Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Rio 2016, Record - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Rio 2016, Record

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(Vinheta de abertura das transmissões da TV Record para os Jogos Olímpicos de 2016)



Narração: Lucas Pereira, Eduardo Vaz, Reinaldo Gottino e Marcos Leandro

Comentários: Ricardinho (vôlei masculino), Ricardo Martins (futebol), Luisa Parente (ginástica artística) e Fernando Scherer (natação)

Reportagens: Roberto Thomé, Leandro Stoliar, Rodrigo Vianna (os três exclusivos do futebol masculino), Catarina Hong (exclusiva do futebol feminino), Luiz Carlos Azenha, Vinícius Dônola, Eduardo Ribeiro, Cleisla Garcia, Bruno Piccinato, Jean Brandão, Raul Dias Filho, Ana Paula Gomes, Luiz Gustavo Luz e Thatiana Brasil

Apresentação: Adriana Araújo, Carla Cecato e Mylena Ciribelli

Ao ter nas mãos a oportunidade de transmitir os Jogos Olímpicos de 2012 – e optar por fazê-lo com exclusividade, junto a sua subsidiária Record News -, a Record fez um trabalho razoável. Em alguns momentos, até bom. Mas foi insuficiente para catapultá-la à liderança de audiência por todo o tempo, como ela desejava. Por isso, embora não fossem de se envergonhar, os resultados decepcionaram. Isso, mais os golpes do destino, fizeram com que o canal do bairro paulistano da Barra Funda chegasse bem mais enfraquecido aos Jogos Olímpicos em 2016.

No que tinha sua responsabilidade, a Record semidesativou seu departamento de esportes tão logo Londres-2012 acabou. Praticamente todas as grandes contratações para aquela cobertura olímpica deixaram a emissora. Vindos temporariamente, os comentaristas (Virna, Maurício, Romário, Renê Simões, Paula, Oscar Schmidt, Robson Caetano, Acelino “Popó” Freitas) já eram defecções certas – só ficaram Fernando “Xuxa” Scherer e Luisa Parente, pois a Record tinha os direitos de transmissão dos Mundiais de Natação e Ginástica Artística, ambos realizados e exibidos em 2013.

O problema foi ver a saída de nomes como Ana Paula Padrão. Outro símbolo dos trabalhos do canal em Londres, a apresentadora preferiu tomar outros rumos já em 2013: deixou a Record para cuidar dos próprios projetos – e para apresentar outros programas mais ligados ao entretenimento, como o Masterchef em que voltou a se notabilizar, na TV Bandeirantes. Houve ainda outra dura derrota para a Record: ao vencer a disputa pelos direitos de transmissão do Rio-2016, o Grupo Globo levou no pacote também os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, nos quais a Record obtivera relativo sucesso em Vancouver-2010.

Se a Record ficou enfraquecida no esporte pela opção própria entre 2012 e 2016, é certo que o destino também foi malvado: tirou da emissora um dos raros símbolos que permaneceu nela depois de 2012. Em 2014, Maurício Torres seguia como o principal locutor da Record (exibidas na Record News, as provas dos Mundiais de Natação e Ginástica Artística de 2013 tiveram sua voz), além de apresentar o Esporte Fantástico. Todavia, no primeiro dia de maio daquele ano, o apresentador e narrador carioca da Record se sentiu mal, num voo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Foi internado no hospital Sírio-Libanês, na capital paulista, onde teve detectada uma arritmia cardíaca. Pior: já internado, contraiu uma infecção pulmonar, que não cedeu nem com antibióticos, agravando ainda mais o quadro. E veio o triste fim: em 31 de maio de 2014, aos 43 anos, Maurício falecia. A Record perdia, talvez, sua “cara” esportiva – homenageada na semana seguinte, no Esporte Fantástico.

