Os Jogos Olímpicos na Televisão Brasileira : Sydney 2000, Introdução - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na Televisão Brasileira : Sydney 2000, Introdução

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Em geral, até Sydney-2000, a sequência na compra de direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos por emissoras brasileiras de televisão era relativamente simples: o COI (Comitê Olímpico Internacional) vendia os direitos – e no caso da América Latina, a OTI (Organização de Televisão Iberoamericana) os comprava, e os revendia para as emissoras afiliadas que estivessem em dia com o pagamento da anuidade e se interessassem, com a obrigação vigente: quem quisesse transmitir a Copa do Mundo de futebol que viria dali a dois anos, teria de obter e exibir os Jogos. No caso do Brasil, para isso, as emissoras se cotizavam no pagamento da quantia que a OTI pedia – e em edições anteriores, também compartilhavam os custos dos satélites para envio de imagens, e até para a montagem dos estúdios dentro de centro de imprensa. Tal cenário ficou imperturbável. Até as preparações para Sydney-2000.

Assim como fizera com os direitos de transmissão das Copas do Mundo, a Globo deu uma cartada decisiva, no final da década de 1990. No caso, nem tanto a emissora, isoladamente, mas o próprio grupo de mídia da família Marinho. Entre 1996 e 1997, a própria divisão de esportes do canal carioca viveu uma mudança profunda: dividiu-se em dois departamentos. O departamento de produção faria o trabalho “jornalístico”, trabalhando nos programas e nas coberturas de eventos; e o de negociação trabalharia na compra dos direitos de transmissão.

Pois bem: pouco depois, as Organizações Globo pediram o auxílio da própria OTI. E fizeram a proposta ao COI, pelos direitos dos três próximos Jogos Olímpicos para a televisão brasileira. Proposta aceita: por US$ 45 milhões (US$ 20 mi para Sydney-2000, US$ 5 mi por Atenas-2004 e US$ 15 mi pelos Jogos de 2008, que sequer tinham sede definida então), a Globo tomava da OTI a coordenação dos direitos olímpicos para a televisão aberta brasileira. Mas a entidade iberoamericana colocou uma obrigação para que a Globo realizasse aquele objetivo: ela deveria revender os direitos de transmissão a todos os canais brasileiros que estivessem em dia com a OTI e fossem interessados na compra. A emissora aceitou de bom grado. Sublicenciou os direitos dos três Jogos à Bandeirantes, sua tradicional concorrente nos grandes eventos esportivos.

Inicialmente, o SBT também pagou à Globo para transmitir as disputas em Sydney. Todavia, o interesse em eventos esportivos que a emissora de Silvio Santos vinha mostrando no meio da década de 1990 (desde o sucesso no futebol, principalmente com a Copa do Brasil) se esfumaçou, com a frustrada tentativa de comprar os direitos do Campeonato Brasileiro de futebol, em 1997. E o canal paulista apenas transmitiu o que já podia, em 1998. No futebol, a Copa do Brasil, já dividindo os direitos com a Globo, a Copa do Mundo, a Copa Mercosul – e até torneios amistosos, como a Copa Maria Quitéria, disputada em Salvador, em julho. No automobilismo, seguiu mostrando a Fórmula Mundial, como batizara o campeonato norte-americano organizado pela CART.

Mas, terminado 1998, desativou seu departamento de esportes, só deixando o narrador Téo José para dar voz às provas da Fórmula Mundial, em 1999 e 2000. Tinha os direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de 1999, além dos Jogos Olímpicos de 2000. Mas se desinteressou das coberturas: em ambas, apenas trazia um boletim informativo nos fins de noite, sobre as participações dos atletas brasileiros. Foi assim nos Jogos: apresentado por Hermano Henning, O Brasil nas Olimpíadas resumia como iam os competidores verde-amarelos na Austrália.

Nos canais por assinatura, um concorrente fugaz e marcante teve lá sua participação em Sydney, embora não tivesse os direitos de transmissão. Detentora de vários eventos (para ficar só no futebol, exibia a Copa Libertadores da América, o Campeonato Italiano e a Copa da UEFA, com exclusividade para assinantes), a PSN (Panamerican Sports Network) – canal trazido pelo fundo de investimentos norte-americano HTMF (Hicks, Muse, Tate & Furst) – não só trazia um resumo diário de uma hora, com o melhor das disputas em Sydney, como também tinha comentários exclusivos de três atletas que estiveram em disputa. Três nomes do atletismo eram os chamados “atletas PSN”: Claudinei Quirino, Vanderlei Cordeiro de Lima (maratonista) e Mariana Ohata (triatlo), todos falando diretamente da cidade-sede. Seria aquela a única experiência da PSN nos Jogos: a forte crise econômica fez com que os investimentos se refreassem, vieram dívidas pesadas, e o canal foi extinto em março de 2002.

Assim, Sydney-2000 marcou um início de restrições nas coberturas olímpicas da televisão brasileira. Entre 13 de setembro (início do torneio de futebol feminino, dois dias antes da cerimônia de abertura) e 1º de outubro, só quatro canais cobriram as disputas na Austrália. Na televisão aberta, Globo e Bandeirantes; na televisão fechada/a cabo/por assinatura, SporTV e ESPN Brasil consolidavam a disputa por audiência entre os assinantes. Uma disputa “monopolizada” por eles: afinal, eram os únicos concorrentes. Como foi a cobertura dos quatro? Clique abaixo:


Televisão aberta






Canais por assinatura


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