Mundial de Judô 2017 - Dia 2

O segundo dia do mundial de judô trouxe mais a primeira medalha da edição para esta modalidade que vem conquistando grandes resultados para o Brasil em Jogos Olímpicos e campeaonatos mundiais.

Erika Miranda, uma das mais regulares judocas brasileiras, conquistou nesta terça-feira sua quarta medalha em mundiais na carreira ao derrotar a campeã olímpica e bicampeã mundial Majlinda Kelmendi, do Kosovo, pela disputa do bronze da categoria -52kg na Laszlo Papp Arena em Budapeste na Hungria. Prata em 2013 e bronze nos dois anos seguintes, a brasileira conquistou novamente a terceira posição do torneio, demonstrando que é uma das maiores atletas do mundo e superando a frustração do quinto lugar nos Jogos Olímpicos do Rio em 2016.

A campanha da brasileira começou o com duas vitórias seguidas por ippon, com certa facilidade, sobre a australiana Tinka Easton e a polonesa Agata Perenc nas primeiras rodadas. Nas quartas de final, mais um confronto entre brasileiras e japonesas, com outro revés para o Brasil em uma luta duríssima contra Natsumi Tsunoda, que aplicou um ippon sobre Erika no Golden Score jogando a brasileira para a respescagem. O pequeno Kosovo terá pesadelos com Erika por um tempo. Na primeira rodada da repescagem a brasileira buscou a chance de brigar pela medalha e derrotou a também kosovar Distria Krasniqi com um wazari, avançando para encarar Kelmendi. Até o dia de hoje, Kelmendi estava invicta desde 2015 na semifinal do Grand Slam de Abu Dhabi, perdendo justamente para Erika. Após ser derrotada, também nas semis, pela japonesa Ai Shishime, Kelmendi sentiu o cansaço maior após um longo golden score contra a japonesa e não colocou muita resistência sobre uma consistente e agressiva Erika, que com um wazari conquistou sua quarta medalha em mundias, se igualando a Mayra Aguiar e deixando a campeã olímpica do Rio fora do pódio.

A final da categoria foi japonesa. O Japão tem grande força nas categorias mais leves do judô e acertadamente levou duas atletas também para a meio-leve. Ai Shishime e Natsumi Tsunoda se enfrentaram pelo ouro após em suas campanhas derrotarem duas atletas do Brasil, que também levou uma dupla na categoria. Se Tsunoda venceu Erika, Ai Shishime derrotou a campeã olímpica de Londres 2012 (na categoria ligeiro)Sarah Menezes. Sarah, que havia vencido anteriormente a alemã Nieke Nordmeyer, não resistiu a força da atleta asiática e perdeu por ippon na segunda rodada. Na disputa da final entre as algozes das brasileiras, o ouro ficou com Shishime, que venceu por ippon a compatriota, naquela que deve ser uma das primeiras disputas entre elas para definir quem representará o Japão, em casa, nos Jogos de 2020. O outro bronze da categoria ficou com a russa Natalia Kaziutina, repetindo a mesma posição conquistada no Rio, após derrotar por ippon a israelense Gili Cohen.

Apenas "Kimigayo", o hino nacional japonês, foi executado nos tatames húngaros nos dois primeiros dias. Assim como ontem (28) os nipônicos levaram as duas categorias em disputa nessa terça-feira. Na -66kg o ouro ficou com Hifume Abe, que assim como suas compatriotas Shishime e Tsunoda, conquistou um grande resultado em seu primeiro mundial. A vitória veio na final, por ippon, contra o experiente russo Mikhail Pulyaev que pela terceira vez na carreira ficou com o vice campeonato em mundiais de judô. Os bronzes ficaram com o georgiano Vazha Meghiashivilli, que derrotou por ippon o coreano Kim Lim-hwan e com o jovem israelense Tal Flicker que, por wazari, bateu o ucraniano Georgii Zantaraia, um dos maiores nomes da categoria. O italiano Fábio Basili, campeão olímpico no Rio, foi eliminado já na segunda rodada pelo coreano An Baul e não pode disputar as medalhas. Na mesma fase que Basili, também aconteceu a eliminação do brasileiro Charles Chibana, que venceu na primeira rodada o forte cazaque Azamat Mukanov por wazari, mas perdeu em seguida para o francês Kiliam Le Blouch no Golden Score. No tempo normal ambos estavam empatados em punições, com duas para cada lado, sendo que na disputa de desempate, Chibana levou o terceiro shidô, o que é necessário para a desclassificação de um judoca.

Nesta quarta-feira um dos maiores nomes do judô nacional entra no tatame. Campeã olímpica no Rio, Rafaela Silva tem tarafa duríssima para brigar pelo bicampeonato mundial, no qual enfrentará na estreia a vencedora da luta entra a holandesa Margriet Bergstra e a portuguesa Telma Monteiro, medalhista de bronze olímpica no ano passado. Ainda na mesma chave de Rafaela há bons nomes como a alemã naturaliza panamenha Myrian Ropper e a americana medalhista de bronze em Londres 2012, Marti Malloy. Pela categoria- 73kg entre os homens, Marcelo Contini tentará manter a sequência apresentada de bons resultados no ano, vindo do título do Grand Prix de Cancún. O problema será a estreia de cara contra o georgiano Lasha Shavdatuashvilli, simplesmente campeão olímpico em Londres 2012 e bronze no Rio em 2016. Ainda na chave de Contini está o japonês Soichi Hashimoto, que substitui o compatriota campeão olímpico no Rio Shohei Ono e é um dos favoritos da categoria.

Foto: Paulo Pinto/CBJ



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