Parada das Nações Tóquio 2020 - Irã - Surto Olímpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Pesquisar:

Últimas Notícias

Parada das Nações Tóquio 2020 - Irã

Compartilhe

O território que hoje conhecemos como República Islâmica do Irã possui uma longa história, e sua civilização é considerada uma das mais antigas e ricas de todos os tempos. Conhecido como Pérsia até 1935 e como Irão para os portugueses, o Irã é, apesar da aparência retrógrada, um país com uma vida cultural muito rica — ainda que boa parte underground. 

Com população muito acolhedora, é impossível a qualquer visitante não ficar estonteado com os vitrais nas Mesquitas de Shiraz, ou no bazar de Tabriz. A arquitetura de Isfahan é impressionante, e andar pelas ruas, parques e montes de Teerã é um prazer inegualável, especialmente parando para degustar chás e sucos refrescantes e se esbaldar com a rica culinária do país. 

Seu cinema não só é aclamado internacionalmente, como é motivo de orgulho nacional nas ruas do país. O filme de 1990 "Close-up" de Abbas Kiarostami, é uma das obras-primas do século XX e aborda o poder que a sétima arte tem na vida cotidiana dos iranianos, contando a história real de um homem que fingia ser o renomado cineasta Mohsen Makhmalbaf, para enganar uma família.



Paraíso dos viajantes, as cidades antigas de Pasárgada, Persepolis e Yazd, próximas a Shiraz, são destinações das mais visitadas em todo o mundo, assim como as dunas de areia de Fahraj.

Na cultura, a literatura e pintura são motivos de grande orgulho, com iranianos recitando de cor tanto os versos de Hafez Shiraz, grande poeta do século XIV, e cujo túmulo é frequentemente visitado em Shiraz, assim como os de Forough Farrokhzad, poeta e cineasta modernista que faleceu aos 32 anos em 1967, diretora de “A Casa é Preta”, considerado um dos melhores documentários em curta-metragem da história.

O cinema iraniano tem forte apelo popular, atraindo multidões às salas para ver filmes de realismo social e se reconhecer na tela grande. É muito provável que qualquer pessoa que você encontre na rua conheça nomes como Abbas Kiarostami, Mohsen Makhmalbāf, Asghar Farhadi,  Majid Majidi e Jafar Panahi, alguns dos maiores cineastas da história. 

Tal devoção do povo iraniano ao cinema pode ser vista nas imagens do funeral de Kiarostami em 2016, apesar dele não filmar no Irã há anos por conta das restrições governamentais.


O esporte iraniano não fica atrás, com vários heróis olímpicos, como veremos abaixo. Além de se dar muito bem nas categorias olímpicas regulamentadas por práticas europeias, como levantamento de pesos e lutas, há muitas formas tradicionais e folclóricas de lutas no Irã. 

Enquanto corrida de camelo não é popular no país, que conta com áreas propícias para tal atividade, a corrida de cavalo é uma das competições que mais fascinam os iranianos e um dos poucos que permitem apostas de acordo com a lei islâmica.

Alias, é importante notar que apesar da invasão islâmica durante a Idade Média, de sua localização contemporânea no Oriente Médio, e da atual república islâmica, cujo código de leis é baseado no alcorão e em preceitos religiosos, o Irã não é árabe, um erro comum ao falar sobre o país no ocidente. O idioma também é persa, diferente do árabe. 

Ainda que a política externa do Irã esteja alinhada a dos países árabes quando se trata de Israel, o país tem muitos conflitos com outros países do Oriente Médio, armados ou não, como a Guerra Irã-Iraque de 1980 a 1988, conhecido por muito tempo como a Primeira Guera do Golfo.

Atualmente, o Irã está envolvido em um mega-confronto com a Árabia Saudita. Ainda que forças oficiais do país não estejam em guerra, as duas potências regionais financiam e atuam diretamente em vários conflitos na região, no que é considerado como Guerra por Procuração por especialistas. como na guerra sangrenta no Iêmen que dura uma década e você já pôde ler aqui no capítulo de Danilo Goes sobre o Iêmen na Parada das Nações.

Por serem duas teocracias islâmicas, suas ações acabam tendo fortes ramificações em vários países do mundo com população muçulmana considerável. Enquanto o Irã tem maioria xiita, a Arábia Saudita segue a versão sunita, duas visões distintas do islamismo, que diferem em quem seria o sucessor legítimo de Alá e portanto quais são os principais líderes legítimos da religião. Apesar do assunto ser super complexo, tentaremos explicar um pouco melhor abaixo. 

É importante deixar claro que das leis religiosas e de repressões políticas que existem, o Irã atual é um país moderno. Ainda que mulheres sejam obrigadas a portar véu, a moda iraniana é uma das mais liberais dos países islâmicos, e é possível ver mulheres com o cabelo descoberto em parques de Teerã e outras grandes cidades. 

Ainda que o Facebook, Telegram e Twitter sejam banidos, a maioria dos jovens do país usam as redes sociais através do VPN e selfies que não aderem aos preceitos da república islâmica são abundantes no instagram, uma das febres do país. O mesmo com o consumo de bebida alcóolica, proibido oficialmente salvo algumas exceções, mas encontrado em abundância se souber onde procurar.



O esporte sofre também com essas barreiras, a mais célebre delas sendo a proibição ou limitação de mulheres em assistir partidas de futebol. A vitória do Irã sobre o Camboja por 14 a 0 em outubro de 2019 marcou a primeira vez que mulheres foram permitidas em um setor feminino reservado - lotado, entusiasmado e com muitas mulheres sem ingresso do lado de fora enquanto o lado masculino parecia completamente vazio. Ao fim do jogo, os jogadores foram até a 'gaiola' feminina aplaudir as verdadeiras estrelas do jogo.

O capitão Masoud Shojaei, ao meio, puxa um aplauso para as espectadoras - Foto: Abedin Taherkenareh/EPA, via Shutterstock


Ainda não está claro se a liberação será maantida para outros jogos adepois do fim da pandemia de coronavírus. Recentemente, Samira Zargari, técnica da seleção feminina do Irã foi proibida de viajar para a Itália e acompanhar sua equipe no Mundial em Cortina d'Ampezzo por não conseguir autorização de seu marido para viajar ao exterior, uma condição das leis iranianas para obtenção de passaporte e visto de saída para as mulheres.


A longa história do Irã através do séculos e Impérios


Há registros humanos desde pelo menos 7.000 a.c. na região. O Império Aquemênida, estabelecido entre os séculos VI e IV A.C.  foi o maior do seu tempo e algumas de suas capitais, como Babilônia, Pasárgada e Persepolis, entraram para o imaginário cultural de todo o mundo. Hoje, o que restou de Pasárgada e Persepolis concentra um dos maiores e mais fascinantes complexos de ruínas do mundo, em torno da cidade de Shiraz, enquanto a antiga localização de Babilônia é próxima à capital do vizinho Iraque.

A região chegou a ser invadida brevemente por Alexandre, o Grande, que trouxe um fluxo de influência grega para a região. Os persas, através de uma série de diferentes impérios, continuaram a dominar bastante a região, chegando a rivalizar com o Império Romano no ocidente.
Persepolis, uma das ruínas históricas mais estonteantes da humanidade - Foto: Shutterstock / © arazu

Um domínio islâmico durante aproximadamente milênio provocou o surgimento de várias lideranças tribais pelo território, e foi só no século XVI que um poder unificador voltou a reinar, no caso a Dinastia dos Saávidas, em 1501, que ficou no poder até 1722 e introduziu o xiismo, uma das duas principais vertentes do Islamismo.

Os sunitas compõe cerca de 85% a 90% da população sunita, e eles se consideram os religiosos mais tradicionais. O nome inclusive é uma versão de "Ahl al-Sunna", que significa "o povo da tradição". Apesar de venerar outros profetas mulçumanos, em linhas gerais, os sunitas acreditam que Maomé é o profeta supremo.

Já os xiitas, apesar de também reconhecer Maomé como o maior líder, acreditam que seu genro Ali é herdeiro direto de Maomé e seus descendentes tem direito divino em liderar os mulçumanos. Xiita vem de "Shiat Ali", que significa "partido de Ali". Estudiosos e jornalistas especializados no assunto percebem que há uma linha messiânica mais acentuada entre os xiitas, especialmente em quem seria os atuais líderes. Isso será importante para entender a história contemporânea do Irã em instantes.

Conflitos com o Império Otomano e Russo marcaram os séculos XVII e XIX, em que o Irã perdeu grande parte do seu território histórico. As marcas disso persistem hoje, em que grandes partes dos países vizinhos possuem populações ligadas historicamente e culturalmente ao Irã.

A descoberta do petróleo muda tudo

Até o início do século XX, o Irã era uma força na região, apesar de boa parte de sua população ainda viver na extrema-pobreza. O Império Persa também não atraia interesses de estrangeiros, exceto de viajantes e curiosos que por lá passavam. Tudo isso mudou em 1908 quando uma companhia britânica descobriu petróleo na região, e assim como aconteceu com o Afeganistão, a Pérsia virou um dos territórios em que os Impérios Britânicos e Russos lutavam para explorar e exercer sua influência no que ficou conhecido como ‘Grande Jogo’.

Apesar da declarada neutralidade na Primeira Guerra Mundial, a Pérsia foi ocupada pelos três impérios vizinhos - britânico, otomano e russo - gerando um vácuo no poder central, preenchido pelo golpe de 1921, liderado por Reza Shah Pahlavi, que ao retirar do poder o Rei Ahmad Shah Qajar, último xá da dinastia Qajar,se tornaria o primeiro Xá da Dinastia Pahlavi.

