Brasil, 100 anos olímpicos - Sydney 2000 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 anos olímpicos - Sydney 2000

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Os Jogos Olímpicos da última edição no século XX (1901-2000) voltavam ao hemisfério sul após 44 anos, em Sydney, naquela que pode ser considerada a primeira Olimpíada com uma real preocupação ecológica da história. O Brasil, não conseguiu bater o seu recorde de participantes, mas levou muito mais atletas do que 44 anos antes em Melbourne, quando levou uma delegação enxuta por conta da longa viagem e da falta de recursos.

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Mas o que o Brasil, com todo o investimento nunca antes visto nos esportes olímpicos, não sabia, era  que essa seria uma Olimpíada muito da azarada: todos os favoritos brasileiros falharam, nenhum azarão surgiu e saímos zerados em medalhas de ouro, algo que desde Montreal 1976 não acontecia. Isso derrubou o Brasil no quadro de medalhas. Se não veio o ouro, a quantidade de medalhas nós não podemos reclamar: foram 12, sendo seis de prata - superando as cinco conquistadas em Los Angeles 84 - e seis de bronze, só perdendo em quantidade para Atlanta.

O vôlei de praia em sua segunda participação olímpica já mostrou que seria um carro-chefe do Brasil nos Jogos Olímpicos: Adriana Behar e Shelda eram campeãs mundiais e favoritas ao título, mas perderam para as donas da casa Cook e Pottharst  por 2 sets a 0 (11/12 e 10/12) ficando com uma surpreendente medalha de prata – antes dessa final, o retrospecto desse duelo era de 14 vitórias das brasileiras contra 3 das australianas.

foto: Ivo Gonzalez/Acervo O Globo

Já Adriana e Sandra Pires (primeira mulher porta-bandeira do Brasil em uma cerimônia de abertura olímpica na história), após perderem para as australianas na semifinal, ficaram com o bronze ao vencerem Takahashi e Saiki (JPN) por 2 sets a 0 (12/4 e 12/6). As duas se tornaram as maiores medalhistas olímpicas do vôlei de praia, com duas láureas cada.

No masculino, Zé Marco e Ricardo conquistaram a prata, perdendo pela primeira vez na carreira para Blanton e Fonoiamoana (USA) por 2 sets a 0 (12/11 e 12/9). Essa seria a primeira medalha olímpica do baiano Ricardo, que se consagraria ao lado de Emanuel, dupla iniciada durante o ciclo de Atenas. 

Outra prata doída foi a de Robert Scheidt, grande favorito, que acabou perdendo o ouro para seu rival Ben Ainslie (GBR) na classe Laser, em uma decisão contestada, já que o britânico usou de todos os artifícios legais para parar Scheidt na última regata que ficou em vigésimo segundo lugar. Scheidt protestou contra ele, mas acabou sendo desclassificado e Ainslie, conseguiu o ouro olímpico e sua revanche.

foto: Mark Dadswell/All Sport

Outros favoritos brasileiros que também caíram na vela foram Torben Grael e Marcelo Ferreira, que lideraram até a última regata, quando foram desclassificados por queimarem a largada - precisavam somente de um quinto lugar - e ficaram com um surpreendente bronze na classe star.

Mas uma prata que ficou com gosto de ouro foi no atletismo, com o Revezamento 4x100m. Formado por Edson Luciano, André Domingos, Vicente Lenílson e Claudinei Quirino, o time brasileiro fez uma final épica contra os Estados Unidos, conquistando a prata com o tempo de 37s90, recorde sul-americano que durou 19 anos. O revezamento chegou até a sonhar com ouro, pois o americano Tim Montgomery, que disputou as eliminatórias, foi um dos atletas envolvidos no escândalo de doping do laboratório Balco, mas a medalha de ouro americana, até o momento da confecção desse texto, não foi retirada (e nem deverá ser, infelizmente). 

