Guia Tóquio 2020: Vôlei - Surto Olímpico

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FICHA TÉCNICA

Local de disputa: Ariake Arena
Período: 24/07 a 07/08 (masculino) e 25/07 a 08/08 (feminino)
Número de países participantes: 24 seleções de 16 países diferentes (12 por naipe)
Atletas participantes: 288 competidores (144 em cada naipe)
Brasil: Seleção masculina e feminina


HISTÓRICO

Apesar de ter sido disputado nas Olimpíadas de Paris em 1924, como parte de um evento demonstrativo, não valendo para a competição, o vôlei entrou oficialmente no programa olímpico somente após a Segunda Guerra Mundial. Depois de um torneio amistoso organizado na 53ª sessão do COI em 1957, na Bulgária, o esporte foi considerado um sucesso tremendo e estreou justamente na primeira passagem dos Jogos Olímpicos por Tóquio, em 1964.

No masculino, a União Soviética dominou a modalidade logo de início, conquistando o bi olímpico em 1964 e 1968. Quando o Japão e a Polônia conquistaram o ouro em 1972 e 1976, os soviéticos ficaram com o bronze e a prata respectivamente, mas voltaram ao topo jogando em casa nas Olimpíadas de Moscou em 1980

Campeã olímpica em 1980, a União Soviética fez um amistoso histórico contra o Brasil em 1983, em um Maracanã com mais de 90 mil pessoas (Foto: Agência Estado)
Desde então, não houve uma nova hegemonia, e só mais dois países são tricampeões olímpicos. Os Estados Unidos conseguiram a medalha dourada em Los Angeles-1984, Seul-1988 e voltaram a vencer 20 anos depois, em Pequim-2008. O outro país é o Brasil, com os títulos em Barcelona-1992, Atenas-2004 e Rio-2016.

Já o vôlei feminino é marcado por ter apenas cinco países como campeões do torneio. De 1964 até 1980, as medalhas de ouros ficaram com Japão ou União Soviética - estes fizeram a final até 1976. Os japoneses venceram em 1964 e 1976, enquanto os soviéticos conquistaram a medalha dourada em 1968 e 1972, polarizando a competição entre os dois.

A década de 1980 ficou marcada por boicotes. Um ano antes dos Jogos de Moscou, o então presidente norte-americano Jimmy Carter anunciou que o país não comparecia nas Olimpíadas, como forma de protesto contra a invasão soviética no Afeganistão. Em quadra, nada mudou e a União Soviética conquistou o tri olímpico ao bater a Alemanha Oriental por 3 sets a 1. Em 1984, foi a vez dos soviéticos boicotarem os Jogos em solo americano, alegando falta de segurança. Com isso, a China conquistou o ouro pela primeira vez ao fazer 3 a 0 nos Estados Unidos

Já em 1988, sem boicote de países socialistas ou capitalistas, a última medalha de ouro da história da União Soviética foi conquistada ao derrotarem o Peru por 3 sets a 2. De Barcelona-1992 até Sydney-2000, apenas Cuba conquistou o torneio, fazendo partidas duríssimas contra o Time Unificado, China e Rússia - este último vencendo de virada após estar perdendo por 2 sets a 0. Na época, o time cubano contava com grandes estrelas como Regla Torres, Regla Bell e Mireya Luis.

Além de Cuba, no século XXI, apenas Brasil e China conquistaram a medalha de ouro. As brasileiras bateram as norte-americanas em 2008 e 2012 para ficar com o bi olímpico, enquanto as chinesas venceram a Rússia por 3 a 2 em Atenas-2004 e a Sérvia por 3 a 1 no Rio-2016.



BRASIL
Entre os homens, o Brasil participou de todas as edições até agora, mas nem sempre foi uma potência. Nas décadas de 1960 e 1970, teve como um melhor resultado o quarto lugar em Munique-1972. Fora isso, sempre fez campanhas medianas, ao ficar em sétimo em 1964 e 1976 e em nono, em 1968.

Nos anos 80, enfim, veio a primeira medalha. Com nomes como Bernardinho, Renan Dal Zotto e Bernard Rajzman, a seleção brasileira foi prata em Los Angeles 1984, perdendo a final para os Estados Unidos por 3 a 0. Mesmo com o resultado adverso na decisão, o grupo de jogadores que participou dos Jogos se consagrou na história do esporte brasileiro como a importante "Geração de Prata".

