sétimo lugar na plataforma de 10 metros.

Quadro de Medalhas

A única medalha de ouro de Adhemar Ferreira da Silva colocou o Brasil na vigésima quarta colocação, ao lado da Índia, que também só conquistou uma medalha de ouro, entre trinta e oito nações que conquistaram medalhas em Melbourne.


fotos: COB/Divulgação e Acervo 'o Globo'

Nenhum comentário:

Postar um comentário