Restou tornar Lucas Pereira o apresentador do programa esportivo da Record, preenchendo pelo menos a lacuna ao lado de Mylena Ciribelli e Cláudia Reis. Além disso, sem o colega perdido tão precocemente, Lucas se tornava forçosamente o narrador principal da Record. Pelo menos, havia um evento para minorar o clima de “terra arrasada”: os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. Entre os 80 enviados da Record para a cobertura na cidade canadense, estavam Lucas, Mylena, Álvaro José, Eduardo Vaz, Adriana Araújo, Roberto Thomé, alguns remanescentes de Londres. Porém, o volume de horas exibidas ao vivo caiu bastante, em relação a Guadalajara-2011: só quatro horas diárias. Pior: muitos comentaristas fizeram os trabalhos dos estúdios da Record em São Paulo, como José Eduardo Savóia (futebol) e Maurício (vôlei). E a cobertura da Record para o Pan de 2015 passou em brancas nuvens.

E o círculo vicioso continuou. Sem audiência, a Record cortou ainda mais os investimentos já reduzidos em esportes. Basta lembrar a rescisão de contrato com Álvaro José, no início de 2016: já tendo voltado ao Grupo Bandeirantes em 2012 (na rádio homônima e na Bradesco Esportes, pertencente ao mesmo grupo), o experiente narrador/comentarista retornou à Band também na tevê em que já tinha longa história, justamente no ano dos Jogos Olímpicos no Rio.

Em suma, pensar em uma cobertura ampla como a de Londres-2012 estava fora de cogitação, pela maior concorrência. Aliás, talvez nem fosse a motivação e nem estivesse nas intenções da emissora, que ficou previsivelmente sem muitos eventos para mobilizar sua equipe esportiva, Pan-Americanos à parte. Sendo assim, os esforços foram direcionados para apenas duas modalidades no Rio de Janeiro, nas quais as chances de medalhas para as equipes brasileiras eram consideráveis: futebol e vôlei, ambos masculinos. A Record só alteraria sua programação normal em casos de jogos do Brasil nesses esportes.

Para transmitir as partidas em campo, Lucas Pereira era a escolha óbvia como narrador. Para ficar a seu lado, como não haveria mais Romário, a Record foi buscar o comentarista paulista Ricardo Martins – ativo então como um dos principais nomes da 105 FM, rádio de seu estado, e como um dos membros constantes nas mesas redondas do FOX Sports. Para as reportagens sobre a Seleção Olímpica, nos jogos e treinos, três nomes que vieram com a Record de Londres ao Rio: Roberto Thomé, Rodrigo Vianna e Leandro Stoliar. Outra repórter, Catarina Hong, estaria a postos para acompanhar a campanha brasileira no futebol feminino.

Finalmente, para o vôlei masculino, na quadra do Maracanãzinho, Eduardo Vaz também seguia na Record, e seria o narrador da campanha do time de Bernardinho. E o comentarista era um nome de peso: Ricardinho, um dos grandes levantadores de todos os tempos no vôlei brasileiro, um dos destaques no ouro em Atenas-2004.




(Matéria apresentando Ricardinho como comentarista da Record TV para os torneios de vôlei nos Jogos Olímpicos de 2016, no programa “Esporte Fantástico”, em 15 de abril de 2016, em apresentação de Mylena Ciribelli, Cláudia Reis e Lucas Pereira)

A prioridade ao vôlei e ao futebol não queriam dizer que a Record negligenciaria completamente as outras modalidades em competição no Rio (e em outras cidades brasileiras). Dois comentaristas que estiveram em Londres-2012 pela emissora paulista retornariam: Fernando Scherer, para as provas de natação no Parque Aquático Maria Lenk, e Luisa Parente, comentando a ginástica artística no Riocentro. E pelo menos três narradores teriam de estar a postos para qualquer eventualidade, a qualquer momento, durante os 16 dias de disputas no Brasil. Dois deles já haviam trabalhado em Londres: Octávio Muniz e Reinaldo Gottino (este, apresentador já embalado na Record paulista, com o sucesso da edição estadual do informativo policial-popular Balanço Geral). Outro dos locutores viera da Globo Minas, em 2013: o mineiro Marcos Leandro. Sempre que fosse necessário, o Plantão Olímpico traria flashes com qualquer um dos três narradores relatando na Record importantes momentos da delegação brasileira.

