Quatro anos da Rio 2016: Hypólito e Nory, a dobradinha de uma aposentadoria e um título mundial - Surto Olimpico

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Quatro anos da Rio 2016: Hypólito e Nory, a dobradinha de uma aposentadoria e um título mundial

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Seguindo com as comemorações dos quatro anos da Rio 2016, chegou a hora de falarmos da histórica dobradinha de Diego Hypólito e Arthur Nory no solo, conquistada há exatos quatro anos. Como já tem virado rotina, reviramos o arquivo digital do Surto Olímpico para relembrar os detalhes das conquistas, bem como os do ciclo olímpico que as sucedeu.

Quem poderia imaginar que o Brasil sairia da Arena Olímpica do Rio naquela tarde de 14 de agosto de 2016 com uma medalha? Quem dirá duas! Nory e Hypólito chegaram desacreditados àquela final de solo. O primeiro, nono colocado nas classificatórias, entrou com a pior nota entre os finalistas. O segundo, apesar de ser bicampeão mundial, vinha de quedas nas duas últimas edições olímpicas do mesmo aparelho, e deixava os torcedores brasileiros receosos.

O velho clichê de "quem acredita sempre alcança" se fez verdade naquela tarde. Eles acreditaram, e alcançaram. Quarto colocado nas eliminatórias, Hypólito foi o segundo ginasta a se apresentar, já empolgado com a queda do japonês Kohei Uchimura, ouro no individual geral e um dos favoritos. O brasileiro fez uma "série limpa", como destacou Rodrigo Huk à época, e obteve nota de 15.533.

Diego Hypólito após sua apresentação que lhe rendeu uma prata (Washington Alves/Exemplus/COB)

Logo na sequência, os planos de um título olímpico de Diego foram frustrados pelo britânico Max Whitlock, que teve uma bela apresentação e assumiu a primeira colocação com um décimo de vantagem sobre o brasileiro. Hypólito caiu para o segundo lugar, mas ainda sonhava em permanecer no pódio, restando cinco adversários a se apresentarem.

Nory foi o quarto a competir e fez uma apresentação de maior dificuldade em relação às qualificatórias. Conseguiu um 15.433 e foi para a terceira posição. A expectativa subia na Arena Olímpica. Os torcedores brasileiros começaram a se empolgar com a possibilidade de um pódio duplo, mas, para isso, precisavam "secar" os próximos ginastas. E assim o fizeram.

A "secadeira" brasileira deu certo e "Jacob Dalton e Samuel Mikulak não chegaram a cair, mas fizeram séries longe do esperado pelos norte-americanos, enquanto o japonês Shirai ousou na dificuldade dos saltos, mas também cometeu erros na execução e foi jogado para o quarto lugar", como também escreveu Huk. O pódio não se alterou: Hypólito foi prata e Nory ficou com o bronze.

Max Whitlock foi o "intruso" no pódio brasileiro (Marko Djurica/Reuters)

Após as conquistas, os responsáveis pela única dobradinha brasileira na Olimpíada do Rio tomaram caminhos que se iniciaram de forma parecida, mas que tomaram rumos distintos. Nory passou por um procedimento cirúrgico no ombro direito, em novembro de 2016, enquanto Hypólito realizou uma operação "sigilosa" para reparar dores na coluna no início de 2017.

Ambos passaram pelas cirurgias para ficarem 100% para o ciclo olímpico seguinte. Nory disse que a cabeça estava "voltada para Tóquio", como relatado por Marcos Antônio na ocasião. Mas o que se viu não foi bem isso. Diego ficaria mais de dois anos sem competir, e Arthur realizaria outras três operações ao longo das temporadas seguintes.
Pouco tempo depois de disputar o Mundial de 2017, em outubro daquele ano, em Montreal, no Canadá - não avançou às finais de suas especialidades, sendo 16º no solo, com 14.033, e fez 13.866 na barra fixa, a um décimo do último classificado - Nory precisou passar pela segunda cirurgia no ombro, no mesmo tendão, mas em partes diferentes, o que o deixou de fora por mais nove meses. 

Enquanto isso, Hypólito ficou frustrado ao ter seu auxílio do Bolsa Pódio, do Governo Federal, cortado após ficar um ano sem competir. "Isso pra mim é uma coisa absurda. É jogar um plano no lixo. A sensação que me dá é que você está desvalorizando uma medalhista olímpico. Nosso país está muito cru", disse, conforme relatado por Marcos Antônio, já em março de 2018. 

Mesmo após as constantes lesões, Nory mostrava-se otimista e sempre com a cabeça voltada para Tóquio. "Tudo para eu estar perfeito e nas minhas melhores condições até Tóquio. Lá eu vou para buscar o ouro. Não quero mais só participar, quero medalha", disse em entrevista ao ge em março de 2018, relatada por Marcos Antônio

Quando conseguiu retornar às competições, uma nova queda o fez machucar o mesmo ombro direito e o cotovelo esquerdo em agosto, desta vez em menor intensidade. Nosso medalhista olímpico não precisou passar por uma nova cirurgia e foi a Doha para a disputa do Mundial de 2018, mas revelou não estar 100%, como disse em nova entrevista ao ge às vésperas da competição.
 
