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Com manifesto por igualdade, seleção feminina de rugby lança novo uniforme com símbolo próprio

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A Confederação Brasileira de Rugby (CBRu) revelou a nova identidade visual da seleção brasileira feminina de rugby, idealizada por um movimento independente criado pelas próprias atletas. O símbolo vai para o novo uniforme oficial e resgata a origem do nome de batismo 'Yaras', escolhido também de maneira autônoma pelo grupo e que reflete o espírito guerreiro da mulher brasileira.


O lançamento da imagem acontece por meio de um vídeo-manifesto realizado pela CBRu em parceria com as jogadoras e com o apoio do Bradesco, patrocinador-máster da entidade há 11 anos. O tema principal da campanha é a autonomia do grupo, que iniciou todo processo de mudança. Desde que adotou o apelido de Yaras, no fim de 2013, a seleção feminina atuava com um símbolo masculino no peito, o Tupi - apelido da seleção masculina de rugby. 


O manifesto escrito pelas próprias atletas - e lido pela ex-atleta olímpica Beatriz Futuro - responde à seguinte pergunta: “Por que você luta?"


 

“A história da escolha do nome ‘Yaras’, da nova identidade, é uma história de coragem e coletividade das mulheres do rugby brasileiro. Uma história de reconhecimento que não foi pedido, foi conquistado. As atletas criaram um nome, um símbolo que representava o coletivo, criaram um uniforme de forma completamente independente e começaram a vender para trazer receitas ao grupo. Estamos agora dando o destaque para esse processo. Acredito que todos nós temos que reconhecer e honrar esse movimento”, avalia CEO da CBRu Mariana Miné, primeira mulher a assumir o comando da Confederação.


Criada pelo designer paulista e jogador de rugby Liam Piacente, a nova identidade visual foi uma encomenda das jogadoras da seleção à CBRu. Demandou do artista cerca de dois meses de pesquisas até atingir a expressão desejada, dividindo as referências com as atletas da seleção e buscando sintetizar o espírito coletivo do grupo. 


“A essência de ser uma Yara é ter a consciência de que precisamos uma das outras para vencer nossos desafios e sonhar com mais conquistas. Esse reconhecimento é muito importante para esse grupo de mulheres que construiu identidade própria em um esporte que ainda é considerado essencialmente masculino”, ressalta Isadora “Izzy” Cerullo, uma das jogadoras mais experientes e vitoriosas do atual elenco. 



O processo da definição da nova identidade visual, do manifesto e até mesmo da música-tema (Minha Força, da cantora Kaê Guajajara) contou com uma construção coletiva. Atletas do elenco atual e ex-atletas se reuniram virtualmente para chegar ao conteúdo final. Empreender, inclusive, é uma marca do grupo, que já havia criado uma imagem prévia da Yara e incluído em uma linha de roupas de treinamento e outros objetos.

 

Na mitologia tupi-guarani, Yara é filha de Pajé e temida guerreira que, para escapar da morte, se refugiou nos rios amazônicos. Por essa razão, é conhecida em partes do país como a “senhora das águas”. Para atletas do passado e do presente, a força do nome Yaras reside no valor à coletividade, que é um traço comum entre a cultura dos povos indígenas e os princípios do rugby. 


Em junho, será lançada uma linha casual junto a um projeto especial voltado ao rugby feminino. As novas peças serão inspiradas em histórias pessoais das atletas e na cultura dos povos originários brasileiros.

 

Fotos: Photojump/CBRu

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