Guia Tóquio 2020: Ginástica Artística - Surto Olímpico

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Guia Tóquio 2020: Ginástica Artística

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Como funciona a ginástica artística nas Olimpiadas


FICHA TÉCNICA
Local: Ariake Gymnastics Centre
Período: 23/07 a 03/08
Número de delegações participantes: 60
Total de atletas: 196
Brasil: 7 atletas: equipe masculina, formada por Arthur Nory, Caio Souza, Chico Barretto e Diogo Soares; Arthur Zanetti como especialista; e Rebeca Andrade e Flávia Saraiva no individual feminino.

HISTÓRICO
A ginástica artística está presente desde a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna em 1896, permanecendo até os dias atuais. Em Atenas-1896, houve apenas a disputa masculina e, além de alguns aparelhos usados atualmente, também tinha provas como escalada em corda. Em Amsterdã-1928 pela primeira vez a modalidade foi disputada por mulheres.

Antes das duas Guerras Mundiais, Itália e Alemanha se destacavam ao lado da Hungria. O cenário mudou a partir de 1952, com a primeira participação da União Soviética que começou a dominar o esporte na metade do século, conquistando 182 medalhas olímpicas – sendo 39 de ouro no masculino e 33 de ouro no feminino, permanecendo até hoje na liderança geral do quadro de medalhas.

Equipe da União Soviética (URSS) de ginástica artística nos Jogos Olímpicos de Seul 1988
Equipe feminina da URSS em Seul 1988 - Foto: Igor Utkin/TASS
Em Montreal-1976, a Romênia surgiu como principal ameaça ao domínio soviético, com Nadia Comaneci, que surpreendeu a todos ao tirar a primeira nota 10 da ginástica artística feminina em Jogos Olímpicos. Com a queda da União Soviética, Romênia, China, Rússia e Estados Unidos dominaram o cenário no feminino. As norte-americanas dominaram a modalidade na última década, com destaque para Simone Biles, dona de cinco medalhas olímpicas e 23 em campeonatos mundiais.

O Japão também dividiu a soberania no esporte com a União Soviética no masculino. Com 31 medalhas de ouro, 33 de prata e 33 de bronze, os japoneses têm mais medalhas que qualquer outra nação, embora esses números não se traduzam no feminino, tendo conquistado apenas uma de bronze nos Jogos de Tóquio em 1964. Os donos da casa devem ser os favoritos na disputa em Tóquio, ao lado dos russos e dos chineses.


BRASIL
O Brasil é um país emergente na história da ginástica artística. Embora a primeira participação tenha sido nos Jogos Olímpicos de Moscou, em 1980, os brasileiros estiveram muito longe de conquistar alguma medalha. O cenário só foi mudar no início do século XXI.

Daiane na final do solo em Pequim 2008 - Foto: Lluis Gene/AFP
Com a chegada do treinador Oleg Ostapenko em 2001, o Brasil começou a se destacar no feminino com Daniele Hypólito sendo prata no solo, no Campeonato Mundial, em Gante naquele ano. Outra atleta que se destacou com o ucraniano foi Daiane dos Santos, se tornando campeã mundial em 2003 e vivendo o auge da carreira neste período, mas a tão sonhada medalha olímpica não veio. Os melhores resultados olímpicos do Brasil no feminino foram os quintos lugares de Daiane dos Santos (solo em Atenas 2004) e Flávia Saraiva (trave na Rio 2016).

As primeiras medalhas olímpicas vieram no masculino. Nos Jogos de Londres em 2012, Arthur Zanetti com grande desempenho nas argolas trouxe o primeiro ouro da modalidade. Já com apoio da torcida no Rio de Janeiro, Diego Hypólito e Arthur Nory ficaram com prata e bronze no solo respectivamente, enquanto Zanetti ficou com a medalha de prata.

Arthur Zanetti recebe sua medalha de ouro na Olimpíada de Londres 2012
Arthur Zanetti com sua medalha de ouro - Foto: Reuters
O Brasil terá sete ginastas em Tóquio 2020. Rebeca Andrade e Flávia Saraiva no feminino, Arthur Nory, Caio Souza, Diogo Soares e Francisco Barretto Júnior na equipe masculina e Arthur Zanetti que vai competir individualmente (suas notas não vão poder contar para a competição por equipes).