De resto, Mylena Ciribelli seria o rosto da Record na apresentação dos boletins olímpicos, além dos habituais programas, como o Esporte Fantástico, nos estúdios do centro de imprensa no Rio. E os destaques do jornalismo geral da emissora seriam deslocados para a cobertura olímpica. Vários repórteres (alguns com passagem pela editoria de esportes) estariam na cidade-sede: Luiz Carlos Azenha, Vinícius Dônola, Bruno Piccinato, Raul Dias Filho. No matinal Fala Brasil, Carla Cecato seria a responsável pelo bloco olímpico. Finalmente, Adriana Araújo seria a principal âncora das notícias dos Jogos, tanto no Jornal da Record quanto no Domingo Espetacular.


Após ousar em Londres-2012, Record sofreu duros golpes no seu projeto de catapultar a audiência. E seu trabalho no Rio-2016 foi muito menor (Divulgação)

E se a cobertura seria mais modesta do que em Londres-2012, isso não significava nem de longe que as vacas da Record estavam magras. Até porque, pouco antes dos Jogos, fora confirmada uma contratação notável para o entretenimento da emissora: Fábio Porchat. Como forma até de atrair a audiência para o talk show que estrearia na Record após os Jogos Olímpicos, o Programa do Porchat, o ator foi a atração da transmissão do canal para a cerimônia de abertura, em 5 de agosto de 2016. Nela, Porchat pontuou humoradamente a transmissão “séria” que o trio Adriana Araújo-Fernando Scherer-Lucas Pereira fez para a festa no Maracanã. Era o pontapé inicial de uma cobertura que teria um slogan criativo: “Jogos Olímpicos têm que ter Record”.

À medida que as disputas se sucediam no Rio, notou-se que a cobertura da Record não era de todo diminuta como se anunciava. Claro, futebol e vôlei eram os destaques. Em campo, tanto o ótimo começo da Seleção feminina na fase de grupos quanto o tenso início da Seleção masculina eram transmitidos pela Record, narrados por Lucas Pereira e comentados (extrovertidamente) por Ricardo Martins. Nas quadras do Maracanãzinho, as seleções brasileiras de vôlei também eram mostradas pela emissora, com a locução de Eduardo Vaz e os comentários de Ricardinho. A dupla acompanhou in loco tanto o começo promissor da seleção feminina bicampeã olímpica quanto a turbulenta participação dos homens na fase de grupos, quando estiveram a um passo da eliminação.

De resto, a Record mantinha sua programação normal, com os destaques inalterados: o policial Cidade Alerta, então apresentado ainda por Marcelo Rezende (1951-2017), A Terra Prometida (novela que sucedia Os Dez Mandamentos, êxito da Record), as edições regionais do Balanço Geral, o Domingo Show que Geraldo Luís comandava em auditório. Porém, com os dias olímpicos se passando e as participações brasileiras acontecendo, certas modalidades ganharam espaço até inesperado na grade de programação, antes dos Jogos começarem. E uma das raras apostas da Record fora do duo futebol-vôlei foi responsável por bons momentos dela na cobertura do Rio-2016: a ginástica artística.

Como já dito, Luisa Parente fora uma das poucas comentaristas que estivera em Londres-2012 e estaria no Rio pela Record. A seu lado, Reinaldo Gottino, deixando momentaneamente a apresentação da edição paulistana do Balanço Geral para retornar aos tempos em que trabalhara com esportes, predominantemente como apresentador e repórter. Pois como narrador das provas da ginástica no Riocentro, Gottino foi apontado como boa surpresa da Record, considerado nome que dava emoção sem exagerar. E ao lado de Luisa, foram muitas as emoções vividas ali. Não bastassem as medalhas brasileiras (as pratas de Diego Hypólito, no solo, e Arthur Zanetti, nas argolas; e o bronze de Arthur Nory, também no solo), a dupla Gottino-Parente também comandou a transmissão da Record para as façanhas da norte-americana Simone Biles e suas cinco medalhas (quatro de ouro, uma de prata) na modalidade.

O destaque de Reinaldo Gottino nas narrações da ginástica artística fez com que o paulista passasse a ser a voz da Record para mais disputas olímpicas no Rio. Ele partiu para o Parque Aquático Maria Lenk – e ao lado de Fernando Scherer, narrou as históricas seis medalhas de Michael Phelps (cinco de ouro e uma de bronze, tornando o norte-americano o maior medalhista de toda a história dos Jogos – e o dono de mais ouros). E o comentarista da Record também teve valor: após a medalha de ouro no revezamento 4x100 medley no Centro Aquático, “Xuxa” foi o primeiro representante da imprensa brasileira para quem Phelps falou.


