O Projeto Grael/Instituto Rumo Náutico não fará parte do plano de despoluição da Baía de Guanabara. Em decisão unânime na manhã desta segunda-feira, em Niterói, o conselho diretor da entidade desistiu de assumir a gerência de ecobarcos e ecobarreiras que ajudariam a limpar o lixo flutuante do espelho d´água. Em comunicado oficial, a ONG reconheceu a capacidade para gerir o programa, porém admitiu a possibilidade de "riscos institucionais". Na semana passada o governo do estado anunciou a contratação do Projeto Grael em caráter de urgência, sem licitação, por um período de 18 meses ao custo de R$ 20 milhões. Os trabalhos começariam imediatamente visando o evento-teste da vela para as Olimpíadas, no próximo mês de agosto. O estudo da ação das ecobarreiras e ecobarcos havia sido desenvolvido sem custos pelo ambientalista Axel Grael, vice-prefeito de Niterói, e irmão mais velho de Lars e Torben, presidente do projeto.
- Embora tenhamos condições para fazer uma gestão eficiente do projeto, desenvolvido pelo Axel, o Instituto deu sua primeira contribuição com a elaboração do programa de contenção e retirada do lixo flutuante - disse Torben.
Lars enfatiza que Baía de Guanabara não seria despoluída pelos ecobarcos e ecobarreiras, e se mantém à disposição do governo para uma futura colaboração:
- Seria uma medida para oferecer uma raia mais justa e igualmente competitiva para os atletas. Não é a nossa principal vocação gerir o projeto de coleta de lixo flutuante, mas nos manteremos à disposição do Estado, em prol de uma baía mais digna para todos os usuários - disse Lars.
Axel Grael considerou a decisão do conselho diretor da entidade prudente e correta, e citou "limitações institucionais" da ONG:
- Comecei a minha vida de militância ambientalista há 40 anos, lutando pela Baía de Guanabara, e continuarei fazendo. O Projeto Grael tem sido um importante canal de contribuição para isso, e é importante que continue a motivar os seus alunos a se engajarem nessa luta e que contribua sempre com as iniciativas de despoluição. Mas, isso deve ser feito dentro das vocações e das limitações institucionais da nossa organização A decisão do Conselho Diretor do Instituto Rumo Náutico é prudente e correta.
Em comunicado oficial no sábado, Lars foi contrário à contratação da ONG, dizendo que a vocação do projeto não era substituir o Estado, ainda mais sem licitação. Ele acredita que outras entidades podem desempenhar a função com maior agilidade, conhecimento técnico e operacional. O medalhista olímpico considera o plano da Sexretaria de Estado do Ambiente (SEA) um dos mais completos na captura do lixo flutuante da Baía de Guanabara, mas vê a ação apenas como paliativa. Ainda no comunicado, Lars afirmou que a função do Instituto Rumo Náutico é "educar e capacitar para a mentalidade marítima e cidadania através da vela".
O Projeto Grael foi criado e desenvolvido pelos irmãos Torben, Lars e Axel Grael e o amigo e velejador Marcelo Ferreira, em 1998. O principal objetivo é usar o esporte como ferramenta de inclusão social através de aulas gratuitas de vela, natação e oficinas profissionalizantes para crianças e adultos. A partir de 2006 passou a dar ênfase maior à questão ambiental.
No início da semana passada, o governador Luiz Fernando Pezão anunciou investimentos de R$ 500 milhões vindos do Ministério das Cidades e do Planejamento. Os recursos estão previstos para a ampliação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, o saneamento do Complexo da Maré e a execução do tronco coletor Faria Timbó, que também vai beneficiar Manguinhos e Alemão. A Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) já pedia recursos ao governo federal desde o primeiro semestre do ano passado. Na ocasião, tentou a liberação de R$ 155 milhões para a implantação de duas Unidades de Tratamento de Rio (UTRs).
Em situação econômica difícil, devido à queda dos royalties do petróleo, o governo estadual busca uma parceria público-privada para o tratamento de esgoto na Baixada Fluminense e em São Gonçalo. Também há recursos de R$ 1,2 bilhão do Banco Interamericano de Desenvolvimento, dos quais R$ 900 milhões ainda serão licitados para projetos de tratamento de esgoto lançado na Baía de Guanabara.
Além da ampliação da ETE Alegria, caberá à Cedae aumentar os desempenhos das estações da Pavuna, Sarapuí e São Gonçalo, construir a ETE Alcântara e instalar as UTRs. A instituição deu prazo de dois anos para alcançar 80% de esgoto tratado, meta estabelecida pelo dossiê de candidatura. Portanto, depois dos Jogos Olímpicos.
Fonte: globoesporte.globo.com


0 Comentários