A história do Breaking e a sua jornada aos Jogos Olímpicos - Parte 2 - Surto Olímpico

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A história do Breaking e a sua jornada aos Jogos Olímpicos - Parte 2

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Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o Breaking irá estrear no principal evento esportivo do mundo. Por isso, agora iremos contar como funcionam as batalhas, como está a preparação do esporte visando a sua primeira aparição, o planejamento do Brasil, e mostrar quais são os países que dominam o cenário internacionalmente.


Caso você ainda não tenha visto a primeira parte deste especial, clique aqui e confira. Lá você vai conhecer mais da origem do breaking, como ele se desenvolveu no Brasil, e entender melhor como a sua história impacta na participação da modalidade em Olimpíadas.


Principais Competições


Até poucos anos atrás, a nova modalidade olímpica não possuía nem se quer um circuito de competições ou um torneio mundial organizado dentro da proposta competitiva. Hoje em dia, inúmeros campeonatos, torneios, festivais e batalhas de breaking acontecem no mundo. Contudo, é importante ressaltar que esses eventos, em sua maioria, sempre aconteceram dentro de festivais de celebração do Hip Hop, ou como parte de um evento cultural, e até por isso este recorte esportivo é visto como novidade por muitos, dentro e fora do mundo do Hip Hop.


No entanto, podemos citar alguns festivais que já há bastante tempo desenvolvem campeonatos e batalhas. No âmbito internacional são diversos os torneios de breaking.  Como o Battle of The Year, The Notorious IBE, Outbreak, The World Battle, Freestyle Session, Unbreakable, Battle Pro e Sudaka. Nacionalmente, podemos destacar o Battle in the Cypher, em Bento Gonçalves  Grande do Sul, o Quando as Ruas Chamam, em Brasília e o Festival Master Crews, em São Paulo, como os mais relevantes.


Reprodução: breakingworld.com.br


Porém, é impossível falarmos de competição de breaking, sem citarmos o Red Bull BC One. Apesar do evento ainda não ocorrer dentro da esfera esportiva, sendo promovido pela parte cultural da empresa; o fato de ser organizado por um grande patrocinador, com um grande alcanço midiático, faz com que esta competição seja referência no mundo do breaking, atualmente. O evento é carinhosamente chamado de Super Bowl, ou as Olimpíadas do breaking.


O Red Bull BC One foi criado em 2004, pelos suíços Claude Hunkeler e Christian Breitschmid. Ambos, identificaram que o breaking passava por alguns problemas de imagem e de crescimento no começo dos anos 2000. Eles identificaram duas grandes questões: a primeira, que o breaking vivia à margem do Rap, e não conseguia ter o seu próprio espaço dentro da cultura Hip Hop, e segundo: Quem era o melhor breaker do mundo?


Reprodução: www.nussli.com - Red Bull BC One em 2018

Foi assim, que em 2004, eles escolheram um lugar simbólico para o breaking europeu, e que costumava reunir diversos dançarinos do continente nos anos 80, o Coupole de Biel, na Suíça. Desde então, a competição foi organizada todos os anos e a partir de 2018 também com o evento, exclusivo, para as mulheres. Antes disso, algumas mulheres já haviam participado do evento "masculino" (uma vez que não havia a separação entre os sexos previamente).


Em 2010, o Brasil faturou o seu primeiro, e único, título até então. Na ocasião, o B.boy Neguin foi o campeão, demonstrando uma grande técnica de dança, e abusando dos flips, uma de suas principais características. Neste ano, a competição está marcada para acontecer em Gdansk, na Polônia nos dias 4 e 6 de Novembro. O Brasil contará com a participação de três dançarinos no evento. Dois deles irão disputar uma fase preliminar, chamada de Last Chance, na qual dançarinos de vários outros países irão competir pela última vaga, nos eventos Finals, em cada naipe. Na chave principal, o Brasil conta com um representante no masculino, o B.boy Bart, que já é considerado um dos melhores da atualidade.


Formato de disputa


Como dito anteriormente, o breaking ainda busca a sua afirmação dentro do recorte esportivo. Muitas das palavras que costumamos usar no dia a dia esportivo, como modalidade, atletas ou federações, são vistas como novidades por boa parte da comunidade breaking. As batalhas que acontecem nos diversos campeonatos e torneios pelo mundo, não seguem um sistema de disputa pré-estabelecido. Uma das particularidades desta modalidade é a de que os dançarinos podem se enfrentar de diversas formas, seja numa competição exclusiva para ambos os gêneros, em disputas de equipes, ou até mesmo em confrontos mistos.


