Brasil perde duas e fica sem medalhas na estreia das equipes mistas do judô no programa olímpico

Equipes mistas judô Brasil Olimpíadas
Mayra Aguiar venceu duas lutas, mas não impediu as derrotas brasileiras (Foto: Jonne Roriz/COB)

O Brasil não conseguiu medalhar na estreia da disputa por equipes mistas do judô em Jogos Olímpicos. O time brasileiro era o cabeça de chave número 2 do torneio, mas foi derrotado em dose dupla neste sábado (31): por Países Baixos, na estreia, e por Israel, na repescagem, ambos por 4 a 2. Assim, o Brasil encerra sua participação em Tóquio-2020 com duas medalhas de bronze na modalidade.


Apenas 12 equipes participaram da disputa por equipes mistas. O time brasileiro, por ser o segundo mais bem ranqueado da competição, iniciou sua trajetória já nas quartas de final, enfrentando os Países Baixos. Apenas Mayra Aguiar e Daniel Cargnin, justamente os medalhistas olímpicos do Brasil nesta edição, venceram. Larissa Pimenta, Maria Portela, Rafael Macedo e Rafael Silva perderam.


Após a derrota, o Brasil ainda foi para a repescagem, enfrentar Israel, que havia dado trabalho para a França nas quartas de final. O país sul-americano sofreu, mesmo com uma escalação diferente. Os três homens - Eduardo Barbosa, Eduardo Yudy e Rafael Buzacarini - foram derrotados, assim como Larissa Pimenta, na última luta. Mayra mais uma vez venceu, assim como Portela.

Apesar das frustrantes derrotas, vale destacar que o Brasil foi desfalcado de última hora por Maria Suelen Altheman, que se lesionou na disputa individual e foi retirada da Olimpíada. Mayra Aguiar a substituiu. Além disso, Larissa Pimenta atuou improvisada a um peso acima, já que o país não teve atletas classificados na categoria até 57kg.


Vale destacar que há três homens e três mulheres em cada equipe nessa disputa. Os homens competem na categoria até 73kg, até 90kg e acima de 90kg, enquanto as mulheres estão presentes na até 57kg, a até 70kg e a acima de 70kg. O Brasil faturou medalhas de bronze nos Mundiais de 2019 e de 2021, disputado há um mês, e foi prata em 2017, perdendo a final para o Japão. 


Israel espera o derrotado de Japão e Comitê Olímpico Russo pela semifinal para saber quem enfrentará na disputa pelo bronze, que ocorre ainda neste sábado, por volta das 05h, no horário de Brasília. A outra semifinal é disputada entre França e Países Baixos. Quem perder, enfrenta a Alemanha na outra disputa do bronze.


Quartas de final

O Brasil fazia sua estreia na competição contra os Países Baixos, enquanto o time europeu já havia superado o Uzbequistão por 4 a 3 na estreia. Apesar de estar descansado, o time brasileiro chegava com algumas improvisações, na 57kg feminina, a 73kg masculina e a +70 feminina - esta última após a lesão de Maria Suelen Altheman na véspera.


O Brasil nunca esteve a frente do placar. Larissa Pimenta perdeu a primeira luta para Sanne Verhagen pela 57kg, com três punições. Logo na sequência, na 73kg masculina, o medalhista olímpico Daniel Cargnin bateu o também improvisado Tornike Tsjakadoea, por waza-ari. O time europeu tomou a dianteira com vitória de Sanne van Dijke sobre Maria Portela, por ippon, na 70kg feminina.

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Larissa Pimenta, campeã pan-americana, fez duas lutas, mas perdeu ambas (Foto: Gaspar Nobrega/COB)

Todas as três lutas iniciais foram decididas no golden score e, na maioria delas, os dois judocas tinham recebido punições. Somente o quarto combate foi encerrado no tempo normal. Rafael Macedo sofreu com Noel van T End, na categoria até 90kg, e perdeu por estrangulamento ainda no tempo normal. Os Países Baixos tiveram o match point com 3 a 1 no placar.


Mayra Aguiar evitou que o Brasil perdesse na sequência. Ela esteve em desvantagem durante todo o combate, "pendurada" com dois shidôs, e "tirou um ippon da manga" no tempo extra para derrotar Guusje Steenhuis pela categoria acima de 70kg. Rafael Silva, o Baby, precisava ganhar na sequência para forçar o desempate, mas foi passivo e perdeu para Henk Grol na +90kg após levar três punições.


Repescagem

Pouco tempo depois da derrota para os Países Baixos, o Brasil precisou se recuperar para disputar a repescagem contra Israel. A equipe verde e amarela entrou com um time diferente do duelo anterior. A formação masculina foi inteira trocada: saíram Cargnin, Macedo e Baby e entraram Eduardo Barbosa, Eduardo Yudy e Rafael Buzacarini, nesta ordem.


O primeiro a lutar foi Eduardo Barbosa, pelos leves masculinos. Mais uma vez, o Brasil saiu perdendo. Eduardo chegou a ter a vantagem por boa parte do combate, com Tohar Butbul tendo duas punições, mas o brasileiro tomou três shidôs em sequência, por falta de combatividade. Em seguida, Maria Portela empatou o duelo, com vitória por ippon sobre Gili Sharir.


A equipe brasileira voltou a ficar atrás do placar na sequência, com a derrota de Eduardo Yudy para Li Kochman, por lindo ippon, pelos médios. Mayra Aguiar voltou a fazer a diferença e apareceu na hora certa, e não se intimidou com Raz Hershko, que era bem mais pesada que ela. A brasileira dominou a luta e venceu por ippon, empatando em 2 a 2.

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Rafael Buzacarini substituiu Rafael Silva na repescagem e foi derrotado (Foto: Julio Cesar Guimarães/COB)

Isto, porém, não adiantou. Buzacarini perdeu rapidamente na sequência, para Peter Paltchik, po estrangulamento e deixou a responsabilidade para Larissa Pimenta na sexta luta. Já improvisada, enfrentou Timna Levy e até teve um bom desempenho. A brasileira forçou dois shidôs à israelense e controlava o combate, mas sofreu um waza-ari e foi imobilizada no final.

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