Durante seu regime, a população muçulmana começou a ser perseguida e o Irã se aproximou do Eixo durante a Segunda Guerra Mundial. Em agosto de 1941, o país foi invadido por forças soviéticas e britâncias que também forçaram o Xá a abandonar o trono, sendo substituído por seu filho mais novo Mohammad Reza Pahlavi, que ficaria no poder até 1979.

Mohammed Mosaddeq, líder que buscava nacionalizar os recursos do Irã, mas foi deposto num golpe orquestrado pela CIA - foto: La Soga


O Irã permaneceu oficialmente neutro no conflito, sendo usado pelas potências aliadas como local para importantes encontros, como a Conferência de Teerã de 1943. No pós-guerra, quando o primeiro-ministro Mohammed Mosaddeq seguiu em frente com seu processo de nacionalização das empresas de petróleo, os EUA e Reino Unido orquestraram um golpe de estado em 1953, que acabou concentrando o poder nas mãos do Xá, com o apoio ocidental.

Os anos 1960 e 1970 viram um boom econômico no país, que cada vez mais se ocidentalizava nos costumes, gerando revolta em setores mais tradicionais e religiosos. O ápice foi a Celebração dos 2.500 anos do Império Persa em outubro de 1971, em uma cerimônia gigantesca, com presença de vários presidentes e reis de todo o mundo, no que é considerado o maior e mais suntuoso banquete da história. O cineasta Orson Welles, que narrou o filme oficial, proclamou que “essa não é a festa do ano, mas a festa de 25 séculos!”. 

Veja abaixo uma cópia de "Flame of Persia" ("Chama da Pérsia"), o filme oficial da cerimônia, com participação do genial cineasta, em inglês. Apesar da má qualidade da cópia, a suntuosidade é perceptível neste importante documento histórico:


Assim como vários países emergentes haviam feito e voltariam a fazer, o Irã viu no esporte uma maneira de demonstrar seu crescente poder global e após Teerã sediar com sucesso os Jogos Asiáticos de 1974 apresentou sua candidatura para receber os Jogos Olímpicos de 1984.

Tanta opulência fez também crescer desigualdade social e oposição de uma cada vez maior parcela da população ao regime, que de modo similar ao que ocorria simultaneamente no Afeganistão, não via com bons olhos a secularização promovida e celebrada. Em janeiro de 1978, começam protestos populares no país, incluindo o incêndio no Cinema Rex em 19 de agosto daquele ano, em que 420 pessoas morreram, no que foi considerado o maior ataque terrorista em todo o mundo até 1990.

Com tantos problemas, o governo declinou à chance de sediar os jogos de 1984 que foram para Los Angeles como candidata única. Em janeiro de 1979, com o agravamento da situação, e com câncer, o Xá Reza Pahlavi rodou o mundo - Egito, Marrocos, México - até finalmente chegar aos EUA para nunca mais voltar a seu país de origem.

Inauguração dos Jogos Asiáticos de 1974 serviu como teste para candidatura Olímpica e culto à personalidade do Xá Pahlavi; nenhum sobreviveria a década - Foto: Reprodução




A entrada do Xá Pahlavi em solo americano que aconteceu depois de difíceis negociações teria efeitos drásticos que duram até hoje.

O líder iraniano em exílio sabia ter câncer, mas escondeu sua situação médica real para justificar sua admissão nos Estados Unidos sob o pretexto de não estar sendo bem cuidado no México. O presidente democrata Jimmy Carter não queria saber de jeito nenhum de Pahlavi em seu país, mas cedeu sob pressões do antigo Ministro republicano Henry Kissinger e figura mais influente da política externa americana.

Pahlevi foi usado como peão em troca de um apoio da aprovação de um pacto de desmilitarização americano-soviético desejado pelo presidente. Apesar da vitória em curto prazo acabou manchando a presidência de Carter, que foi derrotado facilmente por Ronald Reagan quando tentou a reeleição. Mas para entender isso, precisamos voltar ao Irã:

Quartel-General do Aiatolá Ruhollah Khoomeini no dia do seu retorno - foto: AP 


Lembra quando Pahlavi saiu do país, em janeiro de 1979? Pois bem, 15 dias depois da saída de Pahlavi, outra figura central para a história iraniana voltava à nação: o Aiatolá Khomeini retornava triunfalmente em 1º de fevereiro ao Irã depois de 14 anos de exílio para liderar as massas nos protestos. Quando os militares retiraram apoio ao governo, o caminho ficou aberto para a Declaração de uma República Islâmica no Irã em abril de 1979, aprovada por referendo em dezembro.

A maior revolução do fim do século XX altera o jogo de poder mundial

Em 14 de fevereiro de 1979, no auge da revolução iraniana, a embaixada norte-americana foi sequestrada por militantes esquerdistas e Kenneth Kraus, um marine americano, foi sequestrado, torturado e acusado de assassinato. O ministro das relações exteriores do Irã Ebrahim Yazdi conseguiu convencer a população a liberar o prédio, enquanto o governo americano negociou durante seis dias a liberação de Kraus.

Durante o resto de 1979, os Estados Unidos conseguiram manter um bom diálogo com o governo interino, navegando com relativo sucesso nas ondas, apesar de ter seu staff reduzido depois do que ficou conhecido como "Open House do Dia dos Namorados", já que aconteceu no Dia de São Valentim. 

Porém, um grupo denominado Estudantes Mulçumanos Seguidores da Linha do Imã (em tradução livre), decidiu fazer uma ação de barulho e ocupar uma embaixada das duas grandes potências que ainda tentavam influenciar nos rumos da revolução. Os militantes se dividiram sobre se deveriam invadir a Embaixada Soviética, por ser um país marxista e anti-religioso, ou a representação de Washington em Teerã.

A opinião do líder Ebrahim Asgharzadeh acabou prevalecendo e o grupo decidiu invadir a Embaixada dos EUA. Quando o Xá foi recebido nos EUA em outubro de 1979 foi o estopim necessário, não só para a invasão, mas para o apoio popular. O que deveria ser um acontecimento de alguns semanas, no máximo, durou 444 dias, até que coincidentemente minutos após a inauguração de Ronald Reagan como Presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 1981, os reféns foram liberados. Muitas teorias da conspiração existem até hoje no evento que ficou conhecido nos Estados Unidos como a “surpresa de outubro”, ou seja, algo que repercutiu diretamente nas eleições norte-americanas de novembro de 1980.

A invasão à embaixada foi extremamente popular dentro do país e ganhou o apoio da classe política dominante - Foto: Wtop / Arquivo


Aproveitando-se da confusão no Irã, Saddam Hussein, presidente do Iraque decidiu invadir o país em 22 de setembro de 1980. No que esperava-se ser uma rápida ação contra um exército em frangalhos para recuperar alguns territórios que davam acesso ao Golfo Persa, transformou-se lenta e dolorosamente numa Guerra de oito anos, em que os EUA tanto apoiaram o Iraque quanto o Irã, num escândalo nacional conhecio como Irã-Contras, envolvendo a guerrilha na Nicarágua. 

Como consequência principal, o novo regime iraniano percebeu logo de cara que para garantir sua sobrevivência precisaria tanto investir no seu exército, quanto fortalecer a propaganda interna e externa, aos moldes do que Israel tinha feito com sucesso desde sua fundação. Assim, o Irã viu a necessidade de expandir a influência de seu regime xiita na região, incentivando minorias e militâncias xiitas em vários países da Ásia e África, iniciando um conflito indireto com os países sunitas, em especial a Arábia Saudita.

Desde então, o Irã e Arábia Saudita vivem uma espécie de guerra fria e grupos ligados às duas potências regionais lutam conflitos armados em várias regiões do mundo, como é o caso no Iêmen, discutido em um capítulo précio da Parada das Nações. Tal procedimento é conhecido no mundo diplomático como Guerra por Procuração. 

Atualmente, Azerbaijão, Bahrein, Irã e Iraque, possuem maioria da população xiita, enquanto no Iêmen tais dados não são claros. Apesar do Catar ser maioria sunita, os países sempre possuiram relações cordiais. Quando a Arábia Saudita liderou um bloqueio ao Catar entre 2017 e 2021, a ajuda do Irã foi fundamental na sobreviência diária do pequeno país, fortalecendo ainda mais os laços.

Com a morte do Aiatolá Khomeini em 1989, Ali Khamenei, presidente do país entre 1981 e 1989 foi o escolhido para o posto de Líder Supremo do país. Enquanto as políticas do país podem sofrer alterações significativas de acordo com o presidente, como aconteceu com o reformista Mohammad Khatami (1997-2005) e o conservador e anti-semita Mahmoud Ahmadinejad (2005-2009), o Aiatolá é a principal liderança do país, uma das Teocracias do mundo, em que as regras religiosas estão acima de qualquer política.

O Irã mantêm outras difíceis relações com os EUA e Israel, em estado de beligerância eterna, especialmente a respeito de quem está no poder de um desses países. Ahmadinjead, por exemplo, enfureceu Israel e toda comunidade global ao duvidar do holocausto nazista. Quem não se lembra do temor de uma terceira guerra mundial quando tropas americanas assassinaram Qasem Soleimani em três de janeiro de 2020, líder da Guarda Revolucionária do Irã, principal grupo da nação?

