Do Sambódromo aos Jogos Olímpicos: A busca pela nota 10 de Pâmela Rosa - Surto Olímpico

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Do Sambódromo aos Jogos Olímpicos: A busca pela nota 10 de Pâmela Rosa

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Pâmela Rosa no carnaval de 2020 com a Tom Maior - Reprodução

São meses de preparação até o grande dia. Incontáveis gotas de suor e lágrimas em busca da perfeição. Tudo para que a tão sonhada nota 10 vire realidade. Esta poderia ser apenas a descrição da rotina de treinos da favorita ao ouro no skate street nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, Pâmela Rosa. Mas é um pouco do que a brasileira vive nos meses anteriores ao desfile da escola de samba Tom Maior, onde ela também brilha em outra modalidade: na bateria.


Pâmela é uma das representantes do Brasil no skate street, ao lado da xodó Rayssa Leal e a carismática Letícia Bufoni. Aos 22 anos, ela tentará o ouro na modalidade onde os skatistas competem em uma arena que simula os obstáculos encontrados em uma rua - bancos, escadas, corrimãos e desníveis – para executar suas manobras. No entanto, campeã mundial em 2019 e líder do ranking olímpico, não é só sobre rodinhas que ela se destaca.

Acostumada a encarar os juízes em busca da nota máxima nas competições esportivas, desde pequena a brasileira também enfrenta o rigor dos jurados no carnaval. Natural de São José dos Campos, foi lá que Pâmela e família conheceram a escola de samba local Corinthians do Jardim Paulista. Contudo, se nas pistas conheceu as manobras radicais, na agremiação acabou vivendo a adrenalina das baterias.

Após a mudança para a capital paulista, a atleta ingressou na Tom Maior, uma das tradicionais escolas do Grupo Especial do carnaval paulistano. Sempre ligada ao ritmo, foi parar no "coração" da vermelho e amarelo do bairro do Sumaré, Zona Oeste de São Paulo. Tocando chocalho, um dos instrumentos base para a sustentação rítmica das escolas de samba, Pâmela passou a dividir suas paixões entre o samba e o skate

Já melhor do mundo e campeã, no carnaval de 2020 a skatista realizou pela segunda vez o sonho de pisar no Anhembi com a escola. Mas por conta da pandemia e ao contrário das Olimpíadas, este ano não tivemos os desfiles em São Paulo. Longe do instrumento, Pâmela se dedicou exclusivamente ao skate. Mas afirmou que a distância não será problema para ela:

“Não vou sair do carnaval nunca, se Deus quiser. Posso me afastar um pouco, como já fiz nessas últimas vezes que não consegui participar, mas deixar o carnaval não tem como, é uma coisa da nossa família, do coração”, disse durante a preparação. 

Skate na mão e chocalho na outra: o desafio de ensaiar em meio às competições

Pâmela Rosa, no último carnaval, com a bateria da Tom Maior no segundo recuo do sambódromo paulistano - Foto: Arquivo Pessoal


Se na pista de Tóquio há desafios olímpicos, na do sambódromo também. Convivendo com viagens, ensaiar se tornou um problema do tamanho da esperança brasileira no ouro que ela pode trazer. Assim como os treinos exaustivos para competir, nas baterias não é diferente. Elas começam seus ensaios entre maio e julho, terminando apenas dias antes dos desfiles.

Entretanto, Pâmela se divide entre frequentar a agremiação e subir sobre o skate durante esse período. Com a autorização e compreensão do Mestre Carlão, comandante da Tom 30, apelido da bateria da Tom Maior, a skatista tem uma frequência diferenciada dos demais ritmistas

Foi dessa maneira que a agremiação e a campeã mundial conseguiram conciliar suas agendas com o amor pelo samba. E terá um novo capítulo, agora do outro lado do mundo.

Favorita na noite deste domingo japonês, desta vez é a paulista que pode fazer um carnaval em Tóquio. Na última passagem pela Avenida, Pâmela Rosa conseguiu garantir, junto aos demais ritmistas, as notas 10 na apuração. Agora, os brasileiros esperam que ela repita a pontuação máxima nas Olimpíadas. 

Durante a conquista da prata do companheiro de modalidade Kelvin Hoefler, Pâmela ficou o tempo todo ao lado do medalhista. A partir das 21h (horário de Brasília), será a vez dela tentar subir ao pódio. Caso isso ocorra, a primeira medalha do skate feminino voltará na bagagem da atleta. E ela não esconde que a pressão é um combustível:

“Já saí do Brasil e dos EUA sabendo como são os Jogos Olímpicos, me sinto um pouco em casa, não deixo nada dessa estrutura abalar meu emocional, mas, sim, botar uma pressão em cima de mim. Para mim, quanto mais pressão melhor”, finalizou.

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