Parada das Nações Tóquio 2020 - Angola - Surto Olímpico

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Parada das Nações Tóquio 2020 - Angola

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A República de Angola é o sétimo maior país da África em termos de área territorial. Localizado na costa atlântica do continente, a nação tinha em 2020 uma população estimada em 31.127.674 pessoas. Dessas, mais de 8 milhões viviam na capital, Luanda.

Angola é um dos cinco países africanos que têm o português como uma das línguas oficiais. Isso porque o território foi colonizado por Portugal logo no século XVI. Antes, as terras eram ocupadas por tribos locais e, posteriormente, pelo Reino de N’Dongo.

Depois de sua chegada, os portugueses exploraram principalmente a área litorânea, estabelecendo feitorias e praticando o tráfico de mão-de-obra escravizada. Na Conferência de Berlim, em 1885, foi atribuído a Portugal todo o território que compõe a atual área de Angola.

O domínio europeu se manteve até a segunda metade do Século XX. A partir da década de 1960, três movimentos rebeldes começaram a atuar em prol da soberania da nação angolana: o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) e a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA).

O país conquistou sua independência em 1975, através de um acordo político entre as três frentes rebeldes, que foi possível após a derrubada do ditador português António de Oliveira Salazar. Curiosamente, o Brasil foi o primeiro país do mundo a reconhecer a soberania de Angola, logo no dia da Independência: 11 de novembro de 1975.

Depois da Independência, o MPLA, de vertente comunista, assumiu o controle do governo. O fato não agradou a UNITA, e os grupos entraram em conflito. O embate provocou uma violenta guerra civil que durou até 2002. José Eduardo dos Santos, presidente desde 1979, ficou no poder até 2017, quando, enfim, renunciou e foi substituído por João Lourenço.

Em termos econômicos, Angola se destaca na exploração de recursos minerais, como petróleo e diamantes. Esses dois produtos são os maiores geradores de riqueza para a nação. No entanto, apesar da abundância desses elementos, o país possui uma grande desigualdade social entre sua população.

 

A República de Angola está dividida em 18 províncias. Uma delas, Cabinda, é um exclave, ou seja, uma porção do território isolada do restante do país. No caso de Cabinda, a região é separada por uma faixa de terra pertencente à República Democrática do Congo. É nessa província que está localizada a maior reserva de petróleo sob controle angolano. Alguns movimentos locais buscam a independência de Cabinda, e diversos atos violentos já ocorreram sob esse pretexto.

Trajetória Olímpica



Depois da Independência em 1975, o Comitê Olímpico Angolano foi criado em 1979 e reconhecido pelo COI em 1980. No mesmo ano, os angolanos estrearam em Jogos Olímpicos na esvaziada edição em Moscou, na União Soviética.

Nessa primeira participação, o país enviou 11 atletas em três diferentes modalidades: atletismo, boxe e natação. Nenhum deles trouxe medalhas, e o desempenho mais notável foi o do nadador Francisco Lopes Santos, que quebrou o recorde nacional dos 100 metros peito.

Quatro anos depois, Angola participou do boicote liderado pela União Soviética aos Jogos de Los Angeles em 1984. Com isso, o país não contou com nenhum atleta nos Estados Unidos.

A delegação angolana só voltaria a ser enviada em Seul 1988, com mais que o dobro de esportistas em relação à edição de estreia. Foram 24 atletas do país competindo nas arenas da Coreia do Sul. Entre eles, o fundista João N’Tyamba, recordista de participações olímpicas de Angola, com seis aparições no atletismo entre Seul 1988 e Londres 2012.

João N’Tyamba competiu em seis Olimpíadas (Foto: Reprodução/Portal de Angola)

Nos Jogos de Barcelona 1992, o país classificou sua primeira equipe de esportes coletivos - o time masculino de basquete.  Em Atlanta 1996, foi a vez da seleção feminina de handebol de Angola fazer sua estreia em Olimpíadas, terminando em sétimo lugar entre oito equipes participantes. Essa posição é a melhor já conquistada pelo país em um evento olímpico. Desde então, Angola nunca deixou de enviar sua equipe feminina do modalidade aos Jogos.

Seleção angolana de handebol é uma potência continental (Reuters / Marko Djurica)

A partir daí, o número de esportistas angolanos competindo aumentou gradativamente. Nos Jogos de Londres 2012, o país enviou sua maior delegação da história: 33 atletas estiveram no Reino Unido, incluindo as seleções femininas de handebol e de basquete. Mesmo assim, o país manteve sua escrita de ainda não ter conquistado uma medalha olímpica.

A marca zerada se manteve na Rio 2016. Na ocasião, Angola competiu com 25 esportistas em sete modalidades: atletismo, handebol, judô, remo, vela, tiro esportivo e natação. Já para Tóquio 2020, a nação africana já garantiu novamente a seleção feminina de handebol, além dos velejadores Paixão Afonso e Matias Montinho, da classe 470 masculina.

Outro tabu a ser quebrado pelo esporte angolano é o de nunca ter disputado uma edição de Jogos Olímpicos de Inverno. Por outro lado, o país é figura tradicional nos Jogos Pan-Africanos, conhecidos desde 2015 como Jogos Africanos. A nação conquistou 86 medalhas em suas nove participações, sendo 24 ouros.

