Surto História - Afrânio da Costa, o pioneiro Olímpico do Brasil - Surto Olimpico

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Surto História - Afrânio da Costa, o pioneiro Olímpico do Brasil

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Após uma viagem bastante conturbada, a equipe brasileira de tiro esportivo estava no campo de tiro de Beverloo para a disputa das provas da modalidade nos Jogos olímpicos da Antuérpia. Nomeado capitão daquela equipe, o atirador carioca Afrânio da Costa tentava resolver o problema da pouca munição, armas e alvos para os atiradores brasileiros pudessem treinar e competir.

Afrânio então buscou se aproximar dos norte-americanos que, com o apoio da fabricante de armas da Colt, estavam muitíssimo bem preparados para competir na Bélgica. No momento o Brasil só tinha uma arma - a de Guilherme Paraense - e 200 balas, pois parte do material da equipe tinha sido furtado em Bruxelas. A aproximação de Afrânio se deu via um jogo de xadrez, onde o brasileiro começou a "cantar" as jogadas para os americanos. A "ajudinha" ganhou a simpatia dos estadunidenses.

Tamanha foi a amizade logo de cara, que Afrânio contou a epopeia para eles ao ir com os outros atiradores brasileiros até o campo de tiro. Os americanos se sensibilizaram e deram armas, munição e alvos sobressalentes ao fim do dia para os brasileiros treinarem.

No dia 2 de agosto de 1920 seriam disputadas simultaneamente as provas individuais e por equipes da pistola de 30 metros. Enquanto Guilherme tinha sua arma, Afrânio, Dario Barbosa, Fernando Soledade e Sebastian Wolf revezaram a Colt novinha feita para os americanos exclusivamente para os Jogos olímpicos - lembrando que na época, eram usadas armas e munições reais, longe de armas de ar comprimido de hoje em dia. Noventa e quatro competidores disputaram a categoria individual e 17 países a prova por equipes.

O próprio Afrânio relatou em seu diário - que virou base do livro 'A História do Tiro Esportivo', de Eduardo Ferreira - como foi a competição: "apesar das más condições que se disputaram as provas, com um abatimento moral e físico que lhe fez diminuir no conjunto cerca de 30% dos resultados obtidos no Rio de Janeiro, a equipe brasileira foi um dos conjuntos mais fortes de tiro durante os Jogos Olímpicos".

Foto: TiroFLU
Afrânio teve uma atuação excepcional e teve 489 acertos, ficando atrás apenas de Karl Frederick (USA) com 496 acertos. Seu bom resultado foi fundamental para que o Brasil conquistasse a medalha de bronze, com a equipe brasileira tendo feito 24 pontos a mais que os gregos. A apresentação daquela equipe de quase desconhecidos no cenário mundial surpreendeu os adversários. E no dia seguinte Guilherme Paraense surpreenderia ainda mais com o ouro na pistola rápida.

Na volta, os atiradores foram recebidos com honras pelo presidente Epitácio Pessoa e Afrânio continuou sua carreira de atirador. Tornou-se diretor do Fluminense, criou um estande de tiro nas laranjeiras e ainda foi o chefe da delegação do Brasil em sua primeira Copa do mundo em 1930. Afrânio ainda ajudou a fundar a Confederação Brasileira de Tiro Esportivo, tendo sido um de seus presidentes, e foi vice-presidente da União Internacional de Tiro.

Advogado, Afrânio chegou a presidir o tribunal superior eleitoral (TSE) em 1962. Ele morreu em 1979, aos 87 anos e seu corpo foi velado na sede do Fluminense. Suas medalhas e as pistolas da conquista dele e de Guilherme Paraense estão no salão de Troféus do Fluminense.

Foto: Fluminense Football Club

Foto: TSE

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