Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Montreal 1976 - Surto Olímpico

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Os Jogos Olímpicos na televisão brasileira - Montreal 1976

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Por Felipe Dos Santos Souza

Como já se sabia, a OTI (Organização das Televisões Iberoamericanas) passara a centralizar as questões de direitos televisivos desde sua fundação, em 1974: às suas afiliadas, inclusive as emissoras brasileiras, bastaria estar em dia com as anuidades, pagar uma parcela da cota que a OTI gastara pelos direitos com a detentora principal, e pronto: estavam garantidos os direitos. Ainda não foi assim em 1972, quando a Globo comprou os direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos diretamente com a WDR alemã. Mas a partir de 1976, a OTI tomou a frente: foi ela que adquiriu a exibição do que ocorreria nos Jogos de Montreal, comprando para a América Latina os direitos pertencentes à Organização de Rádio e Televisão da Olimpíada, cujas parceiras para as disputas olímpicas na cidade do Canadá seriam a ABC norte-americana e a CTV do país-sede.


Mais fundamental ainda era uma cláusula inicial instituída pela OTI em seu estatuto, a partir daquele ano: quem quisesse exibir a Copa do Mundo, dois anos à frente dos Jogos Olímpicos, teria de exibir no mínimo dez minutos de transmissões olímpicas diárias, obrigatoriamente. No caso brasileiro, só aí as emissoras de televisão se mobilizaram pelos Jogos. Três delas - Globo, Cultura (estatal paulista) e Tupi - pagaram US$ 53 mil à OTI para terem direito não só ao boletim diário produzido pela entidade iberoamericana, com os melhores momentos de cada dia olímpico em Montreal, mas também para enviarem equipes à cidade-sede e exibirem as competições olímpicas de basquete, futebol, vôlei, atletismo, ginástica e boxe, quando julgassem atraente (quase sempre, quando o Brasil estava em disputa). Já Record e Bandeirantes foram mais modestas: pagaram apenas US$ 18 mil à OTI, e ficaram com os boletins diários. Até exibiram algumas competições ao vivo, mas as equipes fizeram todo o trabalho em seus estúdios no Brasil.


Ah, sim: ao contrário de 1972, as condições da televisão a cores já estavam mais disseminadas no Brasil, e todas elas mostraram imagens coloridas do que se jogava no Canadá. Já era alguma coisa que a OTI fazia para tentar popularizar as transmissões de Jogos Olímpicos. Mas a cláusula ficaria ainda mais exigente depois de Montreal. O que renderia consequências antes e depois da edição seguinte dos Jogos, em 1980.

Bandeirantes


Narração/apresentação: Fernando Solera

Até pelo longo histórico que a rádio do grupo de mídia paulista já tinha com futebol, a emissora de televisão da família Saad já podia se orgulhar da trajetória com a bola desde sua inauguração, em 13 de maio de 1967. Unida a Record, Globo e Tupi, a Bandeirantes fizera parte do pool que exibira a Copa do Mundo pela primeira vez ao vivo para o Brasil, em 1970. Em 1974, fora uma das integrantes de mais um pool: o SIBRATEL (Sistema Brasileiro de Televisão), parceria com Record e a TV Gazeta paulista. Em Jogos Olímpicos, ainda não era a mesma coisa.

Vinculada à equipe da rádio do mesmo grupo que fora a Montreal, a Bandeirantes deu mais força aos dois boletins diários que exibia – 15 minutos, em duas edições, na faixa das 19h à meia-noite – do que às disputas ao vivo. Estas se restringiram às cerimônias de abertura e encerramento e aos jogos da Seleção Brasileira no torneio olímpico de futebol, quando pela primeira vez a medalha pareceu perto, com o quarto lugar alcançado pela equipe treinada por Cláudio Coutinho, com gente como o goleiro Carlos, o zagueiro Edinho e o lateral esquerdo Júnior.

Record


Narração: Geraldo José de Almeida

Após a experiência com os VTs de Tóquio-1964, narrados ao vivo por três enviados especiais e exibidos um dia depois na tela pequena, a emissora da família Machado de Carvalho voltava a se vincular aos Jogos Olímpicos. Sim, “vincular” é a palavra exata: sem muito dinheiro para ousadias naquela época, já após os áureos tempos vividos nas décadas de 1950 e 1960, a Record só fez em 1976 o que a OTI lhe obrigava a fazer. Exibia um boletim olímpico noturno de meia hora, com os melhores momentos do dia em Montreal. Ao vivo? Só as partidas de futebol da equipe brasileira.