FORMATO DE DISPUTA
Os homens se apresentam em seis aparelhos: solo, cavalo com alças, argolas, salto sobre a mesa, barras paralelas e barra fixa. Já as mulheres competem em quatro: salto sobre a mesa, barras assimétricas, trave e solo.

Até 2005, os ginastas recebiam uma nota de 0 a 10 pelo seu desempenho. Atualmente, a nota é calculada de forma diferente. Primeiro, os atletas recebem uma nota de dificuldade, a partir dos elementos e das obrigatoriedades que eles apresentam nas suas séries. A nota de dificuldade não tem um teto, mas a maioria dos atletas que tem chances de medalha, vão fazer apresentações com grau de dificuldade entre 5.0 e 7.0 pontos.

A segunda nota é a de execução que vale até 10 pontos. Todos os ginastas começam com um 10, mas vão sendo descontados a cada erro na sua apresentação. As notas de execução e dificuldade são somadas, dando a pontuação final do atleta no aparelho.


Todos os atletas participam da fase qualificatória, que acontece no dia 24 de julho no masculino e dia 25 no feminino. As apresentações desse dia decidem quem vai participar das disputas por medalhas. Na competição por equipes, participam 12 países em cada gênero e os 8 melhores avançam para a final.

O individual-geral é a disputa que premeia os ginastas mais completos da competição, somando todos os aparelhos. Os 24 melhores da qualificatória disputam a final. Já os ginastas especialistas precisam terminar entre os 8 melhores para avançar às finais por aparelhos. Vale destacar que as finais individuais têm um limite de dois atletas por país.

Maiores medalhistas ginástica artística Olimpíadas

ANÁLISES
MULHERES

EQUIPES
Final: 27/07, às 07h45

Favoritas ao ouro: Estados Unidos (USA)
Candidatas ao pódio: China (CHN) e Comitê Olímpico Russo (ROC)
Podem surpreender: Itália (ITA), França (FRA), Canadá (CAN) e Japão (JPN)
Brasil: Não classificou

Com Simone Biles na equipe, é muito difícil os Estados Unidos não terminarem com a medalha de ouro. A ginasta tem um grau de dificuldade acima da média no salto e no solo e ainda tem ótimas notas nos outros aparelhos. A equipe do país também vai contar com Sunisa Lee, uma das melhores atletas nas barras assimétricas atualmente, Grace McCallum, campeã do mundo com a equipe em 2018 e 2019, e Jordan Chiles, atleta que vai estrear internacionalmente, após se destacar nas competições domésticas em 2021.

Jordan Chiles compete no Olympic Trials 2021
Jordan Chiles na Seletiva Olímpica dos EUA - Foto: Jeff Robertson/AP
A briga pela medalha de prata deve ficar entre a China e o Comitê Olímpico Russo. As russas devem se beneficiar com o atraso da Olimpíada, já que vai poder contar com Viktoria Listunova, Vladslava Urazova e Elena Gerasimova, que foram os principais destaques do Mundial Júnior de 2019 e agora estão na categoria adulta. A equipe também conta com a veterana Angelina Melnikova, prata com a equipe na Rio 2016 e que conquistou três medalhas no Mundial de 2019.

Pódia da Russian Cup de Ginástica Artística 2021
Urazova, Listunova e Melnikova no pódio da Copa da Rússia 2021 - Foto: SportGymRus
A China vai contar com Tang Xijing, atual vice-campeã mundial do individual geral, como uma das líderes da equipe que também tem Ou Yushan, Lu Yufei e Zhang Jin. É uma equipe muito forte na trave e nas barras paralelas, mas que melhorou no salto e no solo nas competições nacionais da China pós-pandemia.

Tang Xijing no Mundial de Ginástica Artística de 2019
Tang Xijing no Mundial de 2019 - Foto: VCG Photo
No Mundial de 2019, as chinesas cometeram uma série de erros nas barras assimétricas e terminaram fora do pódio. Na ocasião, a Itália ficou com o bronze. Caso as russas ou as chinesas cometam algumas falhas, podemos ter alguma surpresa no pódio como as próprias italianas, além de França, Canadá e Japão.


