Parada das Nações Tóquio 2020 - Islândia - Surto Olímpico

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Parada das Nações Tóquio 2020 - Islândia

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Pequena ilha entre a Europa e a América do Norte, foi fundada há mais de mil anos, durante a Era Viking, e colonizada por uma população mestiça nórdica e celta. A primeira notícia de assentamento do país data de 874 d.C. e a Islândia é conhecida por ter o parlamento mais antigo do mundo que funciona hoje, o Alþingi (leia-se Alfingi), criado em 930, com breve interrupção entre 1800 e 1844.
    
Apesar disso, o país integrou vários reinados, incluindo o Reino da Dinamarca até 1918 quando Copenhague reconheceu a independência da Islândia pelo período de 25 anos, mas mantendo uma união. Com a invasão da Dinamarca pela Alemanha em 1940, o Reino Unido subsequentemente invadiu o país, rompendo a declarada neutralidade e o governo islandês pediu proteção ao Estados Unidos, ainda fora da  Segunda Guerra Mundial.

Com isso, a Islândia entrou na política de boa vizinhança dos EUA – assim como o Brasil – e foi palco de muitos filmes de Hollywood, como “Bodas do Gelo” (“Iceland” no original), de 1942 estrelando Sonja Henie, norueguesa tricampeã olímpica na patinação artística. Apesar do nome e da fama de país do gelo, a Islândia nunca subiu ao pódio nos Jogos Olímpicos de Inverno.

Em 1944, 97% da população votou pelo fim da união com a Dinamarca e transformou-se em uma república. É o país com menor população por área da Europa. Dentre as curiosidades do país está a formação do nome dos cidadãos que suprime o sobrenome patriarcal: ao nome da pessoa segue-se o nome do pai ou (raramente) da mãe com o sufixo “son” em gênero masculino e “dóttir” em gênero feminino.

Conhecido por ser um país liberal e com forte senso de comunidade, elegeu a primeira líder abertamente LGBT do mundo, Jóhanna Sigurðardóttir, primeira-ministra entre 2009 e 2013.


Trajetória Olímpica


A primeira participação da Islândia aconteceu nos Jogos aconteceu na vizinha Estocolmo, em 1912. Ainda parte do Reino da Dinamarca, Jón Halldórsson correu os 100m e Sigurjón Pétursson terminou em sexto na luta greco-romana, único lutador olímpico da Islândia. Em 1936, a Islândia enviou 12 atletas do atletismo e polo aquático e desde então sempre esteve presente nos Jogos Olímpicos. A maior delegação enviada foi em Seul 1988, com 32 atletas.

O país conquistou quatro medalhas em sua história: Vilhjálmur Einarsson foi prata no salto triplo em Melbourne 1956, perdendo o ouro para Adhemar Ferreira da Silva e chegando a estabelecer um recorde olímpico na final; Bjarni Friðriksson foi bronze na categoria 95kg do judô em Los Angeles 1984; bronze na estreia do salto com vara feminino em Sidney 2000 para Vala Flosadóttir, única mulher medalhista, e a prata do time de handebol masculino em Pequim 2008. 

O atletismo é o esporte mais tradicional da Islândia, especificamente nas provas de campo masculinas: não só a conquista de duas medalhas olímpicas, inclusive a primeira, mas gerou vários campeões europeus e os resultados mais consistentes durante o século XX.

A inclusão do handebol no programa olímpico fez deste esporte a maior chance de medalhas desde a década de 1970, ficando a um gol da final em 1984, chegando em quarto em 1992 e finalmente conquistando a prata em 2008. A natação islandesa despontou com a final olímpica em 2000 e vice-campeonato mundial em 2001 por Örn Arnarson e trouxe os melhores resultados para o país na Rio 2016, com duas finais, e a tendência continua para Tóquio.