Pelo menos, elas tinham um atrativo na narração: Geraldo José de Almeida, que não tivera muito espaço na cobertura da TV Globo em 1972, pelas más atuações da seleção de futebol. “Gera” foi demitido da Globo, tão logo a Copa de 1974 terminou. E a saída foi tumultuada: uns disseram que a demissão foi obra de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o “Boni”, vice-presidente de operações da emissora, por suposta insubordinação do narrador paulista, enquanto outros apontam Armando Nogueira, diretor de jornalismo, como o autor da ordem. Fosse como fosse, o narrador passara algum tempo em Porto Alegre, trabalhando na TV Difusora gaúcha. Pouco antes dos Jogos Olímpicos, já sofrendo com problemas de saúde, o locutor voltou a São Paulo. Convidado por Paulo Machado de Carvalho, o patriarca dono da Record, voltou ao grupo em que iniciara a carreira como narrador de rádio.

Daquela vez na TV, “Gera” narrou a participação brasileira no torneio olímpico de futebol. Foi praticamente sua despedida profissional e humana: em 16 de agosto de 1976, quinze dias após o fim dos Jogos Olímpicos, Geraldo José de Almeida faleceu, vítima do câncer no pâncreas que já o vitimava havia dois anos. Mas se sua participação em transmissões olímpicas fora discreta, o que fez narrando futebol serviu para deixá-lo conhecido como um dos mais marcantes narradores da história da imprensa esportiva brasileira. De mais a mais, um parceiro que o “velho Gera” conhecia muito bem seria responsável por dar voz a momentos marcantes de Jogos Olímpicos que viriam: seu filho, Luiz Alfredo, engenheiro elétrico de formação que logo começaria no jornalismo.

Cultura


Narração: Luiz Noriega, Orlando Duarte e Carlos Eduardo Leite

Fundada em 1960, como posse dos Diários Associados, e tornada televisão estatal em São Paulo a partir de 1969, passando para a Fundação Padre Anchieta que até hoje a comanda, a Cultura já marcava época em vários setores. No educacional, com os “Telecursos”; no infantil, com a produção do “Vila Sésamo” (versão brasileira do “Sesame Street” de Joan Cooney), que marcou muitos pequenos no começo dos anos 1970; e também no esporte.

Sob a direção do jornalista Orlando Duarte (1932-2020) – então comentarista da rádio Jovem Pan nos jogos de futebol, além de trabalhar no diário paulista A Gazeta Esportiva -, a Cultura decidiu implementar um espaço não só para o futebol, mas para vários outros esportes. Fizeram sucesso, por exemplo, as transmissões das partidas da Copa Davis realizadas em São Paulo, em parceria técnica com a TV Globo, entre 21 e 23 de agosto de 1971, entre as duplas de Romênia (Ion Tiriac e Ilie Nastase, o grande destaque) e Brasil (com a dupla José Edison Mandarino e Thomaz Koch). Os romenos ganharam: 3 a 2. Não importava: o tênis fizera sucesso, abrira mais um espaço para o esporte olímpico na televisão.

E a Cultura começou: exibia tênis, atletismo, vôlei, basquete. Era destino certo nas noites de domingo para os paulistas que gostassem de futebol, com os VTs dos jogos que haviam ocorrido horas antes. Quase tudo narrado ora pelo próprio Orlando Duarte, ora pela voz que se tornava símbolo esportivo da emissora: a de Luiz Noriega (1930-2012). Foi justamente Luiz, pai do atual comentarista do SporTV Maurício, que popularizou o lema da emissora naquelas transmissões: “Esporte é Cultura”.

