Surto História - Emil Rached, o gigante gentil


O pivô Emil Rached iria para mais uma edição dos Jogos pan-americanos, agora em Cali em 1971, sabendo que seria mais uma vez o centro das atenções. Afinal, ele e seus 2,20m nunca passariam desapercebido sem lugar algum.

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Ao menos ele estava satisfeito, em ter mais uma chance de mostrar seu potencial na seleção. Apesar de ser o jogador mais alto que atuou pela seleção brasileira na história(até o momento em que esse post foi feito pelo menos), Emil era lento, apesar de ótimo reboteiro. Sua altura acabava chamando a atenção no ataque, onde quase sempre recebia marcação dobrada, o que ajudava outros jogadores a ficarem livres no ataque. Querendo uma vaga para disputar uma olimpíada pela primeira vez, Rached faria daquela competição no pan sua melhor atuação.

A final seria contra os cubanos, que tinham ótima seleção - tanto é que no ano seguinte foram medalha de bronze em Munique - e ali Rached fez sua melhor atuação, com 15 pontos, e ainda eliminou três jogadores cubanos por falta. Em declaração ao site 'Uol' em 2007, ele explicou como ele facilitava no ataque: "Eu chamava muita atenção por ser grande. Conseguia atrair dois marcadores para mim e sempre um ficava livre"

O ouro pan-americano veio, mas a vaga no grupo que iria aos jogos de Munique não. Mas sua fama por conta de sua altura já tinha passado todas as barreiras do esporte e enquanto ainda jogava profissionalmente em clubes, Rached entrou pro elenco do famoso programa de Tv 'Trapalhões' como 'o gigante': "Um dia o Renato Aragão me convidou para ser parte efetiva dos Trapalhões. Eles se aproveitavam de mim", dizia Rached, em tom de brincadeira. Rached ainda participou de diversos programas de humor, fazendo sempre o mesmo personagem, o gigante brutamontes e desajeitado. Mas sua grande paixão era o basquete:

"Aceitei esses trabalhos (na televisão) porque tinha comércio e ajudava muito na divulgação. Mas eu gostava mesmo era de basquete. Naquela época não dava para viver do esporte. Eu tive, depois do Pan de Cali, duas propostas de times dos EUA, mas não aceitei por causa da minha família aqui. Talvez se tivesse aceitado, estaria melhor hoje" disse Rached na mesma entrevista ao Uol de 2007.

Rached faleceu em 2009 e recebeu homenagens tanto do esporte quanto do humor brasileiro.


foto: Acervo O globo

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