A maior parte dos atuais passa pelo programa de nuclearização do país. Em 2010, a pedido do Presidente Barack Obama para seu colega Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil liderou um acordo com o Irã, em que o país se comprometia a enviar urânio para fora do país. Porém, sob o Presidente Donald Trump, a retórica anti-iraniana ganhou força, obrigando os países europeus a seguir sanções norte-americanas desde 2019 de modo a não prejudicar as relações EUA-UE. 

Irã nos Jogos Olímpicos

O país que hoje conhecemos como República Islâmica do Irã, ou simplesmente Irã, foi representado por vários esportes através dos Jogos Olímpicos, mas levou apenas medalhas em quatro esportes. Levantamento de Pesos e Lutas foram os únicos ganha-pão até 1976, quando participou pela última vez antes da revolução islâmica e eventual guerra contra o Iraque. 

Neste período, que podemos chamar de primeira fase olímpica, apenas oito mulheres competiram pelo país, metade em Tóquio 1964 (três no atletismo e uma na ginástica) e a outra metade em Montreal 1976, através da equipe de florete feminino na esgrima. Isso é interessante para desmistificar uma visão idealizada do papel da mulher na sociedade nacional pré-1979.


O Irã medalhou em todas olimpíadas em que enviou uma delegação, levando dois ouros em Melbourne 1956 e Cidade do México 1968, sendo três na luta livre e um no levantamento de pesos. Ao retornar em 1992 já como República Islâmica do Irã, seguiu a sina de sempre medalhar e voltou ao lugar mais alto do pódio em Atlanta 1996; desde então, a delegação iraniana nunca mais voltou para casa sem um ouro olímpico na bagagem.

Sidney 2000 marcou outro marco para o país, pois nesta edição, o país conquistou pela primeira vez três ouros. A melhor participação da história aconteceu em Londres 2012, originalmente com quatro ouros e 12 medalhas. Com novos testes de doping, o país conquistou três novos ouros no levantamento de pesos: o mais impressionante foi Saeid Mohammadpour que ficou em 5º em Londres, mas com a eliminação dos quatro primeiros levou o ouro, que se tornou a 13ª medalha do país da edição, apenas em dezembro de 2016. Por enquanto, ocupa o 12º lugar geral no quadro de medalhas de Londres.

No Rio de Janeiro 2016, teve a segunda melhor campanha com três ouros e oito medalhas e finalmente obteve sua primeira medalha feminina, com o bronze de Kimia Alizadeh no taekwondo. O taekwondo, aliás, foi o responsável por quebrar a hegemonia de lutas e levantamento de pesos com o bronze de Hadi Saei logo na estreia do esporte em Sidney. Com o seu bicampeonato olímpico em 2004-2008, tornou-se o maior medalhista do país.

Hadi Saei, bicampeão olímpico, venceu Zahra Nemati, bicampeã paralímpica e foi eleito presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Irã - Foto: The Tehran Times



Apenas o levantador de pesos Hossein Rezazadeh também é bicampeão olímpico (2000-2004) e outros dois atletas tem três pódios em Jogos Olímpicos: Mohammad Nassiri, do levantamento de pesos com uma medalha de cada cor (ouro em 19968, prata em 1972, bronze em 1976) e o lutador Gholamreza Takhti, considerado até hoje um herói nacional por seu ativismo político e carisma, campeão olímpico em 1956, e prata em 1952 e 1960, além de quarto lugar em Tóquio 1964.

Um jejum curioso assola o país: desde 1960 o atleta que carrega a bandeira do Irã na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos sai dos Jogos sem qualquer medalha. O único que subiu ao pódio nos Jogos em que foi líder da delegação na estreia foi Mahmoud Namjoo, porta-bandeira em 1952 e 1956, onde conquistou prata e bronze, respectivamente.

O boom econômico e as celebrações dos 2.500 anos em 1971, mencionados acima, trouxe também um desejo para o regime do xá em ser centro das atenções mundiais. Entre os vários eventos que o país sediou nos anos 1970, o mais importante talvez tenha sido os Jogos Asiáticos de 1974, em Teerã, derrotando Kuwait e Tel Aviv no processo de seleção.

O evento deveria ser um teste para a capital sediar os Jogos Olímpicos, como aconteceu no Pan do Rio de Janeiro, em 2007. Após os atentados em Munique 1972 e os problemas financeiros de Montreal 1976, poucas cidades se interessaram em sediar os jogos, e apenas Los Angeles e Teerã tinham feito propostas para 1984. Porém, o Comitê Olímpico do Irã retirou a candidatura a tempo da Sessão do COI em maio de 1978, em resultado dos protestos que começavam a sacudir o país naquele ano.


Os primeiros passos olímpicos em Paris 1900 e o primeiro pódio em Londres 1948

Assim como aconteceu com a Argentina (como você acompanhou aqui) e outros países, o Irã estreou nos Jogos Olímpicos em Paris 1900, representados por apenas um atleta: o esgrimista Freydoun Malkom, que nasceu em Londres e morava em Paris. Ele era um autêntico Príncipe da Pérsia - nome pelo qual era conhecido o país então. O cidadão do mundo terminou apenas em 19º lugar na espada.

Primeira experiência olímpica para o Irã - Foto: Wikipedia

Já sob o nome de Irã, o país enviou finalmente uma delegação completa para Londres 1948, composta por 36 atletas, no boxe, tiro, levantamentos de pesos e luta livre, além da equipe masculina de basquete (acima). Os melhores resultados vieram no levantamento de pesos e luta livre. Mansour Raeisi terminou em quarto lugar na categoria 52kg da luta livre, a uma vitória do pódio.

A primeira medalha foi obtida com Jafar Salmasi, na categoria de 60kg do levantamento de pesos. Sua família vinha do Azerbaijão Ocidental, uma província iraniana na fronteira com a então União Soviética. Professor de uma escola iraniana em Bagdá, capital da vizinha Iraque, que como vimos acima compartilha muito da história com o Irã, Salmasi aprendeu ginástica por conta própria a partir de livros e descobriu o levantamento de pesos em 1944 durante uma viagem a Teerã. Ao vencer o campeonato nacional pela primeira de cinco vezes seguidas ainda naquele ano, se dedicou cada vez mais ao esporte antes de ir a Londres.

Jafar Salmasi, a direita, com o campeão olímpico Mahmoud Fayad e o vice Rodney Wilkes, de Trinidad e Tobago. Na época, a cerimônia de medalhas era no Estádio Olímpico.

Mesmo morando em Bagdá, ele seguiu competindo pelo Irã - levou uma das oito medalhas de ouro do país nos primeiros Jogos Asiáticos em Nova Delhi 1951 – treinava atletas iraquianos até a chegada do poder de Saddam Hussein, o forçando a voltar para o Irã, onde morreu em 31 de janeiro de 2000, aos 81 anos.


Em Helsnique 1952, um recorde que duraria seis décadas

Foto colorizada artificialmente por A. Chiolovski do pódio histórico tanto para o Irã, que conseguiu a dobradinha, quanto para a URSS, com IVan Udovov sendo o primeiro campeão olímpico soviético

Mesmo com uma delegação menor em Helsique 1952, os 22 atletas fizeram bonito, coletando sete medalhas, um recorde que durou 60 anos. Foram 2 pratas e 3 bronzes na luta livre, incluindo bronze para Jahanbakht Tofigh nos 67kg, que seria o primeiro campeão mundial do Irã na luta livre em 1954. Os outros bronzes foram conquistados por Mahmoud Mollaghasemi nos 52kg e Abdollah Mojtabavi nos 73kg. Eles haviam levado prata e bronze, respectivamente, no Mundial de 1951. 

Já os 56kg do levantamento de pesos viu o primeiro pódio duplo da história do país: prata para Mahmoud Namjoo e bronze para Ali Mirzaei, atrás apenas do russo Ivan Udodov, que igualou o recorde mundial do próprio Namjoo, primeiro feito do tipo por um asiático, alcançado no Mundial de Scheveningen 1949, no que foi o começo de um tricampeonato mundial de Namjoo entre 1949 e 1951. Ele levaria ainda a medalha de bronze em Melbourne 1956.

Aos 21 anos, Takhti conquista sua primeira medalha olímpica  - Foto: Mir Abolghasem Farsi / Museu Nacional do Esporte Olímpico e Paralímpico Iraniano


Na Finlândia, o que mais chegou perto da medalha de ouro foi Gholam Reza Takhti, que perdeu na final dos 79kg para o georgiano David Tsimakuridze, representando a URSS. Ele seria bicampeão mundial em 1959 e 1961, sendo que o primeiro título veio em Teerã para delírio dos fãs presentes. Em 1956, ele finalmente conquistou o ouro, desta vez nos 87kg, com vitórias sobre o soviético Boris Kulayev e o norte-americano Peter Blair na fase final.

Por suas lutas políticas sociais e apoio ao primeiro-ministro democrático Mohammad Mossadegh deposto por um golpe militar em 1953, ele era conhecido como Jahān Pahlevān, um título que demonstra uma masculinidade com altos ideais e qualidades morais. Seus rivais o apreciavam pelo fair play e camaradagem. Morreu em 7 de janeiro de 1968, oficialmente por suícido em seu quarto de hotel, mas muitos consideram até hoje ter sido assassinado pela polícia secreta do Xã Reza Pahlavi, por ser um opositor à sua dinastia.



