Brasil, 100 anos olímpicos - Los Angeles 1932 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 anos olímpicos - Los Angeles 1932

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Após a ausência nos Jogos de Amsterdã em 1928 por conta de uma grave crise financeira que o país passava na época, além da já tradicional briga entre dirigentes e seu conhecido despreparo, o Brasil voltava a disputar os Jogos em Los Angeles. Mas como nas outras participações anteriores, ela não foi nada fácil.

Para viajar até a cidade americana, os dirigentes brasileiros arranjaram um navio, - Itaquecê – e uma cota de 55 mil sacas de café do excedente de produção, comprados pelo governo para ser vendido nos Estados Unidos para poder pagar as despesas para os atletas nos Jogos. Sim, foi isso mesmo que você leu, quem não vendesse sua cota de café, não participaria dos Jogos. Apenas treze atletas tinham condições de pagar as despesas e não passaram por isso, mas o resto...
Os 82 atletas viajaram no navio junto as sacas de café e dois canhões pra 'fingir' que o navio era militar, tendo que fazer sua própria comida e limpar os camarotes. Tiveram problemas no Canal do Panamá, e para não pagar a taxa para passar pelo canal, colocaram os dois canhões improvisados na frente do navio para que ele parecesse ser de guerra e passarem sem pagar, já que eles eram isentos de taxa. Mas a farsa foi prontamente descoberta e eles ficaram quatro dias parados por lá até que o governo brasileiro enviasse o dinheiro da taxa para poder liberar o navio . 

E após passar em vários pontos da América central e caribe tentando vender o café e chegar a Los Angeles, foram constatados que poucas sacas de café foram vendidas e ainda para piorar tinha uma taxa de um dólar para cada pessoa que fosse descer na cidade. Com a grana arrecadada, 57 homens e uma mulher, a nadadora Maria Lenk, - considerados com mais chances de medalha - desceram e foram competir nas olimpíadas e 24 ficaram dentro do navio.  Os dirigentes brasileiros na época? Estavam em Los Angeles curtindo as olimpíadas com todas as despesas pagas...

A pioneira

A nadadora Maria Lenk  fez história e foi a primeira mulher brasileira e sul-americana a disputar os Jogos olímpicos, participando das provas de 100m livre, 100m costas e 200m peito da natação, sem chegar às finais em nenhuma delas. Ela, e todos os atletas que foram disputar as provas de polo aquático, tiro, natação e atletismo, cansados pela desgastante viagem e sem ter como treinar adequadamente no navio, não conseguiram fazer o seu melhor em Los Angeles. 

‘Ironman’

Adalberto Cardoso se tornou destaque  brasileiro em Los Angeles, não pelo desempenho, mas por um motivo inusitado. Por não ter vendido a sua cota de sacas de café, Adalberto simplesmente fugiu do navio em San Francisco, onde ele foi ancorado. E na base da carona ou a pé mesmo, levou um dia inteiro sem tempo para dormir ou comer para chegar à Los Angeles, apenas dez minutos antes da sua prova, os 10.000 metros, começar. Descalço e exausto, chegou na décima terceira e última posição, mas foi ovacionado pois o locutor do estádio contou sua epopeia para o público e os presentes viram sua persistência em completar a prova - ele chegou a perder a força por 3 vezes, mas levantou e seguiu na prova .

Saiu de Los Angeles com o apelido de ‘Homem-de ferro’, muito antes de Tony Stark, super-herói e dono mais famoso da alcunha, ser criado por Stan Lee nos anos 60 e foi o primeiro exemplo de espírito olímpico que o Brasil teve na história. 

Vexame no polo aquático

Ao perder para Alemanha por 7 a 3 na segunda rodada do torneio olímpico, o time brasileiro mostrou toda a falta de espírito olímpico, xingando os alemães e saindo da piscina para agredir o árbitro Bela Komjadi (HUN), porque segundo relatos, ele teria dado 40 faltas a favor dos alemães e apenas 4 a favor dos brasileiros, que só foram parados na tentativa de agredir o árbitro a base de cassetetes pelos policiais americanos. A atitude da equipe foi considerada inaceitável pelo COI, que desclassificou o Brasil do campeonato. 

Na trave!

O melhor resultado do Brasil nos Jogos de Los Angeles foi o quarto lugar de Estevam Stratta, José Ramalho e Francisco Brício no ‘dois com’ no Remo. Detalhe: Apenas quatro barcos estavam inscritos nessa prova. Mas o Brasil não deixa de ter batido na trave,né?

Quatro anos depois, os resultados melhorariam, mas a confusão entre dirigentes teria o seu ápice...




foto: Foto de divulgação retirada do acervo de 'O Globo'

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