Guia Tóquio 2020: Surfe - Surto Olímpico

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Como funciona o surfe na Olimpíada

FICHA TÉCNICA
Local de disputa: Praia Tsurigasaki, em Chiba
Período: 24/07 a 27/07 (podendo se estender, a depender das condições climáticas e das ondas)
Número de delegações participantes: 18
Total de atletas: 40
Brasil: 4 atletas (Gabriel Medina e Ítalo Ferreira, no masculino; e Silvana Lima e Tati Weston-Webb, no feminino)

HISTÓRICO
O surfe é uma das cinco modalidades que estreiam no programa olímpico nos Jogos de Tóquio. A inclusão do esporte faz parte da iniciativa do COI de tornar os Jogos Olímpicos mais atrativos para o público jovem, apostando em disputas de esportes radicais, a exemplo do surfe e de outras modalidades, como skate e breakdancing.

Apesar de ser novidade no ambiente olímpico, o surfe é praticado desde tempos remotos. Historiadores defendem que os povos nativos da Polinésia já tinham o hábito de deslizar sobre as ondas com o uso de pranchas.

No âmbito profissional, a Liga Mundial de Surfe (World Surf League - WSL, em inglês) é realizada com esse nome desde 2015 - antes, a Federação Internacional da modalidade já organizava o Campeonato Mundial desde 1964, e começou o modelo de Circuito Mundial ainda em 1973. Já o Circuito Feminino começou a ser disputado em 1977. A primeira campeã foi a havaiana Margo Oberg, do Havaí.


BRASIL
O Brasil construirá sua história olímpica no surfe junto com a estreia da modalidade nos Jogos - e essa trajetória tem tudo para começar vitoriosa. Antes dominada por Austrália e Estados Unidos, a WSL masculina teve na década de 2010 um crescimento exponencial da participação brasileira, com muitos surfistas despontando e conseguindo resultados expressivos

A “Brazilian Storm” - “Tempestade Brasileira”, como ficou conhecida essa ascensão do surfe brasileiro - começou a ganhar força em 2011. De lá para cá, três brasileiros já conquistaram o circuito: Gabriel Medina (2014 e 2018), Adriano de Souza (2015) e Ítalo Ferreira (2019). Além deles, outros surfistas, como Filipe Toledo, Miguel Pupo e Yago Dora, também costumam brilhar.

No feminino, os resultados positivos vieram um pouco antes: Silvana Lima foi vice-campeã mundial em 2008 e em 2009, vencendo três etapas do Circuito nesse período. Hoje, Silvana tem a companhia de Tatiana Weston-Webb, porto-alegrense criada no Havaí e que está entre as melhores do mundo na atualidade. Apesar da dupla nacionalidade, Tati optou por representar o Brasil e tem honrado a bandeira verde e amarela.
Quantos títulos o Brasil tem no surfe

FORMATO DE DISPUTA
Em Tóquio, cada um dos naipes contará com 20 atletas. Inicialmente, os surfistas serão divididos em cinco baterias com quatro pessoas cada. Os dois melhores de cada série, segundo a avaliação dos juízes, avançam direto para a fase seguinte. Já os outros dois partirão para a repescagem, em que competirão junto aos eliminados dos demais grupos por seis vagas nas oitavas-de-final.

Na sequência, os 16 atletas que seguirem na competição serão novamente divididos em baterias de quatro surfistas, com os dois melhores de cada uma delas avançando. Depois disso, os 8 atletas restantes entram no mata-mata, com duelos surfista contra surfista até a grande decisão.

Durante as provas, cada surfista terá 30 minutos para pegar o máximo de ondas possível e receber uma pontuação de 0 a 10 para cada onda surfada. Apenas as duas melhores ondas de cada surfista são consideradas em sua pontuação final.


ANÁLISE

MASCULINO
Período: 24/07 a 27/07 (podendo se estender, a depender das condições climáticas e das ondas)

Favoritos ao ouro: Gabriel Medina (BRA) e Ítalo Ferreira (BRA);
Candidatos ao pódio: Igarashi Kanoa (JAP), John John Florence (USA) e Kolohe Andino (USA);
Podem surpreender: Julian Wilson (AUS), Owen Wright (AUS), Michel Bourez (FRA) e Jérémy Florès (FRA).
Brasil: Gabriel Medina e Ítalo Ferreira

Depois de dominar a World Surf League nas últimas temporadas, a “Tempestade Brasileira” promete fazer bonito nas águas japonesas. Líder do Circuito Mundial, o bicampeão do mundo Gabriel Medina vive um início de temporada espetacular. O paulista de Maresias chegou à final de cinco das seis etapas disputadas até agora, com duas vitórias. Apesar dos atritos com o Comitê Olímpico Brasileiro às vésperas dos Jogos, é o favorito ao ouro nas ondas de Chiba.