Arthur Nory no Mundial de 2018 (Ricardo Bufolin/CBG)

No Mundial, Nory se apresentou em todos os aparelhos nas qualificatórias, com exceção das argolas. Ele teve um bom desempenho no geral e ajudou a classificar a equipe brasileira para a final, mas não pegou nenhuma final individual. Na decisão por equipes, Nory caiu em sua apresentação no cavalo com alças, ficando com 9.600. Mas como bem lembrou Tulio Siqueira, em reportagem, à época, "não sejamos injustos com o brasileiro Arthur Nory, ele teve a melhor nota entre os brasileiros no solo, na barra fixa e no salto".

Hypólito, por sua vez, finalmente voltou a competir internacionalmente em março de 2019, quando disputou as Copa do Mundo de Baku e de Doha. Em ambas, não passou das eliminatórias do solo, ficando em 30ª posição (12.433), e em 40º (11.700) na segunda. As coisas já não iam bem para ele. Sem patrocínios e com sete meses de salários atrasados, havia perdido seu vínculo com o São Bernardo do Campo meses antes e desabafou nas redes sociais, relatando a "humilhante" situação vivida.

Diego Hypólito deixou o São Bernardo em 2019 após não ter sete dos 24 meses de salário atrasados (Ricardo Bufolin/CBG)

Se o começo de ano não ia bem para o bicampeão mundial, Nory pensava em se sair bem no ano pré-olímpico após dois anos de lesões. Ele, inclusive, estabeleceu a meta de "ficar saudável para poder competir", em entrevista exclusiva com Marcos Antônio no início do ano. Na época, ele se recuperava de uma nova lesão, desta vez um edema no joelho constatado ao final de 2018. 

Talvez o objetivo tenha dado certo. Poucos meses depois Do papo com o Surto, ele esteve em Lima para a disputa dos Jogos Pan-Americanos e saiu com um ouro (equipes) e duas pratas (individual geral e barra fixa). Veja os detalhes da final sob da barra fixa, sob a visão de Regys Silva, aqui.

Se o desempenho em Lima já foi espetacular, o que dizer do Mundial, em outubro?  Ele chegou ao campeonato em Stuttgart (GER) com a expectativa de garantir uma vaga para a equipe brasileira na Olimpíada de Tóquio. 

Nory comemorando o título mundial na barra fixa (Ricardo Bufolin/CBG)

Não só cumpriu a meta, como também saiu de lá um campeão mundial: foi ouro na barra fixa, com nota de 14.900, deixando para trás nomes como o do croata Tin Srbic e do russo Arthur Dalaloyan. Ele se tornou o quarto brasileiro campeão mundial na ginástica artística, como lembrou Daniel Barbosa.

Quem acompanhava de perto este Mundial era Diego Hypólito, mas com uma visão diferente. Ele era comentarista do canal SporTV e chegou a dizer, durante as transmissões, que ainda almejava a vaga olímpica, se mostrando empolgado em conquistá-la. No entanto, menos de dois meses depois, anunciou sua aposentadoria no programa de TV Altas Horas.

Com a conquista da vaga olímpica, o foco de Nory se intensificou em Tóquio. Meses depois do título, anunciou que prepararia uma série mais forte para a Olimpíada. "Vamos também apresentar uma série nova, aumentando a dificuldade. É uma carta na manga que teremos", revelou seu treinador, Cristiano Albino, em entrevista coletiva do Pinheiros, acompanhada por Marcos Antônio.

Depois de um ano incrível, veio a consagração: foi eleito o Melhor Atleta de 2019 no Prêmio Brasil Olímpico, ao lado de Beatriz Ferreira, campeã mundial do boxe. O ano de 2020 chegou e com ele a expectativa de respirar ares olímpicos. No entanto, a pandemia do coronavírus surgiu e atrapalhou os planos de Nory e de outros atletas. 

Sem competições e sem poder treinar nos ginásios, Nory se aproveitou do momento e realizou uma nova cirurgia no ombro, desta vez no esquerdo, com dores que vinham o incomodando havia algum tempo. Danilo Goes reportou. Hoje, ele possui acompanhamento fisioterapêutico e se prepara para retornar aos treinos no Pinheiros em breve. Enquanto isso, se mantém ativo em casa com exercícios leves.
  
Hypólito também se aproveitou do adiamento da Olimpíada de Tóquio. Logo após a decisão, postou vídeos em suas redes sociais fazendo acrobacias e mostrando empolgado a voltar a treinar e conquistar a vaga. No entanto, suas chances são remotas e suas condições de treino são incertas. Quem sabe não volte a treinar, também em breve, com Nory, no Pinheiros?

Foto de capa: Flávio Florido/Exemplus/COB

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