Ciclo olímpico conturbado leva aos ouros em Melbourne 1956

Em Melbourne 1956, a delegação foi ainda menor, talvez reflexo da crise política que atravessava o país desde o Golpe de 1953. O maratonista Ali Baghbanbashi, que havia sido medalhista de ouro nos Jogos Asiáticos de Nova Delhi 1951 nos 5.000m rasos, competia por sua segunda olímpiada, mas não terminou a maratona, enquanto Najmeddin Farabi foi o 12º no decatlo, último dentre os que completaram.

No confronto decisivo, Takthi sagra-se campeão olímpico ao derrubar o soviético  Boris Kulayev - Foto: Mir Abolghasem Farsi / Museu Nacional do Esporte Olímpico e Paralímpico Iraniano


Outros sete levantadores de pesos e oito lutadores estiveram na Austrália, levando 5 medalhas no total. Os dois primeiros ouros do país vieram no dia 1º de dezembro na fase final da luta livre, garantindo o 14º lugar no quadro geral. Além de Gholam Reza Takhti nos 87kg, Eman-Ali Habibi seria o campeão dos 67kg em nova final diante de um soviético, o osseta Alimbeg Bestayev. 

As pratas também vieram na luta livre, com Mohammad Ali Khojastehpur nos 52kg e Mehdi Yaghoubi nos 57kg, enquanto o levantamento de pesos novamente subiu ao pódio, desta vez com o bronze de Mahmoud Namjoo, sua segunda medalha olímpica.


Último pódio para o Atleta do Século em Roma 1960


Em Roma 1960, o boxe e tiro iraniano voltaram a ser representados nos Jogos Olímpicos, mas assim como o atletismo passou em branco. Nenhum dos 25 atletas do país subiu ao lugar mais alto do pódio, mas quatro levaram medalhas.

A única prata viria com o herói nacional Gholamreza Takhti. Um ano depois do primeiro título mundial em Teerã, ele era um dos favoritos para o bicampeonato olímpico, e parecia imbatível ao vencer os cinco primeiros combates por queda, marcando 0 pontos negativos, um formato antigo de disputa que privilegiava a regularidade. 

O turco Ísmet Atli venceu suas cinco lutas por decisão, e mesmo com 5 pontos negativos, teria a chance de levar o ouro, se vencesse a final, mesmo que terminasse com pontuação inferior. E foi o que aconteceu, novamente por decisão. Takhti conquistaria o bicampeonato mundial no ano seguinte e terminaria apenas em quarto lugar em Tóquio 1964, encerrando sua carreira com um ouro e duas pratas em Jogos Olímpicos.

Pela primeira vez o Irã enviou representantes na Luta Greco-Romana e já subiu ao pódio, com o bronze de Mohammad Paziraei, na categoria 52kg. Ebrahim Seifpour levou bronze também nos 52kg, mas na luta livre. Ele seria duas vezes campeão mundial, mas em categorias superiores: em Yokohama 1961 nos 57kg e em Manchester 1965 nos 63kg.

Pela quarta Olimpíada seguida, o halteroflismo iraniano levou medalha, com o bronze de Esmaeil Elmkhah nos 56kg.


Finalmente, as mulheres vão aos jogos em Tóquio 1964

Na primeira Olimpíada asiática, o Irã levou sua maior delegação para Tóquio 1964, com 63 atletas em 10 esportes, incluindo participações inéditas em ciclismo de estrada, futebol, ginástica artística, natação e saltos ornamentais, além do retorno da esgrima depois de 1900.

De forma inédita, mulheres iranianas disputaram os Jogos Olímpicos: Coube a Simin Safameh a honra de ser a primeira atleta de seu país a competir no Estádio Olímpico, nas eliminatórias do salto em distância em 14 de outubro e dos 100m no dia seguinte. Também no dia 15, Nazli Bayat Makou participou do salto em altura, ao lado de Aída Santos, que por sua vez fazia história para o Brasil, enquanto no dia 19. Juliette Geverkof competiu no lançamento de disco e no dia 20 no arremesso de peso. Completou a delegação feminina Jamileh Sorouri, com 14 anos e até hoje única ginasta mulher do Irã a tornar-se uma atleta olímpica.

No boxe, Keramat Nadimi buscava conquistar a primeira medalha na modalidade para seu país nos 63,5kg, mas caiu nas oitavas para o brasileiro João Henrique da Silva nas oitavas. O levantamento de pesos iraniano interrompeu a sequência de quatro olimpíadas com medalhas. Quem chegou mais perto foi Parviz Jalayer, sétimo lugar nos 67,5kg. Medalhista de bronze no mundial em Berlim Oriental 1966 e campeão asiático no mesmo ano em Bangkok, ele conquistaria finalmente a tão sonhada medalha na Cidade do México 1968, com a prata olímpica.

Coube à luta livre o dever de novamente levar o Irã ao quadro de medalhas. Campeão mundial de 61kg, Mohammad Ali Sanatkaran, venceu os cinco primeiros combates mas na fase final empatou contra os companheiros de pódio, terminando com o bronze e uma cara fechada:

Foto: Comitê Olímpico Iraniano



Um pouquinho mais feliz no pódio foi Ali Akbar Heidari, que tropeçou logo na primeira rodada ao empatar com o paquistanês Muhammad Niaz-Din, mas conseguiu se recuperar e levou a medalha de bronze nos 52kg. Curiosamente ele terminou a competição invicto, mas por ter tido um outro empate e vencer a maioria das suas competições por decisões de árbitros foi acumulando pontos negativos no caminho.

Foto: Comitê Olímpico Iraniano

Mansour Mehdizadeh, três vezes campeão mundial em 1961, 1962 e 1965, ficou em quarto lugar nos 87kg da luta livre e o herói nacional Gholamreza Takhti perdeu a chance de levar uma até hoje inédita quarta medalha olímpica para o Irã terminando em quarto lugar nos 97kg, categoria acima da qual conquistou seus outros pódios. Seria sua última Olimpíada antes de morrer em janeiro de 1968 e entrar definitivamente para o imaginário da nação.


No México 1968, hino imperial toca pela última vez em um pódio olímpico


Depois da pujança em Tóquio, uma delegação muito mais modesta, com apenas 14 atletas, todos homens, cruzou o mundo para disputar Cidade do México 1968. Curiosamente, assim como em 1956, menos atletas significou mais medalhas: foram 5 pódios, incluíndo 2 ouros e o 19º lugar no quadro geral. Novamente apenas levantamento de pesos e luta livre garanti pódio e pela primeira vez o país sagrou um campeão olímpico em cada esporte.

Parviz Jalayer nos Jogos Asiáticos de Bangkok 1966, no qual foi medalhista de ouro


O levantamento de pesos voltou ao pódio com toda pompa: além da prata de Parviz Jalayer nos 67,5kg, Moahmmad Nassiri levou a tão sonhada medalha de ouro nos 56kg em 13 de outubro de 1968. Na época os Jogos Olímpicos também valiam como campeonato mundial e foi o primeiro de cinco títulos entre 1968 e 1974. Ele se tornaria o primeiro iraniano da modalidade a levar três medalhas olímpicas nos anos seguintes, com a prata em Munique 1972 e bronze em Montreal 1976, desta vez numa categoria abaixo, 52kg. Também foi tricampeão dos Jogos Asiáticos, em Bangkok 1966 e 1970 e Teerã 1977.

Da esq. para dir.: Imre Foldi, da Hungria,  Mohammad Nassiri e Henryk Trebicki, da Polônia - Foto: Mauritius Images / TopFoto
 
 
Abdollah Movahed levou o ouro nos 70kg da luta livre no que seria a última vez que a bandeira imperial com o leão dourado seria elevada ao lugar mais alto do pódio. Foi o coroamento de um domínio completo na categoria de 70kg/68kg: Além da glória olímpica em 20 de outubro de 1968 na Cidade do México, ele foi pentacampeão mundial entre 1965 e 1970.

As duas medalhas de bronze no México vieram com Abdoutaleb Talebi nos 57kg e Shamseddin Seyed-Abbasi nos 63kg. O ano de ouro de Seyed-Abbasi seria 1970, com o título mundial em Edmonton, Canadá e nos Jogos Asiáticos em Bangkok 1970, enquanto Talebi levaria também bronze em três mundiais consecutivos entre 1966 e 1969. Ali-Mohammad Momeni terminou em quarto lugar nos 78kg.


Vitória sobre o Brasil de Falcão em Munique 1972


Em Munique 1972, o Irã enviou 50 representantes, inclusive 19 jogadores de futebol, que apesar da vitória em Regensburg por 1 a 0 sobre o Brasil, liderado por Falcão, não passaram de fase. O time persa também passou em branco em atletismo, boxe, ciclismo - pista e estrada - e esgrima. Novamente o ganha-pão do país foi levantamento de pesos e lutas, com duas pratas e um bronze.

Ghelichkhani salva gol em vitória iraniana contra Brasil na pequena cidade da Alemanha Ocidental - - Foto: Takhtejamshidcup.com


No levantamento de pesosMoahmmad Nasiri não conseguiu levar o bicampeonato olímpico, mas ficou com a prata nos 56kg. Nasrollah Dehnavi, que foi campeão nos Jogos Asiáticos de Bangkok em 1970, ficou muito perto do bronze, mas ao falhar em quatro de seis tentativas do arremesso e arranque, terminou em quinto lugar nos 67,5kg. A novidade ficou por conta de Mohammad Reza Nasehi, nos 52kg: apesar de seu 10º lugar nos 52kg, ele foi o primeiro iraniano a ser desqualificado por doping, pelo uso de efedrina. Ele também foi o primeiro levantador de pesos a ser punido por doping em Jogos Olímpicos, já que os testes começaram apenas em 1968.

