Atirador Julio Almeida ainda não descarta vaga olímpica para Tóquio via ranking: "Se eu pegar uma final na copa do mundo de 2020, entro na briga"


Um atiradores brasileiros  mais experientes e com mais conquistas na atualidade, Julio Almeida ainda não entregou os pontos sobre suas chances de estar representando o Brasil nos Jogos olímpicos de Tóquio. Em entrevista concedida ao surto olímpico durante a etapa do Rio de Janeiro da copa do mundo de tiro esportivo na última semana, o atirador afirmou que apesar da vaga via ranking ser difícil, ela é ainda possível:

"Ainda tem quatro etapas de Copa do mundo em 2020,  que eu irei participar. Se eu conseguir pegar uma ou duas finais nessas etapas, vamos estar 'nas cabeças' ali, brigando pela vaga. Ano que vem, se eu conseguir colocar nas etapas o que estou fazendo em treinos, eu tenho chance de pegar essa vaga sim, tanto eu quanto Felipe Wu ou Phelipe Chateaubriand, pois nós estamos mais ou menos no mesmo nível. "

Atualmente, Julio Almeida é o número 53 do ranking mundial, Phelipe Chateaubriand é o número 71 e Felipe Wu é o número 84 do mundo. 

Julio acabou tendo um resultado aquém do esperado na etapa do Rio de Janeiro, segundo o próprio atirador: "Foi razoável, não foi péssima minha participação, mas também não foi boa. Mas para o ranking, o resultado de hoje foi ruim. O ranking pega os resultados de um ano e quando definir a vaga no fim de maio esse resultado estará lá (Julio terminou em 49º lugar)."

Julio Almeida sabia que conseguir a vaga no Rio de Janeiro seria difícil e que sua chance seria no Pan de Lima, onde ficou com o bronze e sem vaga por 0.4 décimos. Crítico, ele afirma que não gostou nem um pouco de sua atuação nos pan e na etapa da copa do mundo: "Não gostei da minha pontuação do pan na prova e muito menos na final. Eu acabei dando uma caída nos dois últimos tiros, foram dois 'noves' baixos, o que nem foi tão ruim, se analisarmos friamente, mas me fez perder a vaga olímpica por 4 décimos." disse Julio, que ainda explicou que as semanas depois do pan foram de muito trabalho para esquecer a frustração:

"Nas três semanas seguintes, eu trabalhei para caramba para esquecer. Foi muito extenuante, fiz muitos testes com munições, pois a pressão da minha pistola estava variando... Tava fazendo resultados bem melhores nos treinos, mas infelizmente hoje (quinta,29/8) não deu certo." 

Julio agora muda o foco para os Jogos  mundiais militares. Coronel da reserva da Força aérea, ele não iria participar inicialmente, mas seu título mundial na pistola de fogo central 25m - prova não olímpica - no ano passado o fez receber um convite para voltar à ativa para competir: "O Brasil é bicampeão mundial militar por equipes na pistola de fogo central, em 2011 e 2015, campanhas que eu fiz parte, voltamos com a equipe completa para ver se conseguimos o tricampeonato."

Julio admite que está mais próximo do fim da carreira e questionado qual foi o ciclo que ele considera o melhor da carreira, ele fala de um em que não conquistou vaga olímpica, o ciclo dos jogos de Londres em 2012: "O ciclo do Rio foi bom, mas o melhor ciclo da minha carreira foi o ciclo de Londres. Eu também não me classifiquei por detalhe, perdi a vaga por décimos, mas em termos de resultado, onde eu estava atirando melhor. O ano de 2011 foi o ano que eu consegui mais resultados expressivos em termos de pontuação."

Por fim, uma lamentação na carreira: Não poder disputar uma olimpíada em sua melhor prova - pistola de fogo central 25 metros, onde ele é bicampeão mundial - que não é olímpica:  "Infelizmente a fogo central não é olímpica, porque ela é minha prova forte. Essa foi a prova que eu comecei na carreira, porque ela é uma prova que tem no mundial das forças armadas. Comecei minha carreira de atirador esportivo nessa prova e depois a força aérea me convocava para representar o Brasil em mundiais militares.. E o curioso é que a prova da pistola 25m feminina, é igual a masculina, é olímpica e a masculina não. E a única diferença da pistola de fogo 25m masculina olímpica  é calibre 22 enquanto a fogo central é calibre 32. " concluiu.

foto: Abelardo Mendes Júnior/ rededoesporte.gov.br


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