A histórica Geração de Prata do Brasil (Foto: Reprodução)
Nos Jogos de Seul-1988, a equipe acabou perdendo o bronze para Argentina. Porém, em Barcelona-1992, o primeiro ouro masculino veio em grande estilo. O Brasil enfrentou na final os Países Baixos – que já tinha derrotado na fase de grupos – e venceu novamente por 3 a 0, conquistando o torneio de forma invicta. Craques da história do vôlei, como Giovane Gávio, Marcelo Negrão, Maurício e  Tande, fizeram parte do elenco vitorioso, que voltou ao Brasil com status de celebridade nacional.

A vitória em Barcelona foi um marco na história do vôlei brasileiro (Foto: CBV/Divulgação)
Após campanhas medianas em Atlanta-1996 e Sydney-2000, ficando em quinto e sexto lugar, o Brasil desde então sempre chegou ao pódio. Nos Jogos Olímpicos de Atenas-2004, veio o bi olímpico com direito a vitória de forma incontestável sobre os Estados Unidos na semifinal por 3 a 0 e sobre a Itália na decisão, por 3 a 1. 

Praticamente imbatível na década, a seleção de 2004 é considerada uma das melhores de todos os tempos (Foto: FIVB/Reprodução)
Depois de pratas decepcionantes em Pequim-2008 e Londres-2012, com derrotas para os americanos e para os russos na final, a Olimpíada em casa seria a chance de redenção da seleção brasileira. No Rio de Janeiro, tendo o apoio da torcida, o Brasil passou sufoco na fase de grupos, classificando com a última vaga do grupo A ao ganhar da França por 3 a 1 em um jogo épico no Maracanãzinho.

Nas quartas e nas semifinais, boas vitórias diante da Argentina, por 3 a 1, e da Rússia, por 3 a 0. Em repetição dos Jogos de Atenas, a seleção brasileira conseguiu derrotar os italianos por 3 a 0 para conquistar o tri olímpico. Com a conquista, o Brasil se tornou o país com mais medalhas olímpicas no vôlei masculino, ao lado da União Soviética, com seis.

Com sete jogadores que estarão em Tóquio, Brasil venceu os Jogos da Rio-2016 no Maracanãzinho (Foto: Alexandre Loureiro/Exemplus/COB)
Já o vôlei feminino brasileiro fez sua estreia somente em 1980, quando terminou em penúltimo lugar, assim como nos Jogos de Los Angeles, quatro anos depois. O crescimento veio na década de 1990. Depois de perder o bronze em 1992 para os Estados Unidos, o Brasil conseguiu o terceiro lugar duas vezes consecutivas: primeiro, nas Olimpíadas de Atlanta-1996. 

Na ocasião, a seleção, que contava com Ana Moser, Leila, Fernanda Venturini, Virna e outras estrelas,  perdeu para Cuba em um épico duelo de semifinal, marcado por uma grande confusão entre os dois times na rede. Na disputa do bronze, deu Brasil contra a Rússia: 3 sets a 2. Já em Sydney 2000, o país venceu os Estados Unidos por 3 a 0 na disputa do terceiro lugar e voltou a subir no pódio.

A seleção feminina fez história em Atlanta 1996 (Foto: Reprodução/Twitter Melhor do Vôlei)
Com cinco vitórias na fase de grupos e um triunfo difícil contra os Estados Unidos por 3 a 2, parecia que a tão sonhada medalha de ouro chegaria em Atenas-2004. Porém, a derrota para a Rússia na semifinal após abrir dois sets de vantagem e 24 a 19 no terceiro set foi um balde de água fria. Para piorar, a seleção brasileira perdeu para Cuba na disputa do terceiro lugar e, dessa vez, nem o bronze veio.

No entanto, a sorte mudou. Nos Jogos de Pequim-2008, o Brasil deu um show. Atropelou todo mundo e chegou na final contra as americanas sem perder um set sequer. Com Paula Pequeno sendo eleita a melhor jogadora da competição; e Mari, Fabi, Walewska e outras atletas brilhando; as brasileiras venceram por 3 a 1 e conquistaram o primeiro ouro

O time dourado de Pequim 2008 não tomou conhecimento dos adversários (Foto; Divulgação)
Quatro anos depois, em Londres-2012, veio a segunda dourada, mas não tão fácil como a primeira. O time brasileiro teve um início ruim na primeira fase, chegando a correr riscos de ser eliminado antes do mata-mata. Graças a uma vitória dos EUA sobre a Turquia, a seleção conseguiu se classificar para enfrentar a poderosa Rússia nas quartas-de-final.

