Ranking Olímpico do Judô #4 - Todos os brasileiros dentro da região de classificação para Tóquio


Após a conquista de mais quatro medalhas no último final de semana, no Grand Prix de Antalya, na Turquia, bem como diversas vitórias, mesmo quando não alcançadas as finais, o judô brasileiro vive um momento inédito nesse período de classificação. Se se encerrasse hoje a qualificação para Tóquio/2020, todas as categorias teriam brasileiros representando o país.

A categoria que, até então, estava fora da faixa de classificação era a -81kg. Contudo, uma única vitória de Eduardo Yudy e o acréscimo de 56 pontos o fizeram subir no ranking e alcançar uma das 18 vagas.

Claro que todos esse resultados são provisórios e muitas competições ainda ocorrerão até o próximo ano. Outro ponto importante é que, a partir de meados de maio, quando faltar apenas um ano de qualificatório, as competições darão pontuação integral na corrida olímpica, diferentemente do que acontece hoje, em que os torneios somam apenas metade dos pontos.

Quem tem surpreendido nas últimas competições é Rafael Buzacarini. Após duas vitórias, o atleta se encontra em posição confortável. Quase top 10. Beatriz Souza, que também ganhou a segunda medalha de prata seguida, ainda tenta encostar em Suelen Altheman, que está liderando a corrida interna. Portela é outra que se consolida, após nova medalha.

Kitadai, medalhista de bronze em Londres/2012, que chegou no bloco final nas últimas duas competições, 7º em Tbilisi e 5º em Antalya, se apresenta para a disputa da vaga olímpica. A soma de 126 pontos o aproximou substancialmente de Phelipe Pelim. De toda forma, Takabatake ainda mantém boa margem de distâncias, mas as últimas apresentações, bastante irregulares, podem prejudicá-lo futuramente.

Um das disputas mais interessantes acontece na categoria -52kg, feminina. Primeira, quem liderou foi Érika Miranda. Porém, aposentou-se. Depois Jéssica Pereira assumiu o posto de melhor na categoria, mas recebeu punições em razão de doping. Eleudis Valentim surgiu como substituta e agarrou bem a oportunidade, transformando-se na favorita para a vaga. No entanto, após 4 pódios seguidos, dentre os quais duas medalhas de bronze em Grands Prix, Larissa Pimenta tomou a dianteira e, embora toda a juventude, acirra a disputa pela vaga. 

Você ainda não sabe como serão distribuídas as vagas olímpicas para o judô? Acesse esse link, que o Surto explica tudo direitinho pra você.

Agora, para não perder a prática, vamos ver a movimentação no ranking olímpico do Judô: 

CATEGORIAS MASCULINAS 

(-60kg) 
Eric Takabatake (8º) 990 pontos (classificado diretamente) 
Phelipe Pelim (16º) 607 pontos (classificado diretamente)*
Felipe Kitadai (21º) 455 pontos (não classificado) 
Análise: Eric Takabatake e Phelipe Pelim mantém suas posições inalteradas. Takabatake perdeu na primeira luta em Antalya e não pontuou na competição. Por outro lado, Kitadai mostrou que ainda está vivo em busca da classificação. Disputou medalha na Turquia e, embora a derrota, o quinto lugar garantiu a adição de 126 pontos, subindo uma posição no ranking. Nesse caso, estando Eric Takabatake e Phelipe Pelim classificados diretamente, a CBJ poderia decidir qual dos dois iria aos Jogos Olímpicos. 

(-66kg) 
Daniel Cargnin (10º) 1001 pontos (classificado diretamente) 
Charles Chibana (18º) 543 pontos (classificado diretamente) 
Análise: Daniel Cargnin se mantém bem classificado, embora não tenha subido ao tatame no final de semana. Contudo perdeu uma posição no ranking. Chibana, que venceu uma luta em Antalya, adicionou 51 pontos ao ranking e, agora, está dentro das vagas novamente. 18º lugar. Estando ambos dentro das vagas, caberia à CBJ escolher o representante do Brasil em Tóquio. 

(-73kg) 
Eduardo Barbosa (22º) 572 pontos (classificado pela cota continental) 
Marcelo Contini (35º) 301 pontos (não classificado) 
Análise: Eduardo Barbosa não lutou no final de semana. Contini, por outro lado, subiu ao tatame e venceu duas lutas, adicionando 53 pontos na corrida olímpica e crescendo um pouco no ranking (duas posições). Ainda assim, Eduardo continua a frente e estaria classificado para Tóquio pelas cotas continentais.  

(-81kg) 
Eduardo Yudy (18º) 456 pontos (classificado diretamente) 
Victor Penalber (27º) 368 pontos (não classificado) 
Análise: Apenas uma vitória na Turquia foi suficiente para levar Eduardo da 23ª posição para a 18ª, dentro da área de classificação direta para Tóquio. Os 56 pontos galgaram Yudy a esse status, mas está a apenas 4 pontos de distância do 19º. Victor Penalber, ainda sem lutar, perde mais duas posições. 

(-90kg) 
Rafael Macedo (15º) 756 pontos (classificado diretamente)
Análise: Com derrota na primeira luta, Rafael não somou pontos ao ranking olímpico e perdeu uma posição, em relação ao ranking passado. Gustavo Assis foi outro brasileiro que lutou no final de semana, porém, derrotado na primeira luta, sequer aparece no ranking.  

