Como os Jogos Olímpicos podem se modernizar depois de Tóquio - Surto Olímpico

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Como os Jogos Olímpicos podem se modernizar depois de Tóquio

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O trabalho do Comitê Olímpico Internacional (COI) no que diz respeito ao programa olímpico por vezes pode ser difícil em um ponto especial: como prever as tendências esportivas num evento que tende a acontecer daqui quatro ou oito anos? 

Com a passagem do tempo, a audiência que hoje é adolescente se torna a principal consumidora e no mercado de trabalho. Isso é mais do que óbvio e o COI sabe disso. Não por acaso, conforme reportamos em 2014, o presidente do Comitê, Thomas Bach, já apontava a necessidade de modernização dos esportes no programa em função da demanda/idade do público consumidor dos jogos. “Estamos discutindo o procedimento para a composição do programa, porque antes de falarmos sobres esportes e disciplinas, temos de falar sobre flexibilidade”, disse Bach na época. 

Um ano depois, em 2015, o Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio 2020 anunciou a lista final de esportes que poderiam ser inseridos nos jogos. Embora Bach tenha dito em 2014 que poderia haver uma mudança de modo a retirar alguns esportes para incluir outros, a tendência foi de inclusão: 5 esportes foram adicionados (18 eventos) totalizando 474 atletas. Aparte do beisebol/softball e do caratê, extremamente tradicionais no Japão, os outros três são estreantes e são exatamente o que o COI busca: modernizar a imagem dos jogos. 

O paradigma foi quebrado com a inserção de esportes considerados “radicais”, outrora com exposição televisiva em jogos próprios, como o X Games nos Estados Unidos - e oportunamente, no Brasil - e alguns eventos realizados de maneira esporádica pela Globo para preencher grade aos domingos de manhã na ausência da Fórmula 1. Considerando que surfe, escalada e skate têm públicos mais jovens, a tendência é que a presença destes traga a audiência consigo. Quando ela vier, pode acabar se interessando pelos outros 28 esportes do programa. 

A estratégia é ousada, claro, e foi passível de críticas - inclusive, pela própria comunidade de alguns desses esportes. Os três possuem uma essência radical e disso decorre uma postura antiestabilishment -ou seja, alguns praticantes poderiam ser contra a inserção deles nos jogos. De fato isso aconteceu, dado que de acordo com a BBC, houve até mesmo uma petição enviada a Thomas Bach para que o skate não fosse inserido no programa. Mesmo assim, o foi, dadas as eventuais vantagens que ilustramos acima. Resta saber: o que pode vir pela frente para 2024 e 2028?

E-Sports e Poker poderiam integrar o programa?

É cedo para apontar essa quebra de paradigma, mas não é descartável. Há 10 anos provavelmente a afirmação “skate e surf serão esportes olímpicos” poderiam ser vistas como absurdo e hoje são realidade. Já amplamente considerado um esporte da mente - tal qual o xadrez - o poker vem angariando cada vez mais o público jovem - tal qual o skate, o surfe - e já possui uma extensa presença em redes de televisão. 

Aparte disso, não acarretaria custos tão altos para a organização dos jogos - bem como poderia acabar tendo um aspecto positivo de valorizar esportes da mente. “Um jogo que está provado que o condicionamento físico conta muito e que através de estudos diversos é considerado um jogo de habilidade onde o melhor jogador vence a maioria das partidas, com certeza poderia ser um esporte olímpico”, disse Felipe Mojave, profissional de poker

Os e-sports também poderiam acabar sendo integrados num futuro não tão distante. Campeonatos como o “International”, do game “Dota 2” são assistidos por dezenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. Tal qual o poker, eventos de e-sport não precisariam de muito investimento por parte do comitê organizador - no máximo o local, um salão de eventos de um hotel da cidade-sede. 

Embora ainda seja muito cedo para prospectar a inserção de esportes (ou melhor, e-sports) no programa olímpico, é certo dizer que um paradigma grande foi quebrado e o COI já se mostrou inclinado a modernizar o programa de acordo com as demandas dos jovens, futuros consumidores principais das Olimpíadas. O sucesso (ou não) da inserção das modalidades radicais pode abrir caminho para outras que outrora não seriam pensadas, tal qual e-sports, poker ou até mesmo o xadrez. 


foto:The Inertia

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