Pelos direitos do povo uigur, advogado britânico prepara ação contra a China em tribunal argentino


O tratamento dado pela China a minoria Uigur em seu território pode chegar aos tribunais na Argentina bem próxima a data do início dos Jogos Olímpicos de Inverno Pequim 2022, que começam no dia 4 de fevereiro.

Michael Polak, advogado britânico que representa o Congresso Mundial Uigur e o Projeto de Direitos Humanos Uigur, está preparando uma “ação criminal de jurisdição universal” para apresentar aos tribunais criminais da Argentina em fevereiro.

“Acreditamos que o que estamos fazendo na Argentina é o próximo passo natural para avançar em direção à justiça”, disse Polak à Associated Press.

Na semana passada, um órgão não-oficial na Grã-Bretanha iniciou uma avaliação referente as acusações de violação da China contra o povo uigur.

Além disso, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos divulgará em breve um relatório sobre as condições do povo uigur na região de Xinjiang.

“Existem disposições de jurisdição universal em diferentes jurisdições ao redor do mundo”, disse Polak. “Mas o argentino é o mais realista porque os tribunais podem realmente usá-lo. E eles estão muito interessados em usá-lo por causa de sua própria história. Realisticamente, o objetivo seria levar essas pessoas aos tribunais argentinos e por eles responder às alegações”.

O governo estadunidense, o parlamento britânico, belga, neerlandês e canadense declararam que as políticas do governo chinês contra os uigures equivalem ao genocídio e crimes contra a humanidade.

Polak acredita que o governo chinês usará toda sua influência política e pressão financeira na Argentina para interromper o processo judicial.

“Achamos que, por causa das fortes evidências em nosso caso, o tribunal de Buenos Aires deveria aceita-las e investigar”, disse Polak.

“Em todos os lugares em que analisamos o caso uigur ao redor do mundo, a China tenta intervir e impedir que isso aconteça”, acrescentou Polak.

“Esperamos que os políticos argentinos e a sociedade civil vejam os paralelos e algumas de suas lutas e apoiem o que estamos fazendo”.

Foto: Divulgação


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