Canadá pode boicotar Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim por conflitos políticos, diz ex-diplomata - Surto Olimpico

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Canadá pode boicotar Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim por conflitos políticos, diz ex-diplomata

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O ex-diplomata canadense, John Higginbotham afirmou que o Canadá poderá boicotar os Jogos Olímpicos de Inverno em Pequim, 2022, por causa de conflitos políticos com a China. A informação foi apurada pelo jornal canadense The Globe and Mail.

De acordo com Higginbotham, um boicote serviria como resposta à imposição da China de uma nova lei de segurança nacional em Hong Kong, em que será proibido a realização de movimentos separatistas, manifestações, atos de subversão e "atividades de interferência estrangeira".

"Agora é hora de Ottawa (capital canadense) dar uma resposta mais assertiva", disse Higginbotham, que também foi embaixador do Canadá em Hong Kong entre os anos de 1989 e 1994. 

Histórico de conflito

A tensão entre Canadá e China aumentou no dia 10 de dezembro de 2018, após a polícia secreta do Partido Comunista Chinês prender os consultores canadenses Michael Korvig e Michael Spavor, sob acusação de espionagem. 

O governo do Canadá afirma que a prisão de Korvig e Spavor foi motivada por um desejo de vingança por parte da China, após a prisão da diretora financeira da empresa de tecnologia em telecomunicações Huawei,  Meng Wanzhou, no Canadá, no dia 5 de dezembro de 2018. 

Wanzhou foi presa  pela suspeita de ter violado sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos ao Irã. 

Pressão canadense e outros conflitos dentro da China

Segundo Hingginbotham, "a China quer muito o sucesso da realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, como uma oportunidade definitiva de demonstrar poder e prestígio nacional". 

O ex-diplomata disse ainda que, com exceção da Rússia, seria muito mais fácil organizar um boicote aos Jogos Olímpios de Inverno do que aos Jogos de Verão. "As medalhas estão concentradas em alguns países amigos, frios e democráticos", declarou. 

"O Canadá deveria organizar um boicote a esses Jogos, a menos que a China desista de Hong Kong", disparou Higginbotham.

"Boicotar as Olimpíadas de 2022 é uma das formas de o mundo desafiar a decisão da China e a urgência da retirada desta lei maligna", disse Joshua Wong, um dos jovens ativistas mais visíveis de Hong Kong. "A nova lei de segurança é apenas mais uma nova arma para Pequim alavancar a pressão política, que coloca todos os canadenses (cerca de 300 mil) que trabalham e vivem na cidade sob ameaça", acrescentou.

"Para defender a autonomia da cidade e os interesses canadenses neste centro financeiro global, peço ao governo que reconsidere o tratamento especial de Hong Kong e tome todas as medidas necessárias para se opor à lei de segurança nacional que a China deseja impôr", concluiu Wong

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Canadá, cabe ao Comitê Olímpico e Paralímpico do país definir se enviarão atletas aos Jogos de Inverno em Pequim, 2022. No entanto, ao ser questionado pelo The Globe and Mail, o Comitê do Canadá não respondeu sobre as quais seriam próximas ações. 

Entretanto, outros grupos dentro da sociedade chinesa também solicitaram o boicote olímpico por nações do ocidente. Entre eles estão os Uigures, povos muçulmanos de origem turcomena, que habitam principalmente a região autônoma de Xinjiang, no extremo oeste da China e que têm sido forçados a submeter-se à doutrinação política do Partido Comunista Chinês.

Além disso, essa não é a primeira vez que grupos étnicos que habitam o território chinês solicitam ao 'mundo ocidental' o boicote de grandes eventos realizados no país. Em 2008, os Jogos Olímpicos de Verão em Pequim, já foram alvos de grandes polêmicas. 

Entre elas estão uma série de protestos políticos envolvendo, principalmente, a repressão chinesa sobre a região autônoma do Tibete.  

Alguns já até chamavam aquela edição de "Olimpíadas do Genocídio", após o Tibete anunciar a morte de 200 pessoas durante as manifestações, vítimas da repressão. 

O que os chineses pensam

Para a China, um boicote não faria efeito negativo ao evento. Isso é o que garante o vice-reitor da Escola de Estudos Internacionais da Universidade de Pequim, Wang Yizhou. "Ao contrário dos países pequenos e médios, não acho que um boicote às Olimpíadas de Inverno traria qualquer efeito prejudicial à China". 

O Canadá concluiu os Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang 2018 em 3º lugar, conquistando 11 medalhas de ouro, 8 de prata e 10 de bronze, totalizando 29 pódios. O país é uma das grandes potências mundiais no esqui estilo livre e na patinação artística.  

Foto: Wikipedia Commons

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