Grand Prix de Judô - Montreal - Dia 01: Sarah Menezes sobe ao pódio



O Canadá vive uma ascensão no esporte. Está com uma equipe equilibrada e tem boas expectativas para o fim do ciclo, com o mundial de agosto e as olimpíadas do ano que vem, ambos em Tóquio. Hoje, os canadenses flertam com a segunda posição como força continental, em uma disputa direta com Cuba, que ainda leva vantagem, mas nem de longe lembra a potência continental que foi há alguns anos.

Nesse frenesi com o esporte, Canadá conseguiu trazer o primeiro grande evento internacional de judô: o Grand Prix. Apesar dos esforços e da organização, o campeonato está bem esvaziado. Estão competindo, segundo dados da IJF, apenas 250 atletas. Pouco para uma competição dessa grandeza.

Com 12 brasileiros na comitiva, com foco no time masculino, praticamente todo titular, a competição é uma oportunidade de ouro para fazer os brasileiros subirem no ranking. Em relação ao time feminino, a chance de esquentar a briga pela vaga em Tóquio, já que nenhuma das judocas em Montreal foi convocada para o mundial e, a depender dos resultados no Japão, podem ficar distantes do sonho olímpico.

No entanto, no primeiro dia, o resultado foi aquém do que esperado. Uma mistura de falta de sorte, com o sorteio colocando os brasileiros nas chaves mais difíceis, com quedas para adversários teoricamente mais fracos.

Cinco judocas brasileiros subiram no tatame. Gabriela Chibana (48kg), Felipe Kitadai (60kg) e Michael Marcelino (66kg) pararam nas primeiras rodadas. Chibana foi uma das que não tiveram sorte na chave. Pegou de cara a japonesa Wakana Koga e perdeu. A japonesa, inclusive, venceu a categoria. Kitadai foi surpreendido. Uma luta que parecia fácil e que estava vencendo o monegasco Yann Siccardi (MON) sofreu ippon e parou prematuramente. Por fim, Michel Marcelino foi nosso terceiro atleta a parar logo o primeiro combate, perdendo para o Kherlen Ganbold, cabeça-de-chave número um do Grand Prix.

Eric Takabatake teve um desempenho um pouco melhor. Nas preliminares, venceu Younes Saddiki nas punições e avanços às quartas-de final, quando derrotou o algoz de Kitadai, Yann Siccardi, por waza-ari.

No entanto, vieram duas derrotas seguidas. Takabatake perdeu nas semifinais para o atual campeão mundial, Naohisa Takato, do Japão, e na disputa pelo bronze, deixou escapar a medalha diante do americano Adonis Diaz. 5º lugar para nosso judoca. 

Sarah Menezes foi a estrela brasileira do dia.

Para manter vivo o sonho olímpico, Sarah precisava de um bom resultado. Atualmente é a quinta brasileira no ranking olímpico da categoria, ficando atrás de duas atletas que não estão competindo: Érika Miranda (aposentada) e Jéssica Pereira (afastada por doping).

A posição incômoda da campeã olímpica de Londres/2012 encontra ainda duas grandes atletas a sua frente: Eleudis Valentim e, principalmente, Larissa Pimenta, ambas convocadas para o mundial.

Então, pressão total em cima de Sarah. Na primeira luta, uma luta fácil contra a americana Alaine Abuan, que não apresentou perigo para a brasileira e sofreu um ippon por estrangulamento no fim do combate, quando Sarah já tinha um waza-ari de vantagem.

Nas quartas, novamente a falta de sorte no sorteio. Sarah enfrentou a israelense Gefen Primo, uma das melhores do mundo (top 12) e sofreu um waza-ari, não conseguindo se recuperar e caindo para a repescagem.

Logo em seguida, a judoca enfrentou Ecaterina Guica por uma vaga na disputa do bronze e, com duas projeções, segui para a disputa do bronze, em que enfrentou a turca Irem Korkmaz, a vencendo por um waza-ari e conquistando a medalha. Sarah agora soma 350 pontos ao ranking. Lembrando que, a partir de agora, os pontos são somados integralmente, o que deve mudar muito a cara do ranking até maio de 2020, quando serão definidos os atletas classificados. Portanto, tudo aberto e Sarah ainda sonhando, embora em uma situação delicada.

Vamos aos resultados gerais, como sempre fazemos.

MULHERES 
(-48kg) 
Com apenas 18 anos, Wakana Koga, do Japão, pasmem, não entrou como favorita na competição. É porque a chave feminina tinha a campeã mundial e olímpica Paula Pareto (ARG). Porém, a japonesa venceu a argentina nas semifinais. 