Da esq. para dir: Rahim Aliabadi, Irã; Gheorghe Berceanu, Romênia; Vladislav Kustov, URSS, no pódio do mundial de 1969 em Mar del Plata. Berceanu e Aliabadi repetiriam suas posições em Munique - Foto - Wikipedia / Ardabil Photo


Os lutadores Rahim Alibadi e Ebrahim Javadi garantiram as outras medalhas do país. Alibadi, dos 48kg, vice-campeão mundial em 1969, foi prata e levou a segunda medalha da história na Greco-Romana. Javadi levou o bronze nos 48kg da luta livre. Foi a única ‘queda’ dele entre 1969 e 1974, anos em que levou dois ouros nos Jogos Asiáticos (Bangkok 1970 e Teerã 1974) e tetra-campeonato mundial entre 1969 e 1973 - este título em Teerã, lhe valendo uma inclusão no Corredor da Fama da então Federação Internacional de Lutas (FILA), atual United World Wrestling (UWW).

Moslem Eskandar-Filabi conquistou sua melhor colocação olímpica, com um quarto lugar na luta livre acima de 100kg. Ele seria o porta-bandeiras da delegação iraniana em 1976 e conquistou um feito curioso: foi medalhista de ouro tanto na Luta Livre quanto na Luta Greco-Romana nos Jogos Asiáticos de Teerã em 1974, além de ter sido ouro nos pesados da Luta Livre em Bangkok 1966 e 1970.


Montreal 1976 recebe maior delegação da história e último confronto Irã vs. Israel




Montreal 1976 viu a maior delegação da história do Irã, com 86 atletas, um recorde até hoje. Assim como 12 anos antes, quatro mulheres competiram, desta vez com a equipe de florete feminino na esgrima, que terminou em nono lugar. Curiosamente, foi a última vez que Irã e Israel duelaram em Jogos Olímpicos, pelo torneio individual. Mahvash Shafaei (acima), medalhista de prata nos Jogos Asiáticos de Teerã 1974, perdeu todos seus jogos no Grupo H, inclusive para Nili Drori por 5 a 3.

Time do Irã de Polo Aquático, campeão dos Jogos Asiáticos de 1974 em Teerã - Foto: Aram Eidipour / Waterpolo Legends


Pela primeira e única vez, o Irã participou do pólo aquático, perdendo todos os jogos. Novamente participando do torneio de futebol, desta vez o time teve um melhor desempenho, caindo nas quartas. O país também foi representado no atletismo, boxe, ciclismo - estrada e pista - esgrima, levantamento de pesos, luta greco-romana, luta livre e tiro. E adivinha quais esportes levaram as duas medalhas do país?...

Mohammad Nassiri completou sua coleção com sua terceira medalha, desta vez de bronze no levantamento de pesos até 52kg para fazer companhia ao ouro de Mexico 1968 e prata de Munique 1972. Já na luta livre, Mansour Barzegar fez jus a seu título mundial em 1973 e vice em 1975, além do ouro asiático em Teerã 1974 com uma medalha de prata nos 74kg.

Mohsen Farahvashi, campeão mundial em 1973 e asiático em 1974, era um dos favoritos para medalha nos 57kg, mas terminou em quarto lugar. Ramezan Kheder, vice mundial em 1974 era outra esperança de medalha, mas ficou em quinto nos 57kg.



Retorno ao mundo olímpico em Seul 1988


Dia 20 de agosto de 1988, o Irã aceitou o cessar-fogo promovido pelas Nações Unidas e finalmente voltou a competir nos Jogos Olímpicos, menos de um mês depois, pela primeira vez sob o nome de República Islâmica do Irã.  

Doze anos depois da última participação, o esporte no Irã havia mudado muito. 27 atletas foram para Seul, todos homens e quatro deles para a disputa de taekwondo, esporte de exibição e cujas medalhas não contam como oficiais. Feisal Danesh levou o bronze nos 58kg, enquanto Fariborz Danesh (50kg) e Mansour Bagheri (+83kg) terminaram em quinto. Hassan Zahedi, carregou a bandeira mas não participou da pesagem e foi eliminado.   

Mais uma vez o atletismo e ciclismo de pista e estrada contou com a presença do Irã e novamente eles tiveram uma participação mediana. 15 lutadores do país estiveram na Coreia do Sul.

O destaque foi a prata olímpica conquistada por Askari Mohammadian nos 57kg, campeão dos Jogos Asiáticos de 1986. Ele seria vice-campeão mundial em 1989 e levaria uma nova medalha de prata olímpica, desta vez nos 62kg de Barcelona. Ele carregou o campeão olímpico Sergey Beloglazov, da URSS, nos braços em uma das cenas mais curiosas dos jogos: 



Akbar Fallah que seria campeão mundial em 1993, perdeu a disputa de bronze nos 62kg em Seul.


Oportunidades perdidas em Barcelona 1992 


40 atletas iranianos foram para Barcelona 1992, incluindo três no taekwondo - esporte de exibição - incluindo Fariborz Askari, prata nos 70kg e Reza Mehmandoust, bronze nos 76kg, mas as medalhas não contam oficialmente. Entre os esportes representados, destaque para o primeiro mesatenista olímpico do país, Ebrahim Alidokht que caiu num grupo da morte com o brasileiro Hugo Hoyama, o belga Jean-Michel Saive e o russo Dmitry Mazunov, perdendo todos os jogos. Cinco atletas representaram o Irã no levantamento de pesos, mas nenhum deles ficou entre os 16 melhores.

Mais uma vez, a luta livre salvou a campanha iraniana na Espanha. Askari Mohammadian, único medalhista olímpico do país por 16 anos,  dominou o Grupo B e chegou à final dos 62kg, mas perdeu o ouro para o norte-americano John Smith. Três outros lutadores iranianos disputaram o bronze: Ali Akbarnejad, que seria campeão dos Jogos Asiáticos de 1994, terminou em quarto nos 68kg, mas os irmãos Amir Reza Khadem e Rasoul Khadem, então com 22 e 20 anos, levaram medalhas de bronze, nos 74kg e 82kg respectivamente.

Mohammad Hossein Mohammadian, filho de Askari Mohammadian seguiu a carreira do pai, sendo bronze no mundial de 2014 (foto) - Foto Tasmin Agency 


Alireza Soleimani, porta-bandeira na cerimônia de abertura na Catalunha, era uma das principais esperanças de medalha, por ter sido o campeão mundial em 1989, campeão dos Jogos Asiáticos em Seul 1986 e campeão asiático por cinco vezes entre 1981 e 1991, mas teve que se contentar com o sexto lugar. Majid Torkan era outro campeão mundial (em 1990), medalhista de ouro em Seul 1986 e tres vezes campeão asiático entre 1983 e 1991, se aposentou sem a sonhada medalha olímpica. Em Barcelona ele terminou em sétimo nos 52kg.


A medalha perdida iraniana mais estranha certamente foi de Reza Simkhah, vice-campeão mundial em 1991 nos 48kg e que estava invicto em seu grupo nos 48kg da Luta Greco-Romana. Porém, no último dia da etapa classificatória ele não pesou abaixo dos 48kg e  já garantido para a disputa do ouro ou bronze, acabou eliminado antes da final do grupo contra o italiano e eventual bicampeão olímpico Vicenzo Maenza, terminando apenas em sexto lugar.



Em solo ameriano, Atlanta 1996 assiste primeiro ouro revolucionário


Dois anos do jogo de futebol histórico na Copa do Mundo de 1998, Irã viajou para os Estados Unidos, país com o qual não tem relações diplomáticas desde a invasão da embaixada norte-americana de Teerã em 1979 e chegou a disputar uma medalha de ouro. Apesar da atenção especial pela mídia a respeito disso, o esporte já estava promovendo uma relação entre os países há alguns anos e os lutadores iranianos já haviam disputado com sucesso o mundial de Lutas em Atlanta 1995.


O país foi representado nos Estados Unidos por 18 atletas, menor delegação desde 1964 em atletismo, boxe, judô, luta greco-romana, luta livre, natação e tiro. A atiradora Lida Fariman foi a primeira mulher a competir pelo Irã em 20 anos e carregou a bandeira na cerimônia de abertura. Com exceção da luta livre, o destaque ficou com o boxeador Bobak Moghimi que caiu nas quartas-de-final dos 63,5kg em derrota por 13 a 8 para o cazaque Bulat Niyazymbetov, enquanto o judoca Amir Ghomi venceu duas lutas no 71kg e terminou em nono.

Depois de 28 anos, o Irã levou uma medalha de ouro olímpica em Atlanta, hasteando pela primeira vez a bandeira revolucionária ao lugar mais alto do pódio. O hino adotado em 1990 pelo Aiatolá Khamenei foi tocado também de forma inédita quando Rasoul Khadem levou o ouro nos 90kg da luta livre em 2 de agosto de 1996.

Mohammad Khadem, ao meio, atleta olímpico de Roma 1960, recebe beijo dos filhos medalhistas olímpicos Rasoul e Amirreza Khadem - Foto: Tehran Times

Dois dias antes Amir Reza Khadem, irmão mais velho de Rasoul, faturou o bronze nos 82kg e Abbas Jadidi foi prata na luta livre para homens até 100kg. Jadidi seria campeão mundial em 1998, em Teerã e levaria uma medalha de ouro nos Jogos Asiáticos em Bangkok 1998. Gholamreza Mohammadi, vice-campeão mundial em 1993 e 1995, teve que se contentar com o quinto lugar nos Jogos.