INDIVIDUAL GERAL
Final: 29/07, às 07h50

Favorita ao ouro: Simone Biles (USA)
Candidatas ao pódio: Jordan Chiles ou Sunisa Lee (USA), Angelina Melnikova (ROC), Viktoria Listunova (ROC), Rebeca Andrade (BRA), Murakami Mai (JPN).
Podem surpreender: Ou Yushan (CHN), Tang Xijing (CHN), Ellie Black (CAN), Mélanie de Jesus dos Santos (FRA)
Brasil: Flávia Saraiva e Rebeca Andrade

Simone Biles no Mundial de Ginástica Artística de 2019
Simone Biles é favorita ao ouro no individual geral - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Simone Biles deve levar seu segundo ouro em Tóquio 2020 no individual geral. A estadunidense é pentacampeã mundial da prova e só perdeu uma competição do tipo desde 2013. Se vencer, Biles será a primeira atleta a vencer o individual geral em duas Olimpíadas seguidas, desde a tcheca Vera Caslavska em 1964-68.

A disputa pelas outras medalhas está em aberto, com umas seis ginastas capazes de fazer entre 56 e 58 pontos. Como apenas duas ginastas por país podem competir na final, será interessante a disputa para ver quem será a segunda representante dos Estados Unidos na final. As principais candidatas são Sunisa Lee e Jordan Chiles.

As russas também devem ter uma disputa interna para ver quem disputará o individual geral entre Melnikova, Listunova e Urazova. Em junho, na Copa da Rússia, as três terminaram a menos de 0.3 pontos de distância. Já o Japão tem uma chance de medalha na final com Murakami Mai, prata no Mundial de 2018.

Murakami Mai na final do solo no Mundial de Ginástica Artística de 2018
Murakami Mai no Mundial de 2018 - Foto: Kyodo News
Rebeca Andrade deve ser a principal chance de medalha do Brasil na prova. A ginasta ficou em terceiro na qualificação da Rio 2016 e ficou em 11º na final. Durante o ciclo olímpico, a brasileira teve duas lesões no joelho e competiu poucas vezes 100%, mas tirou boas notas nas suas apresentações pós-pandemia.

Rebeca Andrade no Pan-Americano de Ginástica Artística
Rebeca venceu o individual geral no Pan-Americano de 2021 - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Flávia Saraiva corre por fora. A ginasta ficou nas oito primeiras posições nos últimos dois Mundiais, mas precisa melhorar suas notas nas barras assimétricas para conseguir um pódio.


SALTO SOBRE A MESA
Final: 01º/08, às 05h55

Favorita ao ouro: Simone Biles (USA)
Candidatas ao pódio: Jade Carey ou Mykayla Skinner (USA), Giulia Steingruber (SUI), Alexa Moreno (MEX), Shallon Olsen (CAN)
Podem surpreender: Rebeca Andrade (BRA), Angelina Melnikova (ROC), Oksana Chusovitina (UZB)

Aqui vale destacar que todas as ginastas precisam fazer dois saltos de grupos diferentes na qualificação para poderem disputar a final.

Simone Biles é a favorita. A ginasta estreou este ano um novo salto: um Yurchenko duplo mortal carpado, que caso ela faça em Tóquio será o segundo salto com seu nome no código de pontuação. Porém, Simone deu indícios que talvez não faça o eventual Biles II na final do aparelho. Mesmo assim, a norte-americana tem outras combinações de salto de altíssimo grau de dificuldade que ela pode usar.

O salto é outra prova que deve ter uma briga interna nos EUA para ver quem pega a segunda vaga na final. Jade Carey e Mykayla Skinner estarão competindo individualmente e ambas são especialistas no aparelho conseguindo notas acima de 15 pontos.

Na briga pelo pódio também vão estar a suíça Giulia Steingruber, bronze na Rio 2016, Shallon Olsen e Alexa Moreno, prata e bronze respectivamente no Mundial de 2018.

Giulia Steingruber no Europeu de Ginástica Artística 2021
Steingruber venceu o salto no Europeu 2021 - Foto: Martin Frölich
Muita gente especula sobre uma possível medalha de Rebeca Andrade no salto. Ela não compete dois saltos em uma competição desde 2018, mas recuperada de suas lesões, a ginasta que tem ótimas notas de execução no aparelho e pode brigar por medalha caso vá para a final. Recentemente, circularam nas redes sociais alguns vídeos de Rebeca treinando um Amanar (Yurchenko com duas piruetas e meia), salto que ela não fazia desde 2017, e um Cheng (Yurchenko com meia volta, seguido de uma pirueta e meia), no começo do ano. Esses dois saltos são os mesmos que Carey e Skinner devem fazer em Tóquio.