Curiosidade: Cláudio de Sousa disputou as eliminatórias pelo Brasil no 4x100m e apesar dos medalhistas de ouro e de bronze terem dado medalha para o reserva, estranhamente Cláudio não recebeu a sua láurea, falha do COI que levou vinte anos para ser corrigida, e ele finalmente receberá sua medalha

O judô também teve uma grande atuação em Sydney com a prata de Carlos Honorato na categoria até 90kg. A campanha teve direito a uma vitória sobre o favorito Gidehiko Yoshida (JPN) nas quartas de final, mas caindo para Mark Huizinga (NED). Detalhe era que Honorato era o reserva do Brasil na categoria e só disputou os Jogos porque Eldemar ‘Branco’ Zanol se contundiu.

Outra prata veio do judoca prodígio Tiago Camilo, com apenas 18 anos na época, na categoria até 71kg. Ele chegou à final com três vitórias por ippon, mas infelizmente na final, perdeu para Giuseppe Maddaloni (ITA). Ao errar a tentativa de encaixe de um ippon, Camilo foi finalizado com o golpe máximo do judô. Conhecido pela extrema frieza mesmo sendo tão jovem, ele era visto o grande nome do judô brasileiro no futuro.

Nos esportes coletivos, as mulheres brilharam mais uma vez. No basquete, Janeth assumiu o protagonismo da seleção após as aposentadorias de Hortência e ‘Magic’ Paula e levou o Brasil à medalha de bronze, em uma disputa emocionante contra a Coreia do Sul decidida na prorrogação, após uma sofrida derrota na semifinal para a Austrália. Janeth foi a cestinha da competição com média de 20,5 pontos por jogo. Foi a última medalha do basquete em Jogos Olímpicos.

Foto: CBB

No vôlei, a seleção renovada comandada por Virna, Leila e Fofão dentro e Bernardinho fora das quadras, teve mais uma disputa de semifinal contra Cuba, mas ao contrário da revanche esperada, veio outra derrota doída por 3 sets a 2 - com show de Regla Torres no bloqueio - e mais um bronze, ao vencer tranquilamente os Estados Unidos por 3 sets a 0.

foto: CBDA

A natação brasileira viu começar o declínio de Gustavo Borges e Fernando Scherer nas provas individuais, mas a dupla brasileira mostrou que ainda tinha força em conjunto e ajudou o revezamento 4x100m livre a levar a medalha de bronze, ao lado de Carlos Jayme e Edvaldo Valério, que justificou o seu apelido de ‘bala’ e voou para ultrapassar o revezamento alemão na última passagem e garantir a medalha.

Já o hipismo brasileiro vivia um momento mágico e a medalha de bronze da equipe brasileira de saltos, formada por Andre Johannpeter, Álvaro ‘Doda’ Miranda, Luiz Felipe de Azevedo e Rodrigo Pessoa após um desempate com a equipe francesa, empolgou. Rodrigo, e seu cavalo Baloubet Du Rouet - tricampões mundiais seguidos (1998, 1999 e 2000) eram favoritos absolutos para o título no individual, ainda mais após zerarem por duas vezes o percurso na competição por equipes.

Foto: Reprodução

Mas para a surpresa geral, Baloubet ficou com medo do obstáculo sete e refugou por três vezes, tirando o brasileiro da disputa do ouro, em uma das maiores decepções olímpicas do Brasil na história. Considerado o melhor cavalo do mundo, Baloubet virou motivo de chacota nacional após a refugada. Johannpeter ainda tentou ir para o pódio, e por pouco conseguiu, terminando em quarto. 

Na trave!

O Atletismo do Brasil ainda ficou na trave com Sanderlei Parrela, quarto nos 400m com 45s01 - a 0s31 do pódio; o quinto lugar do tricampeão pan-americano Eronildes Araújo nos 400m c/barreiras – em sua segunda e última final olímpica; e o sexto lugar de Claudinei Quirino nos 200m rasos, em uma prova tão próxima que os oito primeiros ficaram separados por apenas 0s40. Com quatro participações em finais, esse o maior número de finais que o atletismo brasileiro disputou em olimpíadas até então.

Outro bom resultado do hipismo foi no Concurso Completo de equitação (CCE), por equipes com o sexto lugar da equipe brasileira formada por Eder Pagoto, Serguei Fofanoff, Vicente de Araújo Neto e Guto Faria.

