Coluna Gran Willy: O futuro do tênis está em boas mãos - Surto Olimpico

Anúncio

Anúncio
Se inscreva em nosso canal!

Coluna Gran Willy: O futuro do tênis está em boas mãos

Compartilhe

Desde que Roger Federer começou a mostrar indícios de oscilação em sua carreira, com anos captando muitos títulos e outros com performances não tão boas, o mundo do tênis e os dirigentes passaram a debater uma queda na força da modalidade, com uma possível aposentadoria, deste que é o maior nome do tênis masculino. 

É verdade, a mídia por diversas vezes já decretou o fim da carreira do tenista suíço e teve que exaltá-lo quando ele se mostrava um gênio ao superar as incertezas e voltar a ganhar grandes torneios. Mas um fato joga contra Federer. A idade. Apesar de estar em excelente forma ainda, com muito vigor,  o atleta tem 38 anos e aos poucos alguns problemas físicos começam a surgir. Em fevereiro deste ano ele precisou passar por mais uma cirurgia e trouxe de volta o debate. 

Para agravar mais ainda a situação dos dirigentes, Serena Williams, dona de 23 títulos de Grand Slam, considerada por muitos a melhor tenista da história e que também tem 38 anos, aparenta cada vez mais gerenciar a carreira de forma com que ela possa continuar disputando esses Majors pelo maior tempo que for possível. Ela busca o recorde de Margaret Court, que tem 24 canecos, entretanto aproxima-se cada vez mais da aposentadoria.

Fora que Rafael Nadal e Novak Djokovic também estão cada vez mais velhos, isso é inevitável. Maria Sharapova já se aposentou. Andy Murray segue enfrentando grandes lesões. Talvez ninguém dessa geração brilhante de tenistas esteja no circuito dentro de cinco anos.  

O futuro pode ser tão brilhante quanto

Mas acredito que o futuro do tênis está em boas mãos. Principalmente no feminino. E considero o futuro em quadra e fora dela também, com os atletas assumindo protagonismo, virando ídolos de uma nova galera que vai acompanhar o esporte e dos fãs mais antigos também.

Naomi Osaka, tenista de 22 anos, ex-número 1 do ranking e atualmente atleta mais bem paga do mundo entre as mulheres nos últimos 12 meses, participou dos protestos pela morte de George Floyd em Minneapolis e publicou fotos das movimentações no local, dizendo: "Se você não defende nada, você falha por tudo".



Outra tenista que protestou, dessa vez com um vídeo nas redes sociais, foi a jovem Cori Gauff, de apenas 16 anos. O vídeo contém várias fotos de pessoas negras que foram assassinadas e termina com Gauff simulando que está sofrendo uma abordagem da polícia. Ela questiona: "Serei a próxima?".
Em um vídeo de protesto parecido com o de Gauff, o tenista norte-americano Frances Tiafoe, de 22 anos, solta a raquete e ergue as mãos, pedindo o fim do racismo e dos ataques às pessoas negras. Entre diversos jogadores, ex-jogadores e treinadores, o protesto contou com a participação de nomes como Serena Williams, Gael Monfils, Jo Wilfried Tsonga e a própria Cori Gauff.


Tiafoe disse durante o programa Tennis United que deseja ser uma inspiração para crianças negras. “Quero ser lembrado como aquele que tinha uma relação especial com os fãs. Quero que as crianças negras se inspirem em mim para jogar tênis”.

Foto: Darren Carroll/USTA
É importantíssimo ter atletas que falam, que usam seu espaço na mídia para propagar boas ideias, bons costumes e máximo respeito ao próximo. Essas atitudes são fundamentais e mostram que os jovens tenistas podem ser os protagonistas da modalidade e do esporte no geral. 

Enquanto temos o fim de uma geração extremamente brilhante dentro de quadra, mas na maioria das vezes comedida fora dela, temos o surgimento de tenistas atuantes dentro e fora das quadras. Exemplares.

Falando de Big 3 (Federer, Nadal e Djokovic), cada um deles já tiveram atitudes bacanas, participam frequentemente de ações de solidariedade, isso é inegável. Mas sempre escorregaram em diversos momentos, saindo quase que sempre pela tangente quando são confrontados em relação a temas mais polêmicos. Por exemplo, nenhum deles manifestou apoio contra o racismo neste momento tão delicado. E é péssimo quando três lendas do esporte, influentes e carismáticos, se calam.

Principalmente se você pega as últimas declarações da cada um deles. Federer homenageou em vídeo veiculado na semana passada, o radialista australiano Allan Jones, marcado por diversas falas preconceituosas. Após a repercussão negativa na internet, a equipe do tenista suíço mandou retirar o vídeo do ar.

Rafael Nadal concedeu uma entrevista ao jornal El País, dizendo que não importa os ideais de cada partido político da Espanha, pois se eles "fizerem o bem", é o que importa.

A fala marca a negação de um posicionamento mais firme em relação a partidos políticos como o Vox, por exemplo, terceiro maior grupo no parlamento espanhol, que é líder da extrema-direita e está ligado ao fascismo.

Por fim, Novak Djokovic entrou em polêmica por considerar não tomar a vacina contra o coronavírus, além de proferir mensagens de pseudociência, com tratamentos alternativos não comprovados cientificamente, durantes lives em suas redes sociais.

Portanto, o tênis precisa de uma renovação. Não só dentro de quadra, no jogo. Mas de ideias, de responsabilidades e de condutas. E vendo a nova geração, que cada vez mais fala, cada vez mais se posiciona, não adotando posturas protocolares, mais eu penso que o futuro do tênis está em boas mãos. E que cada vez mais os jovens atletas vão debater questões que precisam ser abordadas.

Foto: Reprodução/WTA

Nenhum comentário:

Postar um comentário