Assim como Rebeca, Melnikova também tem tentado aumentar o seu grau de dificuldade no salto para brigar por medalha em Tóquio. Outro nome que vale a pena ficar de olho é Oksana Chusovitina. A veterana de 46 anos vai para sua oitava Olimpíada e tem oito medalhas no salto em campeonatos mundiais e foi prata na prova em Pequim 2008.

Oksana Chusovitina na Copa do Mundo de Doha 2021
Chusovitina tem um ouro e uma prata em Olimpíadas - Foto: Xinhua


BARRAS ASSIMÉTRICAS
Final: 01º/08, às 07h27

Favoritas ao ouro: Nina Derwael (CHN), Sunisa Lee (USA), Fan Yilin (CHN)
Candidatas ao pódio: Vladslava Urazova (ROC), Anastasia Iliankova (ROC) ou Angelina Melnikova (ROC)
Pode surpreender: Eli Seitz (GER), Simone Biles (USA)

Nina Derwael no Mundial de Ginástica Artística de 2019
Nina Derwael no Mundial de 2019 - Foto: Thomas Kienzle/AFP
A final das barras assimétricas deve ter a disputa mais acirrada do feminino com três fortes candidatas ao ouro. A belga Nina Derwael e a chinesa Fan Yilin são bicampeãs mundiais e devem brigar pelo título olímpico com Sunisa Lee, dos Estados Unidos. As três ginastas fazem as séries mais difíceis da atualidade, com notas de dificuldade entre 6.5 e 7.0.

Sunisa Lee no Olympic Trials 2021
Sunisa Lee na Seletiva Olímpica dos EUA - Foto: Jeff Robertson/AP
O Comitê Olímpico Russo vai levar Anastasia Iliankova, uma especialista no aparelho, como uma de suas atletas individuais. Iliankova, assim como suas compatriotas Melnikova e Urazova têm notas próximas dos 15 pontos e podem ir ao pódio caso uma das três favoritas cometa algum erro.

A prova é a única onde Simone Biles não é favorita ao pódio. Mesmo assim a ginasta, que foi vice-campeã mundial em 2018, pode beliscar uma medalha caso suas adversárias caiam na final. Quem também corre por fora é a alemã Eli Seitz, bronze em 2018. A ginasta é uma especialista do aparelho, mas tem tirado notas menores do que suas principais adversárias.

Eli Seitz no Europeu de Ginástica Artística de 2021
Eli Seitz no Europeu 2021 - Foto: EPA
As brasileiras não são favoritas à medalha no aparelho. Flávia Saraiva tem um grau de dificuldade mais baixo nas barras assimétricas e geralmente tira notas na casa dos 13 pontos. Já Rebeca Andrade é uma das melhores brasileiras no aparelho na história e tem grau de dificuldade para se classificar à final.


SOLO
Final: 02/08, às 06h00

Favorita ao ouro: Simone Biles (USA)
Candidatas ao pódio: Jade Carey (USA), Rebeca Andrade (BRA), Angelina Melnikova (ROC), Murakami Mai (JPN), Flávia Saraiva (BRA), Vanessa Ferrari (ITA).
Podem Surpreender: Jessica Gadirova (GBR), Mélanie de Jesus dos Santos (FRA), Brooklyn Moors (CAN).

Simone Biles tem um grau de dificuldade muito superior ao de suas adversárias. Se no Rio, ela foi campeã ao som de Mas que Nada, para Tóquio 2020 a norte-americana deve tentar o bi olímpico da prova ao som de “Tokyo Drift”, da trilha sonora do filme “Velozes e Furiosos: desafio em Tóquio”.

Jade Carey é a ginasta que deve chegar mais próximo de Biles no grau de dificuldade. Carey tem treinado um duplo mortal com três piruetas na posição esticada. Se ela fizer o movimento em Tóquio, irá receber o seu nome e deve se tornar o elemento mais difícil do código de pontuação.

Flávia Saraiva no Mundial de 2019 - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
As duas brasileiras são candidatas ao pódio na prova. Flávia Saraiva, que ainda mantém em segredo sua nova série, foi finalista nos últimos dois Mundiais (ficando a 0.1 ponto do pódio nas duas ocasiões). Já Rebeca Andrade vai competir ao som de um excelente medley de Bach com “Baile de Favela”.

Campeã mundial do individual-geral em 2006, a italiana Vanessa Ferrari recebeu uma ótima nota na Copa do Mundo de Doha no último mês. Também deve brigar pelo pódio a japonesa Murakami Mai - campeã mundial do solo em 2017 - e a russa Angelina Melnikova, bronze no Mundial de 2019.