Na final, a atleta nipônica encarou a portuguesa Catarina Costa. A primeira metade da final parecia estar bem equilibrada, sem nenhuma das judocas se sobrepor. A luta foi parar no Golden Score e só depois de quatro minutos a portuguesa foi penalizada com um shido. Parecia que a luta iria ser longa, mas logo após Koga encachou um seoi-nage, pontuando com um waza-ari e conquistando a medalha de ouro. 

Na primeira disputa pela medalha de bronze, Keisy Perafan (ARG) enfrentou Shira Rishony (ISR) e a argentina não foi páreo para a, agora, nove vezes medalhista em Grand Prix. No outro lado da chave, novamente a argentina no tatame. Paula Pareto começou sendo penalizada com shido por passividade, mas logo mostrou sua força e aplicou um waza-ari para liquidar a luta e subir ao pódio.

(-52kg)

Fazendo uma bela temporada, com três medalhas de bronze conquistadas no Grand Prix de Hohhot, Marraquexe e no Grand Slam de Baku, Gefen Primo tinha a chance de vencer sua primeira competição internacional na temporada. A algoz de Sarah Menezes enfrentou a americana Angelina Delgado (USA) e não deu chances ao azar. 

A americana colocou pressão a todo o tempo e pendurou a Primo com dois shidos por passividade. Porém, a israelense conseguiu, já no Golden Score, encaixar um tani-otoshi, para liquidar a luta com um waza-ari. 

Na primeira luta pelo bronze, nossa campeã olímpica de 2012, Sarah Menezes, bateu a campeã europeia de 2017, Irem Korkmaz (TUR) com um ko-uchi-gari. Esta foi a sétima medalha da brasileira em Grand Prix. 

Na segunda luta pelo bronze, a medalhista de prata no Rio/2016 Jeong Bokyeong (KOR) venceu Agata Perenc (POL) por um waza-ari. 

(-57kg)



Com certeza, a categoria mais esperada pelos canadenses. Não é para menos Christa Deguchi e Jessica Klimkait são top 10 mundial na categoria. Christa é atual medalhista mundial e bicampeã do Grand Slam de Paris. Jessica é a atual campeã do Grand Slam de Osaka, considerado um dos mais difíceis do circuito. 

Sem nenhuma surpresa, as duas se classificaram para a final, apimentada, ainda, pela disputa interna pela vaga olímpica, em que as duas aparecem como 2º e 3º lugares respectivamente. 

Após um minuto, Klimkait foi penalizada com um primeiro shido por um toque proibido. Logo em seguida, Christa Deguchi aplicou um shime-waza e não deu chances para Jéssica escapar. Ippon. Jéssica não escondeu a cara de poucos amigos no pódio. 

As medalhas de bronze foram conquistadas por Timna Nelson Levy (ISR) e Julia Kowalczyk (POL) 

HOMENS 
(-60kg) 
A categoria tinha grandes nomes. Entre eles, o campeão do Master de 2018 e prata no mundial passado, Robert Mshvidobadze, e o campeão mundial Naohisa Takato se enfrentaram novamente em uma final, mas a revanche não veio e o japonês, após um lindo uchi-mata, venceu o russo por ippon.

Na primeira disputa por medalhas de bronze, o americano Adonis Diaz enfrentou o nosso Eric Takabatake, que era favorito. Diaz surpreendeu o brasileiro e pontuou com um waza-ari. Takabatake foi atrás do resultado, pressionou, tentou várias entradas, mas não conseguiu reverter a luta, ficando com o quinto lugar. 

Harim Lee (KOR) combateu Ashley McKenzie (GBR) e, em uma luta parelha, acabou vencendo e subindo ao pódio. 

(-66kg)


O campeão mundial de 2017, Kherlen Ganbold, da Mongólia, algoz do brasileiro Michael Marcelino nas preliminares, teve uma luta dura diante de Kenneth Van Gansbeke (BEL), mas conseguiu vencer seu terceiro Grand Prix. O belga, por sua vez, coloca a primeira medalha no circuito mundial no currículo. Mas não se engane, a luta foi difícil e levada ao Golde Score. Após quatro minutos de tempo regular, ambos os atletas tinham apenas um shido cada. Depois de mais de 4 minutos e meio, o belga foi penalizado pela terceira vez com o shido e ficou com a prata. Ouro para Ganbold.

As medalhas de bronze ficaram com Nathon Burns (IRL) e Jacob Valois (CAN), para loucura da plateia canadense. 

Fotos: IJF

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