Enviados a Montreal, Orlando e Luiz foram duas das vozes que narraram o boletim noturno de duas horas exibido pelo canal para a rede de emissoras educativas pelo Brasil. Além deles, ainda estava no Canadá para narrar os melhores momentos das disputas outro personagem conhecido da Cultura em coberturas esportivas: o repórter Carlos Eduardo “Dudu” Leite. De quebra, também reportavam o que acontecia no dia olímpico, em programas como o É Hora de Esporte, noticiário exibido ao meio-dia. Se faltava dinheiro à Cultura, sobrava dedicação na tentativa de popularizar esportes olímpicos no Brasil. E aquela cobertura incipiente dos Jogos de 1976 foi uma das provas.


Tupi


Narração/apresentação: Walter Abrahão

Àquela altura, a primeira emissora de televisão do Brasil já penava havia muito tempo com os problemas financeiros praticamente insolúveis, que afinal levariam ao fechamento dela, em 1980. No entanto, tradição esportiva não faltava ao canal dos Diários Associados – afinal, por meio dele as primeiras imagens de um jogo de futebol haviam sido exibidas no país, em 1950. Também vale lembrar que a emissora exibira um boletim olímpico havia 12 anos, nos Jogos de Tóquio.

E a voz daqueles boletins de 1964 continuava sendo a voz da Tupi naqueles Jogos Olímpicos de Montreal: Walter Abrahão. O narrador paulistano foi enviado ao Canadá, e de lá transmitiu até mais eventos ao vivo do que a TV Globo, concorrente já mais forte do que a Tupi naquela época. Além das cerimônias de abertura e encerramento e dos jogos do Brasil no torneio olímpico de futebol, houve presença da Tupi na final do salto triplo masculino. Afinal, eram tempos de João Carlos de Oliveira, que o recorde mundial no Pan-Americano da Cidade do México, no ano anterior, transformara em “João do Pulo”.

A Tupi também exibia as partidas importantes de vôlei e basquete – como o 3 sets a 2 brasileiro na Itália, em 24 de julho, às 22h de Brasília. De quebra, nem só de Brasil vivia: exibiu vários jogos do torneio de futebol, como Alemanha Oriental 1x0 Espanha, partida do grupo em que a Seleção Brasileira estava. Finalmente, havia dois boletins diários, de duração variável (poderiam ir de cinco a 30 minutos), às 12h e às 20h de Brasília. O que totalizava quase quatro horas diárias de programação dedicadas aos Jogos.

Enfim, mesmo que o fim já estivesse próximo, a Tupi seguia investindo como podia no esporte. E sua derradeira aparição olímpica não foi de todo ruim. Ao contrário.


Globo


Narração: Luciano do Valle, Tércio de Lima e Ciro José

Comentários: Ciro José

Reportagens: Juarez Soares

Apresentação: Léo Batista e Ciro José

A aposta na transmissão dos Jogos Olímpicos de 1972 já rendera frutos ao esporte na emissora dos Marinho em 1973. Afinal, neste ano, em 8 de dezembro, foi criado um dos programas que até hoje simboliza a editoria na Globo: o Esporte Espetacular, cujos nome e formato se deviam a um similar da ABC norte-americana, o World Wide of Sports. Exibido nos sábados à tarde, se ainda era dependente demais do material de vídeo comprado pela Globo da ABC (o que rendia momentos pitorescos, como exibir provas de “derby demolition”, a demolição de carros amada pelos norte-americanos, ou rodeios – método pouco diferente, em sua base, das atuais competições do “Verão Espetacular”), o Esporte Espetacular pelo menos apresentava algumas modalidades aos brasileiros. E forçava os integrantes de sua equipe a se familiarizarem com elas.

Tal familiarização vinha dos jeitos mais inimagináveis. Léo Batista, apresentador preferencial do programa em seus primeiros tempos, lembrou-se de como aprendeu termos técnicos do surfe, em depoimento ao jornalista Alberto Léo, em seu livro “História do jornalismo esportivo na TV brasileira” (Maquinária, 2017): “Naquela época, a sala do esporte [na TV Globo] ficava numa casa fora do prédio da TV, numa ruazinha bem atrás. Eu me lembrei que ali ao lado morava um garoto que estava sempre com revistas de surfe, e eu já tinha visto ele sair com uma prancha. Aí pensei: ‘Esse garoto pode me ajudar’. Fui lá e disse que eu ia narrar uma competição de surfe e que não sabia nada. Ele pegou um monte de revistas e começou a me mostrar. (...) Eu fui escrevendo todos os termos, tudo que ele me falava e me mostrava. Além de escrever, procurava decorar os termos. Agradeci, voltei para a redação e pedi que rodassem o filme do surfe, dei uma boa treinada. Quando entrou no ar, foi o maior sucesso. Aí eu curti. Disse que tinha ido ao Havaí e fiquei três semanas fazendo um curso...”.