Vanessa Ferarri na Copa do Mundo de Doha 2021
Vanessa Ferrari vai para sua quarta Olimpíada - Foto: Divulgação/Doha Gym
Vale ficar de olho também na britânica Jéssica Gadirova, na francesa Mélanie de Jesus dos Santos e na canadense Brooklyn Moors, ouro no Pan de Lima e que tem uma das melhores coreografias de solo no mundo.


TRAVE
Final: 03/08, às 05h48

Favoritas ao ouro: Ou Yushan (CHN), Guan Chenchen (CHN), Simone Biles (USA)
Candidatas ao pódio: Larisa Iordache (ROU), Flávia Saraiva (BRA), Sunisa Lee ou Grace McCallum (USA) e Sanne Wevers (NED)

A trave é um aparelho que pode ser um pouco imprevisível, já que qualquer desequilíbrio pode tirar a medalha de uma ginasta. Sem quedas, as apostas mais seguras para o pódio são Simone Biles, além das chinesas Ou Yushan e Guan Chenchen.

Guan Chencehn no Campeonato Chinês de Ginástica Artística de 2020
Guan Chenchen no Campeonato Chinês de 2020 - Foto: Cheng Min/Xinhua
Biles é bastante consistente no aparelho e tem a saída com maior grau de dificuldade do código de pontuação (o duplo mortal com duas piruetas). Ou teve a melhor nota do mundo em 2021 na seletiva chinesa (15.633), enquanto Guan surpreendeu no Campeonato Chinês de 2020, quando apresentou uma série com nota 7.0 de dificuldade (a maior do ciclo olímpico na ginástica artística feminina).

Além das três, vale lembrar as norte-americanas Sunisa Lee e Grace McCallum, que fizeram boas séries nas competições domésticas este ano, Larisa Iordache, campeã europeia em 2020, e Sanne Wevers, campeã na Rio 2016 que se destaca com sua rotina criativa focada mais em elementos de dança do que em acrobacias.

Sanne Wever da Holanda ouro na trave na Rio 2016
Sanne Wevers na Rio 2016 - Foto: Reuters
As brasileiras tem histórico para se classificarem à final do aparelho. Flávia Saraiva ficou em quinto lugar na Rio 2016 e em sexto no último Mundial. Ela tem ótimos saltos ginásticos e costuma ter boas notas de execução no aparelho. Já para Rebeca Andrade, a trave não é seu principal aparelho. Mesmo assim a ginasta tem boas notas para conseguir disputar uma final.


MASCULINO

EQUIPES
Final: 26/07, às 07h00

Favoritos ao ouro: -
Candidatos ao pódio: Comitê Olímpico Russo (ROC), Japão (JPN), China (CHN)
Podem surpreender: Ucrânia (UKR), Estados Unidos (USA), Grã-Bretanha (GBR)
Brasil: Classificado

Russos, japoneses e chineses devem ter uma boa briga pela medalha de ouro. O Comitê Olímpico Russo pode ser considerado o favorito, porém com uma incógnita. A Rússia é a atual campeã mundial e tem os dois melhores generalistas do mundo na atualidade: Nikita Nagornyy e Artur Dalaloyan. Porém, Dalaloyan sofreu uma lesão no tendão de aquiles em abril e não é possível saber se o atleta vai estar 100% em Tóquio. Mês passado, Dalaloyan voltou a competir na Copa da Rússia, disputando apenas quatro aparelhos e sem executar elementos de saída para evitar qualquer impacto nos pés. Mesmo perdendo na nota de dificuldade, o ginasta conseguiu notas acima de 14 pontos, que podem ajudar a equipe russa. A equipe também vai contar com David Belyavskiy e Aleksandr Kartsev.

Russos comemoram o ouro no Mundial de 2019 - Foto: Thomas Kienzle/AFP
A China é a equipe que deve dar mais trabalho para os russos. Com o ótimo generalista Xiao Ruoteng e Zou Jingyuan, que costuma tirar notas muito altas nas barras paralelas, os chineses tem notas para superar a equipe do ROC. O quarteto chinês ainda tem Sun Wei e Lin Chaopan. Os quatro estavam no grupo que levou o ouro no Mundial de 2018.