Amir Reza, campeão mundial em 1991, terminaria em quarto lugar em 2000 e foi eleito para o Parlamento do Irã em 2004, sendo atual Vice-Ministro de Esportes e Juventude desde 2013. Já Rasoul foi campeão mundial em 1991, mas na categoria juvenil, e tornou-se bicampeão mundial no adulto em 1994 e 1995, sendo Presidente da Federação de Wrestling do Irã entre 2014 e 2018. Ambos foram treinados por seu pai Mohammad Khadem, vice-campeão mundial em 1962 e oitavo colocado em Roma 1960.



Taekwondo entra para o rol de esportes nacionais na virada do século


35 atletas iranianos foram para Sidney 2000, incluindo apenas a décima mulher olímpica da história do país, Manijeh Kazemi, também no tiro. Pela primeira vez o país foi representado em canoagem e hipismo e o levantamento de pesos voltou depois de um longo hiato, com força total: ouro para Hossein Tavakkoli nos 105kg, e para Hossein Rezazadeh nos +105kg. Alireza Davir levou o terceiro ouro do país - um recorde até então - na luta livre 58kg, enquanto o país ganhou bronze na estreia do taekwondo, com Hadi Saei nos 68kg. Seria a primeira de três medalhas para Saei, o principal medalhista da história do país, que havia sido campeão mundial em 1999.

Apesar da falta de pódios, o judô iraniano apareceu para o mundo com Arash Miresmaeili, quinto lugar nos 66kg, e Kazem Sarikhani, sétimo lugar nos 81kg. Miresmaeili, atual Presidente da Federação Iraniana de Judô seria bicampeão mundial em 2001 e 2003 e apesar da falta de medalha olímpica, entraria para a história para o esporte olímpico iraniano de vez em 2004, como veremos em breve.

Pela primeira vez desde 1976, o levantamento de pesos subiu ao pódio. O esporte que havia obtido apenas um ouro para o país, em 1968, triplicou o número de conquistas com os dois ouros por Hossein Tavakkoli nos 105kg e Hossein Rezazadeh nos acima de 105kg, levando a alcunha de ‘homem mais forte das Olimpíadas’. Ele seria bicampeão olímpico em 2004, e um dos principais atletas do país, com quatro títulos mundiais entre 2002 e 2006 e seria uma celebridade até sua aposentadoria devido a problemas de saúde às vésperas de Pequim 2008, sendo eleito vereador de Teerã entre 2013 e 2017.

Dentre as decepções iranianas no ressurgimento olímpico do Levantameento de Pesos estava Shahin Nassirinia, campeão mundial em 1999, que se machucou na primeira tentativa e precisou abandonar. Quarto colocado em Atenas 2004, aposentaria sem a medalha olímpica. Kourosh Bagheri terminou em quarto lugar nos 94kg do levantamento de pesos e seria campeão mundial em 2001.



O ouro de Alireza Dabir (foto acima), campeão mundial em 1998, foi a única medalha na luta livre. Mohammad Talaei, campeão mundial em 1997, ficou em 4º lugar, mesma colocação de Amir Reza Khadem e Abbas Jadidi, medalhistas olímpicos quatro anos antes.



Primeiro bicampeonato olímpico marca Atenas 2004 positivamente...


38 atletas foram para o local dos primeiros Jogos Olímpicos e subiram seis vezes ao pódio na Grécia: 2 ouros, 2 pratas e 2 bronzes, melhor coleta de medalhas desde 1952. Pela quinta edição, o Irã ganhou ouro. Depois da Oceania (Melbourne 1956 e Sidney 2000) e Américas (México 1968 e Atlanta 1996), finalmente o Irã levou um ouro olímpico na Europa. Novamente apenas uma mulher representou o país no tiro, Nasim Hassanpour.

A luta livre foi a responsável por metade das medalhas iranianas na Grécia. Alireza Heidari, dono de cinco medalhas em mundiais, incluindo o título mundial em 1998 e tricampeão dos Jogos Asiáticos entre 1998 e 2006, levou a medalha de bronze nos 96kg em sua segunda participação olímpica depois do sexto lugar em 2000, passando pelo brasileiro Antoine Jaoude no caminho. Alireza Rezaei e Masoud Mostafa-Jokar levaram medalhas de prata no 60kg e 120kg, respectivamente.




A entrada do taekwondo ao programa olímpico provou ser muito frutífera para o Irã. Hadi Saei, que havia sido bronze em 2000, levou a medalha de ouro nos 68kg - ganhando do brasilerio Diogo Silva nas quartas de final. Já Yousef Karami, campeão mundial na categoria não-olímpica de 84kg, teve que abaixar seu peso e foi medalhista de bronze nos 80kg. Morteza Rostami, campeão mundial em 2003, não participou dos Jogos Olímpicos devido ao limite de dois atletas por gênero por país.

Na Luta Greco-Romana, a maior decepção foi Hassan Rangraz, campeão mundial e “Esportista Iraniano do Ano” em 1380 - equivalente ao ano gregoriano de 2001-2002, não passou nem da fase de grupos nos 55kg. Ali Ashkani, considerado uma das maiores promessas do esporte do país, ficou de fora do pódio em sua segunda e última olimpíada.

No levantamento de pesos, destaque óbvio para o bicampeonato olímpico inédito com direito a recorde mundial no arremesso por Hossein Rezazadeh, na categoria acima de 105kg e novamente considerado o homem mais forte dos Jogos Olímpicos. Mohammad Hossein Barkhah, duas vezes medalhista de bronze em mundiais, ficou em quinto lugar nos 77kg, muito próximo do terceiro lugar.




Mais uma vez, o judô iraniano quase ganhou uma medalha, com o quinto lugar de Masoud Haji Akhondzadeh nos 60kg e Mahmoud Miran nos +100kg. Mas seria outro judoca iraniano o responsável pela maior história do país nos jogos.



....mas boicote no judô é a grande manchete

Desde a fundação do Estado de Israel em 1948, várias nações árabes protestaram contra a política da ONU que retirou terras do controle palestino. As várias guerras na segunda metade do século XX agravaram a situação, colocando o Estado judeu em conflito com seus vizinhos mulçumanos. Com a intensificação da beligerância, Israel foi expulsa de várias federações asiáticas na década de 1960 e teve que se abrigar nos grupos europeus (saiba mais no capítulo dedicado a Israel). 

Desde sempre, adversários de países que mais do que rivais, são inimigos da presença sionista no Oriente Médio se recusavam a disputar jogos contra Israel, usando o mesmo princípio das sanções contra a África do Sul na época do apartheid. Foi assim que Israel participou de sua única Copa do Mundo de Futebol em 1970, quando a Coreia do Norte, quadrifinalista de 1966, abandonou a disputa decisiva contra Israel.

Porém, em geral esses casos eram em fases preliminares ou em torneios menos importantes e tinham pouco impacto tanto no resultado esportivo quanto na mídia. Tudo mudou em 2004 quando o judoca Arash Miresmaeili, bicampeão mundial, apareceu 2kg mais pesado que os 66kg permitidos e não enfrentou o israelense Ehud Vaks na estreia.


Miresmaeilli carregou a bandeira, mas não competiu

O mundial de judô em Munique 2001 foi simbólico por várias razões para o Irã. Não só vieram as primeiras medalhas do país na modalidade, com o  bronze de Seyed Mahmoudreza Miran (acima de 100kg) e título de Miresmaeili, mas também Mahed Malekmohammdi e Haji Akhoundzade se recusaram a enfrentar os israelenses Yoel Razvozov e Zvi Shafran.

O que era algo conhecido por parte dos especialistas em esporte não só virou assunto internacional com o que aconteceu em Atenas, mas feriu o tão exaltado espírito olímpico de camaradagem entre atletas e nações. Mais ainda, afetou diretamente o andamento da prova, e seria uma das principais notícias de Atenas 2004.

Miresmailli disse que estava preparado “mas recusei enfrentar meu adversário israelense por simpatizar com o sofrimento do povo da Palestina”. e suas ações foram comemoradas em seu país. O governo deu a ele 125 mil dólares, o mesmo prêmio dado aos campeões olímpicos Hadi Saei e Hossein Rezazadeh. A Federação Internacional de Judô (IJF) abriu uma investigação, mas como nem os dirigentes nem Miresmaeilli assumiram o caso na época, nada aconteceu, por falta de provas.

O judoca ainda ganharia duas medalhas de bronze em mundiais (2005 e 2007) mas terminou em 9º lugar em Pequim 2008. Ao apoiar Mohsen Rezaee na disputa presidencial contra Mahmoud Ahmadinejad em 2009 citando corrupção e interferência dentro da política esportiva do país, Miresmailli sofreu sanções e anunciou aposentadoria em janeiro de 2009. Porém, em 2019 foi eleito Presidente da Federação de Judô do Irã, tendo que lidar com a maior crise do país (veja no nosso último capítulo abaixo).


Taekwondo vira protagonista em Pequim 2008


55 atletas representaram o Irã em Pequim 2008, um aumento em comparação com os últimos anos. Desta vez, três mulheres compuseram a delegação, em esportes diferentes, um feito inédito: tiro com arco, remo e taekwondo. A remadora Homa Hosseini foi a segunda mulher de seu país a carregar a bandeira na cerimônia de abertura.

O judô iraniano que já era presença constante em finais de mundiais ficou perto do pódio inédito, esbarrando no estilo latino-americano. Ali Maloumat perdeu o bronze para o brasileiro Leandro Guilheiro nos 73kg e Mohammad Reza Roudaki caiu para o cubano Oscár Brayson na disputa de bronze dos +100kg. Miresmaeilli finalmente entrou no tatame mas terminou em um decepcionante 9º lugar.