Portanto, dentro do cenário do breaking, encontramos disputas no formato:


- Individual (Masculino, Feminino e Misto)


- Crew (5 vs 5 é o mais comum, mas podemos encontrar batalhas com 7, 8 ou até um número maior de integrantes)


- Duplas (Masculino, Feminino e Misto. Geralmente chamado de Bonnie and Clyde)


Além de sistemas mais incomuns, como o Seven to Smoke, uma espécie de fileira de batalhas, na qual o dançarino que conquistar sete vitórias é considerado o campeão. Quando olhamos para os eventos de breaking, que já possuem uma regulamentação esportiva, apenas as disputas individuais, para homens e mulheres, e o crew possuem eventos competitivos de destaque.


Reprodução: Ali Bharmal | Red Bull Content Pool

Os eventos e festivais de breaking não possuem uma padronização internacional ou nacional para o seu funcionamento. Todo o processo de adequação aos regulamentos, ainda esta sendo implementado. Por isso, cabe a cada evento definir a forma de disputa e os vencedores de cada batalha. Normalmente, os torneios utilizam do formato de pirâmide para as suas competições, ou seja, confrontos diretos e eliminatórios desde a primeira rodada. Semelhante ao que vemos em torneios como a Copa do Brasil de Futebol, ou nos torneios de Tiro com Arco.


Quanto aos vencedores das batalhas, a definição pode ser feita por duas formas diferentes: Pontuação e Apontamento. O apontamento é o mais simples e mais comum; nos eventos há um número ímpar de jurados, que assistem as batalhas e no fim definem o ganhador. Na pontuação, os jurados soltam notas para diferentes partes da performance dos dançarinos, e avança aquele que tiver a maior pontuação final.


Também não existe limite de tempo ou de entradas para as batalhas de breaking. Contudo, geralmente essas disputas são rápidas, com duas a três entradas para cada dançarino, e com trinta segundos a um minuto de apresentação. Vale lembrar que as músicas durante os eventos, são sempre escolhidas pelos DJs, que buscam surpreender os dançarinos. Entre os estilos mais comuns temos: Break Beat, Funk, Eletro Funk e Rap Underground.


Reprodução: emtempo.com.br

Movimentos do Breaking


Semelhantemente ao que está ocorrendo nos campeonatos de breaking, os movimentos característicos desta dança, também, estão passando por uma padronização. Esta ação é necessária para facilitar o julgamento das batalhas nos futuros torneios. É necessário dizer, também, que o breaking têm como característica principal a dança no chão. Ou seja, se não tiver chão, não é breaking.


Reprodução: Richie Hopson/Richie Hopson / Red Bull Content Pool


Ainda assim, atualmente, os movimentos do breaking estão categorizados em quatro divisões distintas:


- Top Rocks: a introdução da dança, a parte em pé do breaking. É por este estilo que os breakers devem iniciar a dança e mostrar um pouco do que pretendem fazer a seguir. Normalmente, os passos são uma fusão de danças americanas e latinas, como MarchStep, Indian Steps e Salsa Rock.


- Foot Works: são todos os movimentos que os dançarinos fazem com o pé, geralmente no chão, alternando o apoio de mãos e a movimentação das pernas. Este é o único movimento exclusivo do breaking e bastante característicos. Por exemplo: SixSteps, Hook, TwoSteps.


- Down: movimentos que fazem a ligação entre os Top Rocks e os Foot Works. Exemplos: Corkscreww, KneeDrops e Sweeps.


- Power Moves ou Spin Moves: este é o movimento que simboliza o breaking, e também o mais atrativo para o público e novos praticantes da dança. Caracterizado pelos WindMills, HeadSpins e AirTracks, os breakers necessitam de bastante força muscular para proporcionar os giros contínuos deste movimento do breaking.


Ainda assim, como visto anteriormente, todos esses grupos de movimentos estão passando por uma padronização dentro de um agrupamento específico para cada categoria de movimentos. Por esta razão, existem alguns movimentos como os Flips, Tricks, Transition e Freeze, que ainda não possuem uma categoria propriamente definida. Vale ressaltar, que no breaking há a liberdade de inclusão de movimentos de danças inéditos, como parte da criatividade do dançarino, ou até mesmo movimentos característicos de outras danças. Por isso, não se surpreenda se ver algum brasileiro usando da Capoeira ou do Samba, para somar no seu estilo de dança.


