Promessa da natação, Stephan Steverink projeta primeiro Mundial: 'Quero estar entre os grandes'


O Mundial de Esportes Aquáticos começa nesta sexta-feira (17), em Budapeste, na Hungria. E já no dia seguinte o Time Brasil terá uma de suas maiores promessas em ação: o nadador Stephan Steverink, de apenas 18 anos, nas eliminatórias dos 400 metros medley.

Multi-campeão até o juvenil, Stephan vai para o seu primeiro Mundial adulto. Os resultados conquistados até hoje o credenciam como um fenômeno na base. E enchem o próprio nadador de personalidade e confiança para os desafios contra os melhores do mundo.

"É muito legal, é o que eu sempre quis, estar em alto nível, ser um dos grandes. Estou começando a ser. Ver de perto esses caras nadando vai ser uma experiência muito legal. Estou com os grandes agora, eu vou ser um dos grandes, disputar com os grandes... Estou ansioso, pode ver pelo meu sorriso (risos)", disse ele, que vai nadar apenas os 400m medley em Budapeste.

"Esse Mundial espero que seja de muito aprendizado. Vou fazer o melhor, meu plano é pegar final. É difícil, tenho 18 anos, tem muita gente boa, mas vou lá pra nadar, dar o melhor da vida, fazer o melhor e representar o Brasil do melhor jeito possível. Eu não tenho a pressão de ser favorito, mas tenho a minha pressão de querer ganhar de quem eu puder. Sou muito competitivo", contou.

A confiança é justificável. Recentemente, Stephan foi um dos maiores destaques dos Jogos Sul-Americanos da Juventude Rosario 2022, na Argentina. Foram quatro medalhas de ouro e uma de prata. Um desempenho que deixou claro para o próprio nadador qual é o nível dele.

"Foi uma experiência totalmente inesquecível. Foi muito bom representar o país e foi uma competição esclarecedora. Essa competição disse pra mim qual é o meu nível. Eu não quero mais estar entre os da juventude, quero estar entre os grandes agora, os melhores do mundo. Sobe um fogo para nadar com os caras", falou ele, que ainda disputará o Mundial Júnior, em agosto, antes de se despedir das provas de base.

Escolha pelo Brasil


Ver Stephan Steverink brilhando nas piscinas representando o Brasil é algo que poderia não acontecer. Para ir mais além, ele poderia estar nadando - e ganhando medalhas - por outro país: a Holanda.

Stephan é filho do holandês Sander e da brasileira Gisélia, que hoje são separados. E o ótimo desempenho na natação desde criança gerou uma disputa sadia na família: o pai queria que ele nadasse pela Holanda, enquanto a mãe queria que ele representasse o Brasil.

O garoto chegou a disputar - e vencer - algumas provas na Holanda. Quebrou recordes que pertenciam há muitos anos a Pieter van den Hoogenband, bicampeão olímpico dos 100m livre (2000 e 2004). O que fez com que o país crescesse os olhos em cima do nadador.

"Fui em alguns torneios nacionais na Holanda, eu queria ter novas experiências. Eu ia visitar a família e nadava. Chegando lá eu já bati um monte de recordes (risos). Aí a Holanda cresceu o olho. Bati o recorde do Pieter Van den Hoogenband, que era o nome do estádio onde estávamos, o pessoal ficou impressionado. Tinha uma disputa por eu não ter representado nenhum dos dois países. Começou uma disputa, meu pai também queria", explicou.

Apesar da pressão da Holanda e do próprio pai, Stephan diz nunca ter tido dúvidas sobre qual país desejava representar nas piscinas.

"Eu nasci, sempre morei e estudei no Brasil, não sei falar holandês, só o básico, minha família está aqui. Já representei o Brasil várias vezes, essa parte já sabemos que é Brasil. Pessoal da Holanda me queria bastante, foi uma disputinha, mas aqui é Brasil (risos)".

"Desde o começo, sou brasileiro. Eu só iria pra Holanda caso nada aqui funcionasse pra mim, e está tudo funcionando aqui. Nunca teve um momento no qual que achei que a Holanda seria melhor que o Brasil. Dá pra criar campeões aqui, tem potencial pra isso. Não acho que seria interessante eu ir pra Holanda", falou.

E Stephan tem bem claro na cabeça até onde quer levar o Brasil.

"Se pudesse escolher uma coisa, é a medalha olímpica. Todo atleta sonha com isso. Eu sou muito de objetivos, vou colocando aos poucos, subindo. Mas o principal de todos eles, o objetivo estrelado, é a medalha olímpíca", disse ele, que se vê em condições de já estar em Paris 2024.

Nadador e... Pianista!


As mãos que rasgam as piscinas atrás de medalhas e recordes são as mesmas que ajudam Stephan Steverink a relaxar e desestressar, mas de uma maneira pouco habitual para um atleta: tocando piano.

A paixão vem de família. Neto de um pianista, Stephan fez aulas quando criança, e as retomou durante a pandemia do coronavírus. Hoje, o nadador vê a atividade como fundamental para o seu bem-estar.

"O que acho legal é que levo como algo relaxante, isso me tira do mundo. Meu pai diz que eu toco muito bem, eu sei que toco muito bem, tenho uma facilidade. É um hobby, que gosto muito de fazer. Isso me leva para outro lugar, eu começo a tocar, ouvir a música, sai tudo de ruim, qualquer pensamento. Me desestressa. Na hora eu só estou tocando piano. Sempre que passo um tempo tocando, eu saio muito melhor, de cabeça, de cansaço", contou ele, que também vê o piano como uma ajuda nas competições.

"Me ajuda pra caramba, teve uma competição em Recife que no hotel tinha um piano. Toda vez que eu chegava da etapa, eu ia lá tocar um pouco para baixar o stress e a ansiedade. Isso me relaxa muito. Se eu ficar muito tempo sem tocar piano, não vai bem. Eu toco todo dia, sempre que tenho tempo, começo a tocar e o tempo passa sem nem perceber".

E se em Budapeste, durante o Mundial, tiver um piano no hotel? Stephan não tem dúvidas:

"Se tiver qualquer piano lá, eu paro um tempo pra tocar (risos)”, concluiu.

Foto: Beto Noval/COB

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