Dentre os outros esportes, além do bronze de Bjarni no judô, os outros destaques na história islandesa são Guðmundur Sigurðsson, oitavo lugar nos 90kg do Levantamento de Pesos em Montreal 1976 e o ginasta Rúnar Alexandersson, sétimo lugar na final do cavalo com alças em sua terceira e última participação olímpica. Em busca da segunda medalha em Seul 1988, Bjarni caiu na estreia para o brasileiro Aurélio Miguel, a caminho do ouro olímpico.

Os primeiros destaques femininos vieram apenas em Sidney 2000, com o bronze de Vala no salto com vara e o sétimo lugar de Guðrún Arnardóttir nos 400 metros com barreiras, única final da Islândia em provas de pista de atletismo na história olímpica.

O país se destaca no simpático Jogos dos Pequenos Países da Europa, liderando o quadro geral de medalhas de 9 das 18 edições. Mas enquanto dominou entre 1985 e 2001, desde então apenas saiu vitorioso em Reiquiavique 2015 terminando em terceiro nas duas últimas edições. Apesar disso, ainda lidera o quadro geral histórico, com 498 ouros e 1259 medalhas.


Vala Flosadóttir, única mulher medalhista da Islândia, na estreia olímpica do salto com vara feminino – Foto: Reprodução


Modalidades


+ Atletismo


O atletismo é o esporte mais consistente na história da ilha europeia. O maior nome é Vilhjálmur Einarsson, primeiro medalhista olímpico, prata no salto triplo em Melbourne 1956, estabelecendo um recorde olímpico que seria batido na mesma final pelo campeão Adhemar Ferreira da Silva. Terminou em quinto em Roma 1960. Eleito melhor atleta islandês por um recorde de cinco anos (1956-59, 1961), trabalhava como diretor de escolas e pintor. Seu filho Einar Vilhjálmsson foi lançador de dardo na Olimpíada de 1984, 1988 e 1992, terminando em 6°, 13° e 14° respectivamente e considerado o Atleta Nacional do Ano em 1983, 1985 e 1988.

Dentre outros destaques, estão: Örn Clausen, 12° no Decatlo em Londres 1948 e prata no Europeu de Atletismo de 1950; Torfi Bryngeirsson, campeão no Europeu de Atletismo de 1950; Torfi Bryngeirsson, 14° no salto com vara em Helsinque 1948 e campeão europeu de salto em distância em 1950; Björgvin Hólm, 14° no decatlo em Roma 1960; Valbjörn Þorláksson (Thorlaksson), 12° no decatlo em Tóquio 1964 e atleta do ano em 1959 e 1965; Sigurður Einarsson, quinto no lançamento de dardo em Barcelona 19992, e eleito melhor atleta islandês de 1992; Vésteinn Hafsteinsson, 11º no lançamento de disco em Barcelona 1992; Jón Arnar Magnússon, 12° no decatlo em Atlanta 1996 e melhor atleta do país em 1995 e 1996.

As mulheres ganharam força na virada do século e nas últimas edições alcançaram resultados melhores que os representantes masculinos: Guðrún Arnardóttir, sétima nos 400m com barreira em Sidney 2000, primeira final do país em provas de pista; Þórey Edda Elísdóttir quinta no salto com vara feminino em Atenas 2004; Ásdís Hjálmsdóttir, 11° no lançamento de dardo em Londres 2012. 

Gunnar Huseby, único bicampeão europeu da Islândia, no arremesso de peso em 1946 e 50, perdeu as Olimpíadas de 1948 por lesão e de 1952 por cumprir pena de prisão por agressão e roubo e nunca participou dos Jogos, apesar de ser um dos maiores nomes da história do país.


Vilhjálmur (esq) ao lado dos companheiros de pódio Adhemar da Silva e o soviético Vitold Kryer – Foto: Arquivo


+ Natação

Islândia mandou seus primeiros nadadores para as Olimpíadas em 1948, com Sigurður Jónsson alcançando a semifinal dos 200m peito e terminando em 14º. Somente em Seul 1988, um islandês voltou à semifinal, com Eðvarð Þór Eðvarðsson, esportista do ano em 1986, terminando em 16º nos 100m costas.