Chineses no pódio do Mundial de 2018 - Foto: Xinhua/Nikku
O Japão é o atual campeão olímpico, mas tem um time mais fraco do que o de cinco anos atrás. A base da equipe é a que foi bronze no Mundial de 2019, com Hashimoto Daiki, Kaya Kazuma e Tanigawa Wataru. O quarto membro da equipe é Kitazono Takeru, dono de cinco ouros nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2018.

Equipe do Japão no Mundial de 2018 - Foto: Kyodo News
Ucrânia, Estados Unidos e Grã-Bretanha costumam estar entre os cinco primeiros colocados em competições internacionais e podem conquistar uma medalha caso um dos favoritos tenha um mau dia na final.

O Brasil terá na sua equipe Arthur Nory, Caio Souza, Diogo Soares e Francisco “Chico” Barretto Júnior. Os brasileiros tem poucas chances de medalha na prova. Uma boa meta é tentar igualar ou superar o sexto lugar da equipe na Rio 2016.


INDIVIDUAL GERAL
Final: 28/07, às 07h15

Favoritos ao ouro: Nikita Nagornyy (ROC), Hashimoto Daiki (JPN), Xiao Ruoteng (CHN)
Candidatos ao pódio: Sun Wei (CHN), Kitazono Takeru (JPN)
Podem surpreender: Brody Malone (USA), David Belyavskiy (ROC), Adem Asil (TUR), Ahmet Onder (TUR), Ilia Kovtun (UKR)

Nikita Nagornyy é o atual campeão mundial e é favorito ao ouro na prova. Porém, a vitória não será fácil, já que o russo tem alguns adversários capazes de superá-los como o chinês Xiao Ruoteng - campeão do mundo em 2017 – e Hashimoto Daiki, que tem a melhor pontuação do individual geral em 2021 entre os atletas que vão para Tóquio (88.532 no campeonato japonês).

Nikita Nagornyy no Europeu 2021
Nikita Nagornyy no Europeu 2021 - Foto: Alexandra Wey/EFE
Sun Wei esteve entre os cinco primeiros nos últimos dois Mundiais e pode beliscar uma medalha no pódio, assim como Kitazono Takeru, o atual campeão olímpico da juventude.

Estados Unidos, Comitê Olímpico Russo, Turquia e Ucrânia possuem alguns atletas que são capazes de pontuações entre 85 e 87 pontos, podendo alcançar o pódio caso alguns favoritos tenham problemas na final.

Kitazono e Diogo Soares nos Jogos da Juventude em 2018 - Foto: Martin Rusch/Wikimedia 
Dos brasileiros que vão competir em Tóquio, os principais generalistas são Caio Souza e Diogo Soares. Caio venceu os Jogos Pan-Americanos em 2019 e o Pan da modalidade este ano. O ginasta ficou em 13º lugar nos últimos dois mundiais e tem potencial para entrar no top-10 em Tóquio. Já Diogo Soares foi bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude no individual geral.


SOLO
Final: 01º/08, às 05h00

Favorito ao ouro: -
Candidatos ao pódio: Nikita Nagornyy (ROC), Rayderley Zapata (ESP), Artem Dolgopyat (ISR), Carlos Yulo (PHI) e Xiao Ruoteng (CHN)
Podem surpreender: Sam Mikulak (USA), Yul Moldauer (USA), Max Whitlock (GBR).

As finais por aparelho na ginástica artística masculina têm um fator interessante: a presença de vários atletas de países diferentes que são especialistas em um ou dois aparelhos. No solo, se destacam entre os especialistas nomes como o israelense Artem Dolgopyat (duas vezes vice-campeão mundial) e o espanhol Rayderley Zapata (bronze no Mundial de 2015).

Rayderley Zapata na Copa do Mundo de Cottbus 2018 - Foto: EFE
Nikita Nagornyy tem como trunfo sua nova acrobacia: um triplo mortal carpado que é o elemento mais difícil no masculino. Outros candidatos incluem Carlos Yulo, o atual campeão mundial, e Xiao Ruoteng (bronze no Mundial de 2019).

Carlos Yulo no Mundial de 2019 - Foto: Wolfgang Rattay/Reuters
Correndo por fora, estão os estadunidenses Sam Mikulak e Yul Mouldauer. Os dois foram finalistas no Mundial de 2018 e tiraram boas notas na seletiva olímpica dos EUA. Já o atual campeão olímpico, Max Whitlock, é uma incógnita. O britânico tem focado mais no cavalo com alças neste ciclo olímpico e não competiu no solo este ano. Porém, o atleta deve competir no aparelho na qualificação para ajudar a equipe.