Olimpíadas


Quem colocou o Breaking nas Olimpíadas? Durante as conversas com B.boy Bispo, esta era uma das dúvidas. O anseio do COI em tornar o seu produto principal mais atrativo para os jovens, e urbano, fez com que o breaking alçasse vários degraus rapidamente, e consequentemente, garantisse o seu espaço nas Olimpíadas. Na verdade, nem mesmo a comunidade do breaking sabe dizer como isso aconteceu. Nunca houve um pedido por parte da comunidade, ou ações que explorassem uma aproximação do breaking com o movimento olímpico.


Assim, esta nova modalidade será o primeiro esporte de dança, que irá estrear no principal evento esportivo, nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Contudo, esta não será a primeira participação do breaking no movimento olímpico. Durante os Jogos Olímpicos da Juventude de 2018, em Buenos Aires, na Argentina, esta dança teve a sua aparição inicial em eventos organizados pelo comitê olímpico internacional.

 

Reprodução: www.guampdn.com


World Dance Sport Federation


Apesar de haver diversas organizações responsáveis pelo controle e criação dos eventos de dança, a World Dance Sport Federation (WDSF) é a federação mundial para todos os esportes de dança competitiva. No entanto, a WDSF nunca deu muita atenção para esta dança e suas competições. Os eventos organizados por esta entidade sempre foram referentes aos estilos mais tradicionais da dança de salão, Latina e Standard, por exemplo.


Reprodução: www.esportividade.com.br/ Dança Latina durante os Jogos Mundiais de 2017

Em 2017, a WDSF adicionou o Breaking ao seu catálogo de modalidades, e desde então a entidade vem organizando competições pelo mundo. A primeira competição adulta da modalidade só aconteceu em 2018, e o primeiro mundial adulto somente em 2019. Houve ainda a organização de competições de dança Hip Hop. Porém, apenas por três ocasiões, nos Jogos Mundiais de Dança em 2013, e dois Opens deste estilo em 2018. No campeonato mundial de 2019, o Brasil esteve representado apenas no masculino, pelo B.boy Luan San, terminando na 22° colocação entre 93 atletas. 


Recentemente, a WDSF criou uma landpage dedicada, exclusivamente, aos temas relacionados à regulamentação, competições e a classificação olímpica desta modalidade: o BreakingForGold. Nela, podemos conferir algumas competições que estão sendo planejadas para o final deste ano, com a chancela da entidade. Além de serem usadas como eventos-teste para a padronização dos sistemas de disputa, e de aclimatação ao futuro modelo olímpico para os dançarinos.


Atualmente, a entidade está no processo de organização, para obter um sistema de disputas padronizado e claro para todos os breakers, para que não haja a chance de perderem o seu espaço nos Jogos Olímpicos, com a criação de uma federação internacional dedicada, exclusivamente, ao breaking. Além do processo de criação de um circuito mundial para a modalidade, visando à classificação olímpica. O próximo campeonato mundial de breaking está marcado para 4 de dezembro deste ano, em Paris, na França.


Países e Favoritos


Reprodução: www.kaellis.com.br

Apesar de ainda ser muito cedo para podermos definir os favoritos ao pódio em Paris, nós podemos olhar para critérios, que colocam países um pouco mais perto das medalhas. Se considerarmos aquelas nações que possuem o maior número de dançarinos renomados, ou uma grande comunidade de breaking, alguns deles se destacam.


É o caso da Coreia do Sul, Japão, França, Rússia, Brasil e Estados Unidos. Começando pela terra do "Tio Sam" que, obviamente, por ser o berço desta dança, um solo fértil para o lançamento de novas tendências no breaking, além de possuir os principais grupos de dança no mundo, faz com que eles sejam claramente favoritos. Tanto a Coreia, quanto o Japão, conseguiram criar uma base sólida e uma grande comunidade em torno da cultura Hip Hop, graças às diversas turnês que aconteceram durante a década de 80 no continente asiático. Logo, os adolescentes começaram a se reunir e a levar o breaking para o ambiente escolar. O sucesso foi tão grande por lá que, em 2012, o governo japonês incluiu aulas de Hip Hop nos currículos escolares.


