Brasil, 100 anos olímpicos - Barcelona 1992 - Surto Olimpico

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Brasil, 100 anos olímpicos - Barcelona 1992

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Em uma Olimpíada marcante do ponto de vista geopolítico, sem nações como União Soviética e Iugoslávia, mas com suas herdeiras estreando (ou voltando) aos Jogos, além da volta da África do Sul após o fim oficial do Apartheid, o Brasil também fez história. Com uma delegação ainda maior do que em Seul e recorde de mulheres brasileiras veio (finalmente) a primeira medalha de ouro em esportes coletivos.

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E quem, na época, pensou que seria no futebol, se enganou redondamente - aliás, ele nem se classificou para Barcelona em uma atuação vergonhosa no Pré-Olímpico. Seria o vôlei masculino que traria um ouro inédito, que com uma equipe jovem, alçaria o vôlei de vez como o segundo esporte no coração do brasileiro.

Foi uma campanha irretocável da seleção comandada pelo então jovem técnico José Roberto Guimarães, com apenas três sets perdidos em toda a competição e com direito a vitórias inapeláveis contra o nosso 'carrasco' Estados Unidos na semifinal e contra a forte seleção da Holanda na final, um sonoro 3 sets a 0. Nomes como Maurício, Tande, Carlão, Paulão, Marcelo Negrão e Giovane viraram ídolos nacionais rapidamente, proporcionando uma verdadeira febre de voleibol no país.  E desde então, o vôlei brasileiro sempre esteve no pódio olímpico ora no masculino, ora no feminino, ora nos dois, em todas as edições posteriores de Jogos Olímpicos. 


O outro ouro do Brasil foi um dos mais inesperados dos Jogos, com o judoca Rogério Sampaio, pouco cotado antes da Olimpíada, tendo uma atuação memorável durante a competição do meio-leve. Rogério venceu o atual campeão mundial da época, Udo Quellmalz (GER), na semifinal e teve uma vitória dramática na final contra o campeão europeu Josef Csak (HUN), garantindo sua medalha de ouro, a única do judô brasileiro nos Jogos, já que Aurélio Miguel, porta-bandeira do Brasil em Barcelona, ficou em nono lugar.

Essa medalha olímpica, a única da carreira do atualmente diretor do Comitê Olímpico Brasileiro, teve um sabor especial, pois um ano antes Rogério tinha perdido de maneira trágica seu irmão mais velho e grande incentivador, o também judoca Ricardo Sampaio, que esteve nos Jogos de Seul em 1988.


Na terceira medalha brasileira em Barcelona, nós seríamos apresentados a outro ídolo da natação. Com apenas 19 anos na época, Gustavo Borges conseguiu uma prata dramática nos 100m livre. Dramática porque inicialmente, Borges, que estava em uma disputa acirrada com Alexander Popov (RUS) e Stephan Caron (FRA) sequer apareceu no placar final após a batida na borda, para a surpresa de todos, inclusive de Gustavo, que ficou desolado ao ver seu nome em último lugar.

Após reclamação contundente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) ele apareceu em quinto lugar. O presidente Coaracy Nunes continuou a reclamar e os fiscais reviram o videotape da prova e concluíram que analisaram a raia errada - a de Matt Biondi(USA), que foi mesmo o quinto, e na verdade Gustavo ficou em segundo com  o tempo de 49s43. Medalha de prata para o brasileiro, que viveu momentos de desespero até a confirmação da medalha e acabou indo descalço para o pódio. Os fiscais da FINA descobriram depois que o seu tempo não foi marcado automaticamente porque o touchpad da raia de Gustavo falhou e não marcou a batida de mão de Gustavo. Ainda bem na época que já tinha o videotape para corrigir...

Na Trave!

Tivemos no atletismo três batidas na trave: A primeira foi com Róbson Caetano nos 200m, um quarto lugar que foi bem frustrante até mesmo para ele, já que Róbson estava "voando" na prova e era bem cotado para repetir o bronze de Seul. No entanto, acabou ficando a 0s7 de mais uma medalha olímpica.

Sem Joaquim Cruz, contundido, Zequinha Barbosa tinha missão de liderar o Brasil nos 800m e estava bem cotado por conta da medalha de prata conquistada no Mundial de 1991, mas não conseguiu chegar perto dos três primeiros, também ficando em quarto.

O último quarto lugar foi no revezamento 4x400m masculino, mas essa medalha era mais improvável e o resultado acabou sendo muito positivo, com o recorde sul-americano batido com o tempo 3m01s61 pelo quarteto formado por Robson Caetano, Edielson Tenório, Sérgio Menezes e Sidnei de Souza. O atletismo brasileiro, infelizmente, saiu sem medalhas de uma edição de Jogos Olímpicos, o que não acontecia desde Tóquio 1964.

