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Seleção de breaking aposta em sucesso da modalidade em Paris: "O Breaking tem o poder de transformar a vida das pessoas"

CNDD/Divulgação

* Com Matheus Maia

A grande novidade dos Jogos olímpicos de Paris está a todo vapor. O Breaking, que foi visto com desconfiança quando foi anunciado como uma das modalidades do programa olímpicos dos jogos da capital francesa em 2020, vem atraindo bom público em suas competições que contam pontos para o ranking olímpico, como a etapa do Rio de Janeiro Breaking for Gold, disputada na última sexta e sábado (14 e 15 de abril).

O Brasil acabou não tendo uma boa atuação dentro de casa, ficando longe do top 16, mas o B.boy Rato EVN e as B.girls Mini Japa e Nathana, em entrevista exclusiva ao Surto Olímpico durante o evento, mostraram tranquilidade e foco no objetivo de somar pontos no ranking olímpico, de onde os 40 melhores dançarinos se classificam para o pré-olímpico mundial:

"Esse evento em casa foi muito importante para a gente, a gente pôde dançar mais, conseguiu ficar mais à vontade. E a gente está em busca da pontuação para o ranking e no caminho certo. Estamos até bem no ranking" Disse Mini Japa, que foi a melhor colocada entre os brasileiros na etapa do Breaking for gold, no top 32.

Sobre o Breaking ter virado olímpico, os três são unânimes ao afirmar que a entrada da modalidade ajudará a cultura hip-hop deixar de ser marginalizada e o COI a atrair um público mais jovem, com ambas as partes tendo só a ganhar com a parceria:

"Acho que a Olimpíada, podemos dizer assim, ficou uma coisa 'ultrapassada', com esportes bem antigos e eles precisavam trazer um público mais jovem. Como a gente sempre dentro da quebrada, com um trabalho muito forte de inclusão social no Brasil e no mundo, acho que essa entrada é boa pra eles e boa pra gente." Explicou o B.boy Rato EVN



"O breaking já teve um ápice nos anos 80 e acredito que não se tinha a maturidade para entender o que tava acontecendo, não souberam aproveitar tanto esse holofote que foi nos dado na época. Agora acredito que a gente tá conseguindo aproveitar. O grande benefício (da entrada na olimpíada) é que o breaking está deixando um pouco de ser tão marginalizado, a gente consegue ser mais aceito, até mesmo dentro de casa." disse Mini Japa

"Eu vejo que o breaking chegou em um patamar, que eu acredito que era pra ter chegado nesse patamar há muito tempo. Têm pessoas que talvez não esperavam, mas eu vejo que o breaking ganhou um destaque muito grande no mundo, porque se você for pesquisar, tem gente dançando breaking em países tradicionalmente fechados. Vejo essa entrada na Olimpíada como positiva, pois muita gente não entendia a nossa cultura, via nossa dança como uma coisa marginalizada, mas isso não é só um hobby, isso é um trabalho para gente. E assim como skate, que já foi marginalizado um dia e é visto com outro olhar, o Breaking também vai ser, porque acredito que o breaking chama muito a atenção dos jovens e tem o poder de transformar a vida das pessoas." argumentou a B.girl Nathana


A entrada do Breaking na olimpíada mudou a vida dos B.boys e B.girls, que deixaram de ser somente elementos da cultura de hip-hop para se transformarem em atletas, que tem uma rotina regrada, com treinamentos rígidos e alimentação saudável, o que é um dos maiores desafios vistos pelos dançarinos da seleção brasileira:

"Tem toda uma regra que nós temos que seguir como atleta, nós agora temos que ter todos o cuidado com o que tomar, o que comer, porque tem coisas que caem no doping e temos que ficar atento o tempo inteiro, a responsabilidade é muito maior do que antes." afirmou Nathana

Mini Japa também citou a obrigatoriedade de realizar alguns movimentos para os jurados, sem perder a essência de cada b.boy ou b.girl, como outro novo desafio no breaking:

"Algumas coisas que não eram enfatizadas, agora estão sendo na nova regra, como por exemplo, o Top Rock (sequência de passos de dança em pé) a gente agora é obrigado a fazer. É obrigado a fazer também o footwork (movimento no solo em que o dançarino usa o apoio das mãos para mover pés e pernas). mas tudo isso sem mudar o nosso estilo, apenas para agregar mais na modalidade"


E no mais, a expectativa é de que o breaking seja um grande sucesso na olimpíada, o Brasil esteja com representantes da modalidade em Paris. Rato EVN vê a experiência que a seleção brasileira está tendo no Breaking for gold como fundamental para chegar nos Jogos Olímpicos:

"Acho que o Brasil tem bastante potencial para chegar na olimpíada, todo mundo se sente parte disso. A gente tá tendo a oportunidade de competir contra caras de fama mundial dentro do breaking e isso vai trazer o que tá faltando para o brasil estar entre os melhores, essa experiência vai ser muito importante pra gente chegar lá." concluiu




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