Challenger Series de Patinação Artística: provas na Eslováquia e EUA tem recordes mundiais e grandes surpresas


Estréias, surpresas, recordes mundiais, polêmicas e voltas por cima aconteceram em mais um final de semana de competições da Challenger Series de Patinação Artística com provas na Eslováquia e nos EUA. Rússia e Japão continuaram dominando as provas: No Ondrej Nepela Memorial, Alexandra Trusova (foto) conquistou os recordes mundiais de pontuação no programa livre e na somatória. No US International Classic os japoneses Keiji Tanaka e Sota Yamamoto fizeram dobradinha, desbancando o favorito Vincent Zhou, enquanto as duplas dos EUA conseguiram resultados positivos em casa.



Ondrej Nepela Memorial - Eslováquia

Domínio absoluto da Rússia, que conquistou o ouro nas três categorias disputadas. No masculino, Dmitri Aliev fez duas apresentações bastante dramáticas e com saltos de maior complexidade que o de seus concorrentes mais diretos. A execução de dois saltos quádruplos e um triplo axel sem falhas garantiu uma vantagem de mais de vinte pontos em relação ao segundo colocado no programa curto, e mesmo uma queda no programa livre não comprometeu as chances do russo.

O segundo lugar ficou com o italiano Matteo Rizzo. Rizzo ainda demonstrou alguns problemas na incorporação de saltos quádruplos, que são novidades em suas atuações, teve uma queda e perdeu muitos pontos  no programa curto mas entregou uma performance sem falhas graves no programa livre, com a melhor nota do dia. Sem saltos quádruplos mas com a melhor execução de piruetas e boas sequêncas de passos em ambos os programas, Deniss Vasiljevs, da Letônia ficou com a medalha de bronze.

No feminino, Alexandra Trusova garantiu uma vitória esmagadora para a Rússia em sua primeira prova internacional na categoria sênior. Sem a agressividade explosiva que se tornou uma das características mais distintivas de sua patinação, Trusova privilegiou a limpeza da execução de elementos em ambos os programas. A decisão compensou: marcando novos recordes mundiais no programa livre e na somatória total, Alexandra Trusova se tornou a primeira mulher a executar três saltos quádruplos limpos em competições sênior internacionais e venceu por uma diferença de quase 45 pontos.

O segundo lugar ficou com a japonesa Kaori Sakamoto, que teve que se recuperar de um programa curto repleto de erros e com uma queda, que a deixou na quarta posição no dia. A performance vigorosa ao som da trilha sonora de "The Matrix" no programa livre a levou duas posições à frente. O bronze ficou com a sul-coreana Hanul Kim.

Na Dança no Gelo, em uma prova sem surpresas a Rússia também ficou com o ouro com a dupla Victoria Sinitsina e Nikita Katsalapov, com Sara Hurtado e Kirill Khaliavin da Espanha com a prata e Lorraine McNamara e Quinn Carpenter dos EUA ganhando a medalha de bronze. Não houve disputa de prova na categoria Pares.

Todas as tabelas com resultados, agenda de apresentações em horário local e súmulas detalhadas de julgamentos do Ondrej Nepela Memorial de 2019 estão disponíveis AQUI, no site oficial de resultados do evento.


US International Classic - EUA

A prova dos EUA foi a única das quatro primeiras do ano a ter disputa na categoria Pares, e a equipe da casa não decepcionou: os campeões nacionais Ashley Cain-Gribble e Timothy LeDuc fizeram duas excelentes apresentações com coreografias bastante vigorosas de Misha Ge e Pasquale Carmelengo. A dupla dos EUA teve descontos na nota por violação de tempo e uma queda no programa livre, mas a melhor execução de saltos e lançamentos garantiu a vantagem sobre Evgenia Tarasova e Vladimir Morozov, da Rússia. Com quedas em ambos os programas e a perda de um elemento no programa livre, os chineses Cheng Peng e Yang Jin ficaram com o terceiro lugar.

No masculino, a grande surpresa do final de semana: o favorito Vincent Zhou, dos EUA, após liderar o programa curto teve um dia absolutamente caótico no programa livre. Com uma queda, erros graves em todos os cinco saltos mais complexos que executou e uma sequência de passos de valor reduzido, o norte-americano caiu para a quarta colocação no dia. 

Isso abriu a porta para os japoneses Keiji Tanaka e Sota Yamamoto avançarem na classificação: com duas performances que levantaram o público e bem mais precisas do que a média pessoal da última temporada, Tanaka ficou com o ouro da competição, e Yamamoto consolidou a dobradinha do Japão com uma performance limpa no programa curto e um programa livre com duas quedas mas sem outras falhas graves. A soma de resultados ainda garantiu o bronze para Vincent Zhou, mas com uma diferença de menos de 2 pontos para o quarto colocado, Alex Krasnozhon, também dos EUA, que havia sido apenas o quinto colocado no programa livre.

A polêmica de apropriação cultural acabou roubando o destaque da prova de Dança no Gelo, vencida com facilidade por Madison Chock e Evan Bates dos EUA. A complexa Dança Livre apresentada pela dupla foi considerada questionável por espectadores de origem árabe. Em segundo lugar ficaram Christina Carreira e Anthony Ponomarenko, também dos EUA. Os canadenses Carolane Soucisse e Shane Firus ganharam a medalha de bronze, quase trinta pontos à frente da outra dupla do Canadá, Molly Lanaghan e Dimitre Razgulajevs.

A prova feminina também foi marcada por polêmicas de apropriação cultural e uso não recomendado de músicas e símbolos para performances. A japonesa Satoko Miyahara se apresentou no primeiro dia com uma coreografia feita para a música Egyptian Disco: mesmo com uma execução superior técnica e artisticamente a escolha causou desconforto em parte da platéia que considerou a apresentação caricaturesca. Mas os maiores protestos vieram no programa livre, onde a japonesa se apresentou ao som da trilha sonora de "A Lista de Schindler" com um traje cinza cujas alças formavam uma Estrela de Davi nas costas. O visual foi considerado de extremo mau gosto, com uso de símbolo sagrado e menção ao Holocausto feita de forma desrespeitosa. A não penalização de Miyahara por violação de traje gerou indignação em redes sociais, mais discussões sobre erros de júri e reações revoltadas: já existem petições para que a vestimenta não seja mais usada em próximas provas.

Mesmo com as polêmicas, o resultado final teve Satoko Miyahara ficando com o ouro. A sul-coreana Young You, após um programa curto problemático acertou os saltos no programa livre, executou um triplo axel e não cometeu falhas graves: ficou em primeiro lugar no dia e com a medalha de prata na somatória final. 

O resultado mais comemorado no entanto foi o bronze de Amber Glenn, dos EUA, visto como o renascimento de uma das maiores promessas da patinação artística feminina do país. Após um início muito expressivo nas categorias junior, vencendo o campeonato nacional em 2014 e terminando em 7o. lugar no Campeonato Mundial, a patinadora texana enfrentou anos de luta contra transtornos alimentares e depressão, que a obrigaram a reconstruir a própria carreira quase do zero. Agora, prestes a completar 20 anos, ativa militante LGBTQIA+ e de causas de saúde mental, Glenn apresentou duas performances constantes, sem erros graves e com bons elementos técnicos que garantiram um lugar no pódio e sua indicação para uma das vagas do Skate America, etapa do Grand Prix a ser disputada a partir de 18 de outubro.

Todas as tabelas com resultados, agenda de apresentações em horário local e súmulas detalhadas de julgamentos do US International Classic de 2019 estão disponíveis AQUI, no site oficial de resultados do evento.

Foto: SP24

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