Surto História - A final que não terminou - Surto Olímpico

Pesquisar:

Arquivo do blog

Últimas Notícias


A final do basquete das Olimpíadas de 1972, no dia 9 de setembro, novamente seria feita pelas seleções da União Soviética e dos Estados Unidos, repetindo o que havia ocorrido em 1952, 56, 60 e 64.

Os Soviéticos já vinham com a alcunha de serem os eternos vices, e estavam dispostos a reverter esse quadro. Já os Estados Unidos eram imbatíveis no basquete masculino, vencendo todos os torneios olímpicos desde a estreia do basquete, em Berlim 1936. A final seria eletrizante.

E foi mesmo uma disputa de arrepiar. Com 49 a 48 para os Soviéticos, o armador Doug Collins roubou a bola, tentou arremessar e sofreu a falta. Isso faltando 3 segundos para encerrar a partida. Collins acertou o primeiro arremesso, e quando fez o segundo, deu início a uma série de eventos que marcariam para sempre na história das olimpíadas esta partida.


Com o placar marcando 50-49 para os americanos, a alegria era geral, e a reclamação do Soviéticos com a mesa de arbitragem era imensa. O assistente técnico da URSS correu para a mesa e afirmou que Vladimir Kondrashin, treinador soviético, havia pedido um tempo técnico. O tempo não podia ser pedido após o segundo lance livre, assim, os jogadores soviéticos foram obrigados a repor a bola em jogo da sua linha de fundo.

Assim que a bola entrou em jogo um dos árbitros reiniciou a partida, com um segundo no relógio. Com a parada, os soviéticos pressionaram a arbitragem quanto ao pedido de tempo. Kondrashin e Bashkin insistiram que o tempo havia sido pedido antes do segundo lance livre de Collins. Pelas regras da FIBA em 1972, pedindo o tempo antes do segundo lance livre, Kondrashin poderia escolher ter sua requisição atendida antes ou entre os lances livres. O técnico soviético disse ter escolhido entre. Os árbitros não sabiam de nenhum pedido de tempo, desta maneira, ainda não se sabe se Kondrashin mentiu ou falou a verdade.

Segundo o árbitro brasileiro Renato Righetto, um dos árbitros na final e que faleceu sem assinar a súmula do jogo, a dupla de arbitragem decidiu não dar o tempo para a URSS. No entanto, a longa parada certamente deu a chance do técnico planejar sua jogada.

Mesmo com a partida interrompida com um segundo no relógio, os árbitros resolveram devolver dois segundos para a União Soviética. Novamente, haviam três segundos para o fim do jogo. A decisão foi tomada, ao que parece, pelo secretário geral da FIBA, na época, Renato Williams Jones, que havia decido ir até a quadra para insistir nos três segundos de jogo. Anos mais tarde, Jones admitiu que não tinha autoridade para tomar decisões que cabiam à arbitragem da partida durante o jogo.

Os jogadores voltaram à quadra para mais uma reposição de bola. Os árbitros não notaram que a mesa de arbitragem ainda estava retornando o relógio aos três segundos exigidos por Jones e entregaram a bola ao time soviético. Os soviéticos colocaram a bola em jogo. Novamente, o jogo foi parado com um segundo para o final. Todos atletas em quadra entenderam que o jogo estava encerrado e os americanos iniciaram sua comemoração da 64ª vitória Olímpica (os Americanos até então tinham um impressionante cartel de 63 vitórias e nenhuma derrota em competições olímpicas) prematuramente. Mas, na verdade, a mesa só estava sinalizando a precipitação dos árbitros.

A comemoração precipitada dos americanos pelo ouro, Ainda teria muita polêmica pela frente

Com Jones mais uma vez envolvido no processo, o relógio, novamente, retornou aos 3 segundos. Irritados com mais uma mudança na decisão, os jogadores americanos consideraram deixar a quadra. O treinador Hank Iba, preocupado com um apelo soviético à FIBA, após a partida, que causaria uma derrota americana no “tapetão”, disse aos seus jogadores: “Não quero perder este jogo mais tarde, com meu traseiro sentado em casa”

Com os americanos de volta à quadra para a terceira reposição, a maior polêmica tem início. Tom McMillen, o jogador americano mais alto em quadra, com 2,10m, ficou na frente de Ivan Edeshko, para atrapalhar a reposição de bola. Artenik Arabadjian, um dos árbitros, chamou a atenção de McMillen, que andou vários metros para longe do soviético. O americano afirmou que a arbitragem o mandou se afastar, mesmo não havendo nenhuma regra que o obrigasse a isso. Arabadjian negou ter pedido ao americano ter se afastado da bola, mas sim de Edeshko, o que daria no mesmo.

Edeshko repôs a bola em jogo com um longo passe para Aleksandr Belov. Algumas imagens supõem que Edeshko pode ter pisado na linha de fundo. Belov recebeu a bola chocando-se com Kevin Joyce e Jim Forbes, que tombaram. Livre, Belov fez a bandeja, decretando a vitória soviética por 51 a 50.


A primeira derrota americana causou indignação entre os americanos,que entraram com um recurso logo após a partida, que foi votado em favor da URSS em um júri dividido pela Guerra Fria. Itália e Porto Rico votaram em favor dos EUA, enquanto Hungria, Cuba e Polônia ficaram do lado soviético. Os americanos não participaram da premiação, indignados com os acontecimentos da noite. Até hoje essa medalha de prata é recusada pelos jogadores americanos e elas estão em um cofre na sede do COI na Suíça. E para os soviéticos, a vitória foi tão marcante, que na abertura das Olimpíadas de 1980, em Moscou, Serguei Belov, o capitão desse seleção de 1972, foi o responsável por acender a pira olímpica. E essa final de 1972 ficou marcada para sempre como "a final que não terminou":

Fotos: Getty images

Nenhum comentário:

Postar um comentário