O paraense Leony Pinheiro é o único b-boy brasileiro com possibilidades de ainda conquistar uma vaga no Breaking para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Para isso, ele terá de conquistar bons resultados nas duas últimas etapas qualificatórias do circuito olímpico, que serão realizadas em maio, na China, e em junho, na Hungria.
O b-boy contou, em uma entrevista à Folha de São Paulo, que tinha 12 anos quando ouviu de seu primo que um homem se levantou do chão sem nenhum machucado depois de ter girado de cabeça para baixo durante quase cinco minutos na praça de São Braz, em Belém. Leony então foi lá conferir e viu que era isso que queria fazer na sua vida.
Não demoraria muito para ele deixar de ser apenas um observador e passar a desenvolver os próprios movimentos, motivado também pela possibilidade de empregar um estilo próprio à dança de rua criada na década de 1970 em Nova York. Leony costuma buscar referências da cultura, da dança e da música do Pará, principalmente o tecnobrega, para criar seus movimentos.
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B-boy Leony é o único brasileiro ainda com chances de buscar uma vaga nos Jogos de Paris 2024. Ele vai participar das duas últimas etapas qualificatórias deste ciclo olímpico, em Xangai, na China, de 16 a 19 de maio, e, depois, em Budapeste, na Hungria, de 20 a 23 de junho. O brasileiro busca uma das vagas na série de qualificação olímpica ou ainda uma das duas vagas no critério de universalidade.
"Não é fácil, é muito difícil, porque agora a gente só tem os 40 melhores do mundo, e, sendo bem sincero, não estou entre os dez melhores do mundo. Talvez no top 16 do mundo eu esteja. A classificação já seria algo incrível. Não que a gente se contente com uma classificação, mas é importante a presença do Brasil nesse momento histórico [para o breaking]", reconhece o b-boy.
Nascido e criado no Pará, ele também deseja usar a dança para ajudar a desenvolver o bairro em que cresceu, chamado 40 Horas. Ele mesmo tenta ajudar, dando aulas de dança para crianças em um projeto social.
"Graças à visibilidade que a gente teve, a prefeitura finalmente vai asfaltar uma rua, e fui chamado para inaugurar. Sou um cara que defende muito a nossa regionalidade. O Brasil é um país muito cultural. Cada região tem a sua particularidade. Defendo que a gente honre essas particularidades. Sou do Pará e levo a minha cultura para onde eu vou", afirmou o B-boy.
Hoje, aos 28 anos, Leony tem como sonho levar o breaking misturado com tecnobrega aos Jogos de Paris, onde a dança de rua vai estrear como modalidade olímpica. A capital francesa é um lugar especial para Leony. Quando tinha 15 anos, ele fez sua primeira viagem internacional para competir com B-Boys e B-Girls e ainda participou como figurante do filme "Batalha do Ano", com o rapper norte-americano Chris Brown, ganhando seu primeiro cachê.
"Foi muito louco ver como fomos tratados lá. Era uma parada totalmente diferente do que é aqui no Brasil. O breaking é muito forte na França, e não é de hoje. Tem muitos anos que o governo de lá investe, apoia e incentiva", observa.
Em 2013, aos 17 anos, Leony Pinheiro ganhou seu primeiro título do Red Bull BC One Brazil, feito que repetiria em 2016, 2017, 2022 e 2023, representando o Brasil na disputa mundial do Red Bull BC One, maior torneio individual do mundo entre B-Boys e B-Girls.
A nova modalidade olímpica terá 32 atletas, 16 homens e 16 mulheres, respeitando uma cota máxima de dois B-Boys e duas B-Girls por país. A França, país-sede, já tem garantidas duas vagas, uma por gênero. A estreia do breaking no programa olímpico acontecerá nos dias 09 e 10 de agosto, na histórica Place de la Concorde, epicentro dos esportes urbanos nas olímpiadas deste ano.
*com informações da Folha de São Paulo

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