(-100kg) 
Rafael Buzacarini (11º) 971 pontos (classificado diretamente) 
Leonardo Gonçalves (17º) 687 pontos (classificado diretamente) 
Análise: Embalado. Não tem outra expressão melhor para definir Rafael Buzacarini. Após a segunda final consecutiva na categoria, o "Bolo", como é chamado entre os judocas, subiu nada menos do que 5 posições no ranking, após o acrescido de 154 pontos. Agora está beirando o top 10. E as boas notícias não param por aí. Leonardo Gonçalves chegou ao bloco final, acabou na 5ª posição e, com a pontuação vencida, subiu 3 posições e voltou a figurar entre os classificados. Foram 126 pontos a mais.  Assim, estando Buzacarini e Leonardo Gonçalves na região de classificação, fica a cargo da CBJ decidir quem representaria o Brasil em Tóquio/2020.

(+100kg) 
Rafael Silva (9º) 1150 pontos (classificado diretamente)
David Moura (12º) 965 839 pontos (classificado diretamente)*
Análise: Mesmo com a soma de mais 126 pontos, devido ao 5º lugar em Antalya, David Moura se mantém na 12ª posição e atrás de Baby. Estando Rafael Silva e David Moura classificados diretamente, a CBJ poderia decidir qual dos dois iria aos Jogos Olímpicos. 

CATEGORIAS FEMININAS 

(-48kg) 
Nathália Brígida (16º) 722 pontos (classificada diretamente)
Gabriela Chibana (19º) 462 pontos (não classificada) 
Análise: Com a derrota na primeira luta em Antalya, Brígida se mantém na zona de classificação, na mesma posição, porém sem adicionar pontos. Chibana permanece atrás da companheira, porém se manteve na 19ª posição. 

(-52kg) 
Larissa Pimenta (16º) 610 (classificada diretamente)
Eleudis Valentim (17º) 535 (classificada diretamente)
Erika Miranda (17º) 503 pontos (aposentou-se) 
Jéssica Pereira (17º) 493 pontos (penalizada por doping) 
Análise: O ótimo exemplo de como a corrida olímpica está em aberto. Em duas semana, após dois pódios, Larissa Pimenta saiu do 4º lugar (contando com Érika e Jéssica) para o topo da disputa interna na -52kg, deixando Eleudis Valentim, atualmente sua concorrente pela vaga, para trás. Foram mais 125 pontos. Eleudis perdeu apenas uma posição, mesmo sem lutar, justamente para a companheira de seleção. A CBJ poderia escolher qualquer uma das judocas para Tóquio. 

(-57kg) 
Rafaela Silva (3º) 1799 pontos (classificada diretamente) 
Análise: Embora a constância na temporada, Rafaela não teve um bom desempenho em Antalya e acabou se pontuar para o ranking. Ainda assim, continua em uma posição confortável e sem alteração: 3º.

(-63kg) 
Alexia Castilhos (16º) 581 pontos (classificada diretamente) 
Ketleyn Quadros (17º) 477 pontos (não classificada) 
Análise: Alexia Castilho subiu no tatame no final de semana. Com duas vitórias, somou 86 pontos ao ranking e se manteve na 16ª posição. Já Ketleyn, sem disputar competição na Turquia, caiu duas posições e está, atualmente, na 19ª colocação, portanto fora da zona de classificação. 

(-70kg) 
Maria Portela (9º) 1111 992 pontos (classificada diretamente) 
Ellen Santana (21º) 489 pontos (não classificada) 
Análise: Recuperando a má atuação em Tbilisi, Maria Portela chegou à final em Antalya e subiu uma posição no ranking olímpico. É agora 9º lugar, com o acréscimo de 119 pontos. Ellen Santana, sua principal adversária na equipe do Brasil perdeu na primeira luta e deixou escapar a chance de se aproximar da companheira. Sem somar pontos, Ellen perdeu duas posições desde o último ranking. 

(-78kg) 
Mayra Aguiar (3º) 1500 pontos (classificada diretamente) 
Samanta Soares (14º) 623 pontos (classificada diretamente)* 
Análise: Sem participar de competições, Mayra perdeu uma posição no ranking, justamente para a campeã do Grand Prix em Antalya, Anna Maria Wagner (GER). Samanta se mantém na mesma posição e com a mesma pontuação. Estando ambas classificadas diretamente, a CBJ poderia decidir qual das duas iria aos Jogos Olímpicos. 

(+78kg) 
Maria Suelen Altherman (3º) 1980 (classificada diretamente) 
Beatriz Souza (8º) 1195 pontos (classificada diretamente)* 
Análise: Com a vitória da Azeri Iryna Kindzerska, "Sussu", que não subiu no tatame no final de semana, caiu uma posição no ranking. Agora está em 3º. Beatriz fez outra boa competição, perdendo apenas na final, justamente para Iryna. boa competição na Geórgia. A prata aumentou sua pontuação, mas a manteve na mesma posição. Estando Maria Suelen Altherman e Beatriz Souza classificadas, a CBJ poderia decidir qual das duas iria aos Jogos Olímpicos. Luíza Cruz não se classificou para a seleção 2019.

Entre os times, o IJF aponta que o Brasil estaria classificado, devido conter representantes nas categorias exigidas para disputa em equipes.

Próxima parada: Pan-Americano

A próxima competição do Brasil será o Campeonato Pan-Americano de Judô, que acontecerá em Lima, no período de 26 a 28 de abril. Os convocados serão divulgados no próximo dia 11. A disputa vale classificação para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019.

Fotos: IJF

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