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Camila Ferezin, treinadora do conjunto brasileiro, afirma: "Estamos sim, entre os melhores"

Camila é loira e branca. Ela está apoiada numa placa e está sorrindo. Ela está de agasalho verde
Camila e sua assistente, Bruna Martins (Foto: Ricardo Bufolin/CBG)


O conjunto brasileiro adulto está em mais do que uma boa fase, ele está se consagrando entre os melhores do mundo. O pódio no geral na etapa de Atenas da Copa do Mundo da modalidade foi a consolidação de um trabalho e ele é feito pela treinadora Camila Ferezin, que deu uma entrevista exclusiva ao Surto Olímpico nesta terça, três dias depois de subir ao pódio.

Ela vive a ginástica rítmica desde os seus oito anos de idade, competiu em Syndey-2000, treinou a equipe nos últimos dois Jogos Olímpicos e não esconde o orgulho de ter levado o Brasil para o topo da modalidade, que até o último sábado nunca tinha visto um país de fora da Europa e da Ásia subir ao pódio em competição deste nível.

É uma vida dedicada a esta modalidade, então me sinto muito feliz de colocar o nosso país no Top-5 do mundo, onde sempre sonhei chegar! E começamos o ano ratificando que estamos sim, entre os melhores. Prova disso foi mais um resultado inédito nesta primeira Copa do Mundo na Grécia, conquistando o terceiro lugar no geral!

O Brasil já havia brilhado em outra etapa da Copa do Mundo no ano passado, quando foi bronze nos cinco arcos e também foi campeão Pan-Americano no Rio de Janeiro. No Mundial de Sofia, realizado também em 2022, o conjunto foi quarto nos cinco arcos e quinto no geral.

A série dos arcos era do "Fantasy on Ice", espetáculo da Disney de dança no gelo e era uma coreografia adorada pelo público e que já vinha encantando os juízes. Mas o conjunto resolveu mudar para "I Wanna Dance with Somebody" de Whitney Houston e Camila contou sobre a mudança e como avaliaram esta primeira apresentação.

"Ano passado ficamos em quarto lugar nesta série de cinco arcos no Campeonato Mundial em Sofia (BUL) e a decisão de mudar algo que foi tão bom e inédito, não foi nada fácil.

Mas fomos corajosos, sabíamos que teria que ser algo realmente muito melhor para ninguém ficar sentindo falta ou relembrando a coreografia anterior. E assim foi exatamente como planejamos! As meninas foram incríveis, tiramos uma nota altíssima e o público foi nosso melhor termômetro", contou empolgada com a primeira recepção a nova coreografia.

A equipe brasileira é formada por 12 atletas que ficam em Aracaju treinando e na última etapa, Sofia Madeira competiu pelo conjunto pela primeira vez. Camila explicou então como funciona a definição das atletas que vão para cada etapa.

Temos 2 áreas para treinamento e assim formamos dois grupos que trabalham simultaneamente. Temos o costume de chamá-los de G1 e G2 (G1 é o grupo titular e o G2, o reserva). Assim vamos trabalhando ao longo da temporada e viajando com o grupo tecnicamente, fisicamente e emocionalmente melhor preparadas para o momento.

Este ano, o calendário reserva mais um Mundial e o Brasil quer subir no pódio, pegando também a vaga para os Jogos Olímpicos de Paris-2024. Camila não esconde a empolgação com a chance de pegar a medalha no campeonato deste ano. 

Estamos acreditando e trabalhando muito para isso, esta é nossa meta principal. Estou à frente da Seleção há 12 anos e nunca estivemos tão bem preparados e tão perto deste sonho se tornar realidade.

"Vamos dar nosso melhor todos os dias e o Mundial vai ser consequência de um trabalho planejado e organizado por um grupo de profissionais e ginastas que chamamos internamente de “fora da curva”, que amam o que fazem, que acordam cedo e arregaçam as mangas todos os dias, que correm atrás de ser melhores do que ontem e acreditam que é possível sim estarmos entre os melhores do mundo!"

A evolução do Brasil segundo Camila

Equipe brasileira de collant com detalhes verdes e rosa se apresentando nos arcos. Uma das atletas está entre os arcos que formam um globo feito pelas outras quatro
Foto: Reprodução/ Canal Olímpico do Brasil

Camila está perto de completar dez anos de seleção e quando ela assumiu, ver o Brasil no pódio em competições internacionais parecia ser um sonho um pouco distante. Porém isso nunca foi problema para ela, que soube bem aproveitar o seu grupo e deu corpo ao seu trabalho.

Perguntada, a treinadora nos apontou os fatores que ajudaram o país a chegar no atual patamar.

"Acredito que são vários fatores: primeiro, iniciamos o ciclo 2017-2021 com este time muito jovem e inexperiente e a continuidade do trabalho com o mesmo grupo neste ciclo, fez toda diferença, agora temos um grupo tecnicamente muito bom, aliado a maturidade e experiência, assim estamos conseguindo resultados inéditos neste ciclo".

Segundo, a mudança do código de pontuação valorizando a parte artística da GR, também foi um ponto positivo para a gente, é o diferencial do nosso trabalho. Sempre apostamos muito neste quesito", contou a treinadora.

"O terceiro e essencial ponto foi que conseguimos melhores resultados e consequentemente mais investimento. Temos um time de peso de profissionais que trabalha por trás das nossas ginastas  (em torno de 20 profissionais envolvidos diretamente com a Seleção Brasileira de GR). 

Todos são profissionais, doutores em suas áreas e trabalham em universidades, a cientificidade no nosso trabalho tem nos ajudado nos pequenos detalhes que fazem a diferença p estar entre os melhores do mundo", finalizou exaltando o trabalho de toda a comissão.


 

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