O duelo contra as russas é uma verdadeira epopeia. Além de ser uma partida em Olimpíadas, a pressão sobre as brasileiras, que haviam sido eliminadas para as russas em Atenas-2004 e nos Mundiais de 2006 e 2010, era gigante. Mesmo enfrentando a gigante Gamova e a craque Sokolova, a seleção brasileira mostrou uma garra impressionante e, pelas mãos de Sheilla, salvar seis match points no tie break antes de confirmar uma épica classificação. Para muitos, é o maior jogo da história do voleibol olímpico.

A partir daí, a equipe brasileira deslanchou, venceu Japão nas semis e Estados Unidos na final e conquistou o bicampeonato em uma grande história de superação. O ouro consagrou as primeiras mulheres bicampeãs olímpicas do esporte brasileiro: Sheilla, Paula Pequeno, Fabiana, Thaisa, Jaqueline e Fabi, sexteto que também esteve em Pequim 2008.

Superação é a palavra que resume o ouro do vôlei feminino em Londres 2012 (Foto: Ivan Alvarado/Reuters)
Na Rio-2016, a expectativa era pela consagração em casa. Porém, depois de uma primeira fase perfeita, o tricampeonato não veio. A derrota para a China nas quartas-de-final do torneio olímpico calou um Maracanãzinho lotado. Agora, a expectativa é que a renovada seleção brasileira vingue a derrota em solo japonês e volte a subir no pódio.

FORMATO DE DISPUTA

Em ambos os gêneros, os 12 times são organizados em dois grupos com seis, seguindo o ranking mundial da FIVB. O Japão, por ser o país-sede, ocupa a primeira posição do Grupo A. Ao término da primeira fase, avançam os quatro melhores de cada grupo.

Masculino
Grupo A: Japão, Polônia, Itália, Canadá, Irã e Venezuela; 
Grupo B: Brasil, Estados Unidos, Rússia, Argentina, França e Tunísia

Feminino
Grupo A: Japão, Sérvia, Brasil, Coreia do Sul, República Dominicana e Quênia;
Grupo B: China, Estados Unidos, Rússia, Itália, Argentina e Turquia

A segunda fase é torneio de mata-mata, com as partidas sendo organizadas de acordo com o resultado da fase anterior, seguindo o modelo conhecido como “cruzamento olímpico”. Por exemplo: Os quatro melhores de cada grupo ficam como A1, A2, A3, A4; B1, B2, B3 e B4. Portanto, o melhor do grupo A enfrenta o pior do B e vice-versa, deixando o chaveamento assim: A1xB4, A2xB3, A3xB2 e A4xB1. Os quatro semifinalistas lutarão pela vaga na final. Já os perdedores dessa fase disputam a medalha de bronze.

ANÁLISES

Masculino

Datas: 24/07 a 07/08;

Países Participantes: Japão, Brasil, Estados Unidos, Itália, Polônia, Comitê Olímpico da Rússia, Argentina, França, Irã, Tunísia, Venezuela e Canadá;

Favoritos ao ouro: Brasil e Polônia;

Candidatos ao pódio: França, Itália, Estados Unidos e Comitê Olímpico da Rússia;

Podem surpreender: Argentina, Canadá, Irã e Japão;

Brasil: Equipe formada por Bruninho e Cachopa (levantadores); Wallace a Alan (opostos); Lucarelli, Leal, Maurício Borges e Douglas Souza (ponteiros); Lucão, Maurício Souza e Isac (centrais); e Thales (líbero).

Sem calendário internacional em 2020 por conta da pandemia de COVID-19, pairam no ar dúvidas sobre o estado de algumas equipes. No único torneio disputado neste ano - a Liga das Nações - alguns países optaram por enviar equipes alternativas para a competição. Caso da Itália, que manteve seus principais jogadores treinando no país.

Nesse contexto, o Brasil aparece como favorito por manter a base do time que conquistou o ouro no Rio de Janeiro e por ter sido o campeão da Liga das Nações com 15 vitórias e somente duas derrotas, jogando com um grande volume de jogo. Não só isso: bateu as prováveis candidatas ao título olímpico (Polônia e França). Há chances reais de conquistar um bi olímpico consecutivo.