Reprodução: fineplay.me - B.girl Ami (Japão), Campeã Mundial do Red Bull BC One em 2018


A França conseguiu se destacar no cenário europeu, e mundial, graças ao forte apoio e valorização da cultura e arte por parte de seu governo. Diversos eventos aconteceram e ainda ocorrem em território francês, tais como, shows, oficinas e workshops, que serviram para criar um verdadeiro sistema de apoio à cultura Hip Hop. E fez com que o país se tornasse sonho de consumo para vários dançarinos que pretendem viver do breaking. A Rússia, por outro lado, ainda é uma incógnita, não existe uma explicação muito clara da razão do breaking ter explodido por lá. Porém, tal como o Brasil, ficou claro que a influência da cultura americana, principalmente após a eclosão da URSS e a abertura aos mercados internacionais, colaborou no sucesso desta dança por lá. 


Atualmente, os Russos possuem alguns dos melhores breakers do mundo, entre eles a B.girl Kastet, bicampeã mundial do Red Bull BC One. Por fim, o Brasil que, apesar do pouco espaço na mídia, teve uma rápida absorção em terras brasileiras, por conta das similaridades da criação desta cultura com as periferias das grandes cidades do nosso país.


Contudo, não se surpreenda caso veja dançarinos de outros países subindo aos pódios. O breaking passou por uma verdadeira diáspora, ao longo dos últimos anos. Hoje em dia, encontramos B.boys e B.girls, literalmente, em todo o mundo. Como por exemplo, os B.boys Lil Zoo, o marroquino/austríaco foi campeão do Red Bull BC One em 2018, e já está focado para garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos; o neerlandês Menno, único tricampeão do Red Bull BC One, e campeão mundial da WDSF em 2019. Ou as B.girls Sidi, da Grecia, e Paulina, da Polônia, que estão entre as melhores do mundo. E ainda podemos ver atletas de países não tão usuais, como Camarões, El Salvador, Nepal e Butão, que estiveram presentes no primeiro mundial da modalidade.


Reprodução: Marcel van Hoorn / Red Bull Content Pool - B.boy Menno

Como será nas Olimpíadas?


Nos Jogos Olímpico de Paris 2024, o breaking terá dois eventos de medalhas. As disputas serão apenas na modalidade 1 vs 1 (Individual), para ambos os naipes. Cada evento contará com 16 dançarinos, totalizando 32 participantes. O formato de disputa ainda não foi oficialmente anunciado, contudo, podemos esperar pelo modelo tradicional de "pirâmide", com eliminações desde a primeira rodada.


Ainda não sabemos, também, como será o sistema de classificação para os jogos. Uma vez que a WDSF está no processo de criação do seu circuito internacional, e de um provável ranking olímpico. Porém, devido ao baixo número de vagas, dá para dizer que a classificação será extremamente acirrada. Ainda mais se levarmos em conta o fato de países-sede, normalmente possuírem uma vaga garantida, além das vagas reservadas para cada continente.


Foto: Lionel Bonaventure/AFP


Aqui, ainda vale destacar outro ponto que está passando por discussões e aprimoramentos: a definição dos vencedores. Como mostrado, o breaking possui duas formas de julgamento de suas batalhas, apontamento e pontuação. Durante os Jogos Olímpicos, o COI, em conjunto com a WDSF, já definiu que será utilizado o sistema de pontuação. A ideia é tirar um pouco da subjetividade dos julgamentos, e trazer mais clareza para o público, na avaliação das apresentações.


Por isso, a WDSF, novamente em parceria com o COI, desenvolveu um sistema de avaliação específico para o breaking: o Trivium. Este sistema já foi utilizado, durante os Jogos Olímpicos da Juventude em 2018, mas, ele ainda passa por melhorias. A ideia por trás do programa é a de que ele sirva para avaliar todos os diferentes pontos, e categorias de movimentos, que esta dança possui; assim, oferecendo uma maior credibilidade ao julgamento.


Reprodução: breakingworld.com.br - Imagem do Trivium durante os Jogos Olímpicos da Juventude

O desenvolvimento do Trivium, teve a colaboração de dois respeitados membros da comunidade breaking, o DJ Renegade, e o B.boy Storm. Ambos ficaram com a responsabilidade de criar parâmetros que ajudassem na aquisição das notas dos dançarinos. Para isso, eles partiram de três princípios: Corpo, Mente e Alma.


- Corpo, diz respeito às qualidades físicas dos atletas, e é composto por Técnica (20% da nota) e Variedade (13,3%)


- Alma, diz respeito à parte interpretativa, composta por Performance (20%) e Musicalidade (13,3%)


- Mente, diz respeito à parte artística, aonde eles precisam mostrar a sua Criatividade (20%) e Personalidade (13,3%)


Por causa da grande variedade de critérios adotados neste novo sistema de pontuação das batalhas de breaking, é provável que teremos cerca de 15 árbitros selecionados para os Jogos Olímpicos, com o intuito que haja uma rotação constante entre eles, evitando o cansaço das avaliações.


