Em um primeiro dia de quases, Olimpíada mostra que as histórias vão além das medalhas - Surto Olímpico

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Em um primeiro dia de quases, Olimpíada mostra que as histórias vão além das medalhas

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*DIRETO DE TÓQUIO

O primeiro dia de competições dos Jogos Olímpicos de Tóquio foi um dia de quases para o Brasil. Mas também deixa evidente que a Olimpíada não diz respeito apenas à medalha ou vitória. O olimpismo é uma filosofia que defende a superação pessoal e coletiva, em fazer o melhor. O Barão Pierre de Coubertin dizia que o importante não é vencer, mas participar e eu complementaria que é tentar e se esforçar pelo melhor. 

É fácil a gente focar na vantagem que Nathalie Moellhausen teve em seu confronto disputado na esgrima contra Rossella Fiamingo. Ou os detalhes que tiraram 0.3 da nota na barra fixa e deixaram tanto Arthur Nory de fora da final no qual é campeão mundial, quanto o Brasil da final por equipes masculinas.

Parece aquela metáfora do filme Match Point de Woody Allen, em que a bola toca na fita da rede e pode cair de um lado ou de outro, representando os encontros e acontecimentos furtivos de nossa vida. Mas as vezes esquecemos de mencionar que as vezes a bola toca na nossa rede, como foi o caso de Diogo Soares entrou por apenas 0.034 na final do individual geral.

E não é só com o Brasil que acontecem essas coisas. O que dizer de Matvei Petrov, que poderia fazer história e dar a primeira medalha olímpica para Albânia e ficou de fora da final do cavalo com alças no critério do desempate? Ou o revezamento 4x100 livre do Japão que ficou de fora por apenas 27 centésimos de segundo, no que seria uma grande festa para a estrela da casa Ikee RikakoSeto Daiya, campeão mundial e favorito ao ouro terminou apenas em nono lugar em Tóquio.

Neste sábado (24) em Tóquio, eu estive em dois momentos deste quase: primeiro, com Nathalie Moellhausen, na disputa da espada feminina, em que ela fez o melhor jogo em dez anos contra Rossella Fiamingo, mas perdeu na prorrogação. E algumas horas depois eu estava no tênis, para um jogo inesquecível.

João Menezes fez um jogo de montanha russa, em que teve 5-3 no segundo set e sacou para fechar o jogo em 5-4, mas tomou virada de 7-5. No terceiro set, desandou e chegou a ter 5-0 0-40, e aí Cilic travou. O croata teve 11 match points para finalmente fechar no último, Menezes teve seu próprio MP também e a batalha de 3:23 ganhou ares dramáticos, como Lucas Bueno bem contou em seu texto.

Curiosamente, Menezes saiu animado do jogo. Acredita ter sido sua melhor partida. Pensa que esse jogo pode lhe dar confiança para disputar de igual para igual e que espera poder melhorar no circuito. "Eu tenho capacidade de jogar em bom nível, preciso trabalhar duro, treinar, acreditar em mim, talvez respeitar menos esses caras e eu posso chegar lá na frente".

"Desde o Pan-Americano eu não escondo que não tive bons jogos, pode ser um trampolim, um salto para eu jogar bem outra vez", acredita o brasileiro. Nathalie, ainda que muito abatida visto o favoritismo e a confiança em medalha, também saiu mais confiante por finalmente ter feito um bom jogo contra Fiamingo e mais motivada para medalhar.

Outro caso foi de João Victor Oliva, do hipismo adestramento. O primeiro atleta brasileiro a entrar na Vila Olímpica estava acreditando em final, obtendo a melhor nota do Brasil na história da modalidade, ele conseguiu passar da importante barreira de 70%, marcando 70,419%.

O Comitê Olímpico Internacional promove o olimpismo como uma ferramenta que possibilita a união dos povos, a solidariedade humana, mas também a tentativa ininterrupta de superar seus limites, sem enganar nem aos outros nem a si mesmo. Conhecer a si mesmo e melhorar suas marcas é algo que merece ser valorizado, especialmente com tão poucos recursos de que vive o esporte olímpico no Brasil. 

Nós do Surto Olímpico valorizamos e torcemos muito para as medalhas brasileiras, como a prata conquistada por Kelvin Hoefler na manhã (japonesa) deste domingo. Mas também temos a missão de não só noticiar o esporte olímpico e paralímpico antes e depois dos Jogos, mas também trabalhar na conscientização de uma cultura.

Foto: Gaspar Nóbrega / COB

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