Vice-campeã da VNL, a Polônia é quem pode bater de frente. Os poloneses foram os grandes rivais do Brasil na década passada. Com uma equipe forte, os bicampeões mundiais  têm grandes possibilidades de conquistar uma medalha que não vem desde os Jogos Olímpicos de Montreal em 1976. A expectativa é que a final das Olimpíadas coloque Brasil e Polônia frente à frente. Em um duelo como esse, tudo pode acontecer.

Reforçada pelo cubano naturalizado León, a Polônia deve ser a principal rival do Brasil em Tóquio (Foto: CEV/Divulgação)

Já a equipe francesa, que foi bronze na Liga das Nações deste ano, evoluiu muito na última década e está no pelotão de elite do voleibol mundial. Com peças importantes, como o ponteiro Ngapeth e o levantador Toniutti, a França é candidata ao pódio e busca sua primeira medalha no esporte. Além dos Bleus, Itália, Estados Unidos e Comitê Olímpico da Rússia também têm boas credenciais.

Outras seleções podem surpreender. A Argentina tem jogadores muito habilidosos, como o ponteiro Facundo Conte e o levantador Luciano De Cecco. Vale lembrar que, na Rio-2016, os argentinos terminaram em primeiro no grupo B, que também tinha Rússia e Polônia. O Japão, mesmo sem a força da torcida, conta com uma geração muito boa. A Liga das Nações mostrou que os japoneses jogam duro e podem ser uma grata surpresa. Canadá e Irã também não podem ser descartados.

Feminino

Datas: 25/07 a 08/08

Países Participantes: Japão, Brasil, Sérvia, China, Estados Unidos, Itália, Quênia, ROC, Argentina, Coréia do Sul, Turquia e República Dominicana.

Favoritas ao ouro: China, Itália, Estados Unidos e Sérvia;

Candidatos ao pódio: Brasil e Japão;

Podem surpreender: Turquia, Comitê Olímpico da Rússia e República Dominicana;

Brasil: Equipe formada por Macris e Roberta (levantadoras); Tandara e Rosamaria (opostas); Gabi, Natália, Fê Garay e Ana Cristina (ponteiras); Carol, Carol Gattaz e Bia (centrais); e Camila Brait (líbero).

A China é uma das fortes favoritas para o ouro. A atual campeã olímpica não fez uma boa Liga das Nações enquanto jogou com seu time reserva e não conseguiu se classificar para as semifinais da competição. Porém, no fim da fase classificatória, as principais jogadoras entraram em quadra e foram muito bem, tirando a invencibilidade dos Estados Unidos. Chegam em Tóquio com a moral lá no alto.

Comandada por Lang Ping, a China manteve a base campeã olímpica em 2016 (Foto: FIVB/Divulgação)
Sérvia e Itália podem fazer frente à equipe chinesa, mas são incógnitas. Ambas foram com o time C para a Liga das Nações, e os elencos principais se enfrentaram em amistosos recentemente, onde a Sérvia saiu vencedora. Apesar de ser considerada uma das favoritas por ter a oposta Paola Egonu, as italianas chegam sem ritmo de jogo e com um time sem jogar junto há mais de um ano e meio, assim como as sérvias. As duas podem decepcionar por esses fatores.

Outra seleção que pode medalhar é a dos Estados Unidos, que chega com moral no Japão após vencer a Liga das Nações. As americanas também têm um elenco muito bem entrosado e com ótimo volume de jogo, o que reflete nas estatísticas, perdendo apenas a última partida da fase classificatória e ao longo do torneio, só foram derrotas em oito sets. Se tudo der certo, pode conquistar o primeiro ouro no voleibol feminino.

O Brasil não tem o elenco mais forte do voleibol feminino neste momento, mas pode chegar até a final pela força do conjunto. Com Tandara sendo referência no ataque, Natália e Gabi comandando as pontas e Carol e Carol Gattaz dominando a rede, a talentosa levantadora Macris terá muitas opções para distribuir o jogo na competição. A líbero Camila Brait é outro destaque, no passe e na defesa. Com o time chegando entrosado em Tóquio, pode beliscar alguma medalha e até mais um ouro no vôlei.

Jogando em casa, o Japão costuma crescer e também se candidata a um lugar no pódio. Um degrau abaixo, aparecem Turquia, Comitê Olímpico da Rússia e República Dominicana. Os três times têm bons ataques, mas sofrem na recepção.

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