Fabiana Murer explica ciclo apagado de Thiago Braz após ouro na Rio-2016: "crise motivacional" - Surto Olimpico

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Fabiana Murer explica ciclo apagado de Thiago Braz após ouro na Rio-2016: "crise motivacional"

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Campeã mundial no salto com vara em 2011, Fabiana Murer deixou um legado imenso para o atletismo brasileiro e que é valorizado até hoje. Atualmente comentarista de televisão, ela pode observar o esporte por um angulo externo. Em live no Instagram do Surto Olímpico, a ex-atleta resumiu a irregularidade de Thiago Braz no ciclo seguinte ao seu título olímpico na Rio-2016 como falta de motivação.

"Depois que você tem um grande título, uma grande conquista, realmente dá essa baixa e perde um pouco dessa motivação. O atleta tem que se conscientizar, pôr o pé no chão, saber que foi uma competição, depois tem que começar novamente, treinar de novo, ficar forte. E tudo isso requer motivação. Tem que ter um objetivo. Ele [Thiago] perdeu um pouco disso, esse objetivo. Ele acabou não colocando um objetivo na frente dele, o que ele tinha que buscar, o que ele tinha que alcançar e por isso acabou ficando irregular todos esses anos", avaliou Murer.

"Ele mesmo falou que sentiu a pressão de ser campeão olímpico, essa obrigação de ter que ganhar. O atleta acaba sentindo isso. 'Ah, ganhei a Olimpíada, preciso ganhar sempre'. Não é bem assim. O esporte tem seus altos e baixos, o atleta tem um dia bom e um dia ruim. É um pouco difícil entender isso no começo. Quando ele foi campeão olímpico, era muito novo. Agora, tá um pouco mais consciente, mais experiente", observou.

Murer e Braz, no inicio da carreira (João Gabriel Rodrigues/GE.com)
Fabiana pontuou que esses períodos de desânimo são naturais na vida de um atleta, mas é preciso que ele entenda tudo o que está passando ao seu redor. A própria paulista, hoje com 39 anos, revelou que sofreu com a falta de um objetivo depois de conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio 2007, em um Engenhão lotado.

"[Após o ouro do Pan-2007] Eu entrei naquela crise da motivação. Depois que acabou o ano, foi difícil eu me motivar novamente, a ter um objetivo, porque já tinha ganho mais do que eu imaginava. Ser campeã pan-americana era uma coisa que no começo não estava nos meus planos, mas depois que eu ganhei abaixou aquele ânimo", disse, para completar:

"Quando retomei os treinos, foi difícil voltar a treinar. No primeiro mês, eu ia sem vontade, por obrigação. Mas eu comecei a pensar e falei 'o que eu gosto de fazer? eu gosto de fazer o salto com vara. O que eu quero buscar? Eu tenho um Jogos Olímpicos, que é meu grande sonho'. Aí eu comecei a me motivar novamente. É importante ter esse objetivo".







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Depois da Rio-2016, Thiago não chegou nem próximo de saltar os 6,03m, que deram a ele o recorde olímpico. Em julho do ano passado, conseguiu um 5,92m em um meeting, em Monaco, sua melhor marca em todo o ciclo. Ele não subiu no pódio dos Jogos Pan-Americanos, terminando em quarto lugar com 5,51m, e no último Mundial terminou na quinta colocação.

Apesar de sua inconsistência ao longo do período, Murer avalia como grandes as chances de Braz subir no pódio em mais uma Olimpíada, em Tóquio, no próximo ano. Seus principais concorrentes deverão ser Armand Duplantis, recordista mundial, Sam Kendricks, bicampeão mundial, e Renaud Lavillenie, seu rival na Rio-2016. "O Thiago tá no bolo. Depende dele. Se ele botar na cabeça que quer, pode sim buscar mais uma medalha", avaliou a comentarista, que destacou o crescimento de Thiago nas grandes competições.

Murer também acredita que o atletismo brasileiro pode fazer bonito em Tóquio. Além do recordista olímpico no salto com vara, ela colocou o revezamento 4x100m masculino, Darlan Romani (arremesso de peso), Erica Sena e Caio Bonfim (marcha atlética) em "outro patamar", com excelentes chances de conquistar uma medalha. Darlan, o revezamento e Erica bateram na trave no último Mundial, terminando em quarto lugar.

Na avaliação da comentarista, as forças podem se embolar nas primeiras competições pós-pandemia, mas para os Jogos Olímpicos isto não deve ocorrer. Aqueles atletas que retornaram aos treinamentos primeiro, saíram na frente. E, para ela, Darlan e Thiago estão no meio desses "privilegiados" que puderam retomar as atividades o mais rápido.

Romani, aliás, quase não parou. Ele improvisou uma pista em seu quintal, coletou alguns pesos de seu local de treinamento, e pôde fazer os movimentos de sua modalidade ali mesmo, ao longo do período de quarentena. Já Braz, em sua base em Formia, na Itália, voltou aos treinos na última semana. "Ele tá adiantado em relação ao pessoal da América, os brasileiros, o pessoal dos Estados Unidos", pontuou Murer.

Foto: Phil Noble/REUTERS


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