Símbolo de uma atenção ainda inicial do canal carioca a esportes extrafutebol, o Esporte Espetacular já vivia fase de transição em 1976: ainda exibia material dos Estados Unidos, mas já procurava dar espaço a produções nacionais. E coube a ele também dar o pontapé inicial na cobertura olímpica da TV Globo: dois meses antes da cerimônia de abertura no Estádio Olímpico de Montreal, o “EE” exibiu alguns documentários de uma hora, produzidos pelo diretor Bud Greenspan para a 20th Century FOX, com vários temas ligados aos Jogos Olímpicos. Começou em 22 de maio de 1976, com “As mulheres que conquistaram medalhas de ouro”, e seguiu nos sábados posteriores: “Os persistentes”, “Os africanos”, “Os australianos”, “As chances perdidas”... até o último sábado antes do início dos Jogos, quando o documentário tratou de como foram as competições olímpicas em Munique, quatro anos antes.

Naquele momento, o planejamento global para a cobertura dos Jogos já estava pronto, mesmo em meio às fortes turbulências por que o canal passava, com o incêndio em sua sede carioca, naquele mesmo ano, em junho. Além de garantir os direitos de transmissão via pagamento à OTI, a Globo ainda garantiu outra fonte adicional de imagens, graças a acordo direto com a ABC norte-americana. Ao Memória Globo, projeto institucional de história da emissora, o acordo foi detalhado em 2004 por Leonardo Gryner, produtor executivo de esportes do canal em 1976: “A ABC transmitia horas e horas de Jogos Olímpicos. Esse sinal teria que sair de Nova Iorque. E nós mandamos para lá o Luís Carlos Sá, que era o diretor, o Ciro José, que era o narrador, e o Tércio de Lima, como narrador. Os três ficaram em Nova Iorque, dentro do prédio da ABC, e a ABC botava num satélite o material, e eles [Ciro e Tércio] iam narrando esse material”.

Além da equipe destinada a Nova Iorque, havia ainda quem ficaria no Rio de Janeiro: o ítalo-brasileiro Teti Alfonso, como diretor, e Léo Batista, apresentador do boletim olímpico da Globo: uma hora com os melhores momentos do dia em Montreal, a partir das 22h30, logo após “Saramandaia”, a novela das 20h daqueles dias de julho de 1976 – aos sábados e domingos de Jogos Olímpicos, o boletim ganhava mais uma hora.

Finalmente, claro, os 11 enviados da emissora à cidade-sede. Entre eles, como diretores da transmissão, Pedro Luís Paoliello (célebre como narrador no rádio paulista, então diretor de esportes da Globo) e o supracitado Leonardo Gryner; Luciano do Valle, principal narrador global desde a demissão de Geraldo José de Almeida em 1974; o repórter Juarez Soares (1941-2019), para produzir reportagens que iriam aos telejornais; e mais um remanescente da cobertura em Munique, o cinegrafista Ricardo Strauss.

Caberia a Luciano ser, primordialmente, a voz dos eventos esportivos nos Jogos, como as partidas do Brasil no futebol, no vôlei e no basquete, além da final do salto triplo masculino (na qual se esperava a presença de João Carlos de Oliveira, afinal confirmada com a medalha de bronze). Mas as cerimônias de abertura e encerramento, ambas exibidas dentro do Esporte Espetacular, foram narradas por Ciro José, dos estúdios da ABC em Nova Iorque. Aos sábados e domingos, com mais tempo na grade de programação, a Globo chegava a exibir quatro horas ao vivo com o que ocorria em Montreal. Horas que tinham imprevistos: contando com o sinal do satélite da ABC, a emissora brasileira era surpreendida com mudanças repentinas de uma disputa esportiva para outra. Restava a Ciro José e a Tércio de Lima (1936-2009), os dois narradores presentes nos estúdios da ABC em Nova Iorque, serem rápidos para descobrirem qual era a mudança e qual era o competidor mostrado. Com algumas edições, um compacto desses momentos ao vivo era mostrado nas edições de sábado do Jornal Nacional.