Leandro Guilheiro comemora bronze, que negou medalha olímpica até hoje não conquistada pelo judô iraniano - Foto: Olivier Morim/AFP


A medalha inédita no boxe também ficou no quase, com a derrota de Morteza Sepahvand nas quartas-de-final para o dominicano Félix Manuel Díaz, que levaria o ouro. O Levantamento de Pesos iraniano pela única vez nos anos 2000 ficou fora do pódio. A participação do wrestling iraniano foi muito mais discreta e apenas dois lutadores livres entraram na briga por medalhas. Coube a Morad Mohammadi, campeão mundial em 2006, o único pódio do país na tradicional modalidade, com o bronze nos 60kg.


Desta vez, o taekwondo foi o principal esporte do país. Hadi Saei foi soberano nos 80kg para se tornar bicampeão olímpico, repetindo o feito do halterofilista Hossein Rezazadeh em 2000-2004, e se tornando apenas o segundo atleta do país a ter três medalhas olímpicas.


Londres 2012 marca a melhor campanha do Irã...

53 atletas foram para a capital britânica, incluindo 8 mulheres, no que seria a melhor campanha disparada do país em sua história por uma delegação muito mais jovem do que as anteriores. 13 medalhas foram conquistadas na campanha de Londres 2012, sendo sete ouros, mas o hino do país foi tocado apenas quatro vezes e apenas 12 atletas subiram ao pódio. Entenda a confusão abaixo.  Vamos falar da parte 'fácil' primeiro.

O atletismo se tornou o quarto país a trazer uma medalha para o Irã, com a prata de Ehsan Haddadi no lançamento de disco. Campeão mundial juvenil em 2004, era dominante na Ásia, mas conseguiu seu primeiro resultado importante em nível global com o bronze no Mundial de 2011 depois de ter tido uma campanha decepcionante em Pequim

Hadadi comemora o bronze no Mundial de 2011; no ano seguinte alcançaria a glória olímpica, e quase bateu o alemão Harting - Foto: World Athletics


Em Londres, ele chegou a liderar a competição com seus 68,18m iniciais, até o alemão Robert Harting lançar 68,27m na quinta tentativa e faturar o ouro.

A bandeira foi carregada pelo boxeador Ali Mazaheri, que foi punido pelo árbitro em sua estreia enquanto vencia o cubano José Larduet por 6 a 4, quando recebeu advertências em sequência e foi eliminado, acusando a organização e o juiz de conluio para sua desclassificação.

Sem o bicampeão olímpico Saei, as esperanças do taekwondo ficaram com Yousef Karami (80kg), bronze em Atenas 2004 e duas vezes campeão mundial em 2003 e 2011, e Mohammad Bagheri Motamed (68kg) campeão mundial em 2009 e vice em 2011.


Assim como em 2004, o brasileiro Diogo Silva caiu diante de um iraniano, desta vez na semifinal, por decisão de árbitros (foto acima, da Reuters) e foi o adversário mais difícil de Motamed no caminho de sua final, onde perdeu para o turco Servet Tazegul e levou a prata. Já Karami não teve um dia bom e perdeu seus dois confrontos.

Já o judô iraniano mais uma vez saiu pela porta dos fundos. Classificou apenas dois atletas, e Javad Mahjoub (100kg) oficialmente teve um problema digestivo na véspera do confronto com o israelense Arik Ze’evi enquanto Mohammad Reza Roudaki caiu para o marroquino El Mehdi Maliki.


Hamid Sourian comemora o primeiro ouro do Irã na Luta Greco-Romana em 40 anos - Foto: Larry W Smith/EPA

A Luta iraniana teve uma ótima campanha, levando seis medalhas sendo quatro ouros: Komeil Ghasemi (livre, 120kg), Hamid Sourian (greco-romana, 55kg, foto acima), Omid Norouzi (greco-romana, 60kg), campeão mundial em 2011, e Ghasem Rezaei (greco-romana, 96kg). Sadegh Goudarzi (74kg) ficou com a prata e Ehsan Lashgari (84kg) com o bronze na luta livre


Seis vezes campeão mundial entre 2005 e 2014
, Sourian era um dos favoritos para medalha em 2008 mas terminou em quinto lugar na capital chinesa. O ouro em Londres seria o único da carreira do lutador que se aposentou após a Rio 2016.

Medhi Taghavi, bicampeão mundial em 2009 e 2011 era um dos favoritos mas ficou na estreia diante do cubano Liván López. Reza Yazdani, bicamepão mundial em 2011 e 2013 e tricampeão dos Jogos Asiáticos (2006-14), se contentou com o quinto lugar.


...mas Londres 2012 nunca termina!

Agora chega a parte curiosa, com o Levantamento de Pesos. A delegação iraniana do esporte saiu de Londres com 1 ouro, 2 prata e 1 bronze, mas agora tem 3 ouros e 2 pratas. Tudo por conta dos testes retroativos de antidoping que detectaram infrações antidesportivasdos rivais e melhorou - e muito - a campanha iraniana.

Nos 85kg, Kianoush Rostami levou o bronze na capital inglesa. Mas em junho de 2016, o teste retroativo do russo Apti Aukhadov, medalhista de prata,  deu positivo, e Rostami herdou a medalha.

Nos 105kg, Navab Bassirshalal terminou originalmente em segundo lugar ao levantar 411kg, mas em 2018 foi descoberto que o teste do campeão Oleksiy Torokhtiy (UKR) havia dado positivo. Em dezembro de 2019 ele foi finalmente desclassificado e Bassirshalal levou o ouro retroativo.

Para os levantadores com mais de 105kg algo estranho aconteceu: os resultados não sofreram qualquer alteração desde então. O Irã levou dobradinha ouro-prata pela primeira vez na história - já haviam conquistado prata-bronze em Helsinque 1952-, com Behdad Salimi levando o ouro e Sajjad Anoushiravani ficando com a prata.

Agora nada supera o que aconteceu nos 94kg. Saeid Mohammadpour terminou a competição em 5º lugar, levantando 402kg. Mas em 2016, seis dos sete primeiros colocados foram desqualificados. Sobrou o iraniano, que foi o novo campeão olímpico, um tanto atrasado.


Única medalha olímpica feminina e primeira bicampeã paralímpica  são destaques iranianos na Rio 2016


63 atletas participaram da Rio 2016, no que é até hoje a maior delegação da República Islâmica do Irã, mas ainda longe dos 86 iranianos que estiveram em Montreal 1976, representando o Irã imperial. Pela terceira vez na história uma mulher liderou a entrada do país no Estádio Olímpico, com Zahra Nemati, do tiro com arco

Zahra Nemati competindo no sambódromo durante os Jogos Olímpicos - Foto: Leonhard Föger / Reuters. 

Nemati fez história em Londre 2012 ao ser a primeira mulher campeã paralímpica representando o Irã. No Rio 2016, ela melhorou ainda e não só ao classificar-se tanto para os Jogos Olímpicos quanto para os Jogos Paralímpicos no mesmo ano. No Rio, após ficar em 49º na competição olímpica e sagrou-se bicampeã paralímpica no individual, além de levar uma prata por equipes, sua quarta medalha paralímpica na carreira.

Os 54 homens e 9 mulheres - recorde feminino - participaram de 15 esportes, inclusive a estreia no vôlei. As oito medalhas (3 ouros, 1 prata e 4 bronzes) vieram dos três esportes de destaque: levantamento de pesos, lutas e taekwondo, com Kimia Alizadeh que tornou-se a primeira medalhista olímpica mulher do país. Ela havia sido medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude (YOG) em Nanquim 2014 e ganhou uma medalha histórica de bronze no mundial de taekwondo em 2015. Ainda uma das melhores atletas de seu esporte ela decidiu escapar do regime iraniano e não disputará Tóquio 2020 (leia mais abaixo, no último capítulo do texto).

Por muito pouco, o Irã não levou medalhas inéditas em dois esportes: tiro e esgrima. Elaheh Ahmadi, dona de várias medalhas em Copa do Mundo, repetiu o 6º lugar na carabina de ar de 10m feminino alcançado em Londres 2012 enquanto Najmeh Khedmati ficou em na carabina em 3 posições 50m feminina.

Elaheh Ahmadi ficou muito perto da tão sonhada medalha olímpica - Foto: The Tehran Times


Outro que ficou muito perto da glória foi sabrista Mojtaba Abedini ficou muito perto da glória. Ele havia sido o primeiro esgrimista a representar o país desde 1976 quando caiu na estreia em Londres 2012.  Na Rio 2016 ele venceu o ucraniano Andriy Yahodka, campeão de Baku 2015 e da Universiade de Shenzen 2011, por 15/9, antes de surpreender o antigo líder do ranking e um dos favoritos Gu Bon-Gil, da Coreia do Sul por 15/12. Com a vitória sobre o francês Vincent Anstett nas quartas ele ficou literalmente a um toque da medalha, mas caiu para o norte-americano Daryl Hammer por 15/14 que levaria o ouro e perdeu o bronze para o Kim Jung-hwan, líder do ranking em 2016 e que seria campeão mundial em 2018, terminando em um doloroso quarto lugar.

As glórias do país na Rio 2016, sem surpresas, vieram com o levantamento de pesos e lutas.

