Coluna Surto Mundo Afora: Estádios vazios podem ser benéficos? Talvez... - Surto Olimpico

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Coluna Surto Mundo Afora: Estádios vazios podem ser benéficos? Talvez...

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Por Bruno Guedes

Antes da pandemia, pensar em um estádio esportivo sem torcida seria algo impossível. Quatro após o início da crise do coronavírus, os esportes voltaram. E de portões fechados. Ao invés de aplausos, silêncio. Onde havia os gritos eufóricos, agora ecoa o luto de quase um milhão de mortos pela Covid-19. Apesar de parecer temporário, as arquibancadas vazias reacenderam um debate que volta e meia permeia os atletas: a falta do público pode ser benéfica?

Torcida e esporte se tornaram uma simbiose que proporcionou momentos históricos. Como esquecer a plateia de pé aplaudindo a suíça Gabriela Andersen chegando estafada no estádio olímpico de Los Angeles, nos Jogos de 1984? Ou então Usain Bolt nos braços dos cariocas após o seu tricampeonato olímpico? Os torcedores não são apenas espectadores, eles são parte do espetáculo. Muitos tornam o movimento esportivo uma atração maior do que ela própria, justamente por causa do que vem das arquibancadas.

Uma das soluções encontradas para a ausência das pessoas foi a utilização de efeitos sonoros. Desde torcidas gravadas até a sons peculiares, como músicas ou efeitos. Principalmente no futebol, acabou virando uma atração. Cada momento da partida é acompanhado pelo que seria o público. Vibrações, cânticos, gritos e até vaias para simulações ou árbitro.

No Basquete, uma das soluções foi a utilização de placas digitais, com os fãs direto de casa via internet. Com ou sem vibração, a distância causada pela tecnologia despertou questionamentos e dúvidas sobre até onde ela poderia ir.
Entretanto, para alguns esportes, nem sempre as festas que vem do lado de fora são reforços. Em muitos casos, mais atrapalham que ajudam. Tudo por causa da concentração, muitas das vezes parte crucial para o desempenho dos atletas. Um exemplo é o Tênis, que necessita do silêncio nas disputas por tal motivo. Não foram poucos os momentos de grande repercussão mundial de arbitragem ou desportistas cobrando torcedores que faziam barulho.

Porém, há aqueles que dependem do meio termo. Como Atletismo ou a Natação. O silêncio antes da partida e a explosão popular depois. Um evento à parte, diga-se de passagem. 

É com base nessas descrições que muitos concordam que a falta de público na retomada do esporte - mesmo em meio à pandemia - não é de todo ruim. Durante o US Open, apenas comissões técnicas ou voluntários compunham as arquibancadas. Não se ouvia nada além das rebatidas ou os sons característicos dos atletas. Alguns descreveram como um momento diferente. Outros, como a ESPN americana, que foi um atípico evento em que a ausência de torcida pode ter sido decisiva para o bom desempenho de alguns tenistas.

As Olimpíadas, ainda incertas, já começam a discutir se terá que adotar tal medida para a realização dos Jogos em 2021. Não faltam modalidades em que este público seria pouco participativo. Mas em sua grande maioria, ele é fundamental. Como tratar as finais do vôlei, queridinhas da audiência, sob silêncio sepulcral? Ou então uma chegada dos 100m, a disputa mais nobre do Atletismo, sem os gritos eufóricos com o vencedor?

Tóquio sem torcedores será sem vida, por mais que o mundo inteiro esteja lá. Em atenção ou participação. Porém a grande face esportiva, a euforia, a emoção, não estarão.

Por isso o questionamento certo não é a ausência ou presença dos espectadores, mas sim a educação deles. Na Rio 2016 os brasileiros deram muitos exemplos negativos, como vaias para argentinos ou barulho excessivo em partidas onde a concentração pedia o oposto. Para estes casos, o vazio das cadeiras do lado de fora acaba sendo argumento suficiente para quem defende apenas atletas na arena das disputas. Mas e quem é apaixonado e sabe respeitar os competidores? Estes ainda estão à espera dos portões reabertos. Os verdadeiros integrantes, tal qual quem sobe no pódio. 

De fato alguns eventos podem ter sentido pouco o impacto das arquibancadas vazias. Só que o esporte não existe sem torcida. É por ela, com ela e para ela.

foto: Divulgação

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