Coluna Surto Mundo Afora - Dodgers e Lakers fazem Los Angeles voltar a sorrir - Surto Olimpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Coluna Surto Mundo Afora - Dodgers e Lakers fazem Los Angeles voltar a sorrir

Compartilhe



Poucas cidades são tão icônicas na cultura popular americana quanto Los Angeles. Capital mundial das super produções cinematográficas, o esporte também é uma paixão local. Além de ser a sede das Olimpíadas de 2028 e já ter recebido as mesmas outras duas vezes, 1932 e 1984, sua população é sempre lembrada por ser eclética em termos de práticas esportivas. E duas das mais celebradas, em meio à pandemia, levaram canecos para a Califórnia.


Na NBA, os Los Angeles Lakers, liderados pelo já lendário Lebron James, voltaram ao topo. Com a política da criação da bolha sendo um sucesso, a temporada, interrompida em abril, retornou em julho com sede única e o famoso time roxo e amarelo campeão. 


Numa campanha histórica, os Lakers reviveram seus grandes momentos e ainda conseguiram amenizar a dor causada pela ferida aberta com a morte do grande Kobe Bryant, em 26 de janeiro de 2020. Um choque que pegou todos de surpresa e um baque maior ainda para LA, como é chamada popularmente a cidade. Deixando de ser protagonista há alguns anos no esporte, apesar de ter muitas equipes em diversas ligas, o local se viu enlutado e buscando forças para recuperar a auto estima.


E ela veio das mãos de Lebron e Anthony Davis, líderes dessa virada que a franquia teve este ano. No caso do James, a discussão passa a ser outra: será ele o maior de todos os tempos? Em termos de números, os lendários jogadores já têm a sua companhia há algum tempo. Mas agora o jogador nascido em Akron tem algo que poucos conseguiram: ser campeão por três equipes diferentes.


Um feito gigantesco. Aos 35 anos e já na reta final da carreira, James parece estar longe de queda da sua forma física, o que é ainda uma ameaça maior para quem duvida de que ele possa abocanhar todos os argumentos contrários as suas conquistas ou tamanho. O tempo dirá... bem como disse para outro gigante.


Se os Lakers foram campeões, outra equipe de Los Angeles também conseguiu o troféu, os Dodgers. Após 32 anos, o time da Major League Baseball venceu a World Series na última terça-feira (28), com a vitória de 4 jogos a 2 sobre o Tampa Bay Rays. Curiosamente, a última vez, também foi quando a NBA foi conquistada pelos roxo e amarelo da cidade. A primeira e única vez que isso acontecera antes. 


E há muita ligação entre as duas ligas e a cidade. Magic Johnson, que dispensa apresentações e é uma grife do basquete, desde 2012 é um dos acionistas do time de beisebol, comprando-o por US$ 2 bilhões à época. Se foi campeão em quadra com os Lakers, agora também como dono dos Dodgers.


A história dos franquia se confunde com a dos EUA. Quando ainda tinha sede em Nova Iorque e se chama Brooklyn Dodgers, a equipe foi a primeira a aceitar um jogador negro no plantel, o lendário Jackie Robinson. O jogador, que usava a camisa 42, virou símbolo da luta pelos direitos civis americanos e hoje é homenageado anualmente pela MLB, no dia 15 de abril, data da sua estreia nas Grandes Ligas.


Quando se mudou para Los Angeles, em 1958, viraram Los Angeles Dodgers e passaram, novamente, a figurar entre os que lutavam pela aceitação na cultura americana: os latinos. Mais precisamente, os mexicanos. Com fortíssima imigração, já que a Califórnia pertenceu ao México, LA é uma cidade cuja língua espanhola é comum. Em alguns bairros é até mesmo o idioma mais usado. E muitos adotaram o time como o seu principal.


Um dos grandes responsáveis por isso foi Fernando Valenzuela, arremessador mexicano que é um deus em Los Angeles e que atuou 17 temporadas na Major League Baseball, de 1980 a 1991 e 1993 a 1997. Apesar de ter atuado por seis equipes da MLB, ele é mais lembrado por seus tempos como um Dodger. Foi lá que conquistou a última World Series até este ano, em 1988. A "Fernandomania" catapultou o time no coração imigrante e passou a ser uma das franquias mais populares do planeta.


Entretanto, desde então, passou a conviver sem conquistas. Vendo seus principais rivais campeões, incluindo uma Dinastia dos seus arqui-rivais San Francisco Giants em 2010, 2012 e 2014, passou a fazer investimentos cada vez maiores. Em 2015 chegou a ser a equipe esportiva com maior folha salarial fora do futebol. Se fossem ranqueá-los com esses times, ainda assim, foi o quinto colocado!!!!


Só que dinheiro não compra vitórias, como explica o famoso filme "O Homem Que Mudou O Jogo". Por duas vezes bateram na trave, sendo vices da World Series, em 2017 e 2018. Seu jogador mais famoso e um dos maiores arremessadores de todos os tempos, Clayton Kershaw, acabou se tornando um símbolo do time que chegava, mas não conquistava. Kershaw talvez seja o melhor arremessador da MLB. Para muitos, do beisebol. Mas sempre lhe faltou um anel de campeão.


Os rivais aproveitavam e brincavam, diziam que ele só conseguiria conquistar um título se fosse para outra equipe. Ou então com frases do tipo "LA Dodgers = Los Again Dodgers" ou "Dodgers nos playoffs sabemos o final".


Porém o final desta vez foi diferente. Com uma temporada menor, com apenas 60 partidas na regular, os azuis e brancos sempre estiveram à frente dos demais. E liderados por Kershaw, os Dodgers finalmente levam o troféu para Los Angeles pela primeira vez neste século. Clayton calou seus críticos e agora tem em seus dedos não só a luva que devasta arremessadores, mas também um anel da World Series.


Em meio às dores da pandemia e da perda de um ídolo-herói, LA voltou a sorrir neste final de ano. E o esporte foi o motivo. Lakers e Dodgers repetem a dobradinha de 1988, mas desta vez torcendo para que não demore mais 32 anos para repeti-la.


foto: montagem sobre fotos da NBA e MLB

Nenhum comentário:

Postar um comentário