Também escalado para ir às provas do atletismo (estas, exibidas nos flashes dentro da programação normal da Record), Reinaldo Gottino narrou mais feitos de um ícone olímpico: foi ele o locutor dos tricampeonatos olímpicos de Usain Bolt, nos 100m e 200m – e também o tri da equipe no 4x100m, antes da medalha ser revogada. E a Record foi felizarda outra vez na zona mista: após o triunfo de Bolt nos 100m, coube ao repórter Jean Brandão ser o primeiro jornalista brasileiro a entrevistar o jamaicano.


Reinaldo Gottino aproveitou as chances fora do futebol e do vôlei, e fez bom papel na pequena cobertura da TV Record para os Jogos de 2016 (Reprodução/Instagram)

Mas também houve espaço para outros narradores aparecerem na cobertura da Record. Se narrara a prata de Esquiva Falcão em Londres-2012, Octávio Muniz foi incumbido de narrar momento ainda maior do boxe olímpico brasileiro: o paulista comandou a transmissão do ouro de Róbson Conceição no peso leve, outra prova que cavou espaço na grade de programação da Record. E Marcos Leandro deu voz a alguns dos grandes momentos brasileiros no Rio: foi o mineiro que relatou aos telespectadores do canal paulista o ouro de Rafaela Silva (judô até 57kg), as medalhas de Isaquias Queiroz na canoagem e a epopeia que rendeu o ouro de Thiago Braz, no salto com vara masculino, coroada com um grito de Marcos após o salto que fez Braz superar o rival francês Renaud Lavillenie: “Recorde olímpico!”.

E nas “meninas-dos-olhos” da Record? Como se sabe, os desempenhos se inverteram nos torneios de vôlei. Após primeira fase quase perfeita, a seleção feminina sucumbiu à China logo nas quartas de final. A dupla Eduardo Vaz-Ricardinho fez o relato. E também o fez para o desempenho notável do vôlei masculino, que após uma primeira fase turbulenta, partiu de forma empolgante para o ouro.

No futebol, as transmissões narradas por Lucas Pereira e comentadas por Ricardo Martins passaram em branco no torneio olímpico das mulheres. Mas no torneio do futebol masculino, a empolgação da dupla aumentava com a evolução da Seleção Brasileira. Nem tanto com Lucas, sempre sóbrio em suas narrações. Mas sim com Ricardo Martins: chegando até a deixar o microfone deliberadamente aberto às vezes, o comentarista da Record soltava sua emoção, com alguns gritos. Isso ficou claro no momento culminante do time de Luan, Neymar, Renato Augusto, Gabriel Jesus etc.: na decisão por pênaltis da final contra a Alemanha, foram audíveis para os espectadores da emissora o “êêêê” com que Ricardo saudou a defesa de Weverton, na cobrança de Nils Petersen, durante a decisão nos pênaltis no Maracanã, naquele 20 de agosto de 2016. E veio outro “êêêê” de Ricardo, quando Neymar cobrou, acertou o gol, e o Brasil enfim ganhou a medalha de ouro no futebol masculino.

No dia seguinte, Adriana Araújo e Lucas Pereira comandaram a cerimônia de encerramento na transmissão da Record. De novo, Fábio Porchat aparecia esporadicamente. Não era só o ponto final do Rio-2016: de certa forma, era o ponto final do “projeto olímpico” da Record. As audiências haviam sido baixas, disputando com SBT e Bandeirantes as sobras deixadas pela Globo. E antes mesmo do término dos Jogos, a Record anunciava: nem tentaria o sublicenciamento dos direitos de transmissão de Tóquio-2020. Ficaria só com os Jogos Pan-Americanos, como está hoje. Pouco depois, rescindiria contratos com nomes como Eduardo Vaz. Um fim melancólico de um projeto que sonhou desafiar e destronar o duopólio olímpico antes vigente na televisão brasileira. Ficou só no sonho.




(Trecho sobre os Jogos Olímpicos de 2016, na retrospectiva exibida pela Record TV no fim do ano)

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