Jogos Olímpicos na Televisão brasileira - Los Angeles 1984, Introdução - Surto Olímpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Pesquisar:

Últimas Notícias

Jogos Olímpicos na Televisão brasileira - Los Angeles 1984, Introdução

Compartilhe



*Por Felipe Santos Souza


A transmissão dos Jogos Olímpicos de 1980 para o Brasil (e suas consequências posteriores) deixaram lições definitivas. Até então, as emissoras brasileiras de televisão faziam pouco da vinculação dos direitos de transmissão olímpica aos direitos de transmissão da Copa do Mundo de futebol. A aposta das TVs Globo e Cultura na exibição exclusiva das competições em Moscou – e o “prêmio” que ambas ganharam, ao terem exclusividade também na exibição da Copa de 1982 – deixou claro para outros canais: a OTI falava sério a partir daquele momento. Quem quisesse exibir a Copa do Mundo na América Latina (o que incluía o Brasil) teria de exibir os Jogos Olímpicos.


Com isso, de 1984 em diante, os canais brasileiros de televisão passaram a dar valor às competições olímpicas, mesmo que fosse à força. Nem mesmo a resposta na mesma moeda de vários países do bloco do leste europeu (de orientação comunista), também boicotando os Jogos de Los Angeles em resposta à ausência do bloco ocidental em 1980, inibiria a televisão brasileira de buscar os direitos de transmissão junto à OTI, que os comprava junto ao Comitê Organizador da vez.


Pelo menos, as negociações pelos direitos foram mais dinâmicas. Com o Comitê Organizador de Los Angeles sendo formado por um consórcio de 30 empresas privadas (tão privadas quanto as emissoras de televisão), foi fácil para os canais chegarem a um acordo com a OTI: a entidade iberoamericana fechou negócio pelos direitos, por US$ 2,175 milhões, dos quais US$ 810 mil seriam pagos pelos canais do Brasil. Na hora do rateio entre as emissoras brasileiras, a divisão ficou em US$ 162,9 mil para cada uma. Os cinco canais pagaram a quantia, seguiram em dia com as anuidades da OTI... e ganharam o direito de transmitir os Jogos Olímpicos de 1984. Para algumas emissoras, chance de ampliar o espaço dado ao esporte. Para outros, servia meramente para garantir a transmissão da Copa de 1986.


Em termos técnicos, a TV Globo podia até sair em vantagem: teria um canal exclusivo de satélite para ela, enquanto a EMBRATEL (ainda sob domínio estatal) dividiu um outro satélite para que as outras três emissoras mostrando os Jogos emitissem imagens. Das 24 horas, 14 eram usadas em conjunto por Bandeirantes, Manchete e a união Record-SBT. Nas outras 10 horas, Bandeirantes e Manchete tinham 4h de satélite cada uma, enquanto Record-SBT tinha(m) só 2h para transmissões diretas de Los Angeles.


No entanto, em termos de produção, as demais emissoras conseguiam se equivaler à Globo. Se o canal dos Marinho se valia da ampla vantagem em audiência e do alcance publicitário para investir mais na cobertura, coisas acontecidas entre 1980 e 1984 diminuíam um pouco sua vantagem. Como o projeto de Luciano do Valle, que encontrara guarida definitiva na Bandeirantes. Como o ambicioso início da história da TV Manchete. Como a ajuda que a Traffic dava à cobertura de Record e SBT no pool (união entre emissoras, da cotização dos direitos ao compartilhamento de imagens) que ambas formavam. Por tudo isso, a transmissão da televisão brasileira para os Jogos Olímpicos de 1984 marcou um ponto de virada. É isso que se verá, no detalhamento de como cada emissora brasileira mostrou as competições em Los Angeles.






Nenhum comentário:

Postar um comentário