Em casa, seleção brasileira brilha no Pan-Americano de Kungfu Wushu


O Brasil brilhou no 13º Campeonato Pan-Americano de Kungfu Wushu, realizado de sexta-feira (22) a domingo (24), em Brasília (DF). O país, que contou com 65 atletas, encerrou o evento na segunda posição geral, com 45 medalhas: 20 ouros, 15 pratas e dez bronzes.

Mais importante competição da modalidade no continente, o Pan-Americano reuniu 300 atletas de 6 a 40 anos que representaram 15 diferentes países. O evento teve disputas nas categorias infantil, infanto-juvenil, juvenil e adulto em duas modalidades: Sanda, de luta, e Taolu, com apresentações de rotinas técnicas.

Primeira competição continental de Wushu desde o início da pandemia de Covid-19, o Pan-Americano foi considerado um sucesso de organização. O evento teve patrocínio do Governo do Distrito Federal (GDF), por meio da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL) e do Conselho de Administração do Fundo de Apoio ao Esporte (Confae).

“O apoio foi fundamental para conseguir entregar um evento com essa infraestrutura. Quando tem as melhores condições, o atleta pode dar o seu melhor. Tudo funcionou muito bem. Os atletas vieram competir sem preocupações externas, 100% focados nos seus objetivos. A sensação é de missão cumprida”, avaliou o líder do comitê organizador e secretário-geral da Confederação Brasileira de Kungfu Wushu (CBKW), Marcus Vinicius Fernandes Alves.

Domínio no Sanda


A seleção brasileira manteve o seu domínio no Sanda, encerrando o Pan-Americano no topo do quadro de medalhas. O país subiu ao pódio 18 vezes: foram 11 ouros e sete pratas.

“Depois de dois anos sem eventos internacionais, o Brasil voltou em um nível competitivo. No continente, sempre estivemos entre os melhores e mostramos mais uma vez a nossa hegemonia. Nosso time está se renovando sempre e tivemos muitas caras novas. O desempenho mostrou que estamos no caminho certo”, afirmou Antônio Silva, um dos técnicos da equipe de Sanda.

Um dos atletas brasileiros mais experientes da modalidade, Lucas Sorín, de Santa Catarina, faturou o tricampeonato pan-americano em Brasília, agora em uma nova categoria (70kg).

“É meu terceiro título pan-americano, mas o sabor é diferente. Foi a minha estreia nessa categoria, sempre lutei duas abaixo. Também não havia competido em um evento internacional em casa. E, por isso, pela primeira vez minha esposa está presente. Ela está grávida, então dedico essa conquista para a nossa filha Laurinha”, disse o lutador de 29 anos.

Grandes conquistas no Taolu


No Taolu, o Brasil também teve um grande desempenho, finalizando a sua participação com nove medalhas de ouro, oito de prata e dez de bronze, totalizando 27 pódios. O país ficou atrás apenas dos Estados Unidos na modalidade.

“A participação brasileira foi excelente no Taolu, com importantes medalhas tanto no adulto quanto no júnior. O grupo veio muito coeso, muito unido. Tivemos um trabalho intenso, com um ano de preparação, para chegar aqui e buscar esses resultados”, analisou o técnico da seleção de Taolu, Luiz Carlos Nascimento.

Aos 25 anos, Ângela Ximenes fez bonito na sua estreia no Pan-Americano. Bicampeã sul-americana, a atleta de Brasília conquistou o ouro na categoria Daoshu e já mira novos feitos inéditos na sua carreira.

“É difícil até descrever a sensação de entrar e ouvir todo mundo gritando o seu nome, apoiando o Brasil. É uma energia que só faz pensar em dar o melhor. Quero representar o Brasil em Mundiais. Ano que vem é ano e vou buscar a minha vaga na seletiva”, afirmou.

Estreia de adaptados


Pela primeira vez, o Pan-Americano contou com atletas adaptados, contemplando um antigo pleito do Brasil. O país é pioneiro em inclusão, já que estas categorias fazem parte das competições nacionais desde 2016.

Em Brasília, as disputas para adaptados tiveram atletas com deficiências visuais, motoras e Síndrome de Down. Ao todo, sete categorias fizeram parte do programa do Pan-Americano.

Para Kimberlly Lopes, que já era praticante de Wushu quando perdeu a visão, aos 19, o evento foi ainda mais especial. Representando a seleção brasileira pela primeira vez, ela conquistou duas medalhas de ouro justamente no dia em que completou dois anos do transplante de rim pelo qual teve de passar devido à diabetes.

“Carregar essa honra de representar o meu país é algo enorme. Para mim, é uma honra muito grande representar o meu país. O esporte, para mim, é tudo. Significa muita coisa: é o que me levanta, que me dá ânimo”, disse Kimberlly, que, antes de perder a visão, conquistou cinco títulos brasileiros.

Foto: Divulgação/CBKW

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