Modalidades


+Handebol

Angola está entre as grandes potências do handebol africano, principalmente entre as mulheres. A liga de handebol do país foi uma das primeiras da África. Além disso, a seleção feminina é a maior campeã do Campeonato Africano da modalidade, com 13 títulos.

Além do domínio no continente, a equipe angolana já conseguiu seu espaço nas competições internacionais. Figurinha carimbada nas Olimpíadas desde Atlanta 1996, o time não conseguiu nenhuma vitória até Londres 2012, quando venceu a anfitriã Grã-Bretanha, que não possui qualquer tradição na modalidade e montou uma seleção às pressas para competir.

Porém, a história mudou na Rio 2016. Contando com o apoio da torcida brasileira, as angolanas venceram Romênia (semifinalista do último Mundial) e Montenegro na etapa inicial e avançaram ao mata-mata. Nas quartas-de-final, a equipe perdeu para a Rússia - que conquistaria o ouro na sequência - e terminou o torneio olímpico em uma honrosa oitava colocação.

Torcida brasileira abraçou a seleção angolana na Rio 2016 (Foto: Marco Djuric/Reuters)


Já em Campeonatos Mundiais, “as Perólas” - como é conhecida a seleção de Angola - se classificaram para todas as edições desde 1990. A melhor performance foi a 7ª colocação entre 24 equipes no torneio de 2007, na França. Na ocasião, Angola bateu cinco equipes europeias no decorrer da competição: Áustria, França, Croácia, Macedônia e Hungria.

No naipe masculino, o time de Angola tem maior concorrência no continente africano. Egito e Tunísia são potências da modalidade e costumam garantir as vagas olímpicas e mundiais destinadas à África. Mesmo assim, a seleção angolana participou de cinco edições do Mundial e tem dois bronzes no Campeonato Africano.


+ Basquete



Outro esporte coletivo de grande popularidade em Angola é o basquete. Desta vez, o destaque maior é da equipe masculina. Ao todo, são 11 títulos do Afrobasket para os angolanos, que são os maiores vencedores do torneio.

Em Jogos Olímpicos, o time masculino estreou em Barcelona 1992, quando enfrentou o Dream Team dos Estados Unidos logo na estreia. A partida terminou com o impressionante placar de 116 a 48 para o time de Michael Jordan, Larry Bird, Magic Johnson, Scottie Pippen e companhia.



Na sequência, os angolanos fizeram jogo duro contra Alemanha (perderam por apertados 64 pontos a 63) e Brasil (nova derrota, por 76 a 66). O primeiro triunfo veio, enfim, na quarta partida, em duelo contra a Espanha, vencido por 86 a 66. O país encerrou a primeira fase com derrota para a Croácia, que seria a vice-campeã desses Jogos, e terminou o torneio olímpico na décima posição. Desde então, a seleção participou de outras quatro edições - a última, em Pequim 2008.

Já na Copa do Mundo, Angola representou o continente africano em oito oportunidades. Na última vez, na China em 2019, o país terminou na 27ª posição, tendo vencido as Filipinas em um jogo duríssimo na Primeira Fase.

Seleção Angolana de Basquete tem participações olímpicas e mundiais (Foto: Reprodução)

Por sua vez, o time feminino de Angola participou de apenas uma edição olímpica. Em Londres 2012, as angolanas acabaram perdendo todas as partidas e caindo na Primeira Fase. Dois anos depois, o time competiu pela primeira vez na Copa do Mundo. Além dessas aparições internacionais, as mulheres de Angola acumulam dois títulos do Afrobasket.

Destaques


+ Isabel Guialo (handebol): uma das principais jogadoras da seleção angolana de handebol feminino, Isabel Guialo, conhecida como Belinha, fez parte da equipe que participou dos Jogos de Londres 2012 e da Rio 2016. Nesta última edição, terminou no Top 10 de maiores goleadoras do torneio olímpico. A jogadora também foi a maior artilheira de sua equipe no último Mundial, com 40 gols em 70 tentativas.

Além disso, Belinha é tetracampeã do Campeonato Africano e tricampeã do handebol dos Jogos Africanos. Ela também é uma das poucas atletas do país que atuaram em clubes fora da liga angolana, por ter tido passagens pelo handebol romeno e francês. Atualmente, aos 30 anos, está no Fleury Loiret HB, da França. Uma das líderes de Angola, Isabel Guialo deve ser convocada para os Jogos de Tóquio.

Belinha em ação nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016 (Foto: Javier Soriano/AFP)

Matias Moutinho e Paixão Afonso (vela): além da seleção de handebol, as únicas outras vagas conquistadas por Angola para Tóquio até o momento são a desses dois velejadores. Em janeiro de 2020, a dupla venceu o Campeonato Africano da classe 470 e garantiu o barco do país nos Jogos. Curiosamente, apenas competidores angolanos participaram desse evento, o que significa que Moutinho e Afonso venceram uma concorrência interna para serem os representantes de Angola no evento olímpico.

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