No primeiro esporte, Kianoush Rostami levou o ouro nos 85kg, sua segunda medalha depois da prata em Londres, fazendo jus aos títulos de 2011 e 2014 no campeonato mundial. Sohrab Moradi obteve o mesmo resultado, sendo o campeão olímpico nos 94kg. Banido do esporte por dois anos em 2013, ele voltou com força total levando o ouro no Rio e o título dos mundiais de 2017 e 2018, com direito a recorde mundial.

A decepção na modalidade ficou com Behdad Salimi, dentre os acima de 105kg. Tentando repetir o feito do compatriota Hossein Rezazadeh (2000-2004) de ser o ‘homem mais forte das Olimpíadas’ por duas edições seguidas, o campeão de Londres 2012 conseguiu um recorde mundial no arranque e tava com um pódio praticamente garantido, mas não obteve marca no arremesso e ficou de fora da classificação final. Já Ali Hashemi, sétimo lugar nos 94kg, tornou-se bicampeão mundial em 2017 e 2018 na categoria acima.




O terceiro ouro do país no Brasil foi conquistado por Hassan Yazdani (acima) nos 74kg da luta livre. Campeão mundial juvenil em 2014, ele havia sido medalhista de prata no mundial de 2015 e conquistou o ouro no Rio com uma vitória suada sobre o russo Aniuar Gedeuv. Desde então perdeu apenas duas lutas, sendo campeão mundial em 2017 e 2019 e bronze em 2018.

Ouro em 2012, Komeil Ghasemi levou a prata nos 125kg em 2016; Hassan Rahimi, campeão mundial em 2013, levou a medalha de bronze nos 57kg; outros dois bronzes foram conquistados na luta greco-romana, com Saeid Abdevali, nos 75kg e Ghasem Rezaei, ouro em Londres, nos 98kg.


Ciclo olímpico conturbado para Tóquo 2020/1


No período da XXXII Olimpíada, ou seja, estes últimos quatro anos e nove meses, tudo levava a crer que o Irã finalmente levaria sua primeira medalha olímpica no Judô, especialmente com Saied Mollaei, dos 81kg, campeão mundial em 2018 e bronze em 2017, mas também com Mohammad Mohammadi, bronze dos 73kg no mundial de 2018.

Ao ser forçado a perder uma partida na semifinal do mundial de 2019 e não correr o risco de enfrentar Sagi Muki, Mollaei não só resolveu não voltar ao país, quanto foi o primeiro atleta a deliberadamente acusar às autoridades internacionais da prática de atletas, treinadores e dirigentes iranianos de recusar combate. Assim, a IJF baniu o Irã de todos os eventos ainda em 2019. Em fevereiro de 2021, a Corte Arbitral do Esporte revogou a suspensão mas a IJF já deixou claro que buscará em seu livro de regras nova forma de pubição.

Mollaei foi o único atleta iraniano no Mundial de Tóquio, já que o Irã tinha decidido não enviar uma delegação. Em protestos, Mohammadi também resolveu se aposentar aos 28 anos, enquanto Mollaei tornou-se cidadão da Mongólia, por onde competirá em Tóquio. Porém, Mohammadi voltou à seleção nacional e participou da competição que marcou o retono do Irã aos tatames internacionais,  e atualmente tem uma vaga olímpica pela cota continental.

Ainda no judô, o terceiro melhor iraniano da modalidade Javad Mahjoub, que alegou problema digestivo para não enfrentar um israelense na estreia da Londres 2012. Morando no Canadá, passou a defender a Equipe de Refugiados da IJF e deverá aplicar por  uma vaga na Equipe Olímpica de Refugiados.

Em janeiro de 2020 outra baixa para o Irã foi a de Kimia Alizadeh, única mulher medalhista olímpica do país, que se mudou para a Alemanha, justificando sua posição de “uma das milhões de mulheres oprimidas no Irã que estão sendo manipuladas por anos”. Ela disse ainda que “eles me levavam onde eles quisessem, eu vestia tudo o que eles falavam, qualquer frase que eles mandavam eu dizer, eu repetia. Eles me exploravam quando era conveniente”. 

É possível ver a diferença em visual e atitude da lutadora nesta matéria da imprensa alemã quando ela anunciou o desejo de competir pelo país europeu:


Alireza Firouzja, melhor jogador de xadrez do mundo na categoria de 16 anos, é outro iraniano que decidiu não competir mais pela bandeira do país em dezembro de 2019 quando o país se retirou de um campeonato importante para não competir contra israelenses e que hoje disputa torneios como membro independente da FIDE e planeja disputar torneios pela França, país de residência.

Aumentando a lista de defecções, em setembro de 2019, Alireza Faghani, árbitro da Federação Internacional de Futebol (FIFA) com jogos importantes no currículo, como a final olímpica entre Brasil e Alemanha da Rio 2016 e se mudou para a Austrália.


Esportes Populares no Irã


+Lutas

O wrestling é o principal esporte do país, responsável por dois terços das medalhas (43 das 69) e quase metade das medalhas de ouro, com 10 campeões olímpicos. A luta greco-romano e luta livre masculina é uma das principais chances de pódio para o país em Tóquio.

Além do esporte regulamentado e praticado nos jogos olímpicos, há muitos tipos tradicionais de luta através do Irã. O Varzesh-e Pahlavani, por exemplo é uma mistura de luta, ginástica e fisioculturismo - também muito popular no país - que é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Enquanto há competições mais ‘diretas’, a prática do esporte no Irã envolve música, dança e uma participação ativa dos espectadores. Entenda neste especial:



+Taekwondo (e outras Artes Marciais)

O bicampeão olímpico Hadi Saei também é um dos poucos atletas a ter três medalhas. O Irã levou uma medalha no esporte em todas edições desde que o taekwondo foi introduzido no programa olímpico. Um dos destaques do Irã na Rio 2016 foi o bronze de Kimia Alizadeh, primeira e única mulher medalhista olímpica no Irã. O judô ficou perto de levar uma medalha e o caratê iraniano é favorito em algumas medalhas em Tóquio.

+Levantamento de Pesos

Não só gerou a primeira medalha olímpica do país, como 7 dos 8 primeiros ouros do país (e 10 dos 16 primeiros pódios) nos Jogos Asiáticos de 1951. O Irã só pode levar 2 homens e 2 mulheres para os Jogos Olímpicos de Tóquio,por conta dos casos de doping recentes. 

O esporte não possui nenhuma chance clara de medalha agora. Ali Davouid está no bolo para uma vaga ao pódio entre os homens com mais de 109kg, mas um dos maiores favoritismos de Tóquio parece ser o de Lasha Talakhadze nesta categoria. 

Sohrab Morabi, campeão olímpico na Rio 2016 e bicampeão mundial em 2017 e 2018 na categoria 96kg, teve uma série de lesões e não participaria de Tóquio 2020. De volta aos treinamentos, ele corre para o tempo para conseguir pontuações o suficiente para lhe dar uma improvável vaga. 

+Pólo

É possível que o esporte tenha sido criado na Pérsia. Além do esporte ser tradicional tema de pinturas antigas, o poeta Firdowsi descreve torneios reais de polo no nono século. Os cavalos são parte importante da cultura islâmica, mas como o pólo era associado à aristocracia e o Xá Mohammad Reza Pahlavi era um cavaleiro, os esportes equestres caíram em desgraça desde a revolução. 

Porém, pouco a pouco o esporte tem voltado a ser praticado, assim como corridas de jóquei muito populares no país, e existem loterias específicas para elas no Irã, já que apesar de aposta ser proibida pelo Islã, exceções são feitas para tiro com arco, corrida de cavalo e corrida de camelos. 

Atletas de destaque

O Irã já tem 50 atletas em 11 esportes, podendo aumentar em relação aos 63 que foram a Rio 2016, mas parece impossível bater o recorde de Montreal 1976, com 86 representantes. É provável que o recorde de 15 esportes representados, na Rio 2016, seja alcançado.

+Bahman Asgari (Caratê)

Bahman Asgari pode fazer história e ser um dos primeiros campeões olímpicos do caratê - Foto: Presstv

Campeão Mundial em 2018 e Líder do Ranking Mundial dos 75kg, ele é um dos favoritos ao ouro no que pode ser a única participação do caratê em Jogos Olímpicos. Todos iranianos classificados no esporte chegam com fortes chances de medalha: Sara Bahmanyar (até 55kg feminino), 3ª do ranking, Hamideh Abbasali (acima de 63kg feminino), cinco vezes campeã asiática, e Sajjad Ganjzadeh (acima de 75kg masculino), campeão mundial em 2016.

+Hassan Yazdani (Luta livre, 86kg)

Yazdani espera repetir a glória alcançada no Rio em Tóquio - Foto: Tehran Times 

Atual campeão olímpico e bicampeão mundial, Yazdani é a maior esperança de ouro do Irã. Único campeão mundial do país em 2019 ele garantiu sua vaga com uma vitória sobre Kamram Ghasempour na seletiva iraniana que aconteceu em março. Com 96 vitórias e 7 derrotas na carreira, pode atingir a marca centenária em Tóquio. 

A última derrota aconteceu na primeira rodada do Mundial de 2018 para o norte-americano David Taylor, eventual campeão do torneio. Yazdani terminou com o bronze. O iraniano perdeu apenas duas vezes em todo ciclo olímpico, ambas para Taylor, que garantiu sua vaga este mês na seletiva norte-americana, podendo marcar uma final eletrizante com o iraniano pela medalha de ouro. 

Yazdani conquistou o bicampeonato mundial em 2019 - Foto: United World Wrestling




Nenhum comentário:

Postar um comentário