Sentiu falta de algo, neste texto sobre a cobertura da televisão brasileira para os Jogos de 1976? Pois é: impossível falar das disputas em Montreal sem citar a romena Nadia Comaneci e suas oito notas 10 (quatro nas barras paralelas, duas no cavalo e duas na prova individual geral), que lhe renderam três medalhas de ouro, sem contar o bronze no solo e a prata como integrante da equipe da Romênia. Nenhuma emissora brasileira exibiu ao vivo a primeira nota 10 da história da ginástica artística olímpica. Mas tão logo os boletins olímpicos noturnos exibiram e os telejornais noticiaram o que Comaneci havia feito no Fórum de Montreal, a direção da cobertura da TV Globo exigiu que Juarez Soares tentasse uma reportagem com a adolescente de 14 para 15 anos.

Já eram outros tempos, pós-Setembro Negro: a entrada dos jornalistas passara a ser vetada na Vila Olímpica. Remanescente de Munique – basta lembrar a conversa com Edvar Simões -, Luciano do Valle lembrou ao Memória Globo em 2007: “Foi um espanto chegar a Montreal e ver que a gente estava praticamente num campo de concentração”. Atletas, só os vendo de longe.

E Juarez se divertiu com o sofrimento que passou na tentativa frustrada de alcançar a ginasta romena, depondo ao “Memória Globo” em 2007: “Você imagine 8.500 atletas andando para lá e para cá... eles se misturam ali, medalha de ouro com recordista com atletas da natação... e você não consegue identificar. Então a [direção da cobertura da] Globo no Rio cobrava: ‘Cadê a reportagem?! Cadê a Nadia Comaneci?! Filma ela na Vila Olímpica, ela passeando, ela comendo!’ Eu falava: ‘Alô, moçada do Rio, é o seguinte: só de segurança da Nadia Comaneci aqui, que veio na delegação da Romênia... a Romênia tem 40 atletas, vieram 90 na delegação, e 50 são seguranças! A menina nem respira, quanto mais [deixar] chegar perto dela!’”.

Outro aperto passado ao vivo pela emissora dos Marinho em Montreal foi visto na decisão do ouro no vôlei masculino. Polônia e União Soviética foram alternando vantagens e pontos, num jogo altamente equilibrado. A Globo transmitia ao vivo, com o horário do satélite reservado a duras penas. E a final foi se estendendo... aí, Leonardo Gryner descreveu o drama ao “Memória Globo”: “O jogo levou 4h40. (...) Quando chegou no quinto set, decisivo – jogo empatado, 2 a 2... acabou o [horário do] satélite. Não tinha satélite. Nós gravamos lá em Montreal, no dia seguinte eu mandei para o Brasil, e a Globo só mostrou o final do jogo no dia seguinte. E não tinha jeito: ninguém previu que o jogo pudesse durar 4h40, a nossa reserva de satélite era para 2h30, e conseguimos ir estendendo isso – tanto que acompanhamos até o final do quarto set”. Pelo menos, mesmo em duas partes, a emissora afinal exibiu a coroação dos poloneses, donos do ouro com 3 sets a 2, tendo como destaque o atacante Tomasz Wojtowicz.

Pouco depois das transmissões olímpicas, o Esporte Espetacular teve alterado seu dia de exibição – dos sábados à tarde, passou para as manhãs de domingo, como atualmente. E no último dia daquele 1976, Léo Batista apresentou uma retrospectiva olímpica no programa. Nada foi esquecido: nem as quatro medalhas de ouro da alemã oriental Kornelia Ender na natação (com algumas provas narradas por Ciro José), nem o ouro dos Estados Unidos no basquete masculino (correspondente da Globo em Nova Iorque então, Lucas Mendes entrevistou o treinador Dean Smith), nem a apoteose de Nadia Comaneci.

Ainda assim, a Globo ainda ensaiava em Jogos Olímpicos. A partir de 1980, aproveitaria o endurecimento das regras da OTI para dar um pulo do gato que lhe valeria muito. E que, de certa forma, mudaria o olhar da televisão brasileira para os Jogos Olímpicos.


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