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Paracanoístas são compadres, dividem apartamento e brigarão pelas mesmas medalhas nos Jogos de Paris

Paracanoístas são compadres, dividem apartamento e brigarão pelas mesmas medalhas nos Jogos de Paris
Foto: Divulgação/CBCa

Após a convocação da Seleção Brasileira de canoagem que irá para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024, um duelo peculiar foi confirmado em águas francesas na prova VL2 200m masculina (atletas que usam o tronco e os braços na remada). O paranaense Igor Tofalini e o sul-mato-grossense Fernando Rufino estarão na disputa pelas mesmas medalhas no megaevento. 

Amigos de longa data, os atletas travaram grandes confrontos no atual ciclo e, pela primeira vez, foram convocados juntos para a mesma edição dos Jogos Paralímpicos. Igor Tofalini esteve nos Jogos do Rio 2016, já Fernando Rufino foi campeão paralímpico em Tóquio 2020. 

Desde então, os dois vêm dividindo pódios nacionais e internacionais. No ano retrasado, em Halifax, Canadá, Igor levou a melhor sobre Fernando no Parapan-Americano e no Mundial da modalidade. 

Na competição continental, o paranaense terminou o percurso em 52s5, seguido pelo sul-mato-grossense, que fez o trajeto em 53s4. 

Já no Mundial, realizado dias antes, a vitória foi ainda mais apertada. Igor completou a distância em 51s67, apenas 33 centésimos à frente de Fernando. “Nós dois treinamos juntos e também dividimos um apartamento em Curitiba. Tem sido um ciclo perfeito para nós dois. Temos uma relação muito boa. Fui padrinho de casamento dele. Mas é preciso saber separar a profissão da amizade. Vamos disputar um ouro e uma prata lá em Paris, se Deus quiser”, disse o sul-mato-grossense, que era peão, mas, após ser atropelado por um ônibus e perder parcialmente o movimento das pernas, começou na canoagem. 

“Ele é um atleta muito bom e sei que não posso errar nada se quiser sair dos Jogos Paralímpicos como campeão novamente. Vai ser uma disputa muito acirrada, como tem sido nas outras competições do ciclo”, completou Fernando, que também disputará a prova KL2 200m na França. 

Em 2023, o sul-mato-grossense conseguiu sua “revanche” sobre o compadre paranaense. Na cidade de Duisburg, Alemanha, conquistou o título mundial, enquanto Igor ficou com o vice-campeonato. Os dois repetiram a dobradinha, nas mesmas posições, em Szged, na Hungria, no último mês de maio. Foram três mundiais consecutivos com dobradinhas dos brasileiros. 

“Competir em uma edição de Jogos Paralímpicos é o sonho de todo atleta. Estar ao lado de um grande atleta, como o Fernando Rufino, é algo que me motiva ainda mais. É uma força extra para eu ir atrás dos meus objetivos”, analisou Igor, que, assim como Fernando, era peão de rodeio até que caiu de um touro, levou um pisão do animal nas costas e ficou paraplégico. Começou na natação, mas logo recebeu o convite do técnico Gelson Moreira Souza, no Iate Clube de Londrina, para migrar à canoagem adaptada. 

“Nós dois temos uma vida muito parecida. Somos de família simples, do meio rural. Ele foi peão e eu também. Então, tudo isso é uma grande história que estamos vivendo na canoagem. Vai ser muito bom disputarmos uma edição dos Jogos Paralímpicos juntos. Vamos lá em busca de medalhas e fazer história no nosso esporte”, concluiu o paranaense. 

Além dos dois, o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) anunciou a convocação de mais seis canoístas para os Jogos Paralímpicos de Paris: Adriana de Azevedo, Aline de Oliveira, Débora Benevides, Luís Carlos Cardoso, Mari Santilli e Miqueias Rodrigues. 

Já são conhecidos atletas de 10 modalidades que vão representar o Brasil na capital francesa. No próximo dia 11 de julho, o CPB irá convocar esportistas de mais nove (atletismo, bocha, ciclismo, halterofilismo, judô, remo, tiro esportivo, tiro com arco e triatlo). Os tenistas serão anunciados sete dias depois.


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