A primeira final do país nas piscinas veio em Sidney 2000 com Örn Arnarson, quarto melhor nos 100m costas, prova na qual foi vice-campeão mundial em 2001 (e bronze nos 200m costa), e melhor atleta do país em 1998, 1999 e 2001. A delegação islandesa alcançou duas finais na Rio 2016, com o sexto lugar de Hrafnhildur Lúthersdóttir nos 100m peito feminino e o oitavo de Eygló Ósk Gústafsdóttir nos 200m costa feminino.
Finalista olímpico aos 19 anos, Örn virou sensação na Islândia e capa de revista - Foto: Facebook / Örn Arnarson


+ Handebol

Em Munique 1972, o esporte voltou ao programa após a estreia em Berlim 1936 e a Islândia se classificou, terminando em 12º lugar. Depois de duas ausências, o país participou por três edições seguidas, sendo sexto em Los Angeles 1984 - perdendo a vaga na final por um gol em um empate contra a campeã Iugoslávia -, oitavo em Seul 1988 e quarto em Barcelona 1992, perdendo o bronze para a França e contando com uma vitória sobre o Brasil por 19 a 18 na fase de grupos.

Depois de duas ausências em 1996 e 2000, outras três participações: nono em Atenas 2004, prata em Pequim 2008 e quinto em Londres 2012. Invicto na fase de grupos em Londres, o time perdeu na prorrogação para a Hungria nas quartas. Como nos outros anos, duas ausências seguiram três participações: time não se classificou para Rio 2016 e não tem mais chances de classificação para Tóquio.

Islândia sediou o mundial de 1995, terminando em 14º lugar. A melhor classificação em mundial foi o quinto lugar em 1997 e a única medalha europeia foi o bronze em 2010. Já o time feminino não tem tradição no esporte e disputou apenas um mundial, terminando em 12º lugar em 2011. Apesar disso, Sigríður Sigurðardóttir foi a única mulher escolhida como Atleta do Ano da Islândia entre 1956 e 1990. Outros sete atletas do esporte foram eleitos em 11 anos, com destaque para o capitão Ólafur Stefánsson, escolhido em 2002, 2003, 2008 e 2009.

Sigfús Sigurðsson, medalhista de prata em 2008, é neto do arremessador de peso do mesmo nome, que foi 13° em Londres 1948.

Destaques


Anton Sveinn McKee (natação): Único atleta islandês já classificado para Tóquio 2020, nos 200m estilo peitos, Anton teve seu momento de glória nos Jogos dos Pequenos Estados de Luxemburgo 2013, quando levou seis ouros, três pratas e um bronze. Conhecido por sua versatilidade, ele disputa o 1.500m livres, provas de todos os estilos e de medley. Ele participou da temporada de 2020 da ISL pelo Toronto Titans. Eygló Ósk Gústafsdóttir, finalista na Rio 2016 e uma das esperanças olímpicas, resolveu se aposentar do esporte profissional em junho de 2020.

Em depoimento para o Surto Olímpico, em ocasião deste especial, Örn Arnarson acredita que a natação islandesa pode mandar ainda mais três ou quatro atletas e acredita que o país poderá chegar em uma final e em outra semifinal nos Jogos de Tóquio, além de servir como experiência para os nadadores mais jovens, já visando Paris 2024. Confira tudo que Örn falou aqui.

Anton McKee em ação pela Universidade do Alabama, no circuito universitário norte-americano – Foto: Justin Casterline


Guðbjörg Jóna Bjarnadóttir (atletismo) - Medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude, em Buenos Aires 2018, nos 200m rasos feito inédito para a Islândia na história dos YOG, ela ainda busca índice para Tóquio. Aos 19 anos, ela já soma importantes conquistas como campeã europeia sub-18 nos 100m,  e dona de sete medalhas nos Jogos dos Pequenos Países da Europa  – incluíndo títulos nos 100m e 200m em Budva 2019, aos 17 anos. De olho nela em Paris 2024!  

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