Surto História - O Martelo Negro


Encontrado trabalhando como contínuo na linha ferroviária de São Paulo no início dos anos 50, Luiz Ignácio foi convidado a praticar boxe, por conta de seu porte esguio e forte. Passou a treinar na academia de Kid Jofre, onde treinava também o seu filho Éder. Conforme foi se destacando no cenário amador, passou a ser treinado exclusivamente por Kid Jofre e Luiz Ignácio foi ao Pan da Cidade do México, em 1955.

Na primeira luta, Luizão, como era chamado pelos amigos, surpreendeu. Ele conseguiu um nocaute com cinco segundos de combate na primeira luta contra Lorenzo Valles (MEX) com apenas um soco. Um nocaute no boxe amador já era raro desde aqueles tempos e em pouco tempo mais raro ainda.

Luizão foi se destacando e na final, ele derrotou Antonio Escalante (ARG)levando o ouro no meio pesado em meio a fraca campanha do Brasil nesse Pan - o Brasil terminou em sétimo no quadro de medalhas. Apenas ele e Adhemar Ferreira da Silva foram os únicos a conquistar medalhas de ouro para o Brasil nesses Jogos pan-americanos. E essa foi a primeira medalha de ouro do boxe em jogos pan-americanos, feito esse que demorou 52 anos para se repetir.

Ao voltar ao país, Luizão - como passou a ser conhecido agora por todos os fãs do esporte - desistiu do amadorismo e resolveu virar profissional,acabando com a chance de ganhar uma medalha olímpica no ano seguinte. Ele já tinha 26 anos e queria mesmo era ganhar dinheiro para sua família. Luizão começou a fazer sucesso no país, com as lutas e suas vitórias sendo transmitidas na TV, que engatinhava ainda naquela época.  Ele se tornou campeão brasileiro e sul-americano, ganhou apelidos como 'Martelo Negro' e 'Deus do Ébano'. Luizão chegou a enfrentar em uma luta de exibição o lendário Archie Moore, pugilista que venceu Rocky Marciano e considerado um dos maiores meio-pesados de todos os tempos. Ele também venceu o brasileiro em quatro rounds, sendo a luta mais famosa de Luizão. 

Depois disso, Luizão acabou tendo uma carreira irregular e sua última luta foi em 1963, quando encerrou a carreira aos 34 anos, com 37 vitórias - 20 por nocaute- 4 empates e 7 derrotas. Sem ter guardado o dinheiro ganho nos tempos de fama, Luizão acabou voltando a trabalhar como contínuo na secretaria de transportes de São Paulo. Em poucas entrevistas no pós carreira, ele chegou a culpar seu técnico Kid Jofre por não ter investido na carreira internacional dele em detrimento a carreira de Eder Jofre. O que foi negado por Jofre, que legou na época não ter investido em Luizão por conta de um coágulo no cérebro obtido em uma de suas lutas.

Luizão acabou morrendo no anonimato em 1977, por conta de uma insuficiência cardíaca aos 47 anos.

Foto: extraída da revista Placar

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