Atualmente, o principal brasileiro no solo é Arthur Nory. O ginasta, que foi bronze na Rio 2016, tem chance de conseguir uma final no aparelho, mas precisa aumentar um pouco a dificuldade de sua série.


CAVALO COM ALÇAS
Final: 01º/08, às 06h44

Favoritos ao ouro: Max Whitlock (GBR), Rhys McClenaghan (IRL), Lee Chih-Kai (TPE)
Candidatos ao pódio: Xiao Ruoteng (CHN), Kameyama Kohei (JPN)
Podem surpreender: Cyril Tomassone (FRA), Matvei Petrov (ALB), Alec Yoder (USA)

O britânico Max Whitlock é o atual campeão do cavalo com alças e tem chance de levar o ouro novamente. No ciclo olímpico, Whitlock venceu o Mundial em 2017 e 2019 e levou a prata em 2018. Seus principais adversários devem ser Lee Chih-Kai, de Taiwan, e Rhys McClenaghan, da Irlanda. Os três formaram o pódio do último Mundial, separados por menos 0.1 ponto.

Max Whitlock na final do cavalo na Rio 2016 - Foto: Mike Blake/Reuters
O cavalo é um aparelho onde o risco de quedas é alto. Caso um dos favoritos caia, abre a chance para outros candidatos à medalha como o chinês Xiao, campeão do mundo em 2018, e o japonês Kameyama, campeão mundial de 2013.

Xiao Ruoteng no Mundial de 2018 - Foto: Abelardo Mendes Jr/Rededoesporte.gov.br
O francês Cyril Tomassone, o albanês Matvei Petrov e o estadunidense Alec Yoder também conseguem notas acima de 15 pontos e podem surpreender numa final.

O melhor atleta do Brasil é Chico Barretto, que foi campeão nos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019. Porém, as notas do brasileiro estão abaixo dos atletas que brigam por uma vaga na final.


ARGOLAS
Final: 02/08, às 05h00

Favorito ao ouro: Eleftherious Petrounias (GRE)
Candidatos ao pódio: Liu Yang (CHN), Arthur Zanetti (BRA), Ibrahim Çolak (TUR)
Podem surpreender: Nikita Nagornyy (ROC), Marco Lodadio (ITA), Samir Ait Said (FRA)

O atual campeão olímpico da prova é Eleftherious Petrounias. O grego venceu dois Mundiais no ciclo olímpico e está em ótima fase, tendo realizado ótimas apresentações acima dos 15 pontos este ano no Campeonato Europeu e na Copa do Mundo de Doha, onde conquistou a vaga olímpica.

Petrounias no Europeu 2021 - Foto: Georgios Kefalas/Keystone via AP
Arthur Zanetti deve ser um dos principais rivais de Petrounias. O brasileiro, campeão olímpico em 2012, ficou mais de um ano sem competir por causa da pandemia, mas fez uma boa apresentação na Copa do Mundo de Doha, onde levou a prata, com nota que lhe daria o ouro no Mundial de 2019.

Zanetti na final do Mundial de 2018 - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
O chinês Liu Yang, dono da melhor nota do mundo este ano, e o turco Ibrahim Çolak, atual campeão do mundo, também devem estar na briga pelo pódio. Correm por fora o italiano Marco Lodadio, o francês Samir Ait Said e o russo Nikita Nagornyy.

Dos outros brasileiros, vale destacar o desempenho de Caio Souza, que evoluiu bastante nas argolas. No começo de junho, o ginasta venceu a final do aparelho no pan-americano. Tem potencial para se classificar à final.


SALTO SOBRE A MESA
Final: 02/08, às 06h54

Favorito ao ouro: -
Candidatos ao pódio: Nikita Nagornyy (ROC), Igor Radvilov (UKR), Denis Ablyazin (ROC), Yang Hak-seon (KOR)
Podem surpreender: Giarni Regini-Moran (GBR), Caio Souza (BRA), Shin Jae-hwan (KOR)

Os principais candidatos ao título do salto sobre a mesa são o russo Nikita Nagornyy e o ucraniano Igor Radvilov. No último mundial, eles levaram o ouro e o bronze respectivamente. Outros fortes candidatos são o russo Denis Ablyazin, prata nas últimas duas Olimpíadas e o coreano Yang Hak-seon, ouro em Londres 2012.