Já o futebol feminino bateu na trave mais uma vez com outro quarto lugar, perdendo dessa vez para Alemanha por 2 a 0 na disputa do bronze. Essa foi mais uma preparação contra tudo e contra todos, já que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pouco se importava com Pretinha, Sissi, Kátia Cilene e cia naquela época...

Estreias

O Brasil estreou no levantamento de pesos feminino com Elisabeth Jorge, que fez uma boa participação e ficou em nono lugar entre 12 atletas na categoria até 48 Kg, com 135 Kg levantados.

Outra estreia foi no handebol feminino, que conseguiu a classificação olímpica no lugar da masculina, que após duas participações, ficou de fora dos jogos. O Brasil ficou em oitavo entre dez seleções.

A ginástica rítmica por equipes também fez sua estreia e fez um bom papel em Sydney com a equipe participando da final olímpica pela primeira vez, ficando com a oitava e última colocação entre as finalistas. 

O Taekwondo estreou nos jogos olímpicos o Brasil e teve como sua representante Carmen Silva, que perdeu na primeira luta ficando em décimo lugar. 

O triatlo foi o outro esporte estreante em Tóquio, e o Brasil levou seis representantes. Leandro Macedo ficou em décimo quarto no masculino e Sandra Soldan ficou em décimo primeiro no feminino, melhor resultado do Brasil no triatlo olímpico desde então. 

Mais um vexame no futebol masculino

Foto:CBF

Comandada por Wanderley Luxemburgo, técnico em voga no futebol brasileiro na época, a seleção viajou sem nenhum jogador acima de 23 anos, pois o treinador achou que o grupo era qualificado o suficiente para conseguir a sonhada medalha olímpica. Com nomes como Ronaldinho Gaúcho e Lúcio, que foram campeões mundiais em 2002, o Brasil caiu nas quartas de final para Camarões em uma partida surreal. Com dois a menos, os camaroneses se utilizaram da linha de impedimento para anular o ataque brasileiro e fazer o gol de ouro que eliminou o Brasil na prorrogação. 

O início da geração dourada do vôlei

O vôlei masculino não foi bem e mais uma vez ficou nas quartas de final com nomes estreantes como Giba, Gustavo Endres, Dante e Nalbert. Esta seria a última vez que os homens ficariam fora do pódio do vôlei em olimpíadas, já que em 2001 o técnico da seleção feminina Bernardinho assumiria o vôlei masculino e iniciaria uma hegemonia verde e amarela nunca vista no esporte. Em live com o Surto Olímpico em abril deste ano, Tande contou sobre a volta às quadras em 2000 e como foi acompanhar Adriana, sua irmã e medalhista de bronze na Austrália:





O início do brilho na ginástica

Apesar do brilho no Pan de Winnipeg em 1999, Daiane dos Santos não se classificou para Sydney. As classificadas foram Camila Comin e Daniele Hypólito, que aos 16 anos ficou em vigésimo primeiro lugar no individual geral, melhor posição de uma ginasta brasileira na história das olimpíadas, superando Luisa Parente, mostrando que as ginastas brasileiras brilhariam muito nas próximas olimpíadas.

O surfista do saibro

foto: Ivo Gonzalez/Acervo o globo

Gustavo Kuerten era o grande atleta brasileiro do momento quando desembarcou nos jogos olímpicos de Sydney. Bicampeão de Roland Garros e lutando para ser número 1 do mundo (o que conseguiria ao fim daquele ano), Guga era considerado a maior chance de medalha de ouro no Brasil nos jogos. Tudo ia bem até as quartas de final, quando enfrentou um dos maiores seus rivais no circuito mundial Yevgneni Kafelnikov (RUS), que o derrotou por 2 sets a 0, acabando com o sonho da primeira medalha do tênis brasileiro em olimpíadas. O russo venceria o torneio e levaria o ouro olímpico; restou a Guga virar figurinha carimbada em eventos envolvendo o Brasil em Sydney.


Quadro de medalhas

Com seis medalhas de prata e seis medalhas de bronze, o Brasil terminou na quinquagésima terceira posição entre oitenta nações que conquistaram medalhas em Sydney.


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