O vôlei feminino mostrou sua evolução e a geração de Ana Moser, Fernanda Venturini, Márcia Fu e companhia ficou em quarto lugar, após perder um jogo que muitos consideravam ganho contra a Equipe Unificada – equipe que representava os ex-soviéticos e futuros russos - e abaladas com a derrota na semi, não conseguiram reagir e perderam o bronze para os Estados Unidos.


O basquete masculino repetiu o quinto lugar de Seul em Barcelona. E de quebra, o time de Oscar e Marcel enfrentou o Dream Team de Michael Jordan, 'Magic' Johnson e Larry Bird na primeira fase, sendo derrotado por 127 a 83 - a equipe que mais fez pontos nos americanos - e a também que mais levou pontos deles. Essa foi a última participação olímpica de Marcel.

Estreias

O basquete feminino fez sua estreia em Jogos Olímpicos. ‘Magic’ Paula, Hortência, Janeth e companhia finalmente disputaram sua primeira Olimpíada, após o título histórico do Pan-Americano de Havana, em 1991, ficando em sétimo lugar entre oito seleções, com duas vitórias em cinco partidas. 

O Brasil também estreou na canoagem slalom e velocidade em Barcelona. Leonardo Selbach (C1) foi o melhor colocado, com um vigésimo sexto lugar. Marlon Grings e Gustavo Selbach ficaram em trigésimo e trigésimo primeiro, respectivamente, no K1. Na canoagem velocidade, Sebástian Cuattrin - então com 19 anos - (K1), Álvaro Koslowski e Jefferson Lacerda (K2) caíram na primeira eliminatória e não avançaram na repescagem. 

No handebol, a seleção masculina também fez sua estreia em Jogos Olímpicos, mas inexperiente em torneios de grande porte, terminou em último lugar, perdendo todas as suas partidas.

Cláudia Carceroni foi a primeira ciclista brasileira a disputar uma Olimpíada. Ela terminou em quadragésimo oitavo lugar na prova de estrada. 

Na estreia oficial do judô feminino, Patrícia Belivacqua (meio-leve) e Edilene Andrade (pesado) foram as melhores colocadas, ficando em nono lugar em suas categorias.

Em Barcelona também tivemos como primeiras representantes do país no tênis de mesa, com Lyana Kosaka e Mônica Doti, que nas competições de simples e nas duplas ficaram na primeira fase.

Cristina Fortes e George Rebello foram os representantes da RS:X - o popular windsurfe-, ficando em décimo sétimo e décimo nono respectivamente. 

Vela decepciona 

Em Barcelona tivemos uma rara atuação abaixo do esperado da vela, que teve como o melhor resultado o oitavo lugar de Lars Grael e Clínio Freitas na classe tornado. Ao menos, uma dupla que daria muitas alegrias ao Brasil estrearia em Barcelona: Torben Grael e Marcelo Ferreira, que ainda se entrosando, terminaram em décimo primeiro na Star.

Pessoa pai e Pessoa filho

Nessa edição, veríamos a estreia do cavaleiro Rodrigo Pessoa nos Jogos Olímpicos. Ele competiu ao lado de seu pai na equipe de saltos, terminando em uma boa décima posição. No individual, Pessoa ficou em nono lugar montando o Special Envoy.

Um detalhe interessante é que Rodrigo foi o atleta brasileiro mais jovem em Barcelona – 19 anos - e Nélson o mais velho, com 56 anos e 233 dias. Nelson ainda se tornaria o atleta brasileiro mais velho a disputar uma Olimpíada, feito que permanece com ele até o presente momento em que esse texto foi feito.

Hóquei sobre patins?

Um detalhe interessante foi que o hóquei sobre patins foi um dos esportes de exibição em Barcelona e a equipe brasileira que foi aos jogos terminou em uma honrosa quinta colocação. Pena que o esporte nunca mais se tornou parte no programa olímpico, nem como exibição.

Jaime Oncins

O tenista brasileiro teria grande atuação em Barcelona, vencendo o número 2 do mundo na época Michael Chang (USA) na segunda rodada e caindo nas quartas de final para Andrey Cherkasov. Oncins também seria um dos protagonistas que levaram o Brasil a uma inédita semifinal da Copa Davis no mesmo ano dos Jogos olímpicos.

Quadro de medalhas

Com duas medalhas de ouro e uma medalha de prata, o Brasil terminou na vigésima quinta colocação entre as sessenta e seis nações que conquistaram medalhas em Barcelona.



fotos: Anibal Philo/Agência o Globo e Reprodução

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