O segundo colocado do Circuito também é brasileiro e estará em Tóquio: o atual campeão do mundo, Ítalo Ferreira. Vencedor da etapa de Newcastle, o potiguar promete ser o maior rival de Medina na briga pela medalha de ouro. O Brasil ainda poderia contar com Filipe Toledo, que vem logo atrás de Ítalo na classificação, com dois títulos neste ano. Porém, o limite de duas vagas por país em cada naipe impediu que Filipinho pudesse participar do torneio olímpico.

O potiguar Ítalo Ferreira é favorito ao ouro em Tóquio (Foto: WSL/Cestar)

Além dos brasileiros, o japonês Igarashi Kanoa, sexto colocado no ranking mundial, aparece como outro bom candidato, podendo contar com os benefícios de competir em casa. Na temporada, Igarashi teve como melhor resultado a semifinal na piscina do Surf Ranch, quando perdeu a vaga na final para Gabriel Medina.

Recém-recuperados de lesão, os norte-americanos John John Florence e Kolohe Andino chegam com pouco ritmo, mas não podem ser descartados em um evento grande como este. John John sofreu uma lesão no joelho em Margaret River em maio, passou por uma cirurgia e só voltou a surfar recentemente. Já Kolohe teve uma entorse no tornozelo em março e também passou por um procedimento cirúrgico. Ele também já voltou para a água e parece estar recuperando a melhor forma.

Outro nome que chama a atenção é o do australiano Owen Wright. Presente na WSL desde 2010, quando foi o Novato do Ano, Wright chegou a brigar pelo título mundial em 2015. Porém uma lesão cerebral grave o afastou das pranchas por mais de uma temporada. Em seu retorno, em 2017, ele venceu de cara a primeira etapa da Liga, em Snapper Rocks, de forma épica. A temporada 2021 dele e de seu compatriota, Julian Wilson, não é boa, mas ambos podem surpreender.

Já o sul-africano Jordy Smith, forte candidato ao pódio, se lesionou e foi substituído pelo italiano Leonardo Fioravanti, que corre por fora. Por fim, também vale o destaque para os franceses Michel Bourez e Jérémy Florès, que fazem temporadas apagadas, mas foram bem em 2019 e podem beliscar um pódio.


FEMININO
Período: 24/07 a 27/07 (podendo se estender, a depender das condições climáticas e das ondas)

Favoritas ao ouro: Carissa Moore (USA) e Stephanie Gilmore (AUS);
Candidatas ao pódio: Tatiana Weston-Webb (BRA), Johanne Defay (FRA) e Sally Fitzgibbons (AUS);
Podem surpreender: Caroline Marks (USA), Silvana Lima (BRA), Sofia Mulanovich (PER) e Brisa Hennessy (CRC).

A temporada feminina de 2021 da WSL está bem equilibrada até o momento. Cada uma das seis etapas teve seis vencedoras diferentes. Uma delas, em Newcastle, ficou nas mãos da multicampeã do mundo Carissa Moore, que é favorita ao ouro em Tóquio. Dona de quatro títulos mundiais, Moore tem dominado o cenário do esporte há algumas temporadas.

Sua principal oponente deve ser a heptacampeã mundial Stephanie Gilmore, da Austrália. Gilmore não venceu nenhuma etapa em 2021, mas foi finalista em Margaret River e caiu nas quartas-de-final em outras quatro oportunidades. O momento de Moore é melhor, mas a história e o talento da australiana não podem ser ignorados.

A brasileira Tatiana Weston-Webb é outra atleta que faz uma temporada excelente. Nas seis etapas do Circuito disputadas até agora, Tati venceu em Margaret River e foi vice em Narrabeen, além de ter chegado em mais duas semifinais. A porto-alegrense - que passou a maior parte da vida no Havaí - é a quarta colocada do Tour e é candidata a uma medalha.

Tati Weston-Webb está em ótima fase e pode beliscar uma medalha em Tóquio (Foto: Cait Miers/WSL)

A francesa Johanne Defay, a australiana Sally Fitzgibbons e a americana Caroline Marks também estão fortes na disputa. Cada uma delas venceu uma etapa do Circuito nesta temporada: Surf Ranch, Rottnest Island e Narrabeen, respectivamente. Esse trio promete brigar em pé de igualdade com as demais pelo pódio.

Já a cearense Silvana Lima, vice-campeã mundial em 2008 e 2009, corre por fora, assim como a costarriquenha Brisa Hennessy. Também vale o destaque para a peruana Sofia Mulanovich, campeã mundial em 2004 e que se classificou para a Olimpíada aos 38 anos.

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