Entenda o valor financeiro e simbólico do primeiro ouro na história olímpica das Filipinas - Surto Olímpico

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Entenda o valor financeiro e simbólico do primeiro ouro na história olímpica das Filipinas

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Dentre os destaques internacionais da primeira semana de Jogos Olímpicos está um ouro depois de 97 anos de espera. Agora assegurada no rol de países com campeões olímpicos, o país poderá celebrar o centenário de sua participação em Paris 1924 sem a pressão para finalmente ganhar o ouro. Na segunda-feira (26), a levantadora de pesos Hidilyn Diaz derrotou a aparentemente imbatível chinesa Liao Qiuyun e levou o ouro na categoria feminina até 55kg.

Vale a pena lembrar que enquanto Tailândia já tinha 9 ouros até Tóquio - e já garantiram o décimo - e Indonésia 7, e até países menores já garantiram seus campeões olímpicos, um certo recorde negativo pertence a outro país do sudeste asiático. A Malásia é o país com mais medalhas, sem nenhuma de ouro, e não parece ter muitas chances este ano.

"Filipinas iniciou a história olímpica em 1924, enquanto esses países entraram em 1952. Mesmo a pequena Singapura já tem sua medalha de ouro desde 2016. Assim, sempre que nós nos comparamos com os vizinhos, nos sentimos desesperados para finalmente levar nossa medalha de ouro", comentou o jornalista Julius Manicad, editor de esportes do Daily Tribune, um jornal de circulação nacional no país, em entrevista ao Surto Olímpico.

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"A medalha de ouro inédita para Filipinas certamente terá um impacto em nós como uma sociedade. Definitivamente trará uma revolução com muitos jovens se iniciando ao esporte sabendo que esse pode ser o bilhete para sair da pobreza", nos disse Manicad ainda antes do início dos Jogos Olímpicos.

Dois atletas filipinos levaram ouro em esporte de demonstração ou exibição: Arianne Cerdenna no boliche e Willy Wang, no wushu. "Quando ganhamos medalha de ouro no wushu em Pequim 2008, aconteceu uma grande comemoração até que a população percebeu que era apenas um esporte de exibição para agradar ao país anfitrião. Ainda que Willy Wang seja bastante conhecido e comemorado, não é alguém considerado como um dos atletas mais importantes do país", afirma Manicad.

Não é só de espírito olímpico que vive um campeão nas Filipinas

Ainda que a medalha de ouro não venha com um cheque, ela tem o poder de mudar definitivamente a vida de Diaz. Muitos países do sudeste asiático auxiliam com altas somas seus campeões olímpicos. Na Rio 2016, Joseph Schooling, nadador de Singapura recebeu o equivalente a 753 mil dólares, cerca de 2,5 milhões de reais em valores da época.

Ela recebeu um total de 10 milhões de pesos filipinos, ou 200 mil dólares (pouco mais de um milhão de reais) o valor oficial prometido pelo Governo do país. Porém, a mídia local afirma que empresários já anunciaram doações para ela, na soma inicial de 33 milhões de pesos. O polêmico presidente do país Rodrigo Duterte, que em 2019 disse que a halterofilista poderia ser uma "ameaça" ao país, mudou de ideia e prestes a enfrentar uma reeleição, se baseou na nova heroína nacional para apoiar em seus valores nacionais. Ele ofereceu 3 milhões de seu próprio bolso e mais uma casa mobiliada. Além disso, ela já teve outros terrenos e casas prometidas.

Por que Filipinas ganhou um ouro só agora?

Vários atletas das Filipinas já ganharam campeonatos mundiais, mas é muito diferente dos Jogos Olímpicos. Segundo o jornalista, a medalha de ouro neste ano não veio por acaso. "Líderes esportivos nas Filipinas deram seu melhor para isso. Além de aumentar o prêmio financeiro para os medalhistas de ouro, eles também estão enviando atletas de elite para muitos campos de treinamentos fora do país, para assegurar que eles possam treinar com os melhores técnicos".

Para Manicad, uma atleta em especial que deve-se prestar atenção é Yuka Saso, que venceu recentemente o US Open, um dos torneios de golfe mais importantes do mundo.Ela entra em ação no campo de golfe entre a noite de terça-feira (3) e a madrugada de sexta para sábado (7). Entre os vários filipinos que treinaram fora, Manicad destacou EJ Obiena que treinou na Itália, além do ginasta Carlos Yulo que permaneceu no Japão. Enquanto Yulo não foi para a final do solo, onde ele é o atual campeão mundial, ele participará da final do salto que acontece na manhã da segunda-feira, às 6:51. Obiena disputará a final do salto com vara contra o brasileiro Thiago Braz às 7:20 da manhã na terça.


Filipinas já tem duas medalhas garantidas no boxe. Nesthy Petecio, campeã mundial em 2019, se classificou para a final contra a japonesa Irie Sena, na terça-feira às 1:05. Eumir Marcial já tem medalha garantida e disputará a semifinal da categoria 75kg na quinta-feira às 3:03 da manhã.]

Foto: Edgard Garrido/REUTERS

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