Ablyazin, Yang e Radivilov no pódio em Londres 2012 - Foto: Mike Blake/Reuters
O Brasil tem uma chance de medalha na prova com Caio Souza. O ginasta aumentou o grau de dificuldade de seus saltos e foi campeão continental em junho, fazendo um Dragulescu (duplo mortal para frente com meia pirueta) e um Yurchenko com três piruetas. Caso acerte os dois saltos na final, tem potencial para ficar nas cinco primeiras posições.

salto sobre a mesa
Caio Souza na final do salto no Pan-Americano 2021 - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Outros atletas que podem surpreender são o britânico Giarni Regini-Moran, bronze no Europeu de 2021 com boas notas, e o sul-coreano Shin Jae-hwan, que venceu o circuito das Copas do Mundo que valia vaga olímpica ao melhor atleta de cada aparelho.


BARRAS PARALELAS
Final: 03/08, às 05h00

Favorito ao ouro: Zou Jingyuan (CHN)
Candidatos ao pódio: Lukas Dauser (GER), Ferhat Arican (TUR), David Belyavskiy (ROC), Joe Fraser (GBR), Kaya Kazuma (JPN)
Podem surpreender: -

O chinês Zou Jingyuan é bicampeão mundial das barras paralelas e é o favorito ao ouro em Tóquio. Zou tem uma série com o grau de dificuldade mais alto do mundo e com uma execução excelente. Se tudo correr normalmente, o ouro é dele.

Zou Jingyuan no Mundial de 2018 - Foto: VCG Photo
Mas, em 2019, Zou caiu na qualificação do Mundial e ficou de fora da final. Assim, o britânico Joe Fraser conseguiu levar o ouro. Outros candidatos ao pódio incluem Lukas Dauser e Ferhat Arican, que têm a segunda e terceira melhor nota do mundo em 2021 (atrás apenas de Zou). Kaya Kazuma, atual vice-campeão mundial, e David Belyavskiy - bronze na Rio 2016, também devem estar na briga pelas medalhas.

Kaya Kazuma no Mundial de 2019 - Foto: Wolfganf Rattay/Reuters
O melhor brasileiro no aparelho é Caio Souza. Ele venceu o Campeonato Pan-Americano com 14.900, nota que lhe daria o quinto lugar no Mundial de 2019. Se repetir a boa apresentação em Tóquio, pode conseguir uma vaga na final.


BARRA FIXA
Final: 03/08, às 06h37

Favorito ao ouro: Uchimura Kohei (JPN)
Candidatos ao pódio: Tim Srbic (CRO), Arthur Nory (BRA), Sam Mikulak (USA), Brody Malone (USA), Epke Zonderland (NED)
Podem surpreender: Artur Dalaloyan (ROC)

O veterano Uchimura Kohei, dono de sete medalhas olímpicas, deve disputar sua última Olimpíada em Tóquio. O ginasta não tem competido em todos os aparelhos neste ciclo olímpico, focando nas suas principais provas. Uchimura tem impressionado em 2021 com suas ótimas apresentações nas competições domésticas do Japão, conseguindo várias notas acima dos 15 pontos.

Ginasta Kohei Uchimura do Japão
Uchimura Kohei no Campeonato Japonês de 2021 - Foto: Kyodo News
O Brasil tem o atual campeão mundial da prova: Arthur Nory. O ginasta brasileiro está com uma série com alguns décimos a mais na nota de dificuldade, do que apresentou quando venceu o ouro no Mundial de 2019, o que pode ajudar na disputa pelo pódio. Podemos ter um segundo representante na final com Chico Barretto. O ginasta ficou em quinto lugar na Rio 2016 e foi ouro no Pan de Lima em 2019. Vale ficar de olho também em Diogo Soares, que conquistou a medalha de prata no aparelho nos Jogos Olímpicos da Juventude em 2018.

Arthur Nory no Mundial de 2019 - Foto: Ricardo Bufolin/CBG
Outros dois campeões mundiais vão estar em ação em Tóquio: Epke Zonderland, dos Países Baixos, e Tim Srbic, da Croácia. Já os estadunidenses Sam Mikulak e Brody Malone tiveram boas notas no campeonato nacional e na seletiva dos EUA e estão no bolo dos possíveis medalhistas.

Uma incógnita é o russo Artur Dalaloyan. O ginasta foi bronze no último Mundial, mas se recupera de uma lesão no tendão de Aquiles. Se estiver 100% em Tóquio, pode ser uma “surpresa” no aparelho.

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