Brasil, 100 anos olímpicos - Londres 1948 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 anos olímpicos - Londres 1948

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Doze anos depois de sua última edição, os Jogos Olímpicos saíam de sua pausa e voltavam a acontecer três anos após o fim da II Guerra Mundial (1939-1945) em Londres. A cidade britânica ainda se recuperava das marcas que a guerra deixou. E pela primeira vez, o Brasil foi razoavelmente estruturado aos Jogos, sem (muitas) brigas de dirigentes ou (uma exorbitante) falta de recursos, que convenhamos, era bem raro na época. A delegação viajou de avião e os homens se hospedaram nos alojamentos que foram usados na guerra, assim como os atletas de outros países, e as mulheres ficaram no Victory College.

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E finalmente quebramos o jejum de medalhas, 28 anos após Antuérpia-1920. Muito devido às grandes atuações da seleção de basquete masculino, que ficou com a medalha de bronze, a primeira medalha olímpica do Brasil em esportes coletivos. Destacados pela grande atuação defensiva da equipe, o Brasil venceu todos os seus jogos até a semifinal, quando perdeu para a França por 45 a 33 - seleção considerada inferior a do Brasil, mas que fez o 'jogo da vida' segundo relatos da época. Na disputa do bronze, a equipe comandada por Moacyr Daiuto venceu o México por 52 a 47 - 26 pontos de Alfredo da Mota, que desequilibrou para o Brasil - e pôde comemorar a suada medalha. Ao fim da partida decisiva, os jogadores estavam extenuados por conta do calendário apertado de jogos – o Brasil só levou 10 atletas, por falta de verba, e Évora e Pacheco se machucaram durante a competição.

Curiosidade: O jogo do bronze entre Brasil e México foi tão feroz, com marcações tão intensas, que Alfredo da Mota chegou a ter seu calção rasgado durante a partida, tendo que sair do jogo sob risos e aplausos do público e ir para o vestiário colocar outro para poder voltar à quadra.

A comemoração foi intensa, tendo até a presença do embaixador brasileiro em Londres, cumprimentando cada jogador no vestiário. Na volta ao país, os jogadores foram reverenciados como grandes heróis. 

O início do brilho no salto triplo

No Empire Stadium - antigo nome de Wembley -, o Brasil conseguiu colocar três representantes na final do salto triplo: Geraldo Silveira, Hélio Coutinho e o jovem Adhemar Ferreira da Silva, de apenas 20 anos. Foi a primeira vez que o Brasil disputava uma final olímpica em uma prova de campo do atletismo, o que marcou o início da tradição brasileira nessa prova.

Adhemar foi o melhor brasileiro na qualificação - quarto lugar, mas na final foi Geraldo Silveira que ficou melhor colocado, terminando na quinta colocação. Adhemar ficou em oitavo e Hélio Coutinho, em décimo primeiro. Quatro anos depois, Adhemar voltaria aos Jogos como recordista mundial e grande esperança de medalha para o  Brasil.


A ‘mamãe-peixe’ comandando a natação brasileira

A natação brasileira foi muito bem, indo a três finais – um recorde até então. A ‘mamãe’ Piedade Coutinho - ela parou para ter um filho e voltou a competir, quebrando tabus na época -  ficou em sexto na sua prova principal, os 400m livre; Também ficaram em sexto o revezamento 4x100m livre feminino - com Eleonora Schmidt, Maria da Costa, Piedade Coutinho e a menina Talita Rodrigues, de apenas 13 anos e 347 dias, mais jovem atleta brasileira a disputar uma olimpíada na história -, e Wily Otto Jordan, nos 200m peito. 

O tio da lenda

No boxe, onde o Brasil fazia sua estreia em Jogos Olímpicos, o pugilista Ralf Zumbano bateu na trave e ficou em quinto na categoria leve. No boxe, chegar à semifinal já garante no mínimo a medalha de bronze. Ralf era tio de Eder Jofre, que oito anos depois tentou uma medalha olímpica em Melbourne-1956 e mais tarde virou um dos maiores pugilistas brasileiros da história, treinado por seu pai, Kid Jofre, que também treinava Ralf.


Estreias

No hipismo, o cavaleiro Aécio Coelho montando o cavalo ‘Guapo’ ficou em sétimo no concurso completo de equitação (CCE). Até hoje, essa é a melhor colocação de um brasileiro nessa modalidade. Aécio também disputou o pentatlo moderno na mesma Olimpíada. 

Nos saltos ornamentais, tivemos três representantes pela primeira vez. Destaque para Milton Busin, que terminou em décimo primeiro no trampolim de 3 metros.

No atletismo, tivemos as primeiras representantes femininas do país nos Jogos. Das cinco atletas, quem teve o melhor resultado foi Elizabeth Muller, décima sétima no salto em altura. Destaque também para Benedicta de Oliveira, que disputou os 100m rasos e o revezamento 4x100m em Londres. Após o fim da carreira, se tornou a primeira técnica de atletismo no Brasil, reaparecendo nos Jogos Olímpicos em 1976 nessa função. 


Quadro de medalhas

Com a medalha de bronze conquistada, o Brasil terminou na trigésima quarta posição dentre as trinta e sete nações que conseguiram medalhas em Londres.



foto: Arquivo da Confederação brasileira de basketball

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