    Reprodução: glissando.medium.com - B.boy Storm (Esquerda) e DJ Renegade

Por fim, precisamos exaltar os dois primeiros jurados internacionais de breaking do Brasil, os B.boys Migaz e Mixa. Ambos foram convidados à prestar o curso de arbitragem, promovido por Storm e Renegade. Eles tiveram um árduo processo até a conquista da certificação, precisando desembolsar cerca de R$ 1.200,00 cada, comparecer aos congressos e passar por um rígida prova em inglês.


Planejamento do Brasil


No Brasil, o Conselho Nacional de Dança Desportiva (CNDD) é a responsável pela administração e organização do breaking em território nacional. Tal como a WDSF, a entidade brasileira também não possuía o breaking entre as suas modalidades. Isso mudou em janeiro de 2021, quando a CNDD criou uma comissão dentro da organização, destinada a cuidar do desenvolvimento desta modalidade no Brasil. Inicialmente, esta comissão foi formada pelo diretor técnico, o B.boy Bispo, e a vice-diretora técnica, a B.girl Lu.


Reprodução: www.cob.org.br


Ainda em 2021, a CNDD, por meio de sua diretoria do breaking, abriu as inscrições para a seletiva nacional da modalidade. A ideia por trás desta iniciativa, além de escolher dançarinos para a primeira seleção brasileira de breaking, é a de buscar acesso à estrutura oficial do COB, e garantir o apoio para os B.boys e B.girls que forem escolhidos.


Devido à pandemia, e a falta de competições oficiais a diretoria de breaking optou por fazer uma seletiva online, com avaliação dos currículos, premiações e participações nacionais e internacionais dos dançarinos. Além de vídeos de performances enviados pelos breakers, para a comissão. A primeira seleção brasileira de breaking contará com 4 B.boys e 4 B.girls. Os dançarinhos já foram escolhidos pela entidade, e serão revelados ainda este ano.


A nova comissão de breaking da CNDD possui três pilares bem claros do seu planejamento até Paris:


1. Investir na preparação dos atletas. Seja física, ou mental, e ter acesso às bolsas, apoios e patrocínios que possam dar tranquilidade e estabilidade para os futuros dançarinos da seleção brasileira.


2. Definição do Circuito Nacional, com negociações em curso, espera-se que o campeonato comece no segundo semestre de 2022. 


3. Conseguir a classificação para o Circuito Internacional da WDSF em 2023 que, provavelmente, será classificatório para os Jogos Olímpicos de Paris.


Apesar da entidade ainda não ter recebido nenhum recurso por parte do comitê olímpico brasileiro, ou ação prática, ambas as entidades estão em constante contato. O COB acredita no potencial do breaking como um esporte que pode conquistar medalhas para o Brasil, em Paris.


Reprodução: http://www2.itanhaem.sp.gov.br/ - Fundação da Federação Paulista de Breaking


Ao longo dos últimos meses, a comissão de breaking vêm trabalhando em outras ações necessárias para o desenvolvimento dos seus pilares e, principalmente, no acesso à estrutura do COB. A criação do primeiro congresso sobre o breaking nas olimpíadas, e a filiação de diversos dançarinos à CNDD são algumas delas. Recentemente, foi criado a primeira comissão de atletas do breaking que possuem a tarefa de fiscalizar as ações internas da entidade, e como forma de representar todos os atletas de breaking no Brasil. A estruturação desta comissão, contou com a colaboração do campeão panamericano de taekwondo, Diogo Silva.


Paralelamente, outras iniciativas estão sendo tomadas. Recentemente o governo do estado de São Paulo anunciou a criação do primeiro centro de treinamento de breaking, perto da estação Capão Redondo do metrô. Ou a fundação das federações estaduais de breaking; algumas delas já estão em processo avançado, e elas serão essenciais na estruturação do breaking no Brasil.


Agora, só nos resta acompanhar os B.boys e B.girls brasileiros que forem representar o nosso país em futuras competições, e torcer para que eles, literalmente, dancem pelo breaking, pelo Hip Hop, e pelas medalhas dos Jogos Olímpicos de Paris.

Foto de Capa: Reprodução/Youtube


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